terça-feira, 5 de setembro de 2017

Troféu Brasil - Setembro/2017 - Relato - Fotos e pensamentos


RELATO

Troféu Brasil – Distância Olímpica.

Bem difícil sair do ritmo de Ironman para esta distância.
Recuperar velocidade. Sair do modo cruzeiro e ir para o modo pau-no-gato.

Toda prova é dura. Independente da distância. Se é longa, é dura por si só. Se é mais curta, é dura pela intensidade.
Isso é muito bom.


Natação
Nesta etapa, o mar estava bem chatinho. Volumoso. Sem ondas no local da prova, mas a gente se sente como um palito ao sabor das correntezas. Fracas, mas correntezas.
Água bem fria para o padrão de Santos.
Distância da natação bem adequada. Certeza de ter pelo menos os 1.500m.

Nadei o mais tranqüilo possível, para não passar nenhum perrengue. Não foi nenhuma maravilha. Mas foi do jeito que eu queria. Sussa.

Saí do mar como queria, ou seja, sem stress e com a FC bem baixa.


Ciclismo
O pedal foi naquele percurso que não deveria ser, de acordo com o publicado pela organização.
O prometido era o percurso de 2 voltas, com a extensão dele pela Av. Perimetral.
No simpósio, o Nubio me disse que não foi possível porque os órgãos públicos não conseguiram implantar a contenção de caminhões para liberar a avenida.
Prometeu que, para as 2 últimas etapas, será nesse formato que não foi.
A ver...

Percurso travadinho, de 4 voltas de 10 km cada. Honestíssimo. Ao final da etapa, ao pegar minha bike na transição, chequei a distância: 40,33 km.
O tempo vai lá pra cima. Não no caso dos ETs que pedalam pra mais de 40 km/h. No caso dos simples mortais, o tempo sobe bastante com as retomadas de velocidade.
Fora as coxas inchadas para correr. Mas, como sempre falo, é pra um, é pra todos.


Corrida
Corrida sem maiores problemas. Corri melhor do que esperava e pior do que podia.
Ao final, uma sensação estranha.

Campeão da categoria MV (Muito Velho) 60/64A

Vamos às Fotos e depois aos Pensamentos...



FOTOS

(Clique em qualquer foto, para ver em tamanho original)

1-Tradicional, antes da largada

2-Tô por aí

3-Largou

4-Primeira volta

5-Final natação

6-Uma duchinha, antes do pedal

7-Em uma das 4 voltas

8-Final do pedal

9-Bóra correr

10-Finalizando a primeira volta

11-Vamos acabar logo com isso

12-Cabô

13-Campeão, com pódio quase vazio

14-Feliz que nem pinto no lixo

15-Saúde

16-Troféu - Medalha



PENSAMENTOS

Triste por ver uma prova tão tradicional muito esvaziada.
Fazendo uma conta rápida, acho que não havia mais do que 250 atletas, contando Short e Olímpico.
Numa breve conversa com meu amigo Rubão, pela rede social, me veio à mente uma porrada de pensamentos a respeito disso.

Muitos criticam os organizadores pelo preço praticado, inclusive este aqui, que está pensando.
Não me julgo capacitado para fazer isso mais profundamente.
Penso que um cara que, há mais de 25 anos, organiza um campeonato como o TB e mais o Internacional de Santos tem know-how suficiente para saber o que está fazendo.

Como empresário bem sucedido que fui por um período um pouco maior, penso que, no lugar dele, eu optaria por reduzir bastante o valor das inscrições.
Fato é que, com menos atletas e preços altos, provavelmente a lucratividade é a mesma.
Porém, com preços baixos e muitos atletas, isso poderia atrair patrocinadores.
Mas, são apenas pensamentos.

Mesmo em minha vida de empresário bem sucedido, errei muito. E paguei um alto preço por isso. Mas tive que me reinventar.

Como reclamar de preços, se um Ironman em Floripa, cobrando US$ 800,00 mais taxas, ou R$ 3.000,00 mais taxas, demora mas preenche todas as 2.500 vagas ?

Triathleta é um bicho estranho.
Presenciei alguns atletas, na feirinha (feirinha mesmo) do TB, pagando uns R$ 800,00 num tênis Hoka.
R$ 1.750,00 num capacete.
R$ 300,00 num top.

Fora os que usam sapatilhas de um barão, roupas de 2 barões e bikes de 60 barões. É... na linguagem antiga, "barão" é mil reais.

Vocês não leram errado, não.
Vou soletrar: B + A + I + Q + U + E = Bike de R$ 60.000,00 (sessenta mil Reais).

Nada contra. Se o cara pode e isso o deixa feliz, táca-le pau.
Mas, às vezes, esse mesmo cara acha caríssimo pagar, digamos, uns R$ 200,00 para um treinador (coach) que vai dedicar todo o seu conhecimento adquirido em anos e anos de estudo e aperfeiçoamento de conhecimento, para tentar fazer do cara da bike de 60 paus um melhor atleta.

Imagino que, caso um dia acabe o TB, muitos dos que o recriminam vão choramingar.

Gostaria eu de ter competência para poder criticar quem organiza provas, sejam elas apenas de corrida, natação ou ciclismo, ou tudo junto e misturado.
Como não tenho, prefiro criticar naquilo que me cabe como atleta.

Antes que me recriminem...
Não, não tenho procuração para defender o Núbio, nem ninguém.
São apenas pensamentos... dos quais também me questiono.
Um pouco triste, mas sempre otimista.


ALOHA!

Próximo desafio... INSANO – GUARATUBA - PR


3AV
Marco Cyrino


quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Seu primeiro Ironman???


Este post é destinado a quem irá fazer seu primeiro Ironman.
Pode, eventualmente, ter algum comentário que ajude quem irá fazer o 2º ou até mesmo o 3º Iron. Tomara!

Portanto, escreverei falando diretamente com você, que fará seu primeiro Iron.

Obs.: Não estranhem a falta de concordância na conjugação dos verbos, pois em Santos falamos erradamente "tu" com a conjugação de "você". Logo, algo poderá passar com esse erro de concordância... rsrsrs


Participação da família
Espero que, antes de fazer a inscrição, você já tenha conversado, negociado e entrado em entendimento com a sua família.
Porque não vai ser fácil.
Mesmo que já tenha feito a inscrição e ainda não tenha conversado, dá tempo sim... rsrsrs.

Leia mais sobre isto, no item "Posts relacionados", mais abaixo.


Aplicação de tempo
Você terá que dedicar muito tempo a essa empreitada.
Sabe aquelas noitadas de sextas-feiras ou sábados? Esqueça!
Sabe aqueles churrascos de final de semana, regados a cervejinha gelada? Esqueça também!


Treinos em volume crescente
Se você fizer um planejamento de, digamos, 5 meses de treinos especificamente para essa prova e, dependendo de sua experiência em provas de Triathlon, os primeiros 3 meses serão de boa.
A partir daí, com o aumento de volume de cada uma das modalidades, principalmente ciclismo e corrida, a coisa vai ficando punk.

Haverá pelo menos um treino longo de transição de ciclismo e corrida. Algo próximo de 100 km x 20 km.
Excelente oportunidade para já ir testando sua alimentação e hidratação para o Iron.
Este item é absolutamente fundamental. Diria que 50% da possibilidade de sucesso dependem disto. Volto ao assunto mais adiante...
Os outros 50% dependem de seu treinamento físico.


Objetivos
Dependendo de seus objetivos e de sua faixa etária, a perspectiva de resultado será bem diferente.
Existem aqueles que, já ao fazerem seu 1º Iron, têm a perspectiva até mesmo de uma vaga para o mundial em Kona.
São atletas quase profissionais. E normalmente são atletas de uma faixa etária média de até 35 anos.
Estes dados não constam em nenhum estudo. São baseados apenas em meu feeling e, portanto, podem estar errados.
Coloquei estes dados apenas para registrar que esse tipo de atleta é a exceção. Não devemos nos basear em seus treinos e estratégias para realizar nosso 1º Iron full.
A maioria dos atletas que irão realizar esse sonho deve se preocupar em concluir a prova da melhor e mais saudável forma possível. Este deve ser o Plano "A".
O tempo de prova, embora todos nós que fazemos Triathlon saibamos que é a principal referência, não deve ser o mais importante.


Saúde - cuidados
Sugiro que, em primeiríssimo lugar, você realize uma bateria de exames clínicos (um checkup) para se certificar de suas condições de saúde.
Exames de sangue, fezes, urina, pulmões, cardiológicos, etc.
Procure encontrar um médico com experiência em esportes, para lhe avaliar e recomendar uma suplementação adequada, como pré e pós-treinos, aminoácidos, repositores e por aí vai.
Evite seguir recomendações de atletas mais experientes, sem o aval de seu médico.
Ah! Importante também... evite cair na tentação de consumir substâncias ilícitas para melhora da performance.

Se possível, recorra a um profissional de nutrição com especialidade desportiva.
Pode parecer uma crítica a esses profissionais, mas não é. Trata-se apenas de uma constatação. Em boa parte, são excelentes para prescrever dietas para perda de peso. Aqueles com experiência desportiva são os capazes de lhe dar informações pertinentes à dieta para o fim desejado, ou seja, para fazer um Iron Full.


Orientação para treinar
Sugiro fortemente que recorra a um profissional da área, para lhe treinar adequadamente.
Tenho minha experiência pessoal quanto a isto.
Escolha alguém que lhe possibilite um acompanhamento, se possível diário, dos seus treinos.
Nunca deixe de dar um feedback a ele, com relação aos seus treinos, seja sobre a performance ou seja sobre o seu estado físico.
Enfim, tenha um canal de comunicação gigante com ele.


Nutrição e hidratação nos treinos
Falei há pouco sobre a importância da nutrição e hidratação nos treinos.
Pratique isto com a mesma importância dos treinos físicos.
É difícil ao extremo acertar os tipos e quantidades de nutrientes e líquidos para provas longas.
E, no dia da prova, não ouse modificar nada que não tenha sido exaustivamente treinado.


Treinos longos - duração - onde - como...
Os treinos chegarão a um ponto em que você vai passar pelo menos 3 horas correndo, ou 6 horas pedalando, ou 1,5 hora nadando direto. Claro que em dias alternados. Fora todos os preparativos para realizar esses treinos.

Ciclismo
No meu caso, o pedal é o item de maior dificuldade, devido à logística.

Cagão que sou, tenho evitado nos últimos anos pedalar na Rio/Santos, devido a vários incidentes e acidentes, desde atropelamentos, assaltos, enfim...

Para quem é de São Paulo ou região, recomendo gastar um pouco mais de tempo e dinheiro e treinar no Riacho Grande, na Estrada Velha do Mar.
Um percurso de 8 km, perfazendo 16 km cada volta, porém com muito mais segurança. Quem conhece sabe do que estou falando. Quem não conhece, procure conhecer.

De qualquer forma, imagine um treino, já no final dos ciclos, de 180 km mantendo uma média de 30 km/h. Serão 6 horas ininterruptas pedalando. Tempo esse que vai aumentar para que você possa fazer uma ou mais paradas para uma mijada amiga, um reabastecimento (de líquidos ou alimentos), uma desempenada na carcaça. Lá se foram umas 6 horas e meia. Acrescente o tempo para ir e voltar ao local de treino.
Pronto. Pronto? Pronto nada!
Acrescente a preparação de tudo o que irá levar, no dia anterior.

Corrida
Embora o tempo e a logística demandada sejam bem menores, o desgaste físico é muito maior.
Comparativamente, o tempo do maior treino deve ficar em torno de 3 a 4 horas, dependendo do ritmo (pace) que for capaz de manter.

Não deixe de levar nutrição e hidratação necessárias ao treino.
Um cinto de hidratação, com encaixe para uma garrafa grande de água, vai muito bem. Esses cintos normalmente têm bolsos (nas bermudas também tem) para colocar outros itens, como cápsulas de sal, BCAA, etc.
Leve também uns trocados para comprar água pelo caminho, pois uma garrafa apenas não é suficiente.

Natação
Embora seja a modalidade de maior risco na prova, é o menor dos problemas para quem tem uma piscina adequada para treinar. Mas o desgaste também é grande. Um treino longo dá em torno de 1 hora e meia nadando direto.


Imagine que provavelmente serão 2 treinos diários, um de cada modalidade, com aumento progressivo de volume, até chegar a um patamar no qual, em 3 dias da semana, haverá um longão de cada modalidade.

Não quero tirar a motivação... Ao contrário, é apenas para que se saiba que não é fácil.

Descanso
Ah... o descanso.
Já li, ouvi e pratiquei muito.
O descanso é fundamental.
Um dia totalmente OFF, do meu ponto de vista, é imprescindível.
Fora o descanso entre os treinos, que deverá ser feito diariamente, antes que seu corpo cobre o preço.

Como diz o velho deitado (é velho deitado mesmo... e não velho ditado... kkk):

– "Descanso é treino".


Checklist
Faça uma checklist de tudo que irá precisar na prova.
Veja estes dois posts relacionados ao assunto:



Posts relacionados
Ainda, publicamos inúmeros outros posts relacionados ao tema geral desta matéria. Dentre eles, selecionamos para sua leitura:

* Texto excelente (Ser Ironman é um estado de espírito)
* Ironman 2009 - Etapa Florianópolis - 31.05.2009 (Decidindo me tornar Ironman)


Aproveitar o melhor
Por último, para aqueles aos quais se destina este post (os que querem terminar o Iron Full com muita saúde e alegria, e poder depois confraternizar com seus familiares, amigos, atletas) indico que retirem de suas cabeças toda e qualquer expectativa de fazer uma super prova, de bater um record que ainda não existe, de se superar a ponto de chegar rastejando ao pórtico de chegada, de prejudicar a sua saúde.

Recomendo que, após haverem percorrido todo o processo de treinamento, de testes disso e daquilo, de exames daquilo e disso, e de terem enfrentado todos os seus demônios, aproveitem a prova, pois ela é a cereja do bolo.
Se não gostar de cereja, que seja o morango. Se também não gostar, que seja aquilo que você mais ama do bolo.

Porque o primeiro Iron nunca mais vai ocorrer. Ele é único. Parece óbvio, mas não é.
Curta tudo e todos que estarão lá torcendo por você e por todos os atletas.
Aproveite cada momento.
Aproveite cada braçada no mar, com ou sem correnteza.
Aproveite cada pedalada, cada subida e descida, com ou sem vento, com sol ou chuva.
Aproveite cada passada, com cansaço ou com muuuuuiiiito cansaço.


Haverá momentos em que, com certeza, você se perguntará ""que porra você está fazendo ali"". Nesses momentos taca o "dane-se" e prossiga.

Estabeleça pequenos objetivos... como já fiz em "N" vezes.
Tipo... agora danou-se... num guento pedalar nem mais 1 km e ainda faltam 50 km. E depois ainda tenho que correr 42 km.
Ah é? Então ta! Perdi. Vou sair dessa porra. Mas, vou pelo menos chegar ao km 150 do pedal.
Uxi! Cheguei!
Então vou até o km 160... mas, vou priorizar me alimentar, me hidratar, diminuir ainda mais o ritmo.
Caraca! Completei os 180 km.
Bom... vou andar um pouco nessa corrida... já estou aqui mesmo!
Véio... completei os primeiros 21 km... acho que vou fazer mais 5 km.
Num é que agora só faltam 10 km???

E então, ninguém e nada mais vão impedir você de terminar...

E, quando chegar naqueles últimos 3 km da Búzios (em Floripa), onde já dá pra escutar o locutor falando para vários atletas:

- "Fulano...VOCÊ É UM IRONMAN !!!"

...do nada, você vai se pegar correndo como se houvesse acordado naquele momento... Danem-se as câimbras, as dores e dane-se o mundo, que eu não me chamo Raimundo. E se meu nome for Raimundo, melhor ainda...

Ou, de repente, sua prova sairá tão redonda, que você vai se surpreender e nunca mais deixará de fazê-la.


Qualquer que seja a sua experiência, tenho absoluta certeza de que ela lhe agregará muitos valores... para além da sua vida desportiva, muito mais para a sua vida pessoal.

Serão ensinamentos de força, persistência, perseverança, amizades e outros tópicos, que você levará pro resto da sua vida.

Tenha certeza disso.

Ótimos treinos e
Aloha !!!

3AV
Marco Cyrino


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Porque eu faço Ironman?


Essa pergunta já me foi feitas inúmeras vezes.
E por todos os tipos de pessoas: familiares, amigos, conhecidos, desconhecidos, esportistas (dentre eles Triathletas e não-Triathletas), gente totalmente sem noção e gente com muita noção.

Nunca consegui ou nunca tive a oportunidade de explicar pormenorizadamente o "porquê".
Na maioria das vezes, por falta de tempo para colocar "os motivos" e não apenas "o motivo".
Outras tantas, a maioria, por falta de interesse do interlocutor em ouvir tudo que teria para falar.
Digo isto porque dificilmente temos apenas um único motivo para fazer Ironman. Exceto aqueles que o fazem apenas uma única vez.

Esses, sem contestá-los, provavelmente têm um único motivo. E não vou me estender a respeito disso, porque o tema deste post não é "os motivos dos outros" e sim "os meus motivos".
Também não sou contra, porque não tomo conta da vida de ninguém.


Vamos então aos meus...

Movimento...
- Tenho uma necessidade absurda de ficar me movimentando. 
Nenhuma patologia, não. É necessidade de praticar algum esporte.
O Triathlon veio a calhar, em um período da minha vida que, por força de lesão no tendão de Aquiles, não poderia ou não deveria mais jogar futebol.
A corrida, seja apenas a corrida de rua, seja Biathlon, Triathlon etc., oferece infinitamente menos riscos a esse problema do que jogar bola.
Futebol impõe uma série de arranques, giros e outros movimentos que aumentam muito a possibilidade de lesões, principalmente para quem já as tem.
Daí que, ao começar a participar primeiramente de Biathlons e depois aderir ao Triathlon, deparei com modalidades que, além de me manterem em atividade o tempo todo, visto a necessidade de treinos para concluir uma prova, foram aos poucos me disciplinando.


Disciplina...
- Confesso que nunca fui muito disciplinado naquilo que não era obrigação.
Trabalho? Disciplinadíssimo. Estudo? Disciplinado. Esportes? Pra que disciplina se eu me achava? Surf e futebol (este último, exceto quando era muito moleque e meu tio me levou para treinar no "Dente de Leite" do SFC) nunca me exigiram muita disciplina. Surfava, jogava e pronto.

- O Triathlon, mesmo que o Short, começou a me ensinar um pouco de disciplina no esporte.
Fazendo parênteses: No surf e no futebol eu era indisciplinado disciplinadamente. Dá pra entender? Acho que não. Vou dar apenas um exemplo de cada um.
No surf, depois de ficar "cagado" com um caldo que tinha tomado, perdido a prancha e saído do mar no sufoco, cheguei a ir para a praia com a prancha em dias totalmente flats (sem ondas), remar até uns 300m da praia e voltar nadando (com a cabeça fora d'água, modalidade que eu praticava então... rsrsrs), empurrando a prancha até onde dava pé, por umas 10 vezes. Isso é disciplina?

No futebol, quando o Seu Papa (técnico da Burrinha) disse que eu não podia jogar no meio de campo porque eu só olhava a bola e não o "jogo", passava dias chutando bola contra a parede do prédio, sem olhar para ela quando ela voltava. Cansei de furar. Ao final de não sei quanto tempo, a coisa ficou normal para mim.


Mudança para melhor...
- Quando o Triathlon entrou definitivamente em minha vida, influenciado que estava por alguns amigos como Edney Batista, Claudio Miller, Cleber Celino, Edmilson Scrassulo, entre outros, nunca me vi como um atleta, mas apenas como um desportista que estava adorando o que fazia.

- Aquilo começou a mudar minha vida para melhor. Não no sentido competitivo, embora isso faça parte de qualquer esporte.
Mas, principalmente no sentido de evolução.
Começou a aflorar aquilo que eu, mesmo sem entender já praticava. Tipo, deixar de dar uma puta chuveirada na cara de um surfista, numa rasgada, para não colocá-lo em risco.
Ou, ao cometer um pênalti segurando o calção do adversário e o juiz marcar, reconhecer e afastar do árbitro os meus companheiros que queriam que não marcasse o pênalti. Essa foi fácil. Estava 4x1 pra gente.... kkkkk
Mas, passei a ver o esporte pelo lado não tão competitivo, mas solidário. Guardem esta frase.


Amizades...
- Quando fui evoluindo no Triathlon, bem aos poucos e não pulando etapas, fui acrescentando tantas amizades sinceras (espero eu), que descobri o verdadeiro significado do esporte.

- Esse significado, pelo menos para mim, diz respeito também à competitividade. Mas muito mais à evolução pessoal, à superação de nossos limites, etc.

- Até determinadas distancias o Triathlon é pura competição. A partir do Olímpico e para frente, temos que aprender os demais significados.


EVOLUÇÃO PESSOAL
- Alguém já parou para pensar sobre como evoluímos em muitos, para não dizer todos, aspectos fazendo Triathlon?
Pode ser, e penso que acontece, que muitos atletas façam uma involução, deixando seus egos ultrapassarem suas convicções.


GRANDE APRENDIZADO
- Os treinos para Triathlons nos obrigam a ter dedicação, disciplina, tolerância, persistência, força de vontade, perseverança.


SUPERAÇÃO DE LIMITAÇÕES
- Não sou um bom nadador. Não sou um bom ciclista. Não sou um bom corredor. Na somatória das modalidades não sou o pior em nenhuma também. Logo, para que pudesse evoluir, por pouco que fosse, tive que me dedicar bastante para superar minhas limitações nas 3 modalidades. Melhorando aos poucos e com muita insistência, além de procurar bons profissionais para minha orientação.


O QUE LEVAMOS PARA NOSSA VIDA
- Levamos tudo que pode ser levado. Alguns podem levar para suas vidas a parte ruim. Tipo "abandonar" a família, se dopar, deixar a competitividade superar a solidariedade.
No meu caso, levo o aprendizado de gostar do que faço, de dedicação, de persistência, de perseverança, de desafio pessoal e até de competitividade com o próximo, dentro das regras e daquilo que meu bom senso me indica.


SOLIDARIEDADE
- É nas provas mais longas que vemos e aprendemos o sentido de solidariedade, em sua maior importância.
Em meu primeiro Long Distance, há nem sei quantos anos (bem mais de 15, com certeza) em Pirassununga, ao sair para correr, sem me agüentar nas pernas por não me alimentar nem me hidratar adequadamente, um "tiozinho" argentino (ou chileno, peruano, paraguaio... infelizmente não me recordo), que estava em muito melhores condições que eu, fez praticamente os primeiros 10 km ao meu lado falando coisas como...

- "Arriba.. arriba... come este plátano... toma este isotônico... depois de alguns anos descobri que o plátano era a banana que ele não comeu e me deu pra comer...

- Depois de não sei quantos meios Irons completados, procuro sempre praticar essa solidariedade com a qual fui contemplado.


IRONMAN NÃO É MINHA DISTÂNCIA
- Definitivamente o Ironman Full não é minha distância preferida, tampouco a mais competitiva. Porém, é a que mais agrega valores em minha vida.
Depois de 7 completados, posso falar com toda a certeza que o tempo dedicado à prova, incluso logicamente o período de treinos, só nos torna pessoas melhores.
Desde que tenhamos o discernimento necessário para tirar as boas lições desse tempo.


É POR ISSO QUE FAÇO IRONMAN
Por último, o Ironman mostra pra você quem está totalmente ao seu lado.

No meu caso, tenho tudo e todos a meu lado, minha família (Alfredo, Jussara, Zé, Lindete, Junior, Fátima), Silvão, pai e mãe de sangue no céu, pai e mãe espirituais na terra, irmãos espirituais, demais familiares meus e da Neuza e ela... Neuzita.

Enfim, faço o Ironman por insistência, pelo desafio que ele representa e pelas coisas que me ensina, as quais consigo, de certa forma, aplicar em minha vida pessoal.


ALOHA !!!

3AV
Marco Cyrino

terça-feira, 25 de julho de 2017

Ironman - Largadas em ondas

Realmente detesto as largadas em ondas no Ironman.


Penso que as largadas em ondas tenham seus méritos, principalmente em provas até no máximo Meio-Ironman, embora já nessas provas sejam, do meu ponto de vista, questionáveis.

Em provas de Short ou Triathlons Olímpicos, sou adepto total desse tipo de largada.

Em uma prova mais rápida e sem vácuo no ciclismo, não se pode dar oportunidade para que se ande "na roda". Em provas mais curtas, como essas, a largada em ondas faz uma puta diferença.

Mas, a partir do Long Distance, 70.3, Meio-Iron, ou qualquer outro nome que se dê às provas mais longas de Triathlon, já começo a questionar a funcionalidade desse tipo de largada.

No Ironman Full, passei a ser totalmente contra.
Acaba trazendo mais malefícios do que benefícios.
Espero que os organizadores do Ironman ponderem bastante a respeito do que vou dizer.

A intenção pode ser boa, mas os resultados não.

Penso que a única e primordial razão para esse tipo de largada seja quebrar pelotões no ciclismo. Bom, caso a principal razão seja essa, esqueçam... eles continuam... firmes e fortes.
Para os que não têm moral, tampouco caráter, e insistem em pedalar na roda dos outros, só existe um meio de coibi-los.  É puni-los. Exemplarmente! Simples assim.

Nos dois últimos Irons que fiz em Floripa (2016/2017), com largadas em ondas, os pelotes, pelotinhos e pelotões estavam lá... como sempre.
Um troca-troca de liderança em cada pelote, que dava gosto de ver...

Mas, vamos ao que importa... pelo menos nesta postagem...


LARGADA EM ONDAS NO IRONMAN
- Minha categoria... 60/64M... largada às 7:25h.
- Atualizado às vésperas da prova... largada às 7:20h.

O stress já começa por aí!

Ainda se pudesse descontar esse tempo do horário da primeira largada, talvez, apenas talvez, pudesse ter um período maior de descanso noturno, acordando digamos, meia hora mais tarde.

Que nada!
O horário de entrada e fechamento da transição é o mesmo para todos.
Pra que privilegiar uns e prejudicar outros?


FIZ  5 (CINCO) PROVAS COM LARGADA ÚNICA....
ADRENALINA NO TALO. LARGADA DA NATAÇÃO COM TODO GLAMOUR.
1.600, 1800, 2000 ATLETAS LARGANDO AO SOM DO TIRO DE CANHÃO.
PORRADARIA GERAL AO LONGO DOS PRIMEIROS 500m DE NATAÇÃO.


Voltando às letras minúsculas...

A largada única tem uma energia acumulada de mais de 2000 atletas.
A largada em ondas vai dissipando essa energia.


A porradaria...
A largada única, para quem tem seu timing de natação, pode ser uma experiência tranqüila... se cada um escolher criteriosamente seu lugar de largada.

Claro que nem todos têm esse discernimento.

Muitos largarão na primeira fila, sem o menor preparo para se manter ali. E pagarão o preço por isso.
Já paguei o meu.

Muitos outros largarão nas últimas filas, achando que não têm competência para fazer uma honesta natação. E também pagarão preço.
Também já paguei o meu.

Em largada única, você tem que se posicionar dentro de um grupo que tenha seu mesmo ritmo de natação.
Se assim o fizer, você fará uma natação razoavelmente tranqüila.

Como disse anteriormente, já errei nos 2 parâmetros.

Em meu 1º Iron, achava que todos os que iriam largar eram fodásticos na natação.
Fui o último a entrar no mar.
Depois de uns 5 minutos de natação, comecei a me deparar com vários "cardumes" bloqueando minha natação. Nadei em zig-zag muito tempo, até encontrar o "cardume" que estava no meu ritmo.
Erro meu.

No 2º Iron, estava me achando...
- Quer saber ? Vou sair na frente... afinal, nado muito melhor do que a maioria...
Sifudí!
Tomei porrada de tudo quanto é lado.

Mesmo assim, depois dos atropelamentos, me encaixei no grupo apropriado, com o mesmo nível de natação.

Nos outros 3 Irons, larguei sabendo do meu potencial nessa prova.
Nem nas primeiras fileiras, nem nas últimas.
E, aconselho aos que não tem a exata noção do seu ritmo: larguem nas laterais... fujam da pancadaria da largada, mesmo que nadem um pouco a mais. Vale a pena.


A largada em ondas no Ironman Full tira muito do tesão dessa prova.
Simples assim.
Acaba com o barato da largada.
Transforma esse barato em vários pequenos baratinhos.

Penso que até mesmo os acompanhantes, familiares, amigos, etc., que estão lá, perdem um pouco o tesão da largada.


Agora vamos à parte prática dessa metodologia...

Em todas as largadas em ondas existem os bons e os maus nadadores, além, claro, dos nadadores intermediários que são a maioria.

Em uma largada única...
Na pior das hipóteses, um mau nadador que largue na 1ª fila vai tomar um atropelamento gigante.
Só que, a partir daí, irá se encaixar no seu grupo.

E o bom nadador que largar atrás também passará por um sufoco, até encontrar seu grupo, nadando e se esquivando dos maus nadadores à sua frente.

Já, na largada em ondas...
Os bons nadadores da 1ª largada serão totalmente favorecidos.

Os da 2ª largada terão que brigar para ultrapassar o maus e intermediários nadadores da 1ª largada.

Já os bons nadadores da última largada terão que quebrar seu ritmo para ultrapassar os maus e intermediários nadadores de todas as largadas anteriores.

Vejamos pela ótica dos maus e intermediários nadadores...

Supondo que o mau nadador largue na 1ª largada.
Dá para imaginar quantos atropelamentos ele irá receber dos bons nadadores das largadas posteriores?

Prova disso é o verdadeiro "arco-íris" de toucas nas chegadas da natação.
Tudo junto e misturado !

Pois é.
Assim é que é.


Fora isso, ainda existem vários outros motivos que me levam a ser contra a largada em ondas....

O tempo de corte do ciclismo por exemplo...
É uma confusão do caraio.

Quem que larga 40 minutos depois da largada oficial (que já é 15 minutos antes do horário que seria tradicional, ou seja, às 7 da matina), fica perdido.
O Regulamento é claro. Está tudo lá. Sem contestação. Mas dá muito o que falar.

A chegada...
A tradição, no meu modo de ver, deveria ser um ítem primordial. Largada às 7 da matina e chegada até meia-noite.
Bem...agora, a chegada é até o horário de 17 horas depois da última largada.

Se a última largada for às 7:25hs....o término da prova será às 0:25hs do dia seguinte.

Pô....pra não falar "Porra"....
Cabô o "glamour" da chegada às 0:00 hs.

E a confusão durante as etapas de ciclismo e corrida...
Ninguém sabe exatamente em que situação está.
Se está na frente ou atrás de determinado conhecido, amigo, colega, enfim...


Acho que já falei muito.
Ativista que sou, convoco todos a fazer um panelaço, uma passeata em Kona, uma queima de ônibus em.... ôps..... viajei.

Pela volta da largada única...

Juntos somos fortes...

Xápralá...rsrsrs


ALOHA !

3AV
Marco Cyrino