sábado, 12 de novembro de 2016

Ponta da Praia - Parte III


Em 2012 publiquei minha teoria sobre o principal responsável pelo que vem acontecendo na Ponta da Praia e fiz um post complementar em 2013.

Recomendo fortemente a quem estiver realmente interessado e com disposição para entender, que visite e leia atentamente os posts:




Em resumo, apesar de não ser oceanógrafo, tampouco catedrático em matérias específicas relacionadas a esse fenômeno, me julgo com inteligência e experiência suficientes para pelo menos exercer o direito de opinar a respeito.

Inteligência...
Uma pequena definição obtida da Wikipédia: Inteligência tem sido definida popularmente e ao longo da história de muitas formas diferentes, tal como em termos da capacidade de alguém/algo para lógica, abstração, memorização, compreensão, autoconhecimento, comunicação, aprendizado, controle emocional, planejamento e resolução de problemas.
(Modéstia à parte, me considero um ser inteligente.)

Experiência...
Bom.... aí são mais de 50 anos em contato com estas praias, mar, areia e suas constantes modificações.
Atravessando o canal do porto a nado, mesmo sem saber nadar (pelo menos não tecnicamente) junto com meu irmão Alfredo (Editor deste Blog), depois aprendendo a surfar junto com a galera da época de Lequinho, Almir, Cisco e muitos outros.

Muitos anos depois, sempre continuando a surfar, voltei a praticar a natação mais voltada para o Biathlon e depois Triathlon, sendo que o local mais propício é justamente a Ponta da Praia.

Além disso, existe a parte futebolística.
Joguei bola em tudo que é lugar possível aqui na Baixada. Na rua (onde a cada jogo era um tampão de dedão que ia embora), nos campos de várzea que hoje são o BNH da Aparecida. Os campos de São Vicente, Morro da Nova Cintra, Jabaquara, Humaitá (era uma viagem), etc.
E joguei muito mais pelas praias de Santos. Todas.

E corridas ? Nunca parei para fazer contas, mas creio já ter corrido somente pelas areias das praias de Santos e São Vicente (entre a Ponta da Praia e a Ilha Porchat) alguns milhares de quilômetros.

Bom... se isso não for um pouco de experiência, não sei o que mais pode ser considerado, até porque, sempre fui observador.


O emissário submarino e o quebra-mar
Na década de 70, nossas praias ficaram lindas. Pareciam as praias do Nordeste com suas dunas de areia. Eram os trabalhos sendo feitos para a implantação da rede de esgoto que tornou nossa cidade uma das melhores, senão a melhor, do Brasil nesse quesito.

Esquadrinharam a cidade toda (pelo menos na parte nobre) colocando as tubulações de esgoto, retirando as ligações clandestinas que jogavam esses esgotos nos canais.

Na orla da praia, pela areia, na parte mais próxima aos jardins, foram colocadas tubulações que recolhem até hoje esses esgotos e os levam à estação de tratamento, de onde são jogados, já devidamente tratados, a alguns kms de distância da costa, através do Emissário Submarino, um conjunto de outras tubulações feitas com essa finalidade.
Se falhei ou se fui simplista nesta explicação, peço que me perdoem e me corrijam.

Para a construção e implementação desse Emissário, foi construída uma plataforma, quebra-mar, ao lado da Ilha de Urubuqueçaba.

Penso que o ideal para esse tipo de intervenção é que se construam piers. A diferença é que um quebra-mar é uma obra que afeta os fluxos de marés.
Por outro lado, um píer, por ser suspenso, não acarreta essa influência.
Porém, não sou engenheiro (embora meu irmão seja) e não vou discutir a necessidade de ter sido feito um quebra-mar em vez de um píer.


Efeitos...
Para nós, surfistas, na época, foi uma dádiva.
Criaram-se canais, bancos de areia e tudo o mais que faz com que até hoje ali quebrem ondas muitas vezes perfeitas. Embora eu, particularmente, continue preferindo surfar nas ondas da Divisa (entre Santos e São Vicente), mas por outros motivos.

Só que esse quebra-mar deveria ser retirado assim que as obras fossem concluídas e, não sei porque raios não o foi.
O fato é que hoje é impensável retirá-lo.
Já falei algumas vezes que ele se tornou parte da geografia de Santos, como se ali houvesse nascido concomitantemente com a Ilha de São Vicente.
Por falar em ilha, a Ilha de Urubuqueçaba está deixando de ser ilha, tá?

O fato concreto é que o quebra-mar impede os fluxos normais de marés enchentes e vazantes. E ninguém conseguirá me desmentir sem um debate.

Maré vazante
Sai do canal do porto e vem retirando areia e sedimentos em direção a São Vicente. Como sai com mais força de um canal (do porto) retira mais areia e sedimentos de lá. Ao longo do seu trajeto vai depositando isso do Gonzaga em diante. Até porque a areia de Santos é muito leve, fazendo inclusive com que as águas do mar sejam constantemente confundidas com poluídas, devido essa areia toda em suspensão.

Maré enchente (sem quebra-mar)
Começa a retirar areia e sedimentos desde São Vicente e ao chegar perto do funil (canal do porto) vai recolocando tudo em seu devido lugar.

Maré enchente (com quebra-mar)
Começa a retirar areia e sedimentos desde São Vicente e, ao chegar na Ilha de Urubuqueçaba e ao quebra-mar, encontra uma barreira. Logo, boa parte da areia e sedimentos ficarão por ali mesmo, sendo que o restante dará a volta por trás da Ilha.
A falta de correnteza no sentido quebra-mar - Ponta da Praia, do Canal 1 até o Gonzaga, pelo menos, impede a retirada de areia e sedimentos (que foram depositados ali na vazante), correnteza essa que - se existisse - os levaria de volta e os depositaria em seu lugar de origem.

Eu pratico surf ali.
Por exemplo, em frente ao Posto 2, na maré vazante, a correnteza nos joga para o Canal 1 e o quebra-mar. Na maré enchente, ficamos praticamente no mesmo lugar.
Porra!!!

Óbvio que o quebra-mar interrompe esses fluxos naturais.

A maré enchente passa por fora e não tem força, junto à beira-mar, para realizar seu trabalho natural.


Tentativas inócuas
Quando digo que estamos enxugando gelo, não estou brincando.
Ainda há poucos dias, vi uma entrevista com algum responsável pelas tentativas de desassoreamento dos canais 3, 2 e 1... e ele falou a mesma coisa.
E olha.... trabalham pra car...!!!

Mas é um trabalho inócuo.

Tratores, escavadeiras, caminhões basculantes, operários e muito mais, empenhados em retirar areia dos locais assoreados e recolocar na Ponta da Praia. E até mesmo em locais mais próximos do Canal 4.
Vejam o custo disso.
E o resultado? Zero vezes zero.
Ah... mas é como prestar uma satisfação ao povo.

Mais observações
Não sou cego.
Vejo e sei o quanto as outras intervenções humanas estão afetando o planeta.
Sei do aumento do nível dos oceanos.
Ressacas como essas que ocorreram recentemente são fenômenos.
Mas, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Nesta semana, fui treinar e nadei.
Entrei no Canal 6, bem ao lado da mureta, e contornei o "Pirulitinho" à direita e mirei no Canal 5, onde saí do mar.
Nunca vi o mar tão profundo e limpo.
Não havia quase areia em suspensão.
Não digo que a água estivesse como no Caribe, mas estava transparente (bem...amarela) como nunca.
Isso significa que não existe praticamente areia leve, em suspensão, naquela região.
No início me empolguei.... mas depois, nadando, estamos acostumados (eu estou) a inventar estratégias para completar o treino. Na piscina ficamos contando ladrilhos. No mar ficamos prestando atenção em outras coisas.
E percebi que aquela imagem de água muito menos turva era enganosa.
O fundo do mar não tem mais sequer a areia natural. O que restou é uma areia pesada, densa que sequer flutua.


Voltando aos trabalhos do poder público...
Onde acham que vão chegar, retirando areia e sedimentos da faixa seca e levando de volta para o local desassoreado???

Aprendi que, para achar a solução de um problema, temos que identificar a causa-raiz.
E, neste caso, a causa-raiz são a areia e os sedimentos retirados de dentro do mar.

Vão recolocar isso dentro do mar? Como ?

Simples... deixando a natureza voltar a fazer o seu papel.
Não me pergunte como.
Bom... se quiser, pergunte.


Possível solução simples
Não. Minha opção não seria retirar o quebra-mar que, como eu disse, já é parte da geografia de Santos.
Mas, talvez, abrir passagens entre um lado e outro do dito cujo, de forma que o mar iniciasse o seu trabalho.

Penso que teria um custo ínfimo em relação aos trabalhos atuais.


Já ouvi que a responsabilidade é da Dragagem do Porto.
Contestei. Se alguém quiser saber o porque, me pergunte.

Também já ouvi, em uma entrevista no Jornal da Tribuna, uma repórter entrevistando uma oceanógrafa que endossou o que falei com relação à maré vazante. E parou por aí.
Ela, a repórter, perdeu uma grande oportunidade de perguntar por que o mar não faz o seu trabalho durante a maré enchente.

Também já ouvi muitos falarem que o mar está retomando o seu lugar, que Santos era um alagado, etc.
Por esse raciocínio, o Marapé, cujo nome não precisa de interpretação, não estaria a uma distância do mar maior do que já esteve.

Poderia e pretendo postar várias imagens a respeito do que falo, mas sugiro que pesquisem nos sites de busca e comparem como era e como está a nossa Ponta da Praia.
Pior é imaginar como ficará, se ações concretas não forem realizadas.


3AV
Marco Cyrino



domingo, 30 de outubro de 2016

10 Coisas que um Triathleta nunca deveria dizer ou fazer


Nove destas dez coisas são calcadas em minhas experiências.
Por este motivo, recomendo que sejam absorvidas com o devido desconto, uma vez que a minha verdade não é necessariamente a sua.
Algumas, creio, são inquestionáveis.
Outras nem tanto.

Vamos a elas:

1 – Parar totalmente de treinar, por um longo período
Após uma prova de Ironman, ou após um ano de campeonato com distâncias olímpicas, com um ou outro longo no meio, muitos atletas se dão ao direito de férias.
Isso é ótimo. Eu diria imprescindível.

Porém, alguns tornam essas férias intermináveis.
Pior, as tornam uma festança. Comem de tudo, bebem de tudo, fazem tudo o que evitaram fazer durante o período de treinos e competições.

Deve-se considerar que, independente de merecer essas férias, e do esforço despendido durante todo o tempo, etc., existe uma coisinha mais importante chamada SAÚDE.
Além disso, o retorno é punk.

2 – Voltar a treinar, achando que nada mudou e que vai ter a mesma performance
Seja por opção (férias prolongadas), seja por necessidade (lesões ou compromissos importantes), é um erro fatal querer retornar aos treinos depois de um longo (ou nem tanto) tempo ocioso, tentando manter a performance de quando estava com um excelente condicionamento.
Probabilidade altíssima de frustrações e lesões.

Sabe aqueles quilos extras adquiridos durante o período parado? Aqueles centímetros a mais, quase todos na linha da cintura? Aquela resistência perdida?  Aquela musculatura meio mole?

Pois é...
Certeza de que, ao tentar fazer os mesmos tempos, em qualquer modalidade, irá se frustrar e/ou se lesionar.
Simples assim.
Volte como se nunca houvesse começado. Passo a passo.
O corpo tem memória, é certo. Mas ela é relativamente curta.

3 – Eu nunca vou fazer um Ironman
Essa é uma daquelas que não valem para todos.
Conheço alguns Triathletas que são bão pra caramba, fazem isso há muito tempo, e continuam dizendo que nunca farão um Ironman (diz aí, Edmilson).

Quando comecei no Biathlon (não vou me prolongar nesta história... prometo.... kkkk) e via meus amigos fazendo um Short, dizia que eles eram doidos e que eu nunca iria fazer aquilo.
Depois... nunca vou fazer um Olímpico.... Tudo doido....
Nunca vou fazer um Long Distance.... Tudo doido.... 
Foram... perdi as contas, mas foram mais de 20.
NUNCA VOU FAZER UM IRONMAN... estou indo para o sétimo.

4 – Eu sou fo.. (nem pensar)
Posso dar uns mil exemplos aqui, mas o que eu acho que espelha bem o tema é o seguinte: MENOS! TU NÃO ÉS PIOR NEM MELHOR QUE NINGUÉM. HUMILDADE, PLEASE.

5 – Investir apenas em equipamentos caríssimos
Eles funcionam, são bons, ajudam e tudo o mais.
Só que eles não vão nadar, pedalar ou correr por você.
Portanto, antes de investir neles, pense no que pode investir em si mesmo.

6 – Não preciso de coach
Mesmo que você já tenha conhecimento suficiente para fazer seus próprios treinos.

No meu caso, já tenho experiência suficiente para "treinar por conta própria". Também sou formado em Educação Física e, com um pouco de boa vontade, montaria meus próprios treinos.
ERRADO.
Não tenho essa capacidade. Não no momento. Não estudei especificamente para isso.
Não me preparei para o planejamento e sim para a execução.
Além disso, meu corpo muda a cada dia, a cada semana, mês e ano.
Não! Não é para leigos.

7 – Relegar uma determinada modalidade... inclusive a transição
Às vezes achamos que, porque somos melhores em determinada modalidade, podemos relegá-la e privilegiar as demais.
Engano.

Como exemplo: O cara nada muito bem e deixa de treinar natação, apostando na melhora do ciclismo e da corrida.
Na prova, o cara nada como se nunca houvesse deixado a natação de lado.
Resultado: Vai sair da água afogado e prejudicar o resto da prova.
Isso vale para qualquer modalidade.

8 – Nunca "gastar" um tempinho com musculação
E também com outras atividades saudáveis, como alongamento, Pilates e outros.

Em provas longas e em seu respectivo período de treinos, há uma evidente perda de massa muscular, principalmente devida ao grande desgaste físico.
Em temporadas de provas mais curtas e, portanto, rápidas, a força muscular exigida é grande.

Quando apenas pensamos nos treinos, sem pensar nas suas conseqüências para o nosso corpo, corremos o risco de pagar o preço mais adiante.
O corpo precisa estar em condições de ser bem treinado.
Falta de fortalecimento pode acarretar lesões. Falta de alongamento também, por encurtamento da musculatura.

A falta disso e daquilo com certeza acarretará uma performance pior do que poderia ser.
(Ah... experiência própria mesmo.)

9 – Treinar ciclismo em pelotão
Esse é um dos erros mais crassos que conheço.

É o exemplo explícito do "leão de treino".
O cara faz um treino de 100 km no pelotão e divulga em todas as mídias sociais a sua performance de 40 km/h de média.
Só que a prova real será "solo", sem vácuo.

Aí, depois da prova, vem o mimimi:
- "Aconteceu isso, aquilo, os pneus furaram, etc. e tal... daí fiz 27 km/h de média... e ainda saí pra correr travado".

A não ser que você faça prova com vácuo, esqueça pelotão. No máximo para passar a "Faixa de Gaza" (quem é da Baixada Santista sabe).

Treino é com a cara no vento.
Sou um mau ciclista. Péssimo eu não diria, mas não sou dos bão.
Mas treino meu pedal para provas solo.

10 – Abandonar família, amigos, etc.
Importantíssimo estar com a família ao seu lado. Amigos idem.
Não importa se eles estarão com você, ou você com eles. Não rompam esse vínculo.

Neste aspecto, sou privilegiado.
Minha companheira de vida, minha família (que já não é tão grande) e meus amigos sempre estão próximos e me incentivam.
Aliás, a Neuza é a maior e melhor incentivadora.

Sempre dá pra reservar um tempo para nos dedicarmos a eles e demonstrarmos nosso amor.


Este, que poderia ser o 11º item, vai de graça.
O que levaremos daqui, senão o que fizermos de bem, por nós e pelos nossos irmãos?
Então, se não puder fazer o bem, se esforce ao máximo para não fazer o mal. A ninguém.


Bons treinos a todos.

3AV
Marco Cyrino


terça-feira, 27 de setembro de 2016

O preço da ignorância


Quem me conhece há muito tempo sabe que nunca fui afeito a aparatos demasiadamente tecnológicos, embora reconheça o valor deles.

No futebol não há muito que dizer, pois qualquer tênis, calção, camiseta serviam. Isso quando necessário, porque na praia era apenas com calção mesmo.

No surf, até hoje, minha 6’0” não é da linhagem internacional, embora seja de uma marca de renome.
Isso hoje, porque na maior parte da minha vida foram pranchas de 2ª, 3ª, 4ª mãos.

No Triathlon, comecei correndo descalço (vejam as fotos aqui), bike emprestada (fotos abaixo), capacete de doce (de plástico, um mero enfeite), sunga e camiseta.

Bike emprestada, com seu legítimo dono, Felipe Cidral – Kokimbos

Bike emprestada, com rodas atuais, de competição. 
Na época eram rodas normais.



Para ficar apenas no Triathlon...

Aos poucos fui evoluindo.
Comprei minhas primeiras bikes para o esporte, de 2ª mão também (fotos abaixo).






Comprei meus primeiros tênis para correr (valeu aí, Edney Batista... deixei de ser chamado de "pé-de-pedra").
Usei pela primeira vez um Top com sunga para Triathlon.

Um capacete bom, no quesito segurança.
Penei para me convencer e me adaptar a utilizar sapatilhas na bike.

Penei também a me adaptar aos selins, relógios, posição aero, etc.

Até que me adeqüei às roupas e demais equipamentos e acessórios que auxiliam no esporte.

Confesso que usei muita coisa sem nenhuma comprovação científica, muito mais por influência do que por convicção.

Ah... tenho a bike que queria (Cervélo P3) comprada zerada (foto abaixo).


Apanhei muito com os tênis, até chegar ao(s) modelo(s) mais apropriados ao meu perfil e necessidades. Por incrível que pareça, são aqueles com nem tanta tecnologia, como amortecimentos enormes.

Apanhei com selins competitivos, que não me permitiam pedalar com o mínimo de conforto por 40 km, quanto mais por 180 km. E me achei no Specialized Sitero (fotos abaixo)




Usei capacete aero que quase me fritou o cérebro por falta de ventilação e devo ter ganho 1 (um) segundo numa prova olímpica, saindo pra correr com os miolos fervendo.

Investi em aparelhos GPS para bike, que me faziam perder o foco do treino, querendo monitorar altimetria entre outras coisas, além de me deixar puto toda vez que tinha de baixar atualizações, toda vez que perdia o sinal e toda vez que eu fazia merda querendo mexer no danado.

Usei polainas e meias de compressão, até perceber que, no meu caso, só perdia tempo e dinheiro.

Fiquei tentado a investir num Power Meter (Medidor de Potência), mas desisti.


Hoje em dia, apenas para falar o básico, faço o seguinte...

- Uso uma excelente bike, depois de penar com bikes bonitas que não eram ou estavam adequadas a mim.

- Uso ótimos tênis, de preços acessíveis, após ter tido muitos problemas com tênis errados para a minha pisada e para a minha fisiologia de corrida. Agradeço pela assessoria do Rodrigo Roehniss, que me mostrou o caminho correto.

- Uso um ótimo selim, novamente para o meu caso. Grande dica do Fernando Rocha.

- Voltei ao bom e velho velocímetro de bike, no meu caso Cateye.

- Uso GPS sim. Mas só para treinar corrida. O velho Garmin Forerunner 310xt, do qual já troquei duas vezes a pulseira... por pulseiras de camelô.

- Uso sim roupas apropriadas, tipo macacão, ou bermuda com compressão adequada, viseiras, óculos, etc.

- Ainda penso no Power Meter porque sei exatamente sua eficácia. O problema aí é comigo.

- Sapatilhas boas... confortáveis e de fácil calçamento.

- Invisto em local adequado de treinamento, sem que os fatores primordiais sejam a distância e/ou o preço, mas sim a qualidade.

- Invisto em fisioterapeuta confiável, para dizer o mínimo.

- Invisto em fits (bike fit, principalmente).

- Invisto em check-ups e consultas clínicas e médicas necessárias.

- E, por último, invisto em coachs (Silvão e André – Triathlon e musculação, respectivamente) nos quais eu possa depositar toda a confiança.


Evito divulgar mais marcas. (Bom... a não ser que role um patrô... kkkkkkk)

Recomendo que não sigam pelo caminho da moda ou do poder aquisitivo.
Como em tudo na vida, recomendo que pensem, avaliem, aceitem sim sugestões, questionem e testem essas sugestões e sejam felizes e saudáveis.

Errei e vou errar muito. Hoje menos que ontem. Muito por ignorância, algumas vezes por soberba. Não caiam nesse erro.


3AV
Marco Cyrino


terça-feira, 13 de setembro de 2016

A percepção do tempo



Quando eu era criança, menino, adolescente, o tempo compreendido entre um Natal e outro, na minha percepção, era uma eternidade.
Assim também com outras datas e períodos legais, como férias escolares e férias do trabalho, apenas para citar dois eventos.

Levei uns 25 anos para chegar aos 18 e finalmente passar a ser "dimaió".
Num guentava mais ser "dimenó".

Os finais de semana tinham uns 15 dias entre um e outro.

Os anos vão passando e parece que a nossa percepção do tempo vai mudando.
Os dias começam e acabam em pouquíssimas horas.
As semanas voam.
Os meses se atropelam para ver qual chega primeiro.
E os anos ?
Ah... esses fiudiumamãe começam a juntar os meses dos impostos com os meses dos impostos.
Janeiro começa a ficar junto com o janeiro do próximo ano, e assim sucessivamente.
Não dá nem tempo de nos acostumarmos a preencher qualquer formulário que contenha data. Quando vamos escrever 2015, já é 2016.
Quando vamos escrever janeiro já é maio.
Não à toa vivemos perguntando:
- Quidiéoji ???

Efeito de nossa idade.
Será ?

Na minha infância e adolescência, as férias escolares de 30 dias demoravam apenas uns 15.
Uma partida de futebol tinha apenas 45 minutos.
Uma sessão de surf muito bem feita tinha apenas 1 hora, embora as pessoas que usavam relógios dissessem que fiquei entre 3 a 4 horas dentro d'água.
Minhas férias de trabalho não tinham 30 dias. Não tinham mesmo.
Isso não era problema de percepção e sim de necessidade. Sempre tiveram 20 dias que se transformavam em 10, no máximo.
Os finais de semana começavam na sexta-feira à noite e terminavam 24 horas depois, com o sábado e domingo tendo 12 horas cada.

Logo, na minha avaliação, a idade tem sim um certo peso em nossa percepção de tempo. Mas, a maneira como ele é usado pesa mais.

Quem já fez um ou mais Ironmans vai concordar que, seja qual for nossa idade, depois de uma temporada de treinos longos essa percepção vai embora.
Após um Ironman, quando nosso coach diz para fazermos, digamos, 15 km de corrida ou 70 km de pedal ou 2.500 m de natação, qual é o nosso pensamento?
- "Sóóóóóóóó ?????"

Outra coisa que muda essa percepção são os perrengues que enfrentamos em diversas situações.
Por exemplo, nadar em água muito gelada, pedalar com vento contra, correr com algum incômodo, mesmo em provas.
O tempo que levamos para completar o percurso parece dobrar, embora provavelmente ocorra realmente um aumento talvez até significativo.

Contrariamente, ainda hoje, ao participarmos de algum evento que estejamos curtindo, sejam finais de semana com a família ou amigos, surf em boas condições (para quem gosta), bater uma bolinha, treinar adequadamente, enfim, uma porrada de situações, o que percebemos?
Isso mesmo.... que o tempo voou.

Um exemplo que inclui as duas situações é uma lesão.
Qual a nossa percepção sobre o tempo que levou para que nos lesionássemos?
Um pentelhésimo de segundo, né? Embora provavelmente nosso corpo já estivesse enviando avisos já há tempos.
Quanto tempo irá levar para curarmos essa mesma lesão?
15 dias... 30 dias.... 60, 90.
Ah.... mas a sensação que teremos é de que será no mínimo um ano.

Portanto, caro amigo e amiga, caro colega e cara colega, caro brother e cara sister (pensaram que ia escrever brothar né?), caro presidente e cara presidente, mesmo correndo o risco de cair em velhos e surrados chavões, não esqueçamos de algumas coisas:

- O tempo é único.
- O tempo que foi não volta. É realmente passado.
- O tempo que virá ainda não veio. É futuro.
- O tempo presente é, como a própria expressão, um presente.

Façamos dele o máximo possível para que ele passe rápido, pois será sinal de que estaremos fazendo aquilo que nos dá prazer.
E, tomara que naquilo que nos dê prazer se incluam:

- nos esforçarmos para nunca fazer o mal...
- nos esforçarmos para sempre fazer o bem...

a nós mesmos e ao próximo, mesmo que ele não seja tão próximo.


Aloha & good vibrations!

3AV
Marco Cyrino


domingo, 14 de agosto de 2016

Desenvolvimento psicológico


O Desenvolvimento Psicológico positivo é um conceito simples do esporte (e demais áreas de nossas vidas), porém um dos mais difíceis de dominar.

Normalmente, durante várias tarefas diárias, nos confrontamos com nossos pensamentos questionando se somos ou não capazes de realizar essas tarefas. E se sim, se as realizaremos mal, meia-bola ou muito bem.

Se você estiver, por exemplo, em uma corrida de 10 km e um atleta de sua categoria o ultrapassar como se estivesse passeando, você vai se deixar levar para baixo ou para cima?

Por incrível que pareça é normal que você se deixe levar para baixo.
Por quê?
Porque é o normal... simples assim.
Porém, esteja preparado para reagir.

Procure substituir as reações negativas por positivas.

Dando um exemplo:
Você é um jogador de futebol e vai bater um pênalti.
Se o jogo estiver 4x0 para o seu time, esqueça...
Você vai bater bem e a bola vai entrar no gol.

E se o jogo estiver em uma decisão por pênaltis, para ganhar o campeonato, e você for o último cobrador?

Mudou tudo...
O tamanho do gol passará de 7 metros para 1 metro e o goleiro, que mede 1,80 m, você o verá com 3,50 m.
É assim.

Mas, à medida que você trabalhar seu lado psicológico, tanto o tamanho do gol quanto o do goleiro voltarão às suas medidas originais. Nem mais nem menos. Até porque o excesso também é prejudicial.

Evidentemente o fator psicológico tem que estar aliado à sua confiança adquirida durante os treinamentos. Uma coisa não substitui a outra.

Se você estiver devidamente treinado, consciente de suas habilidades, não haverá situação que possa impedi-lo de executar bem a cobrança do pênalti, a não ser uma das duas (ou as duas):

- O goleiro fez melhor o seu trabalho.
- Você se deixou influenciar pelo "Desenvolvimento Psicológico" negativo.


O Desenvolvimento Psicológico deve conter objetivos críveis.

Não adianta eu trabalhar minha cabeça para pegar uma vaga em Kona, no Ironman, se a diferença de tempo entre a minha realidade e o tempo da vaga for de 2 horas.

Por mais otimista que eu seja, tenho que investir em outros fatores para chegar perto desse objetivo.

Porém, chegando perto desse objetivo, o Desenvolvimento Psicológico pode e fará toda a diferença.


Hoje, embora nunca tenha tido resultados animadores em Ironmans, posso me orgulhar de ter completado todos aqueles de que participei (aliás, completei todas as provas em todas as distâncias em que participei). Boa parte delas enfrentando obstáculos que me fariam desistir, caso não tivesse praticado muito um Desenvolvimento Psicológico positivo.

Quando falo em tornar o objetivo crível, do meu ponto de vista, é estabelecer metas possíveis dentro daquilo que você pôde investir em seus treinamentos.

Se eu pude treinar para completar um Ironman para 12 horas, não adianta eu estabelecer como meta o tempo de 10 horas. Mas tenho o direito de, durante a prova, me desafiar a fazê-lo para baixo desse tempo, monitorando meu lado físico e principalmente psicológico. Isso não exclui, ao contrário, os percalços que acontecem durante uma prova longa.

Você pode e deve desenvolver sempre vários cenários para sua tão almejada prova.

Uns muito positivos e outros muito negativos.

Ao fazer isso você estará se preparando psicologicamente para enfrentá-los.

Se, numa determinada etapa da prova, as coisas não acontecerem como o planejado, pense positivamente. Estabeleça metas parciais. Vá de micro-etapas em micro-etapas.

Já houve prova em que, não interessa o problema, me senti absolutamente sem condições de terminar a natação (1ª etapa de um Long Distance).
Relutei, quase abandonei, e depois resolvi seguir nadando peito, "cachorrinho", boiando, até o final da natação, estabelecendo como meta apenas a próxima bóia.

Como resultado, acabei em 4º lugar na categoria, ao final da prova.

Pensava... já que "fu...", vou chegar até a próxima bóia. Depois vejo o que faço. Sei que lá eu vou chegar.
E assim foi.
Isso é praticamente escolher e praticar um mantra.
"Não vou me entregar assim facilmente".
ou
"Sou forte... consigo chegar à próxima meta".


Em treinos também tenho aprendido a utilizar um pensamento positivo.

Correndo séries de 1 km, recentemente, pós Iron, imaginava ser muito difícil correr abaixo de x,yy/km.
Fiz o primeiro tiro de 1 km muito acima do que pretendia.
No intervalo, fiquei mentalizando que, sem muitos riscos, seria sim capaz de fazer dentro do tempo imaginado.

Trabalhando isso mentalmente terminei as séries com tempo melhor do que imaginava.


Quero dizer com isso que o treinamento psicológico é tão importante quanto o físico.
Que um não substitui o outro.

E que, para termos condicionamento psicológico, nada melhor do que acreditar em nós mesmos... e para isso temos que ter autoconfiança... e por último... isso só será atingido com muito treino.

A ordem cronológica é esta:

Viver saudavelmente
Treinar consistentemente.
Treinar adequadamente.
Obter autoconfiança.
Treinar o Desenvolvimento Psicológico.

Este último entra em todas as etapas anteriores.


3AV
Marco Cyrino