sábado, 22 de junho de 2019

Respeito


Nem é necessário dizer que respeito vale para tudo.

Para o esporte, para a vida profissional, para a convivência com amigos, família e até mesmo inimigos.

Vou me ater apenas ao respeito relacionado ao esporte, claro.

Conheço uma porrada de atletas, principalmente Triathletas, que desdenham de outros esportes, futebol entre eles.
Não consideram o automobilismo como esporte.
Tampouco tênis de mesa, equitação, pra não falar de golfe.
Como se atletas fôssemos apenas nós, Triathletas.

Podemos até questionar a equidade de premiações entre esses esportes.
Mas, dizer que não é esporte, ou mesmo desdenhar deles é um erro imperdoável.

Sempre penso (às vezes falo) que, para criticar algo ou alguém, é necessário provar que fazemos melhor.

O resto é puro egocentrismo.

Pior quando o desrespeito é direcionado a um determinado atleta.


Eu mesmo já cometi esse "pecado" no Surf

Um dia, em Maresias, com o mar bem grande (uns 2,5 m bem servidos de ondas... e quem conhece Maresias sabe do que estou falando), estava eu ali, na areia, passando parafina na prancha e criando coragem para entrar.

Vi um "gordinho" chegar, passar parafina na sua prancha toda colorida, calçar umas luvinhas (na época, era moda usá-las para facilitar a remada) e entrar no mar.

Olhei para a Neuza, sempre ao meu lado, e comentei:

- Putz... O "gordinho" deve ter comprado prancha e luvinhas novas e nem sabe o que vai encarar aqui.

Entrei logo atrás dele, corajoso que já estava, e de olho no cara.

Meu instinto de proteção me dizia que, caso o cara tomasse uma série na cabeça, para atravessar a arrebentação, eu estaria por perto para ajudá-lo.

Bom... O cara atravessou de boa a série que veio realmente quebrando na cabeça de todos que estavam na água. E fui eu quem tomou umas 10 sacolejadas daquelas.

Quando finalmente estou conseguindo atravessar a arrebentação, vem entrando uma série maior ainda, ao fundo.

Na "Rainha" da série, vejo o "Gordinho" remando já atrasado, pois a onda estava já quase dobrando o lip.

Pensei:

- Ai meu Deus, o cara vai se dar mal... E não posso fazer nada, porque tenho que remar como louco, pra não tomar a onda na cabeça.

Resultado:

O "Gordinho" deu um drop estilo águia (com os braços abertos), fez um botton turn (virada muito radical) na base da onda, botou pra dentro de um tubaço, como se fosse normal para ele, saiu do tubo e deu um cutback... bem na minha cara.

Salvei-me dessa onda e fiquei umas 2 horas no mar, para pegar apenas 3 ondas e surfá-las bastante apreensivo.

Enquanto isso, o "Gordinho" simplesmente arrepiava todas as ondas que pegava.

Quando saí do mar, fiquei um tempão na areia, esperando ele sair.

Quando saiu, fui lá, me apresentei e o cumprimentei pelo seu Surf.
Claro que não disse nada sobre o que pensei quando o vi pela primeira vez.


Outra história

Ontem, voltando aos poucos aos treinos e, seguindo fielmente a programação do Silvão, fiz um treino de 10 km de corrida, sendo 800 m numa FC muito baixa (aquele trotinho que é quase andando) e 200 m fortes, até 90% da FC máxima.

Escolhi determinado trecho da areia para fazer.

Feriado aqui em Santos.
Tempo feio e praia cheia apenas de turistas e/ou bebedores e/ou pseudo-atletas.

Esse trecho, entre os canais 1 e 2, tem aproximadamente 650 m de areia batida.

Num determinado ponto, 4 "atletas" disputavam uma partida de Futevôlei, usando como rede a bike de um deles.

A partir do meu 2º km de treino, um dos "atletas" vinha insistentemente me acompanhando, trotando ao meu lado por uns 200 m.

Daí, voltava para seu campeonato mundial de Futevôlei.

A partir do 6º km, quando ele fazia isso, os demais 3 "atletas" se cagavam de dar risadas.

Até que, no 7º km, coincidiu de os 200 m fortes começarem logo que ele voltou a me seguir.

Bom... Mesmo mal condicionado, estava fazendo esses 200 m para algo em torno de 4:20 min/km. Distância bem pequena.

Eu realmente não estava dando a mínima para ele.

Porém, quando ele tentou me acompanhar nesse tiro, simplesmente "marreu" nos primeiros 100 m.

Acabei meu treino adivinhem onde?
Em frente ao palco do mundial de Futevôlei.

Ele vestia uma camisa de, provavelmente, time de futebol de bairro.
Nas costas, estava escrito Kelvin.

Parei, me alonguei um pouquinho e fiquei olhando a final do mundial.

Depois de umas 20 jogadas realmente toscas, interferi no jogo.

Fui até a quadra, me apresentei, perguntei ao Kelvin por que ele estava tirando onda com minha cara (ele perguntou como eu sabia seu nome e respondi que ele era famoso).

Os demais se aproximaram e me apresentei a eles também.

Apenas disse a eles para respeitarem todo e qualquer cidadão, quer seja ou não atleta.

Um pouco de ficção...

Por último, perguntei ao Kelvin a sua idade.
Ele respondeu: 25 anos.
Dei a ele parabéns e desejei que chegasse à minha (quase 62).

Daí, disse que, no período em que fiquei ali observando, poderia ter tirado uma onda da cara dele muito maior do que ele achou que estava tirando da minha.

Demos muita risada.

Agora, é me recuperar das porradas e hematomas e vida que segue... kkk

Repetindo: esta última parte é pura ficção, o resto é verdade.


Resumindo, respeitem tudo e todos sempre.
Ninguém é melhor do que ninguém.
Cada um no seu cada um.

Aloha!


3AV
Marco Cyrino


quinta-feira, 16 de maio de 2019

Lembranças e Lambanças - II


Escrevi sobre isto há uns 4 anos (minha memória está boa... rsrsrs),  terminando o post  com "qualquer hora conto mais lambanças" (Lembranças e Lambanças).

Escrevo esta continuação sobre a minha caminhada no esporte, ou seja, de como saí do futebol e surf para o Triathlon, agora que me vieram várias lembranças de lambanças que ocorreram na fase de, digamos, adaptação ao novo esporte.

Novo esporte, nem tanto, pois nadar eu nadava, não para competir, mas para me salvar quando eventualmente quebrava a cordinha da prancha, num mar grande, e tinha que me virar nos 30.

Pedalar também, não para competir, mas para me locomover de casa até uma praia com ondas, pagando o aluguel da bike (que não tinha), levando no cano o Hamilton e duas pranchas.

Correr era meu forte.
Mas não corrida contínua, futebolista que era.


Lembrança de Lambança de natação

Ainda no Biathlon (apenas natação e corrida), entrei no mar junto com todo mundo. 
Uma de minhas primeiras provas.

Juro que nunca tinha passado por nada parecido.
Nego puxando meus pés.
Branco me dando tapa na cabeça.
Índio passando por cima de mim.
Mameluco me dando caldo.
Japonês (ou amarelo) me ajudando a sobreviver (sempre eles).

Passada a boiada, ou cardume, ou (que nome se dá ao coletivo de humanos fora de seu ambiente, na água?), sobrevivi dignamente, saindo do mar sem óculos, sem touca e quase sem sunga.

Pra ajudar, como não tinha experiência em natação mais longa (sim, porque no surf, pra sair do mar quando se perde a prancha, você nada um pouco em direção à praia e olhando pra trás... e tem de ficar mergulhando pra não tomar a série na cabeça), saí do mar como um bêbado... totalmente tonto.


Lembrança de Lambança de ciclismo

Já no Triathlon, em minha primeira prova, um short do Troféu Brasil, em 1.900 e sei lá o que, já habituado à natação, não tive muitos problemas com essa modalidade.

Ah... Mas, na saída da natação para o ciclismo, cheguei à transição e fiquei uma hora lá, parado, pensando no que tinha de fazer.

Ainda não usava roupa de borracha para nadar. Um problema a menos.
Fui colocar o capacete e o fiodamãe não entrava na cabeça, nem com vaselina. kkk.
E olha que era daqueles capacetes Tabajaras.
Várias tentativas depois, lembrei de tirar a touca de natação.
E não é que ele entrou facinho?

Depois o tênis. Sim, o tênis.
Quem disse que eu iria pedalar de sapatilhas?
Sapatilhas, eu só sabia que existiam as de balé.

E a camiseta, com o número pregado no peito?
Nunca tirei e coloquei tantas vezes uma camiseta, como naquela vez.
E os alfinetes que prendiam o número?
Um deles se abriu. A cada vez que tentava colocar a camiseta com o corpo molhado, era uma espetada.

Fiz a prova com a bike que tinha comprado, acho eu, nas Casas Bahia. Bicicleta de rua, sem marchas, pneus balão...

Ah... Mas eu já acompanhava uma galera que saía à noite para um "treino" aqui em Santos.
Já me achava. Percurso de 20 km. Até que era um bom passeio.


Lembrança de Lambança de corrida

Nessa mesma prova, desci da bike, coloquei-a na baia da transição e a danada não parava em pé.
Nem lembro como, mas consegui fazê-la ficar parada, em pé, naquela baia para bikes de pneus finos.

Daí, saí desembestado a correr para sair da transição.

Um monte de gente gritando um monte de coisas pra mim:

- Marcão... Tu tá com o.....jfjkhdkhfsrroñah!!!
- Marcão... Tu não pegou o......fhjkdcmnbsrfbb!!!

Legal!
Todo mundo torcendo por mim... e meu objetivo era apenas não ser o último.

Até que entendi, já quase saindo da transição:

- Marcão... Tu tá com o capacete!!!

Que vexame. Voltei correndo para a transição, tirei o capacete, peguei o boné (sim, era o que usávamos, em vez de viseiras de 200 contos).

Saí de novo à toda.
Uma voz estridente (mas, à qual agradeço muito) me avisou de novo:

- Marcão... Tu tá sem o número de corrida!!!

Nem voltei. Eu estava com o número, sim, só que nas costas, por ter colocado a camiseta ao contrário.
Continuei correndo e revirando a camiseta, até o número ficar na frente.

Uma corrida de 5 km.

E eu, que só corria descalço (provas, aqui: Triathleta da Idade da Pedra), estava correndo de tênis.

Acho que não deu nem 1 km, para eu descalçar os tênis e acabar a prova com eles nas mãos.

Pelo menos não fui o último.


Quanta evolução!
Ou não... kkk

Hoje chamam isso de ser Triathleta-Raiz.


3AV
Marco Cyrino



terça-feira, 7 de maio de 2019

A Lei do Retorno


Quando, lá atrás, com incentivo e apoio técnico do meu irmão Alfredo, imaginei criar este Blog, pensei muito mesmo.

Pensei no retorno que isto me traria, em interação com outros atletas, em autoconhecimento, em transferência de conhecimento.

Ôpa...
Chegamos ao ponto fundamental.

Não digo que não pensei num "eventual e apenas futuro" retorno financeiro.
Mas, este foi o último item em que pensei.
E ele permanece lá, em standby.
Se alguém quiser me ajudar neste aspecto, agradeço... rsrsrs


Interação com outros atletas

Retorno inteiramente cumprido.


Autoconhecimento

Retorno em andamento, ontem, hoje e sempre.

É engraçado, mas, a cada postagem autoral, mais me conheço.

Tenho a característica de precisar externar os problemas, para melhor resolvê-los. Seja em conversa ou em palavras escritas.

E este Blog me ajuda muito nisso.
Além, é claro, de poder externar conversando com os meus próximos.


Transferência de Conhecimento

O motivo principal deste Blog é a transferência de conhecimento, bom ou mau, associado à Lei do Retorno.

Existe conhecimento bom ou mau?
Existe sim.

Conhecimento bom é aquele que a gente compartilha sobre algo, com a certeza de ser certo.

Conhecimento mau é aquele que a gente compartilha sobre algo que deu certo, sem a certeza de que dará certo para outrem.

Acho que não é o nosso caso.
Temos muita responsabilidade sobre aquilo que publicamos.


Agora, a Lei do Retorno

É simplesmente poder retribuir, divulgando os conhecimentos que tive o privilégio e a oportunidade de receber, para quem não teve tal oportunidade.

Que sentido faria ter esses conhecimentos, sem poder compartilhá-los?

Hoje, com e experiência que tenho em todos os aspectos da vida, posso responder com convicção que não faria sentido algum.

A Lei do Retorno, a princípio, poderia ser interpretada como relacionada ao retorno que eu tenho.

Mas, ao contrário, se relaciona ao retorno que terei, ao divulgar meus conhecimentos para quem não os tem.

Não espero mais nenhum retorno pessoal a não ser o prazer de saber que tenho o "poder" de compartilhá-los.

Isto é algo que dinheiro nenhum pode pagar.

Gostaria de fazer muito mais.

Ainda tenho tempo pra isso.


Todos nós temos um pouco de qualquer coisa para dar, em retribuição àquilo que conseguimos.

Agradecer pelo que conquistamos e compartilhar um pouco disso com aqueles que não têm...



3AV
Marco Cyrino

terça-feira, 2 de abril de 2019

A soberba


A soberba

Creiam-me...

Este Blog sobre Triathlon não deveria ter algo a ver com conselhos deste tipo.
Porém, no fundo.... aliás, no raso, tem tudo a ver.

A soberba é um dos piores defeitos que alguém pode ter.
Hoje, eu não o tenho.
Mas, já o tive, sem perceber.
Ainda estou pagando o preço.

Farei uma breve descrição, sem entrar em muitos detalhes.
Talvez (apenas talvez) eu detalhe os detalhes, em outro momento.


Este é o resumão...


Longa distância

Por 2 anos inteiros, treinando e competindo em provas de Longa Distância (Meio-Iron, 70.3, ou como queiram chamá-las).

Em todas, ótimos resultados.


Distância Olímpica

Em seguida, o Internacional de Santos.

Prova na Distância Olímpica e sempre ótima de fazer, por tudo o que ela oferece, além se realizar aqui, no quintal de casa.
Ano passado ganhei, na categoria 60/64.

Tive um episódio, inclusive durante a prova, de zoster.

Mesmo sem ter certeza do que era, viajei para curtir as "férias".
Penei um bocado com as dores.
Depois de descobrir que era zoster, a cura foi fácil.


Challenge - Mundial

Havia ganho a vaga para o Mundial do Challenge, na Eslováquia.

Fomos...
Treinei, tive perrengues, treinei, viajamos, fiz a prova, fiquei em 13º do mundo, em minha categoria.

Já não estava me sentindo, digamos, como quando ganhei o Challenge - Floripa, em dezembro do ano anterior, quando peguei a vaga para o Mundial.

Ainda assim estava bem.
Magro, leve para correr (faz uma baita diferença), pedalando e nadando bem.
Ôps! Pedalando e nadando bem, realmente já não estava.
Mas ainda assim dava para o gasto.


Challenge - Floripa

Voltei do Mundial e a próxima meta já era novamente o Challenge - Floripa.
Prova boa, período de semi-férias de meus compromissos.

Tive o primeiro sinal.
Perrengue no pé direito, que não respondia.

Isso não iria me parar.
Afinal, eu fui pro mundial!

Treinei o que deu, já sem muita consistência.

Fiz a prova na base do "só pra me divertir".
Peguei 3º lugar inesperado, garantindo vaga novamente para o Mundial na Eslováquia. Mas, nem pensava em ir, por vários motivos.


Recados em voz alta

O corpo já estava pedindo arrego.

Eu não ouvia, ou melhor, minha soberba não me permitia ouvir, os recados do meu corpo.

Provavelmente, meu corpo estava falando:

- Cara! Você é doido? Vê se me ouve, porra!

Pior é que eu ouvia, mas não era comigo.


Prova Insana

Foquei no Internacional de Santos.

No ano passado, fiz a mesma coisa e ganhei.

Virei a "chavinha" e vamos em frente.

Vou fazer a mesma coisa (passar a treinar velocidade, por ser uma Prova Olímpica) e vai dar tudo certo novamente.

Entre o Mundial do Challenge e o Internacional (que pretendia fazer), ainda fiz pela 2ª vez o Insano - Guaratuba, e ganhei pela 2ª vez consecutiva.

Logo, minha soberba estava lá em cima.
Ganhei o Insano, mesmo sem estar bem!

ENTENDAM QUE NUNCA LEVEI ESSA SOBERBA PARA A MINHA VIDA PESSOAL.


Quase parando

Passado o final de ano, intensificando os treinos de velocidade para o Internacional, comecei a me sentir "fraco" no treinos.

Não conseguia desenvolver.
Não conseguia atingir os objetivos.

Minha rotina virou um inferno.

Dormia tarde, embora houvesse deitado cedo.
Acordava tarde e treinava mais tarde ainda.
Horário de almoço virou o de jantar.
Juntei uma refeição com outra.
Praticamente 2 meses fazendo isso.

Concomitantemente, ocorreram outros problemas pessoais que me induziram ainda mais a essa rotina.

Enfim, cabeça não pensa, o corpo paga.

E pagou (e ainda está pagando) um preço muito alto.

Fui "empurrando" a alimentação, a hidratação, enfim, tudo o que o corpo de um atleta pede.

Quando percebi, já estava ferrado (eufemismo...).

Por pouco não fui internado.

Não façam isso em casa.
É perigoso! kkk


Agora é "regime de engorda".

Depois, vem o processo de distribuir o que eu já não tinha mais em meu corpo.

Depois, um fortalecimento (musculação) e, só a partir daí, retomar os treinos.

A soberba me dizia que, treinando muito ou pouco, me alimentando bem ou mal, fazendo as coisas muito ou pouco certas, eu iria sempre ser o fodão.

NÃO DEIXEM ISSO ACONTECER COM VOCÊS.

Se contar detalhes de como fiquei, dirão que é mentira. kkk

Voltarei!



3AV
Marco Cyrino


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Os empurrões do destino


Já escrevi sobre tantos temas no Blog que, provavelmente, até devo ter abordado este, porém de forma diferente.

Talvez apenas como um Relato de Prova, ou outro tema que se relacionou com este.

Desta vez, o enfoque será outro.
Perdoem pela eventual recorrência de temas.

Vamos lá...


Antigamente...

O Troféu Brasil tinha suas provas de Profissionais Masculino e Feminino, Elite e Short.

A categoria Elite era apenas para Amadores que obtivessem determinados índices (tempos nas provas de Short), os quais eu não tinha a menor possibilidade de alcançar.

Os participantes da Elite faziam a Distância Olímpica.

Meus resultados no Short eram suficientes para me contentar, mas não para que eu me esforçasse para um melhor desempenho, face à diferença em relação aos demais da categoria.

Tipo assim... Eu fazia Triathlon (e ainda faço) apenas para mim.
Mas, não tinha nenhum empenho em treinar especificamente para o Triathlon.


Daí, em 2007...

O Núbio resolveu abrir a Elite ou Olímpico para todos.

Porém, em cada etapa da prova (natação, ciclismo e corrida), havia um tempo determinado para que o atleta completasse. Caso contrário, seria retirado da prova.

Essa prova, no meu caso, foi o divisor de águas.

Então, me inscrevi, treinei como um louco, sem assessoria, sem equipamentos adequados, sem pourra nenhuma.

Eu estava entrando na Categoria 50/54.

Meus objetivos eram:

1º - Terminar a prova dentro dos tempos programados.
Já havia feito algumas provas do Internacional de Santos (Olímpicos), porém, nem de longe minhas parciais correspondiam aos tempos de corte.

2º - Não ser o último de todos - aquele que vem com a moto da organização comboiando e, atrás dela, os staffs retirando os cavaletes, cones, etc.


Fiz a prova e...

Acabei a natação dentro do tempo.

Acabei a primeira volta do ciclismo (que era limitador de corte também) dentro do tempo.

Acabei o ciclismo, inteiro, dentro do tempo.

A corrida foi na base do phoda-se...

Era um circuito de duas voltas de corrida, como ainda é hoje.
Portanto, na primeira volta, a gente não sabe quem está à frente ou atrás.
Na segunda volta vem a certeza... que está atrás, está atrás... kkk

Depois de fazer o retorno para os últimos 2,5 km de corrida, comecei a nem me preocupar com o meu tempo, e sim ver se tinha alguém ainda indo para o retorno.

Contei 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7... 10...
Parei de contar e abri um sorriso que não cabia na cara.

Principalmente porque a maior parte dos que estavam atrás eram bem mais novos do que eu.

Acabei a prova e fui confraternizar com a Neuza e meus familiares,  que me esperavam na linha de chegada.... depois, tomar uma ducha e arrumar minhas coisas para irmos embora.

Estava satisfeitíssimo com minha a performance.
Pourra! Concluí uma prova na Categoria Elite Amador.

A Neuza, sempre ela, me convenceu a ficar para ver a premiação.
Eu nem tinha intenção, acostumado que estava com as minhas colocações.

Quando chegou a premiação da minha categoria, o locutor falou:

- Em segundo lugar, Fulano de Tal
(Sinceramente, que o segundo colocado me perdoe por não lembrar seu nome. Ainda vou procurar os resultados desse ano, para lhe dar os créditos).

Pensei e falei para Neuza, meu irmão e minha cunhada:

- Xiiii...... Deu ruim..... Devo ter extrapolado o tempo de alguma etapa.... (embora, na minha cabeça, soubesse que não)... rambóra...

Aí o locutor me interrompeu.... kkkk..... dizendo:

- E o grande campeão é Marco Antonio Pinheiro Cyrino.

Quase caí de cara no chão.

Imaginem minha alegria.


Indo para os finalmentes...

Essa prova foi o divisor de águas, porque, a partir dela, comecei a levar o Triathlon a sério, inclusive passando a procurar assessorias técnico-esportiva, nutricional e as demais necessárias.

Qualquer hora conto mais sobre minha trajetória de surfista e futebolista para Biathleta, Triathleta de Shorts, de Olímpicos, de Long Distance, de Ironman, etc.

Mas, o que apenas meus próximos sabem... e isto não poderia deixar de dizer aqui, é que, talvez, o maior responsável seja o Joachim Doeding.

Sim, ele mesmo, um ultra, mega, hiper campeão.

Se alguém quiser saber mais sobre ele, que pesquise.
O Cara é simplesmente o Cara.

E ele estava nessa prova, na minha categoria, e iria ganhar com um pé atrás.

Só que algum fiscal deu um amarelo pra ele e depois o desclassificou por um suposto xingamento.

Sinceramente e, sem querer depreciar algum fiscal de prova, eu nunca daria um amarelo para o Joachim, achando que ele estivesse no vácuo de alguém... Um cara que, em provas de Long Distance, pedala para 40 km/h de média...

E eu, na época, não sabia nada sobre quem era quem, nem sabia quantos e quais estavam em minha categoria.

Só sei que o Joachim fez muito bem em xingar o fiscal.....kkkkk

Talvez, se isso não tivesse acontecido, eu não houvesse feito o que já fiz.

Daí o tema Empurrões do destino.


Aloha !

3AV
Marco Cyrino