domingo, 9 de agosto de 2026

O corpo não esquece: memória corporal, longevidade e o preço da inércia


Recentemente, em uma conversa despretensiosa com meu irmão, terminamos refletindo sobre as marcas que o tempo e o movimento deixam em nós.
 
Ele me contava sobre as suas experiências na juventude, em esportes principalmente de explosão (karate e 100 metros rasos), enquanto eu relembrava minha própria jornada: os muitos anos de surf e futebol, os longos treinos, os 7 Ironmans completados, a honra de conquistar o 13º lugar no Mundial de Challenge na Eslováquia.
 
Hoje, aos 69 anos praticamente, estou retomando os trotes na praia e o trabalho de força na musculação.
 
E algo que me tem gratificado, além daquela sensação de missão cumprida que acompanha o cansaço, é a velocidade com que o corpo responde.
 
É como se a musculatura, o metabolismo e a mente estivessem esperando um sinal de partida para religar os motores.
 
Essa experiência me fez pensar sobre Memória Corporal, como um todo.
 
 
A memória vai muito além dos músculos
 
Quando falamos em "memória muscular", a ciência costuma explicar o fenômeno através do número de mionúcleos(1) mantidos nas fibras musculares mesmo após longos períodos de inatividade.
 
(E olha que, no meu caso, já se vão quase 8 anos de “semi-inatividade”).
 
Mas, quem viveu o esporte de alto rendimento por décadas, sabe que a memória do corpo é algo muito mais amplo e complexo.
 
Ela é um acervo biológico integrado:
 
Memória Neuro-Articular
O cérebro não esquece os padrões de movimento, a propriocepção(2) e a eficiência biomecânica. A postura para correr, o ritmo da respiração e o recrutamento das fibras musculares corretas continuam gravados no sistema nervoso central.
 
Memória Metabólica e Cardiovascular
Anos de treino aeróbico expandem a rede de capilares, otimizam a função das mitocôndrias(3) e ensinam o corpo a utilizar energia de forma eficiente.
 
Quando voltamos a nos exercitar, o sistema cardiovascular e metabólico "reconhece" o estímulo muito mais rápido do que o de alguém que nunca treinou.
 
Memória Mental e Psicológica
A capacidade de tolerar o desconforto, de manter a disciplina e de escutar os sinais do próprio corpo é algo que se desenvolve no esporte e que permanece para a vida toda.
 
Nossa bagagem esportiva, seja de explosão, como nas corridas de velocidade, ou de alta resistência, como no Triathlon, cria uma poupança biológica.
 
Tempo, Sarcopenia, Longevidade
A partir dos 40 anos, todos nós enfrentamos um processo biológico inevitável: a sarcopenia (perda progressiva de massa, força e qualidade muscular).
 
Se nada for feito, esse declínio se acelera a cada década.
 
Para quem acumulou massa muscular e capacidade aeróbica ao longo da vida, a sarcopenia ainda acontece, mas partindo de um patamar muito mais alto.
 
Porém, essa bagagem não nos torna imunes.
 
Ela apenas nos dá uma vantagem inicial.
O corpo precisa ser provocado para manter o que conquistou.
 
 
O efeito inverso: Inércia Biológica
Durante aquela mesma conversa, lembrei de um caso conhecido: um senhor da nossa faixa etária, na casa dos 60 anos, sem doença crônica diagnosticada (que eu saiba), mas com dificuldades severas para realizar tarefas simples, como caminhar com fluidez, ou subir lances de escadas.
 
Ao que tudo indica, não se trata de uma patologia grave, mas sim do resultado acumulado de inatividade física.
 
Assim como o exercício cria uma memória de eficiência e vitalidade, o sedentarismo prolongado cria uma memória de inércia.
As articulações travam por falta de uso, os músculos atrofiam, os reflexos diminuem e a autonomia se perde.
 
A fragilidade da idade, muitas vezes, não é resultado do tempo, mas da ausência de movimento.
 
Nunca é tarde para reativar a Poupança Biológica
Felizmente, o corpo humano é fabulosamente adaptável.
 
Seja um ex-atleta tentando reconectar-se com sua história esportiva, ou alguém que passou a vida longe dos treinos, o organismo sempre responde ao estímulo adequado.
 
 
Finalizando...
Retomar os meus trotes na praia e o fortalecimento muscular não é uma tentativa de reviver os tempos de Ironman ou o ritmo da Eslováquia.
 
Trata-se de honrar a saúde atual e garantir autonomia para as próximas décadas.
 
Sua história com o movimento determina a rapidez com que o seu corpo responde hoje.
Mas, é a sua atitude de agora que definirá como você viverá os próximos anos.
 
Ah! antes que eu me esqueça.
Nossas panturrilhas, mais conhecidas como as “batatas das pernas”, são o segundo coração do nosso corpo.
 
 
Movimente-se!
O seu corpo saberá como reagir.
 
3AV
Marco Cyrino
 
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NOTAS
 
(1) Mionúcleos
São os núcleos celulares localizados dentro das fibras dos músculos esqueléticos.
Controlam a produção de proteínas e ajudam no crescimento, na manutenção e no reparo do tecido muscular.
Derivam de células especiais chamadas células-satélite.
Quando fazemos exercícios de força, essas células se fundem à fibra muscular e adicionam novos mionúcleos.
 
(2) Propriocepção
Também chamada de cinestesia, é a capacidade do corpo de perceber sua própria posição, orientação e movimento no espaço, sem depender da visão.
Considerada o "sexto sentido" do organismo, ela envia sinais contínuos ao sistema nervoso central para ajustar o equilíbrio, dosar a força muscular e garantir a precisão dos movimentos de forma consciente ou inconsciente.
 
O cérebro recebe dados em tempo real, através de receptores sensoriais chamados proprioceptores, que estão localizados em:
·   Músculos (fusos musculares): medem o comprimento e o estiramento das fibras.
·   Tendões (órgãos tendinosos de Golgi): monitoram a força e a tensão muscular aplicadas.
·   Articulações e ligamentos: identificam a angulação, velocidade e direção do movimento.
·   Ouvido interno (sistema vestibular): atua em conjunto para manter o equilíbrio postural.
 
Importância no dia a dia e no esporte
·   Prevenção de lesões: permite reações rápidas a imprevistos, como corrigir o passo ao pisar em um buraco falso ou tropeçar.
·   Consciência corporal: possibilita caminhar sem olhar para os pés ou, por exemplo, tocar a ponta do nariz com os olhos fechados.
·   Desempenho esportivo: melhora a estabilidade articular, a agilidade e a aterrissagem precisa após um salto.
·   Longevidade: reduz o risco de quedas em idosos ao aprimorar o controle postural.
 
(3) Mitocôndrias
São estruturas celulares conhecidas como as "usinas de energia" do corpo, com destaque para a produção de ATP, a respiração celular e a presença de DNA próprio.
Transformam os nutrientes dos alimentos e o oxigênio que respiramos, na força que a célula precisa para funcionar.
 

domingo, 14 de junho de 2026

Pedalar e correr - Ciclismo e Triathlon


Há poucos dias, conversando com "meu" dentista, fiquei com isso na cabeça.
Cabeçudo que sou, as coisas só saem dela quando as escrevo.
 
É um cara sensacional (o dentista, não eu.... rs).
E adora ver tudo sobre esportes, assim como eu.
Seja futebol, surf, vôlei, basquete, pedestrianismo, ciclismo, natação, enfim...
 
Sabendo que já "fui" surfista e Triathleta (sim, já fui... rs), sempre em nossas consultas para procedimentos de praxe, ele fica comentando comigo e querendo saber sobre tudo.
 
Enquanto faz os procedimentos, mesmo eu estando de boca aberta, ele fala comigo, como se eu pudesse responder.
 
Daí que, na última consulta, ele me perguntou sobre algumas coisas de ciclismo.
 
Não fui um bom ciclista, mas, de tanto assistir as provas internacionais (Tour de France, La Vuelta, etc.), aprendi algumas coisas.
 
Também aprendi pedalando com parceiros de Triathlon, pois, antes de fazer essa coisa doida (Triathlon), eu era expert em ciclismo para ir de Santos ao Guarujá, com uma bike de rua emprestada, levando no cano um amigo, com duas pranchas, para surfar no Tombo ou em Pernambuco (Guarujá).
Já contei isso.
 
Bom, o que ficou em minha cabeça cabeçuda foi o seguinte.
 
Ciclismo competitivo
Eles e elas aprendem desde cedo a pedalar "redondo".
O que isso significa?
Pedalar empurrando com uma perna e puxando com a outra.
Para isso, precisamos ter os 2 pés presos aos pedais.
Para quem, como eu, aprendeu a pedalar apenas empurrando o pedal, fica meio difícil fazer isso.
Mas, podemos melhorar treinando.
 
Só que o ciclista profissional e/ou competitivo (amador) vai somente pedalar.
Então, vale muito fazer o pedal "redondo".
 
Ciclismo no Triathlon
No meu caso, juro que tentei treinar para pedalar "redondo".
Si phodí... kkk
 
Isto porque, no Triathlon, depois de pedalar, a gente tem que correr, né?
 
O músculo que usamos para "puxar" o pedal no ciclismo é o mesmo que utilizamos na corrida.
Aquele famoso posterior da coxa.
E o que usamos para "empurrar" o pedal é o antagônico dele, o anterior da coxa, o qual não usamos tanto na corrida.
 
Portanto, senti que ganhava rendimento no pedal, mas perdia na corrida, devido à fadiga muscular.
 
Em meu 3º ou 4º Ironman (não lembro), fiz o meu melhor pedal utilizando a técnica de empurrar e puxar.
E fiz a minha pior corrida.
 
Em um outro Ironman, fiz meu pior pedal, não por conta disso, mas fiz minha melhor corrida.
 
Resumo
CICLISMO É UMA COISA.
CORRIDA É OUTRA COISA.
E TRIATHLON SÃO 3 COISAS.
 
Observação importantíssima
Como o Blog tem apenas a intenção de passar minhas experiências e opiniões, espero que isto sirva para, principalmente os iniciantes, se informarem.
 
Em outras palavras, são opiniões baseadas nos aprendizados da minha experiência atlética e não em estudos científicos.
 
 
3AV
Marco Cyrino
 
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sábado, 30 de maio de 2026

Treinos longos de natação


Bom, já escrevi quase tudo sobre treinos longos de Ciclismo e de Corrida.
 
Agora, vou escrever sobre os longos de Natação.
 
Treinar natação para Shorts
 
Apenas 750 m de natação nas provas.
Fácil.
Fácil pourra nenhuma.
São curtos, mas muito intensos.
Tipo tiros de 50 m com o coração na boca o tempo todo.
São treinos de velocidade.
 
Treinar natação para Olímpicos
 
Já são treinos para uma prova com 1.500 m de natação.
São, então, treinos objetivando bom desempenho, mas também pensando nas próximas etapas de ciclismo e corrida.
 
Treinar natação para provas longas
 
Normalmente essas provas têm 1.900 m de natação.
Não muda muito com relação às provas Olímpicas.
Muda muito sobre onde vai ser a prova Longa.
 
Falando apenas daquelas que eu fiz...
 
Prova Longa em Pirassununga.
Uma lagoa com água pesada.
 
Prova Longa em Floripa.
Mar sereno, mar hostil, mar com correnteza, mar com muito vento.
Já teve de tudo lá.
Inclusive uma prova cancelada.
 
Bom, para essas provas, os treinos já têm que considerar o que vem depois.
 
Treinar natação para provas de Ironman
 
Ironman já é uma prova com 3.800 m, ou mais, de natação.
Digo que pode ser mais devido às correntezas.
Logo na minha primeira prova, nadei mais de 4.200m, segundo meu Garmin. Mas isso é conversa pra outra hora.
 
 
Vamos ao assunto principal: treinar para essa distância.
 
Chegava um momento em que meu técnico me passava um treino de 4.000 m.
 
Treinar em piscina para essa prova é punk.
 
Nadar 4.000 m em uma piscina Olímpica (de 50 m) não é tão punk.
Ainda assim é punk.
São 40 idas e voltas.
 
Agora, nadar em uma piscina de 25 m é phoda.
Nadar 80 idas e voltas, contando azulejos, voltas, enfim...
 
Chega uma hora em que a gente se perdia na contagem.
Não sabia mais se estava na 70ª ou na 80ª... kkk
 
Quando raramente me perdia na contagem, sempre optei por fazer mais voltas.
 
Mas vou dizer que é uma ótima terapia pra gente dormir depois desses treinos.
Eu, que desde o surf tenho problemas em minha lombar, não fazia a “virada olímpica”.
Batia a mão na piscina, virava (quase sempre para o mesmo lado), mergulhava e vamos para mais 25 m.
 
Saía da piscina praticamente bêbado de tantas viradas (160).
Era só deitar na cama, ver o quarto girando e dormir contando carneirinhos, quer dizer, azulejos... kkk
 
Meus melhores treinos nessa distância foram 3 ou 4 que fiz no mar.
 
Consegui fazer entre o Emissário e o Canal 3, ida e volta, paralelamente à praia.
Muito bom, inclusive para nos conectar com o mar.
E isso, em minha humilde opinião. é imprescindível.
Quem só nada e piscinas e vai fazer um Iron, com natação no mar, vai ter problemas com navegação, com correntezas, com um “cardume” de gente se batendo, etc.
 
Bom, é assim.
Graças a Deus tive sempre um desempenho razoável nos treinos e nas provas.
 
Para finalizar com relação à natação.

Roupas de borracha
 
Equipamento relevante para treinos e provas...
 
Essas roupas, geralmente feitas de neoprene revestido, nos ajudam a flutuar em águas pesadas e também a “deslizar”.
 
Nos treinos...
 
O recomendado seria usá-las para se habituar, mas não em todos eles, para não criar uma falsa sensação de evolução técnica.
 
Nas provas...
 
Só são permitidas em determinadas situações.
Para os profissionais, são permitidas caso a temperatura da água esteja abaixo de certo limite.
 
Para os simples mortais, no caso eu, independente da temperatura da água, normalmente são liberadas.
 
Nas provas em que participei, exceto em Pirassununga (novamente – água doce e pesada – lagoa), as roupas de borracha eram liberadas.
 
Segurança
 
Quero enfatizar que a natação é a parte mais perigosa do Triathlon, seja ele em qualquer distância.
 
Nunca soube de algum Triathleta ter morrido no ciclismo ou na corrida, embora alguns tenham chegado perto disso.
 
Na natação, qualquer perrengue é risco de vida.
 
Então, tenhamos em mente a importância de todas as medidas de segurança, antes e ao longo dos treinos e provas, incluindo avaliarmos muito bem: as condições da água; as nossas condições físicas, mentais e emocionais; o nosso plano de largada e percurso; a quantidade e a qualidade dos recursos de acompanhamento do(s) atleta(s) etc. etc.
 
 
Agora sobre as provas
 
Lá por 1.900 e bolinha, houve uma prova em que o mar estava muito bravo.
Daí, eu tiro lições dos meus treinos e convivência com o mar.
Lembro que era um Internacional de Santos e o mar não estava para brincadeira.
 
Porém, minha categoria foi a única que nadou naquele dia.
Depois, a etapa de natação foi cancelada, graças a Deus, em favor daqueles que não estavam habituados com aquelas condições.
 
Eu, por minha experiência com o surf, com minha praia, fiz uma natação limpa, inclusive passando pelas ondas por baixo, como temos que fazer.
 
Nem falo mais nada...
Só algumas imagens.
 
1 - Largada Amador

2 - Natação Punk
 
3 - Ó a série entrando

 
3AV
Marco Cyrino
 
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sábado, 25 de abril de 2026

Treinos longos de corrida


Com os Treinos de Corrida foi mais ou menos a "lesma lerda", mas vai ficar para outra postagem.
 
Essa foi a frase com a qual encerrei meu último post.
E assim vai ser, afinal promessa é dívida.
E eu pago sempre minhas dívidas.
Pelo menos até hoje... kkk
 
Portanto, vamos lá:
 
Treinar corrida para Shorts (5 km nas provas)
 
Mesmo sabendo que temos que nadar 750 m e pedalar 20 km antes.
Fácil com relação à distância.
Difícil com relação à intensidade.
É tudo na base do coração na boca o tempo todo.
Portanto os treinos de corrida serão, digamos, curtos porém intensos.
 
Treinar corrida para Olímpicos (10 km nas provas)
 
Já precisamos ter um discernimento de que nadaremos 1,5km e teremos que pedalar 40 km, antes de sairmos para correr.
Os treinos de corrida para essas provas já têm que levar em consideração o desgaste nas 2 modalidades anteriores e também a necessidade de repor calorias e de hidratação.
 
Treinar corrida para provas Longas (70.3, Long Distance, Meio Ironman ou como quiserem chamar)
 
Serão 21 km de corrida.
Os treinos de corrida para essas provas, em minha opinião já são diferenciados.
Antes da corrida, serão praticamente 2 km de natação, mais 90 km de ciclismo.
Portanto, teremos que ter ainda muito mais atenção ao consumo de calorias e à hidratação, antes e durante a corrida.
 
Nessas provas, eu sempre procurei, com a orientação dos meus técnicos, treinar até um volume um pouco maior de corrida. para me sentir confiante.
Digamos, uns 22 km.
 
Antes de falar sobre os treinos para Ironman...
 
Existem umas provas diferentes.
Por exemplo, o Insano de Guaratuba, onde venci as duas provas de que participei.
 
Essa prova tem 1,5 km de natação, 60 km de ciclismo em ótimas condições e 16 km de corrida.
Só que boa parte desses 16 km de corrida ocorre em subidas e descidas muito íngremes.
Daí o nome: INSANO.
 
As duas provas de que participei, ganhei basicamente na corrida.
Fiz muitos, muitíssimos treinos de subida, aqui em Santos.
Subidas na Ilha Porchat, no morro do Marapé, no morro da Nova Cintra, e até mesmo subidas em Balneário Camburiú, quando fomos para lá.
Enfim, cheguei lá muito confiante na corrida e assim foi.
Foi na corrida, nas serras de lá, que consegui obter os resultados.
 
Agora vamos aos finalmentes...
 
Treinar corrida para Ironman (42,1 km)
 
Bom, aí é que o bicho pega realmente.
Correr uma maratona, depois de ter nadado quase 4 km e pedalado 180 km, não é mole não.
 
Eu digo correr depois disso, porém, nós, simples mortais, praticamente trotamos, caminhamos, ou até mesmos rastejamos em parte desse percurso.
 
Os Profissionais, os Tops Amadores, não sei como, eles realmente correm nessa etapa do Ironman.
 
Já vou me repetir...
É aí que os treinos têm que ser muito bem elaborados com relação a intensidade, hidratação e consumo de calorias.
 
Agora vamos ao que interessa, com relação aos treinos longos para Ironman.
Apenas de minha parte, né?
 
Posso estar enganado, mas, desde o meu primeiro Iron, os maiores treinos de corrida foram de 32, 33, ou até mesmo 35 km.
 
Meu percurso para cumprir esses treinos:
 
·   Saía  da minha residência (morava no 4º andar de um prédio, a uns 50 m da avenida da praia), na Pompéia, entre o canal 1 e o canal 2;
·   Corria até o Ferry-Boat (as balsas aqui de Santos), uns 6km;
·   Contornava a praça dos peixes e entrava na Av Portuária, mais 3 km;
·   Voltava, passava em frente à rua em que eu morava, ia até o pé da Ilha Porchat, mais uns 3 km;
·   Subia e descia a Ilha, mais 2 km;
·   Ia até a Biquinha em São Vicente, mais uns 2,5 km;
·   Passava pela Ponte Pênsil e ia até a Rua Japão, mais uns 2 km;
·   Seguia por ela até o fim, pegava umas quebradas só para aumentar a distância;
·   Voltava, passava pela Ponte Pênsil, voltava por ela novamente, e voltava em direção à minha casa.
 
Não vou fazer as contas agora.
Só sei que quando estava quase chegando, olhava o meu Garmin e ainda estava marcando uns 30 km.
 
Daí comecei a inventar outros percursos.
Antes de começar a correr, já computava a descida da escada do prédio onde eu morava, o trotezinho de 50 m até a praia, enfim.
Comecei a fazer umas voltas de aquecimento na pista do Emissário, uns 650 m cada volta, também já computando na distância.
 
Um tempo depois, não tinha mais saco para fazer o percurso inicial:
 
·   Ponta da Praia – Ferry-Boat – Av Portuária – Retorno – Ilha Porchat – Rua Japão – Retorno – etc.
 
Resolvi fazer os treinos em percurso menor e mais perto de casa:
 
·   Casa - Ferry-Boat - Retorno.
·   Praticamente 13 km cada ida e volta.
·   Duas idas e voltas = 26 km.
 
Mais fácil.
Mais fácil o caramba, pra não falar outra coisa... kkk
Cada vez que passava em frente à "minha rua", a vontade de parar era imensa.
Só no ódio mesmo que eu passava batido.
 
Incluindo que, em todos os treinos, mesmo levando um cinto de hidratação e suplementação, tinha que parar algumas vezes para me abastecer com água.
 
Juro que até hoje não entendo como os Tops, os Picas da Galáxias, conseguem fazer isso, Ironmans, com tanta exigência física e com os tempos que eles fazem.
Não devem ser deste planeta.
 
3AV
Marco Cyrino
 
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sábado, 11 de abril de 2026

Sobre treinos longos de ciclismo

 
Há alguns dias, encontrei com meu brother, ex-ciclista profissional, Johnny Evangelista.
 
Ciclista das antigas e dos bons.
Sei que é redundante porque, para ser ciclista profissional aqui, tem que ser bom mesmo.
 
Em uma rapidíssima troca de palavras, ele me perguntou sobre quantos Irons eu fiz (mesmo ele já sabendo... rsrsrs), sobre eu voltar aos treinos, sobre querer passar por tudo de novo etc.
 
Mas, ele fez também umas perguntas que ficaram, depois dos meus afazeres, na minha cabeça cabeçuda:
 
Ele...
Qual foi o treino mais longo de ciclismo que você fez?
 
Eu...
Johnny, acho que foram um ou dois de 200 Km.
 
Ele...
Nos Irons, qual foi a parte mais difícil pra você?
 
Eu...
Com certeza, a corrida.
Não por ela, mas por ter que fazer a maratona depois de nadar quase 4 km e pedalar 180 km.
 
Ele...
E nos treinos? Em qual modalidade você sentia mais dificuldade?
 
Ele...
Por último, como você conseguiu resultados tão bons, sendo que, pelo que me disse, não era o top em nada?
 
Eu...
Johnny, preciso parar por aqui, porque tenho coisas rápidas e urgentes pra fazer.
 
Bom, devido à pressa, a conversa terminou, mas, agora, depois desta baita introdução, vou ver se consigo responder as perguntas restantes.
 
Triathlon, Natação e Corrida
Já escrevi sobre isso algumas vezes, mas, vamos em frente.
 
Entrei no Triathlon meio por acaso e já com idade avançada para começar.
Não vou me estender sobre isso.
 
Nadar e correr não eram coisas desconhecidas.
Nadava para me salvar no surf e sempre corri devido minha "aptidão futebolística", embora sejam coisas totalmente diferentes de competições de Triathlon.
 
Porém, sempre senti afinidade com essas modalidades.
 
Ciclismo
Minha experiência com o ciclismo era saber que conseguia pedalar levando um amigo "no cano" da bike emprestada (bike de rua), com duas pranchas embaixo dos braços, para irmos surfar no Guarujá.
 
Ele, o amigo, levando uma e eu a outra, pedalando contra o vento (sempre o vento estava contra....rs) e com as pranchas servindo de freios.
 
Isso por uns 15 km até a Praia de Pernambuco – Guarujá, ou uns km a menos até a Praia do Tombo, também Guarujá. Só de ida, porque na volta os 15 km até a praia de Pernambuco se tornavam 100 km, depois de horas de surf.
 
 
Daí, vieram todas as coisas...
Lesões futebolísticas, rompimento de tendão de Aquiles, aprender a nadar em piscina (nadar mesmo e não apenas me salvar), correr sem ser para jogar futebol, enfim...
 
Coisas que me levaram para o Biathlon e depois para o Triathlon, onde fiz minha primeira prova com minha bike de rua.
 
Depois, fiz o Internacional de Santos com uma bike "estradeira" emprestada pelo grande amigo Felipe Cidral, da Pizzaria Kokimbos e seu irmão Fred Cidral.
 
 
Agora, e só agora, respondendo as perguntas do Johnny que ficaram na minha cabeça.
 
A modalidade em que mais senti dificuldade para treinar foram os longuíssimos de bike.
 
Não tenho absoluta certeza, mas, acho que nos 7 Irons que fiz, para 5 deles pedalei no máximo 140 km (sendo que, por motivo de muita chuva, fiz um deles em casa no rolo, o que não recomendo... kkk) e para os 2 últimos pedalei 200 km.
 
Os longos de bike são phoda elevada a 10ª potência.
 
No meu caso, 200 km pedalando sozinho, eu tinha duas opções:
 
1ª) Sair de casa sozinho, pegar a balsa para Guarujá às 07:00h (acordando às 04:30h), fazer a travessia, atravessar Guarujá, pegar a Piaçaguera (Faixa de Gaza) com risco de ser assaltado etc., entrar na Rio-Santos, ir até Juqueí (vejam as serrinhas, no Google Maps) e voltar.
 
2ª) Sair de casa sozinho também, colocar a bike no carro, subir até a Estrada Velha de Santos e lá fazer várias voltas, onde ida e volta são aproximadamente 16 km.
Logo, para fazer 200 km de pedal lá, são 12 voltas e meia. Com várias subidinhas, nenhuma delas com muito aclive, ao contrário da Rio/Santos. Quem conhece a subida da Bica e da Petrobrás, na Rio-Santos, saberá do que estou falando.
 
Coisas boas e coisas ruins lá e cá...
 
Coisas boas na Rio-Santos
Paisagens lindas, pedal de apenas uma ida e uma volta.
 
Encontrar no caminho vários amigos treinando e segui-los, ou eles me seguirem.
 
Caraio! Acho que é só. kkk
 
Coisas ruins na Rio-Santos
* Passar pela Faixa de Gaza sem ser assaltado. Estresse total.
 
* Risco de acidentes na estrada.
 
* Ir até Juqueí sem saber onde eu iria me abastecer.
 
Obs.: Para um treino de 200 km de bike e, principalmente para depois correr uma maratona no Ironman, a gente tem que se acostumar a ingerir muitas calorias.
 
Daí, o próximo posto de abastecimento, no pedal, a gente (eu pelo menos) não sabe onde será.
E a gente sai com uma garrafinha de água, uma de isotônico, um monte de gel de carbo...
Mas, chega uma hora que a gente tem que abastecer.
Vai saber se é em Bertioga, se é na Riviera de São Lourenço, se é em sei lá onde.
Pior é na volta... kkk.
 
Coisas boas no Riacho Grande (Estrada Velha de Santos)
* Paisagem também linda.
 
* Encontrar no caminho uma multidão pedalando, correndo, etc. Parece que sempre está tendo uma prova de Triathlon lá.
 
* Risco pequeno de assaltos ou acidentes graves.
 
* Possibilidade de se abastecer em várias voltas, com o carro estacionado em um local apropriado.
 
* Possibilidade de encontrar alguma ajuda em caso de necessidade. Como são muitas voltas, embora as subidas não sejam íngremes, serão muitas.
 
 
Coisas ruins no Riacho Grande (Estrada Velha de Santos)
* Multidão correndo pelos acostamentos, mas também pelo meio da pista, como se não houvesse ciclistas treinando lá.
 
* Depois de 7 horas de treino a gente já nem sabe mais em que volta está... rsrsrs.
 
* Depois das 14:00h, começam a chegar os baladeiros e a coisa fica meio punk. Ninguém respeita mais ninguém.
 
Resumo
Falando apenas sobre a minha preferência entre treinar 200 km na Rio-Santos, direto e reto, ou treinar 200 km no Riacho Grande – Estrada Velha de Santos:
 
Rio-Santos direto e reto
É punk mas, caso eu chegue em Juqueí, só tenho uma opção: voltar.
 
Logo tenho que concluir o treino.
Onde eu vou parar para descansar ou me abastecer é problema meu... kkk
 
Riacho Grande (Estrada Velha de Santos)
Também é punk.
Porém, tenho 12 voltas para fazer e cumprir o compromisso.
Isso é bom e é ruim.
É bom porque a cada 16 km tenho oportunidade de me abastecer.
É ruim porque a cada 16 km, depois de umas 8 voltas, tenho uma baita vontade de parar... kkkkkkkk
Só a sofrência mesmo é que me levou a fazer isso.
 
Com os Treinos de Corrida foi mais ou menos a "lesma lerda", mas vai ficar para outra postagem.
 
3AV
Marco Cyrino
 
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