domingo, 17 de outubro de 2021

A diferença entre ser e fazer um Ironman

 

 
Silvio Marques, via Publique!


Escrevi dez anos atrás e mantenho meu pensamento.

Existe uma diferença muito grande entre "ser" e "fazer" um Ironman.

Tenho a percepção de que realizar uma prova como o Ironman requer um comprometimento que vai além da disciplina com os treinos.

Abdica-se de família, de lazer, de trabalho, de saúde, etc.

Durante o período em que o atleta está focado na preparação de uma prova como essa, se evidencia seu alter ego, alheio às suas vontades próprias, distinto do original.
Invariavelmente, uma fera indomável.

Se você encontrar um desses por aí, saiba que esse será sempre um Ironman.
Invariavelmente, são Triathletas na essência, nada aventureiros.

Construíram uma história desde as provas mais curtas, passando por provas olímpicas, provas de metade de distância Ironman, até se tornarem Triathletas completos.

E essa definição nada tem a ver com qualidade ou nível de performance e sim com o comprometimento passional com o esporte.

Existe uma outra tribo, menos comprometida com o Triathlon, em que se estabeleceu o Ironman como um troféu a ser conquistado, um desafio pessoal.

Invariavelmente, os atletas ultrapassam diversas etapas de uma programação normal, para alcançarem seus objetivos.

Treinaram, sabe-se lá como e quanto.
Foram lá e completaram suas provas, e muitas vezes até muito bem.

Mas simplesmente fizeram um Ironman.
Provaram que é possível, que não é algo inalcançável, pegaram suas medalhas e voltaram para suas casas com o desafio cumprido.

Fizeram uma prova na distância Ironman, mas estarão sempre longe de afirmarem ser na essência um Triathleta de longas distâncias.

Algo apenas existencial e mais nada.

Tenho aqui, em minha casa, a medalha de finisher e o número de peito, no porta-treco da parede.

Guardei medalha, certificado, sacolas, camiseta, números de peito, tudo em uma caixa de arquivos de fotos.
E lá estão até hoje...
Vez ou outra, limpo tudo e guardo novamente.

Estampei a marca "M" dentro do meu coração e na minha mente, porque a realização foi minha e o mundo não precisa ficar sabendo.

Existem aqueles que preferem eternizar em seus corpos essas conquistas pessoais.
Desejo pessoal de cada um, e isso nada tem a ver com SER ou FAZER um Ironman.
Quando falamos de essência, falamos de muito mais do que objetivos.
Falamos de estilo de vida, de prazer cotidiano, padrão e modelo.

Nos tempos de sofrimento em Porto Seguro (onde banheiro era o coqueiro da estrada, ambulância só pra acompanhar o último atleta, e massagem no final era objeto de troca de toalhinhas e garrafinhas), o apetite dos Triathletas era outro.

As bikes eram outras, sunga e camiseta eram o uniforme padrão, e o sangue nos olhos da grande maioria corria solto.

Hoje, o Triathleta deixou de ser competitivo e passou apenas a ser participativo.
Gasta-se mais em equipamentos para uma única prova no ano, do que gastávamos para competir o ano inteiro, há vinte e cinco anos atrás.

Mas, não podemos tirar os sonhos das pessoas, como dizia Jim Ward, 76 anos, finalizando sua última prova em Kona.

Enquanto caminhava na Palani, prestes a completar seu Ironman, ele disse ao repórter que o acompanhava e o questionava se seus esforços estavam valendo o sofrimento naquela idade:

"Take a man's dreams and he'll be dead".
(Tire os sonhos de um homem e ele estará morto).

O senhor Jim Ward faleceu em 2000, fazendo o que amava, durante um treinamento de ciclismo, aos 83 anos, em Boulder, Colorado.
Foi encontrado caído na estrada sozinho e a autópsia mencionou possível ataque cardíaco como a causa de sua morte.

Wolfgang Dittrich, grande nadador alemão e grande inspiração dos Triathletas dos anos 80, afirmava:

"Nunca se está tão vivo, quanto se está perto da morte".

Hoje são poucos os que passam por esses momentos, enfrentam esses riscos e desafios.

Longe de julgar alguém, mas, me parece que o Triathlon de longa distância hoje se tornou sinônimo de status e ostentação.

Particularmente, minha vida não mudou por causa do Ironman.

Eu não me tornei uma pessoa melhor, mais organizada, mais focada, e nenhuma outra centena de clichês que milhares de atletas usam após completarem uma prova Ironman.

Pelo contrário, descobri que não tenho paciência e disciplina para suportar longas rotinas de treinamentos, fator fundamental para quem queira competir buscando "performance" nessas competições.

O IRONMAN, se me deixou algum ensinamento, foi o de respeitar os meus limites e não extrapolá-los.

Pagam um preço muito alto aqueles que se aventuram sem uma disciplina.
O IRONMAN não aceita desaforos.

Há de se respeitar cada história de vida, de cada competidor VERDADEIRO.
Esse é apenas o "meu" modo de enxergar a simplicidade do day after.

Silvio Marques


 
Agradecimentos ao Silvão, meu Treinador, por esta contribuição.
 
3AV
Marco Cyrino

 

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sábado, 9 de outubro de 2021

Onde se concentram os seus esforços?



Silvio Marques, via Publique!

Nos feedbacks semanais de meus atletas, após o cumprimento das planilhas, é bastante comum observar uma dedicação maior em realizarem plenamente a parte dos treinos em que possuem melhores habilidades, quando o correto deveria ser o contrário.

Existem várias estratégias para "espremermos" os atletas e minimizar essas diferenças entre as maiores necessidades relativas às deficiências.

Cada treinador deverá desenvolver habilidades EMOCIONAIS para que seus atletas trabalhem à exaustão as deficiências, sem que a performance global seja prejudicada.

Nessas horas, conceitos das relações interpessoais interferem muito mais do que apenas os conceitos do treinamento esportivo.

Elaborar uma planilha de corredor e triatleta não é tarefa simples. 
Mas é o nosso dever juntarmos todas as informações possíveis para fazer o atleta crescer.

Dedique-se, atleta! 
Quando você perceber que os olhos de seu treinador brilham ao falar de você, enfim, você fechou com a pessoa certa.

Conhecimento todos tem. 
Mas poucos se preocupam mais com você do que com o seu cheque.

Venha treinar conosco.
Bons treinos!
 
Silvio Marques

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Agradecimentos ao Silvão, meu Treinador, por esta contribuição.

 
3AV
Marco Cyrino

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quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Troféu Brasil de Triathlon 2021 - Relato de Prova

Imagery ©2021 Google

 
Renê Pascoali Junior, via Publique!

Feliz “qui nem pinto no lixo”.
Depois de 2 anos sem participar de uma prova de Triathlon, neste domingo 03/10, pude sentir o prazer de cruzar aquela linha de chagada mais uma vez.
 
A preparação
 
Destes 2 anos, foram praticamente 6 meses no ócio.
Muito preocupado com a pandemia, me isolei completamente do mundo fora da minha casa.
Tentei no início as aulas on-line, mas para mim não rolou.
Já cansado do tédio, e vendo minha pressão chegar a 16/09, resolvi que já era hora de me mexer.

Comecei com a corrida.
Sempre às 21:00h, aqui pelas ruas do meu bairro, e de máscara.
A primeira corrida com a máscara foi horrível, 3 km que pareceram 30 km, mas, aos poucos, fui acostumando e aumentando a quilometragem.

Comprei um rolo smart, que levou uns 3 meses para chegar, e pude voltar a pedalar.

Quando achei que já estava bem (minha pressão havia retornado aos 12/08), pedi ao meu técnico que me mandasse as planilhas de treino, que eu já estava pronto para fazer força.(nem tanta força assim).

Com as liberações acontecendo aos poucos, comecei a correr na praia (sempre à noite), também aumentando os treinos no rolo (não fui para a rua nenhuma vez com a bike).

Comecei a nadar no clube onde sou sócio, em horários que sabia que a piscina estaria vazia. E assim foi minha preparação.


Sábado - véspera de prova
 
Como não usava minha roupa de borracha ha muito tempo, para não ter nenhum imprevisto, fui até o local da prova, aproveitar a estrutura que montaram para a natação, com as boias na mesma distância da prova (muito bom pra quem vem de fora, e não tem contato com o mar, aproveitar para fazer amizade com Netuno).

Cheguei cedo e, assim que liberaram, caí na água e nadei o percurso da prova sem stress (mentira, parecia prova... kkk).
Fiz os 750 metros em 15 minutos e fui embora. (guardem este tempo).

À tarde, fui pegar o kit da prova e lá a gente já começa a sentir aquele friozinho na barriga.

 
Domingo - dia de prova

Acordei cedo, tomei café da manhã, terminei de arrumar as tralhas e... Partiu!

Cheguei à área de transição e, de cara, muitas caras conhecidas.
Que saudade que eu tava daquela vibe de uma transição.

Muitos amigos que o esporte me deu.
Muita gente ali pela primeira vez, fazendo perguntas que, para quem tem mais de 30 anos de Triathlon, poderiam parecer óbvias. Mas, já tendo passado por isso antes, ajudamos com o maior prazer.

Coloquei a bike no caixote, arrumei capacete, tênis, óculos, coloquei a roupa de borracha, fiz o último checklist e fui pro mar aquecer.
(Tudo isso de máscara).

Fiz um rápido aquecimento, nadei até quase a bóia, parei pra ver se tinha correnteza: nada, uma piscina.

De volta pra areia, aguardar a largada.


Natação

Entramos na área de largada, máscaras descartadas, posicionados com distanciamento uns dos outros e, enfim, chegou a hora.
Enfim vou ouvir aquela buzina de novo.

Póóóóóóóóóóóóóóó!!!
Tome adrenalina e vamo que vamo.

Comecei na boa, em velocidade de cruzeiro, tentando acompanhar um amigo.

Quando estava quase na primeira bóia, senti meu relógio vibrar, tentando me avisar "Ae burrão... não iniciou o cronômetro, tô indo pro modo relógio". Eu sabia, mas me fiz de desentendido e segui em frente.

Passei a primeira bóia, a segunda e, como sempre faço, apertei o ritmo na última perna.

Saí da água, olhei para o relógio que mostrava 8:00 horas.... respirei, e parece que eu ouvia um “eu te avisei”, mas resolvi contar a partir daquele momento. Startei o relógio, pulei a natação e entramos na T1.


Transição 1

Entrei com aquela corridinha marota, procurando a referência de onde estava a bike, mas não adianta ter uma referência se o indivíduo entra duas baias antes.
Rota corrigida, coloquei capacete, óculos, bike e bora pedalar.


Ciclismo

Saí girando, sentindo a bike, afinal era a primeira vez com ela nas ruas.
Mantive um ritmo constante, dentro do que eu podia fazer, pensando que o meu melhor seria a corrida, então não queria travar as pernas.

Quando entrei na Avenida Portuária, lembrei que meu relógio ainda marcava a T1.
Pra quem já ficou sem o tempo da natação... dane-se.
Asfalto novo, o ciclismo foi top.

 
Transição 2

Desci da bike, e já fui apertando o relógio (achei até que ele riu de mim), corri até a referência que eu tinha, e tive a certeza de que era péssima. Entrei antes de novo!

Coloquei a bike no caixote, coloquei o tênis, boné, o tradicional beijinho na esposa, minha staff de ouro.
E fui !
 
Corrida

Relógio acionado, passei para a corrida.
Minhas pernas me perguntavam: - Já não deu por hoje?

Saí travado e demorei pra soltar, mas consegui fazer uma corrida progressiva e soltando aos poucos.

Ainda consegui buscar dois amigos da mesma categoria, e cruzar novamente aquela linha de chegada.

Tempos
•    Natação.......16:26  (lembra do tempo da rodagem do sábado?)
•    T1.................2:38  
•    Ciclismo.......39:55
•    T2.................2:01
•    Corrida........26:46
•    Total........1:27:46

Classificação
•    Categoria....11/17
•    Geral.............149
 
Medalha no peito, máscara novinha na cara, e muito feliz de poder voltar a fazer o que a gente ama, o que nos dá prazer.
 


Agradecimentos ao Renê, por contribuir com este relato de prova!


3AV 
Marco Cyrino 
 
 

Retorno do Triathlon em Santos - II

Imagery ©2021 Google
 

Feliz, muito feliz, com o retorno do Triathlon em Santos.

Pouco pude acompanhar, mas soube que deu tudo certo.

É muito legal ver a felicidade dos 700 participantes que, depois de mais de um ano e alguns meses, puderam voltar a fazer uma prova.
Seja Short, seja Olímpico.
Protocolos cumpridos, provas cumpridas, pessoal feliz, eu felizaço.

Vendo nas redes sociais (aquelas mesmas que caíram ontem...kkkk) as fotos da prova, da premiação, do pós-prova, das confraternizações, juro que bateu uma invejinha.
Mas daquelas invejinhas de boa.

Sei que já estavam acontecendo alguns eventos pelo Brasil, de provas de Duathlon, Aquathlon, Triathlon.
Parabéns aos organizadores!
Enormes parabéns aos atletas que conseguiram fazer essas provas.

Os tempos e resultados?
Isso é o que menos importa agora.
O que importa é irmos voltando ao normal.
Não ao "novo normal", mas sim ao normal mesmo.

Ainda, quero deixar registrado os maiores e melhores parabéns ao Núbio que, durante todo esse período, nunca esmoreceu para que esse retorno ocorresse com saúde, segurança e proteção a todos os envolvidos.

Um "Salve!" ao Troféu Brasil de Triathlon, a prova mais longeva do mundo, com 30 anos ininterruptos (exceto durante a pandemia que, se Deus quiser, está chegando ao fim).

Um "Salve!" às próximas que virão.


3AV 
Marco Cyrino

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sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Retorno do Triathlon em Santos

Imagery ©2021 Google



















Depois de muito tempo, eis que, no próximo domingo, acontecerá a tão sonhada retomada do Triathlon em Santos.

Dia 03/10/2021.
Guardem essa data.
Porque será a retomada.
E será com o percurso antigo de ciclismo, na Av. Portuária, totalmente asfaltada.


Expectativas 

Penso que todos os Triathletas estavam aguardando essa prova. 
E creio que vai dar tudo certo. 
Infelizmente, ainda não estou preparado fisicamente para fazê-la. 
Mas, minhas orações estarão com todos.

Toda a sorte do mundo aos organizadores e aos atletas que treinaram para poder competir.


A propósito...

Eu nem sabia que hoje é meu dia.
Dia do Idoso..........
Acima de 60 anos já é considerado idoso.

Idoso, porra nenhuma.
Vejo adolescentes, jovens, marmanjos e marmanjas, muito mais idosos do que eu.

Completarei 64 primaveras no dia 10/10 (sim, em plena primavera).
Óbvio que o tempo vai cobrando seu preço.
Algumas partes do corpo já não funcionam tão bem como quando eu tinha 15, 25, 35, 45, 55 anos.
Mas ainda funcionam.
E muitas dessas partes funcionam bemmmmm, viu?
Por exemplo, o cérebro.
Pensaram o que?  kkkk

Não me furto aos prazeres da vida, mas tampouco me excedo neles.
Não deixo de cuidar da minha saúde física, mas principalmente da minha saúde espiritual.

O dia do Idoso deve ser comemorado sim.
Com muito entusiasmo, muita vontade, muito vigor físico e mental.

Um enorme "Salve!" ao Dia do Idoso, aos nossos irmãos sexagenários, que ainda estão na labuta.


E outro "Salve!" aos "Triathletas idosos" que,  no próximo domingo, participarão novamente da competição, aqui em Santos --- a retomada do Troféu Brasil de Triathlon.

Voltarei.
Podem ter certeza!
 
3AV
Marco Cyrino


quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Porcatletas


Outro dia, numa nova tentativa de engatar meus treinos, estava correndo pelas calçadas das praias de Santos, sentido José Menino - Ponta da Praia.
Um percurso de apenas 8 km, entre ida e volta.

Logo de cara, perto do Gonzaga, percebi que havia algo colado na sola do meu tênis.

Torci pra não ter pisado em coisa muito ruim.
Fui ver e era uma embalagem usada de gel de carboidrato, que devia estar melada.

Já fiquei meio injuriado.

Mais à frente, já no Boqueirão, vejo outra (de outra marca), jogada ao lado de um banco de jardim.

Na volta, em frente à ponte do Canal 5, vejo a 3ª (de outra marca, ainda).

Por que estou mencionando que eram de marcas diferentes?
Porque me leva a deduzir que foram jogadas por atletas (?) diferentes.

Pourra!
Nas calçadas da praia de Santos, existem latões de lixo (na verdade recipientes de concreto) distribuídos a cada 100 ou 200 metros no máximo.

Custa descartar no local correto? 

Ainda que não houvesse local correto, o pseudo-atleta poderia guardar em seu uniforme e descartar ao voltar para sua residência.

Isso me fez lembrar os últimos treinos que fiz na EV, no Riacho Grande.

Também vi por lá um monte de lixo produzido pelos pseudo-atletas, jogado no acostamento. 
E de vários tipos.
Embalagens de gel, de barras de proteína, disso e daquilo, garrafas de isotônico vazias etc.

Esse tipo de lixo é produzido por quem se diz atleta...

Daí, o cara vai lá, com sua bike TT de 30 contos, seu capacete aero de 3 contos, suas sapatilhas de carbono, seu macaquinho de competição de 1 barão, sua suplementação de não sei quantos Reais... E me faz isso???

Parabéns a quem puder ter e usar esses materiais para treinar. 

Mas... Consciência, pô!

Obviamente, estou falando de uma minoria sem consciência.

Esse povo acha que os locais são autolimpantes?

Existem os Atletas, os Paratletas e, há tempos, os Porcatletas.

Aliás, aproveitando a época de Olimpíadas e Paralimpíadas, poderia ser criada a Porcalimpíada.

Os "atletas" poderiam fazer suas provas em Lixões.

Nas de salto em distância ou salto triplo, poderiam cair numa caixa de lama.

As provas aquáticas seriam no rio Tietê, na região das Marginais.

Sei que já fiz posts, há um bom tempo, sobre isso.

Como as coisas continuam do mesmo jeito, continuo com a mesma opinião. 

É... Tô injuriado mesmo.

3AV

Marco Cyrino

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Lixo nas rodovias
 

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Ele, o período de treinos.



Para quem não fez ainda um Triathlon, vou dizer, logo de cara, que o pior não é a prova.
O pior é o antes, é o tomar a decisão.

É decidir levar uma vida totalmente diferente da que você teve até então.

É arrumar tempo para treinar pelo menos duas modalidades por dia:

De segunda-feira a sábado. 
De terça-feira a domingo.
Ou em outros 6 dias, para descansar apenas um.

Para quem trabalha e/ou estuda, é acordar às 04:00h da manhã para treinar ciclismo, natação ou corrida.

E depois ir trabalhar, estudar e treinar o 2º turno diário, seja de natação, ciclismo ou corrida.

Ainda tem outras coisas, como musculação, alongamentos, pilates, fisioterapia, massagens, etc.

E mais outras, tão ou mais importantes quanto:

Fazer avaliações físicas e médicas; ter um bom conhecimento do seu potencial; ter uma boa orientação para treinar; obter informações precisas sobre sua alimentação; hidratação (antes e durante as provas); descanso.

Não vai dar.
Ah! Dá sim!

Podemos realizar tudo o que quisermos e tivermos condições.

Só que não é tão fácil como acordar e fazer uma caminhada.

Nas provas mais curtas, as de Short Triathlon (estamos falando sobre nadar 750 m, pedalar 20 km e correr 5 km), existe uma demanda muito alta sobre a nossa capacidade física.

E não estou falando sobre quem pretende ter um ótimo resultado.
Estou falando sobre seres normais.

Para realizar esse tipo de prova (Short) você já vai ter que treinar muito para poder concluí-la saudavelmente.

Porém a recompensa vem.

Caso você tenha feito uma periodização de treinos bem feita, estando clinicamente apto, pode ficar confiante. 
E a prova será apenas a cereja do bolo, independente de resultado.

No meu caso, experiente que sou (acho que posso dizer isto), a retomada de treinos está sendo mais difícil do que para quem nunca treinou.

Isto porque o meu cérebro quer retomar as performances a partir do ponto em que parei.

Por fim, o período de treinos é muito mais trabalhoso do que a prova.
É nele que temos de nos dedicar para obter aquilo que almejamos.

Como diria um amigo meu:

- "Treino duro, alcance fácil."

Quem tiver cabeça, apoio familiar, persistência, perseverança, vai atingir seu objetivo no Triathlon, seja ele qual for.

3AV

Marco Cyrino

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domingo, 20 de junho de 2021

400 Mil Pageviews!



Em 21/06/2011, abrimos este website ao público, divulgando nosso primeiro post, sobre o terrível, assustador Triathleta da Idade da Pedra. 

Ao completar 1 ano de idade, o 3AV já atingia mais de 24 mil visitas individuais (Aniversário do 3AV).

Aos 4 anos de idade, atingimos 100 mil pageviews, sem jamais haver recorrido a serviços de terceiros para divulgação massiva.

Hoje, às vésperas do nosso aniversário de 10 anos, estamos na marca dos 400 mil pageviews, ainda contando apenas com o nosso pequeno e seleto mailing list, com o compartilhamento dos posts em nossas redes sociais, e com os "visitantes externos" que nos encontram por meio da posição conceituada de que desfrutamos nos resultados de pesquisas dos principais mecanismos de busca da Internet.

Isto significa que o nosso público se constitui principalmente de leitores interessados nas matérias afeitas ao Triathlon e esportes em geral e (por que não?) nas histórias que temos contado e opiniões que temos externado.

Com este post comemorativo, queremos apenas agradecer a todos os leitores, em especial àqueles dedicados, que nos acompanham desde o início.

3AV

Marco Cyrino 

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quinta-feira, 17 de junho de 2021

Finalmente, meu 8º Ironman



Depois daquele longo período de treinos, consegui chegar às vésperas da prova em Jurerê, "nas pontas dos cascos".

Acho que nunca estive tão bem treinado e confiante.

Agora, era torcer para que, ao contrário das 7 vezes anteriores, tudo corresse totalmente bem durante a prova. Inclusive, e principalmente eu mesmo... rsrsrs.

Bom... 
Viagem boa, hospedagem idem, como sempre.
Pousada dos Chás.
Vou abreviar para não cansar leitores e leitoras.

Vamos direto para a prova. 
Nem vou falar sobre a colocação dos materiais na transição e outros detalhes, até mesmo porque não me lembro.
Vocês entenderão.

Momentos antes da largada...
Fiz as minhas orações.
Mal acabei, e já estava na hora de largar.
No meio da "multidão", me acomodei como pude. 
Nem me lembro de traçar alguma estratégia para a natação, como sempre fiz.
Foi largar de onde deu mesmo.

Natação
Lembro que fiz de boa a primeira perna de ida, conseguindo manter um ritmo legal, sem sentir muito a água fria.
Usava a minha roupa de natação nova (que ainda não havia estreado) e ela estava bem confortável.

A perna da natação de volta à praia, não me recordo muito. 
Deve ter sido boa, porque olhei o tempo no Garmin e estava um pouco abaixo do que imaginava.

A segunda perna, ida e volta, foi no mesmo ritmo, ou seja, terminei a natação uns 5 minutos antes do previsto.

T1
Deve ter sido rápida, ao contrário de todas as vezes anteriores, porque só me recordo de já estar montando na bike para o longo percurso de 180 km de pedal.

Ciclismo
Pedalei como nunca, mas mantendo a estratégia de não passar do limite, para me preservar para a parte final, a corrida.

Até mesmo nas subidas (muitas) e falsos planos, me sentia bem e conseguindo manter um ritmo bom.

Procurei me manter focado nos tempos para me alimentar e hidratar. 
Consegui fazer tudo certinho, finalmente.

Cheguei "quase" inteiro. 
Não há como chegar "inteiro" dessa etapa.
Fui ver meu tempo e estava ligeiramente abaixo do meu melhor pedal até então.

Somado com o ganho de tempo na natação e na T1, pensei que tinha tudo para conseguir meu tão almejado record pessoal.

T2
Também pouco me recordo. 
Deve ter sido rápida como a T1, pois, quando dei por mim, já estava iniciando a corrida. 

Corrida
Nem sei como peguei meus suplementos, géis.... enfim. 
Só sei que já estava começando a maratona.

Nunca tinha feito o circuito novo, sem a ida para Canasvieiras, com suas subidas íngremes.
O circuito atual é de 4 voltas dentro de Jurerê.
Pensei que deveria ser um pouco mais rápido.
E assim foi...
Andei poucas vezes, apenas para me alimentar e hidratar adequadamente.

A 4ª volta foi naquele sofrimento, mas, pela 1ª vez, estava completando o Ironman do jeito que sempre pensei.

Faltando 1 km, as lágrimas rolaram abundantemente, relembrando toda a jornada para chegar até ali.

Chegada
Na reta final, consegui ainda correr batendo nas mãos de todos os que, com seu entusiasmo, nos empurram nessas provas, nos dando forças que não sabemos de onde tiramos. E isso é durante a prova inteira, desde o início.

Como não poderia deixar de ser, Neuzita, Silvão e muitos outros amigos estavam na chegada comemorando comigo.

Pena que, novamente, Neuzita não pôde entrar comigo no tapete da chegada.
Regras são regras.

Daí, ouço o locutor me dizendo:

- "Marco Cyrino... You are an Ironman!"

E ainda tive forças para gritar:

- "Wrong, man! I am eight times Ironman!".


Logo após, encontrei Neuzita lá dentro (lá, eles deixam) e nos abraçamos, nos beijamos, nos tudo....

Fui pra tenda de massagens.
Também não lembro se foi boa ou não.
Depois, pra tenda de alimentação, onde tinha de tudo. 
Como no último Iron que havia feito, tinha Coca-cola, tinha Hot-Dog, tinha Pipoca doce e salgada, tinha até Chopp.

Depois, só me lembro de estarmos na Pousada, confraternizando, e eu com uma garrafa de Heineken na mão.

Só sei que, hoje, mesmo não tendo feito tudo isso, acordei cansado bagarayo.

Será que foi um insight?

Aguardemos...

3AV

Marco Cyrino 

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