quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Conselhos e mais conselhos


Sobre resiliência x sabedoria

Ter resiliência é, entre outras coisas, saber superar adversidades, dores, momentos ruins, etc. E até mesmo crescer através dessa superação.

Ter sabedoria é entender que, em muitos momentos, a resiliência pode nos prejudicar.

Como em casos de lesões...
Não adianta ter força mental para seguir em frente, sem antes investigar...
Lesão é lesão e a resiliência virá através da paciência para curá-la e não para suportá-la.


Sobre apenas treinar as 3 modalidades

Cadê tempo para fazer todos os treinos de natação, ciclismo e corrida?
Imagina então acrescer treinos de musculação, alongamento, equilíbrio, entre outros.
Nem pensar, né?
Aconselho, sim, a pensar a respeito.
Não sou o melhor exemplo e pago por isso.
Casa de ferreiro, espeto de pau.


Sobre competir apenas para obter resultados

Em primeiro lugar, que tipo de resultados?

De classificação na prova?
De sua evolução?
Existe uma baita diferença.

Resultados em provas, em relação aos concorrentes?
É bom, mas não fundamental. A não ser que você seja profissional.
Mas, então, você já deve ter uma assessoria muito boa em todos os aspectos... ou não, né ?

Sua evolução?
Melhor ainda.
E sempre levando em consideração que cada prova é uma prova.
Apenas para exemplo, fazer o Internacional de Santos, com mar calmo, pouco vento e não muito calor, <ou> fazer, na mesma distância, o TB na USP, com água gelada e pesada, circuito de ciclismo travado e corrida com algumas subidas.
Óbvio que não dá para comparar.
Ainda tem outros fatores como vácuo, transição, etc.

Aconselho a competir apenas consigo mesmo. O que vier é sempre lucro.


Sobre equilíbrio geral

Este, na minha ótica, é o principal tópico.
Equilíbrio.
E falo apenas por mim...
Aqui não vai conselho algum.
Vai apenas a forma como encaro o Triathlon.

Equilíbrio entre fazer por gostar ou fazer por obrigação.
Obrigação de mostrar resultados aos nossos próximos, que na maioria das vezes nem próximos são.
Tô fora.
Faço porque gosto.

Equilíbrio entre gastar o máximo, muitas vezes sem condições financeiras para isso, ou mesmo privando-se de coisas mais prioritárias, para aparecer bem na foto.
Tô fora.
Gasto o necessário para a minha saúde.
Quanto aos equipamentos, uso os que tenho, até estarem quase no osso... e depois eu os dôo (exceto bike, que dá pra usar na troca... rsrsrs).

Equilíbrio principalmente quanto aos nossos relacionamentos.
Não os virtuais, mas os presenciais.
Eu, particularmente, tenho uma família que me apóia e me incentiva. Não tenho problemas com relação a isso.
Mas, conheço alguns que tem. E muitos.

Equilíbrio.
Equilíbrio até mesmo quanto a comer e beber.

Conheço uma piadinha que, em resumo, diz que o cara chegou ao médico dizendo que queria viver até os 110 anos.
O médico o questionou sobre se comia carne vermelha, se fumava, se bebia, se freqüentava baladas, se jogava, enfim, se tinha algum vício.
A resposta foi negativa para todas as questões.
Daí o médico olha bem dentro dos olhos dele e pergunta:
- "Afinal, pra que tu queres viver até 110 anos?"


Sem radicalizar, mas é mais ou menos por aí.

Como diria o Pedro Pedreira (Escolinha do Professor Raimundo):

- "Há controvérsias."

Aloha!

3AV
Marco Cyrino


quarta-feira, 11 de julho de 2018

O retorno

Depois do mundial do Challenge, na Eslováquia, voltei a fazer porra nenhuma.
Mas, apenas durante uma semana.
Depois dessa semana totalmente sem treino, vieram outras 3 semanas em que também não fiz quase nada.
Estou falando a respeito de treinos, porque fiz muitas outras coisas pessoais e espirituais.

Daí, tomei a decisão... preciso me inscrever em alguma prova, antes que me acostume com a ociosidade.


Provas escolhidas...

A princípio, o Insano, em Guaratuba – PR.

Prova muito legal.
Inscrição já feita.

Distância entre Olímpico e Half:

- Natação de 1500 m em mar aberto, com alguma arrebentação, pra passar em duas voltas de 750 m cada.

- Pedal em percurso perfeito, de 60 km: 3 voltas de 20 km cada, pouco vento e asfalto muito bom (pelo menos quando fiz a prova, em 2017).

- Corrida é que dá o mote do nome da prova... 16 km, em 2 voltas.
A primeira volta com algo perto de 10 km, sendo que, a cada volta, temos que subir e descer duas serrinhas... a primeira mais longa e menos inclinada... a segunda mais curta e bem mais inclinada.

Fazendo as contas, uma serra mais longa e menos inclinada, na ida da primeira volta + uma serra mais curta e bem mais inclinada, também na primeira volta + o retorno com as duas serras + a segunda volta com as duas serras, ida e volta.

Dá oito subidas.
Por isso que é INSANO.

Para conhecer a prova e/ou inscrições, vejam os links abaixo do banner...
InsanoTri  - (site do evento de setembro/2018)


A outra prova deve ser novamente o Challenge de Floripa, no final do ano.

"Deve ser", mas ainda não tenho certeza.
Vamos passo a passo.
Vai que, caso eu a faça, pegue novamente uma vaga para mundial... puts... danou-se! ... kkk



Ponto final sobre as próximas provas.
Vamos ao que interessa... a volta aos treinos.

A gente sempre perde e ganha muita coisa.

PERDI: condicionamento, massa muscular, vontade de novamente me dedicar aos treinos... entre outras coisas.

GANHEI: ganhei muito. Para todo ganho há uma perda. E vice-versa.
Ganhei algumas arrobas de massa gorda.
Ganhei também a vontade de novamente fazer um ciclo de treinos para participar de provas.

Primeiro treino de corrida, já tive minha recompensa.
Uma pequena contratura na panturrilha.

Não há de ser nada.
Faz parte.

Bóra lá, que não estou aqui pra brincadeira.
Estou aqui para brincar.

Tendeu?
Não?
Nem eu!

Quem vai fazer o Insano levanta a mão.


Aloha!!!

3AV
Marco Cyrino


quinta-feira, 21 de junho de 2018

Challenge Samorin Championship (Mundial de Meia Distância) 2018 - Relato de Viagem


Ah! Esse vai ser grande e longo... assim como a viagem de ida, a estadia e a volta... rsrsrs

Uma coisa deve ser (deve, porque são raras essas situações para a Neuza e eu) viajar a turismo, com pouca bagagem... e outra coisa é viajar para fazer uma prova de Triathlon.
São tantas emoções... kkk!!!


Bagagem
Penso que, numa viagem para o mesmo destino, apenas a turismo, levaríamos 1/3 do tempo para preparar  bagagem.
Também levaríamos 1/3 da bagagem, tendo em consideração que o material de prova deve ocupar uns 2/3 do que levamos.

Bike (em duas excelentes malas-bikes, emprestadas pelo Pandelo, e com tamanhos ideais para não pagarmos excesso de peso ou de tamanho), material de prova (capacete, óculos, tênis, sapatilha de pedal, roupa de prova, roupa de natação, suplementos, alimentação da prova... e, por aí vai).

Saímos de casa com, nada mais, nada menos, que 2 malas de viagem e mais as duas malas-bike (uma para a bike em si e outra para as rodas). Lotamos as malas-bike de material de prova.
Fora as bagagens de mão. Duas mochilas com nossos pertences pessoais, $$$, computador, uma troca de roupa para cada um (caso fosse necessário), etc.


Indo para o aeroporto
Silvão, meu irmãozão, foi nos levar à rodoviária, às 07:00h da manhã. Isso é que é camarada. Segunda-feira, a essa hora, sem precisar acordar tão cedo, não é qualquer um que se disponibiliza pra isso.

(Clique em qualquer imagem para ver em tamanho original e/ou slide show. Retorne com Esc.)

1-Rodoviária de Santos, com as malas-bike... ainda tinha muita bagagem


Nossa viagem estava marcada para embarque em Guarulhos, destino Londres, às 15:45h. Recomendação de chegar para o checkin com 3 a 4 horas de antecedência.

Pensamos em sair de Santos para Guarulhos, de busão da Cometa, às 09:00h.
Com o advento das greves e manifestações dos caminhoneiros (sobre o que não vou opinar... não que não tenha opinião, mas, simplesmente, não vale a pena), antecipamos nossa saída de Santos para as 08:00h.

Com toda a bagagem levada, seria bom chegar à rodoviária de Santos (se é que se pode chamar isso de rodoviária) com uns 45 minutos de antecedência. E assim foi.

Embarcamos e fomos pelo Rodoanel (viagem que deveria levar no máximo uma hora e meia) até a Região Leste de Sampa... Itaquera... onde fomos devidamente parados... bem suavemente... com pedradas, pauladas e socos e pontapés no ônibus, nos obrigando a entrar na manifestação.

Bendita a hora em que antecipamos nossa viagem pequena de Santos a Guarulhos.
Caso não houvéssemos antecipado, provavelmente teríamos nos atrasado para o checkin em Guarulhos, embora tenhamos chegado lá com muuuuita antecedência.
É que soubemos depois que, pouco após a nossa passagem por lá, o tempo fechou e, se houvéssemos pegado o ônibus das 09:00h, teríamos realmente perdido o horário.

Coisas de quem reivindica melhores condições de trabalho fudendo com os irmãos que estão também na mesma vibe.
Violência para aumentar a adesão só os prejudica.
Obrigar a fazer manifestação é coisa do capeta... kkk
Mas, vamos em frente!

Chegamos, finalmente, não sem antes sermos obrigados a participar de uma carreata de Vans e Ônibus do Aeroporto, andando a 10 km/h, desde a Zona Leste até o Aeroporto.


Cadê o checkin?
Descarregamos as bagagens, pegamos um carrinho (apenas um... com toda a bagagem... kkk) e começamos a andar pelo aeroporto para saber onde faríamos o checkin.

Finalmente, depois de rodar uns km lá dentro, chegamos ao local onde seria nosso checkin.
Demorado, viu?
Umas 2 horas esperando abrir o dito cujo, sem poder nos locomover pelo aeroporto, devido ao excesso de bagagem.

Enquanto isso, paramos com a bagagem, num café perto de onde provavelmente abriria nosso checkin e pedimos um café com pão de queijo, pagando o preço de um almoço.

Fiquei de olho num italiano, sentado sozinho numa mesa e, sem consumir nada, falando ao telefone (com fones de ouvido), que se comportava como se estivesse sozinho. Falando e gesticulando... kkk
Era italiano... kkkk

Quando abriu o checkin, já havia uma fila imensa.
Mas, assim é que é.
Medo de não conseguir embarcar a bike facilmente, medo de não conseguir fazer tudo facilmente.

No final, foi tudo perfeito.
Embarcamos as malas-bike sem problemas, apenas tendo que levá-las a outro local, para bagagens frágeis.
Finalmente, ficamos livres das bagagens maiores.


Fome batendo.
Almoçamos em um dos restaurantes e, matada a fome... vamos nos divertir no aeroporto, agora.
Porríssima nenhuma.
Já é hora de ver o gate de embarque.


Embarcando
Em aeroportos internacionais o tempo é como avião, avua!
Rumamos rumo (???) ao nosso gate... era longe, viu?
Já estávamos no horário do embarque.

O italiano distraído
Daí, do nada, aquela mulher que fala em todos os aeroportos do mundo, avisa que o senhor Salvatore Alguma Coisa (Italiano da Itália) está tendo a última chamada para seu embarque para Roma.
Prosseguimos e a chamada continuava cada vez mais freqüente...
Dei de cara com o mocinho... e ele continuava com os fones de ouvido e falando ao celular...
Neuza olhou pra mim, olhei pra ela ao mesmo tempo... e falamos:

- Porra... será que é esse bambino?

Dirigi-me a ele e perguntei, em meu parco italianês:

- Tu és o "Italiano da Itália"?

Ele se desviou de mim uma, duas vezes, me esnobou... continuou falando e gesticulando ao telefone, com seus fones de ouvido...

Eu agradeci e pensei tristemente:

- Foda-se!!! Se era ele, me perdoem, mas se fudeu. Perdeu, mano.
Pedi "maleime" ao Pai Oxalá, e fumos em frente...
Não dá pra ajudar quem não quer ser ajudado.


Passamos por todos os órgãos competentes, pela esteira de fiscalização de bagagem de mão e daí em diante.

Mais um tempão aguardando abrir o embarque e, finalmente, entramos na aeronave.

Logo ao entrar, passamos pela "First Class"... Que nojo! kkkk!
Depois, pela "Business Class"... Nojinho!
E chegamos à nossa... a "Econômica Prime".
Ah... comprei mesmo. Um palmo maior do que a "Econômica-econômica".
Trabalhei a vida toda para poder ter esses luxos... huahuahua!

Mas, vou contar que esse palmo a mais, para quem tem 1,80m de altura, faz muita diferença.

2-Acomodando-nos no avião.


Decolando, voando e aterrissando
Antes de decolar, já veio o serviço de bordo oferecer uma tacinha de espumante.

Hora de levantar vôo.
O cagaço é inevitável.
O ateu pede a Deus proteção.
O evangélico pede pra Ogum ampará-lo.
O católico firma em seu Chefe-de-cabeça.
E o macumbeiro, ah... esse pede pra todos os Orixás.

3-Decolagem e visual


Comes e bebes
Gostamos muito do serviço de bordo da British.
Depois de o vôo estabilizado, já vieram nos oferecer bebidas.
Aceitamos um saquinho de salgadinho (um tal de pretzel, ou algo parecido). Mas é impossível abrir, começar a comer e parar.
Só dá pra parar após o último dos últimos. E, se vacilar, vai o saquinho pra dentro também.

Água, chá, café, espumante, refri, vino. Vino? Yes, vino white and red.
Começamos a praticar nosso Inglês, para não passarmos vergonha lá fora.
Ah... a tripulação só falava Inglês, exceto um moço que falava também Espanholês.

- "Me dá aí um vino red, please ?"

A aeromoça nos serviu com duas garrafinhas de vinho tinto espanhol (não lembro a marca, mas muito gostoso).

- "Aí, Neuza... já viu que o Inglês tá em dia. Xácumigu".

4-O vino e o salgadinho


Jantar bão também.
Duas opções: filé de carne ou de frango, com seus devidos acompanhamentos, entradas e sobremesa.

Duro é comer naquela bandejinha, com talheres de plástico, num espaço mínimo, e com mais uma garrafinha de vino e uma taça para equilibrar.

5-Jantar


Dormir?
Depois da alimentação, vamos dormir. Cadê sono?
Sono veio. Cadê posição para dormir?

Vamos ver filmes, então.
Procurei, procurei, procurei e escolhi um da Disney, vertido em Português. Maravilha. Levei uns bons 40 minutos para descobrir como optar pela versão em Português.
Depois, mais outro.

Finalmente, dormi.
Viagem de umas 10 horas, até Londres.
Dormi como um bebê.
Dormia 15 minutos e acordava chorando.

Cadê a porra do palmo a mais nesse espaço?
Bom... sério... dormi nada.
Logo vieram trazer o café da manhã.
Coisa esquisita, viu?
Cadê o café com leite e pão na chapa?
Se é rango e tá incluso, vamos comer. É o que temos pra hoje. Mas não tava ruim, não.


Zumbizando
Nessa fase da viagem, eu já não queria assistir a mais nada de filmes.
Descobri um canal na TV que mostrava em tempo real o trajeto e o mapa do vôo. Fiquei como um zumbi, de olho naquilo, aguardando a hora do pouso.


Frio seco
Uma friaca do cacete dentro daquele avião, que me obrigou a colocar um agasalho, me enrolar no cobertor do avião e... ir ao banheiro da classe vip (até eles fecharem esse acesso).
Daí, fui ao banheiro da classe pobre... kkkk.
Nossa classe não era vip nem pobre. E não tinha banheiro...

Com tantas horas de ar condicionado, imaginei que minha alergia (rinite e tosse) iria desencadear.

Não vou falar mais sobre isso, porque depois da estadia lá (tempo muito seco com variação enorme de temperatura) e da viagem de volta nas mesmas condições, continuo até hoje com rinite e tosse. Principalmente depois da virada de tempo nestas bandas.


Aterrissagem...
Ai, meu Deus do céu, meu Pai Oxalá, toda minha banda, nos ajude e proteja...
Aterrissou sem sustos.

Nossa bagagem já iria direto para o vôo para Viena – Áustria.

Aterrissamos às 07:10h da terça-feira (saímos do Brasil às 15:45h de segunda-feira).
Com a diferença de fusos horários de 4 horas, do Brasil para Londres, façam as contas do tempo de viagem.
Mas, tudo foi realmente numa pontualidade britânica, Exatamente como estava previsto em nossas reservas.

Vôo programado para Viena às 10:00h.
Apenas com a bagagem de mão, vai ser sussa... 2h50min de intervalo.

6-Chegamos... falta desembarcar



Aeroporto de Londres - desembarcando, dialogando, embarcando para Viena
Caraio, véio! Vocês não fazem idéia do que é o aeroporto de Londres.

Primeiramente, existe um tempo entre aterrissar e desembarcar.
Depois, existe um tempo maior entre desembarcar e chegar a algum lugar em que consigamos informações.

Começaram as provações da língua.

99% dos passageiros de nosso vôo se dirigiram imediatamente para um local ao qual eu tinha certeza de que não deveríamos nos dirigir.
A maioria provavelmente para a saída do aeroporto.
Uns 20% para embarque para outros locais (que não Viena).

Vontade de seguir o "rebanho", viu.
Ainda bem que sempre fui do contra... rsrsrs
Acho que estaríamos perdidos em Londres até hoje. Mas o inglês estaria afiado.

Segui a intuição (e as indicações), até encontrar uma funcionária (?) do aeroporto. Pedi indicação para chegarmos ao terminal 3 (desembarcamos no terminal 5).

Guardem esta frase:

-"We came from Brazil and we don't speak English. Please talk slowly with us"

Falava isso insistentemente, em todos os contatos que fizemos no exterior.
Depois, fazia a pergunta sobre o que precisávamos.
A resposta, logo em nosso primeiro contato, foi algo como:

-"Uouuu... That's niceYou're from BrazilYou need to take this corridorgoaheadtakeanelevatorgodowntwofloorswalkanothermileclimbatreadmillwalkahalfamilecatchatraingodownaftertwoseasonswalkanotherhalfmiletakeabusgetoffatTerminal5andthenLookforgate.

Apaguei todos os espaços, pontos e vírgulas da resposta, porque foi assim que entendemos.

Pra quem fala Inglês fluentemente, deve ser fácil decifrar.

A Neuza e eu fomos pelo caminho, v  a  g  a  r  o  s  a  m  e  n  t  e discutindo se tínhamos que pegar primeiro o bus ou a escada rolante. E se, depois, tínhamos que subir ou descer de elevador, antes de pegar um trem. Falei pra ela que provavelmente deveríamos pegar o trem direto para Bratislava, na Eslováquia.

Porra!
Que parte do "Nós viemos do Brasil e não falamos porra nenhuma de Inglês" eles não entendem?
E que parte do "Por favor, fale pausadamente" eles também não entendem?

Mas, graças a Deus, conseguimos seguir por 1 km andando, mais escadas rolantes, mais outro km andando, mais elevador, mais trem (metrô), sobreviver a descer na estação correta (não sem ajuda de umas brasileiras que estavam no mesmo trem), pegar o ônibus correto, descer no local correto, andar mais sei lá quanto e finalmente chegarmos, já em cima da hora, para o embarque para Viena.

Correria, viu? Só deu tempo de ir ao banheiro e de tomar água.

De Londres para Viena, foi uma hora e meia de vôo.
Serviço de bordo "VENDENDO" água e qualquer outro item. É mole?

Decolagem e aterrissagem naquela base do "aí, meu Deus do Céu"... mas, sem problemas.


Viena - Bratislava - Samorin - percurso terrestre
Finalmente, chegamos a Viena. Final de viagens aéreas.
Eram 13:30h, já no fuso horário local, 5 horas à frente do horário brasileiro.

Dalí, fomos indicados a pegar um trem ou ônibus para Bratislava, que fica a uns 70 km de Viena. E de lá, outro para Samorin, local da prova.

Trem não ia rolar, com toda a bagagem que tínhamos.
Pegamos um bus, a EU 6,00 per capita, até a rodoviária de Bratislava.
1 hora e meia de trajeto lindo.

Trajeto cheio de usinas eólicas.
Já dava pra imaginar o quanto venta naquela região.
Hélices voltadas para todos os lados, umas girando a milhão, outras posicionadas de outra forma, paradas.
Dá uma idéia de como é...

Chegamos a Bratislava e, depois do embarque e desembarque de malas, não cogitava mais pegar outro ônibus para Samorin e, da rodoviária de lá, ainda pegar outra condução até o Hotel.

Para complicar, uma de nossas malas teve sua alça (aquela que sobe para ser levada pelas rodinhas) simplesmente esbagaçada ao ser retirada do busão.

Cheguei num taxista e perguntei se nos levaria até o X-Bionic Sphere Hotel... e por quanto.

Ele me disse que levaria sim e que o preço dependeria do trânsito.
Juro que nem pensei em money.
Deu EU 60,00 com desconto (porque no taxímetro deu 70,00).

Uma hora e meia para rodar uns 25 km. E a gente reclama do trânsito por aqui.
Mas fomos num Mercedão... e ouvindo o motorista conversar com alguém ao celular. Dirigindo, cortando faixas, faróis, com o braço pra fora da janela, enfim...

A conversa era uma maravilha para os nossos ouvidos...

- "Pretikajhsr...kramusk voup vermudustein. Prakstrops Krokaprati..."

Juro que não é tiração de sarro do idioma eslovaco.
É apenas uma mostra da dificuldade de entender o idioma.

Mas, ó... os caras falam inglês bem melhor do que a gente. Quase todos.

Deixou-nos na portaria do hotel. Melhor sensação impossível.


Hotel, finalmente
Bom, ainda faltava o melhor do melhor... nos instalarmos.

Largamos toda a bagagem na parte de fora da Portaria do Hotel e fomos nos relacionar com o recepcionista.
Inglês vai, Inglês vem, preenchemos os formulários, assinamos e pedi encarecidamente que alguém nos ajudasse a levar a bagagem para nosso quarto.

Ah, Hotel 10 estrelas. O próprio recepcionista foi lá, pegou um carrão, nos ajudou a colocar a bagagem nele (eles não põem a mão em nossa bagagem), e nos levou até o nosso quarto, que de quarto não tinha nada. Era um apartamento, com quarto, sala, banheiro e varandinha.
Sensacional.

Um percurso enorme. Pega corredor, passa pelos restaurantes, passa pelo corredor do bar e de outros ambientes, chega num hall em que podemos seguir por uns 3 corredores diferentes, vai pelo "nosso" corredor, pega um elevador, desce no 4º andar e segue até o final do corredor... e finalmente, nosso local.
Ao final de nossa estadia, depois de 7 dias, estávamos "quase" decorando o percurso.

7-Começando a abrir as malas


Ajustando a alimentação
Como disse, quarto ou apartamento, sensacional.
Muito espaço, banheiro ótimo, varandinha, vista ótima e um frigobar... frigobar??? Cadê o tal de frigobar? Simplesmente não tinha.

Os preços por lá são absurdos.
No hotel, uma garrafa de água com 250 ml custava EU 2,00, ou seja, uns 10 paus em Reais.
Sem frigobar, como comprar e acondicionar coisas geladas?

Quero nem saber. Dia seguinte, pegamos um táxi, mediante pedido na recepção, e fomos a um mercado.

Chegou uma muié dirigindo um carro vermelho e pedi para nos levar a um "Supermarket".
Ela me perguntou se queríamos ir a um grande, pequeno ou médio.
Claro que optei por um médio.

Uns EU 5,00 depois, ela nos deixou à porta de um bom mercado
Pedi encarecidamente para ela: "wait for us".
No que ela me deu um cartão e disse "Call when you're finished".
Acho que entendi...
Fui pagá-la e ela disse que pagaríamos na volta.

Ah... quanta diferença. Se aqui fosse.

Compramos água a dar com pau. No mercado, 1,5 litro de água custava EU 0,19. Ou seja, pelo preço de 250 ml de água no hotel, compramos 15 litros de água no mercado. Compramos também salgados, bolachas, chocolates e sei lá mais o que, para nos alimentar durante o dia.

Por quê?

No Hotel, o café da manhã era absurdamente bom, pelo menos com relação à minha expectativa.
Imaginava ter problemas com a culinária local.
Que nada.

Café da manhã digno de hotéis 5 estrelas aqui no Brasil.
Ovos mexidos, frutas (acreditem... maçã, abacaxi, mamão, banana, laranja, melancia, melão, mexerica, etc.), salsichas da hora (alemãs), queijos de todos os tipos (sinceramente, meu paladar não se deu muito bem com os queijos), pães (diferentes dos que estamos acostumados... mais pesados), yogurtes, sucos (principalmente de laranja e de uva), bolos, doces, enfim... uma baita refeição.

Só não tinha leite quente. Como assim?
No primeiro dia, disse à Neuza para não esquentar a cabeça. Deveria ter acabado. Tinha leite, mas gelado.
No segundo dia, Neuza queria porque queria o leite quente.
Falei pra ela ir ao balcão e pedir "hot milk".
Daí pra frente, todos os dias, ela ia lá providenciar o tal de leite quente.
No último dia, quando ela chegou perto do balcão, o cara já estava servindo pra ela o leite quente.
E eu só agradeci... kkk

Adotamos a estratégia de "almoçar" pela manhã, "beliscar" durante o dia e jantar muito bem.

Poderíamos ter saído do Hotel e jantar muito mais barato em restaurantes de Samorin.
Para isso, teríamos que pegar táxi de ida e volta. O preço ficaria igual ou superior. Também poderíamos ter conhecido mais da cidade... mas, esse não era o objetivo.

Adotamos o jantar no restaurante "self service" local.
Caro, mas muito bom.
EU 18,00 por pessoa, fora as bebidas.
A água era "na faixa". Como nem costumamos beber durante as refeições, foi água mesmo.
Comida farta e boa, principalmente levando em consideração nosso medo da culinária local.
Comemos bem e fartamente.
Existem vários bares e restaurantes pelo Hotel.


Um "causo" engraçado
Na 4ª feira, ainda conhecendo o ambiente do Hotel, estávamos procurando um local para almoçar, ou jantar.
Existe um hall aberto, dentro do hotel, que é um local em que os restaurantes e bares servem os hóspedes. Lugar aberto a fumantes, a céu aberto.

Estávamos ali, Neuza e eu, analisando o local e eu tomando uma cerveja (fortíssima) de 500 ml, quando vimos o tal de Apani, especialista em comida japa... com muita gente lá, comendo, bebendo, enfim.

Ah... deve ser legal.
Vamos lá ver?
Bóra!!!

Entramos... ficamos rodando ali dentro... chegamos onde estava a comida, tipo um bandejão... começamos a discutir se iríamos comer ali ou não... vi uma bandeja de saladas, outra de bolinhos (sei lá de que), outra disso, outra daquilo... e a gente ali, fuçando em tudo...
De repente, chega uma muié enorme, uns 1,90m de altura, e pergunta:

- "Pratikokravo karamuvaspro prakaraio skoraprokuvska?"

Ficamos olhando pra cara dela e, apontando a comida, falei no meu mais puro Inglês que estávamos apenas olhando e decidindo se iríamos comer ali.

Chegou, finalmente, um cavalheiro e nos disse em Inglês que aquele era um evento privado.

Kkkkkkkkkkkkkkkkk

Nunca me senti tão descriminado, mas... kkkkkk
Pensei novamente:

- "Foda-se... nem queria mesmo"

Coitado do restaurante, pagou o preço, porque muitos brasileiros depois queriam comer comida japa e eu sempre desaconselhei.


Daí pra frente, nossa estadia foi ótima.
Banheiro luxuoso, com água quente. Cama ótima e TV excelente. Pena que não entendíamos absolutamente nada do que passava nela.

Todos os canais eram em eslovaco.
Ou alemão, ou russo... vai saber. Não conseguíamos nem mais distinguir um idioma do outro.

Achei um canal de música chamado Retro, em que víamos e ouvíamos músicas dos anos 80, em clips originais. Massa!!!
Esse foi nosso canal durante todos os dias por lá.


Encontrando brasileiros
Durante nossa estadia, conhecemos a Taís e o Guto, dois brasileiros de Fernandópolis, que estavam hospedados lá.
No final, conhecemos outro casal, Mauro e Cristiane.

A Taís, conhecemos pelas redes sociais, onde eu procurava desesperadamente brasileiros que fossem participar do mundial.
Do nada, já na sexta-feira, acho eu, depois do café da manhã, batemos de frente com a Taís, num dos corredores do hotel. Ela deu de cara comigo e perguntou se eu era eu.

Disse que sim, eu era eu... e perguntei se ela era ela... Chamei a Neuza e a apresentei, dizendo quem ela era e quem era eu.

O Guto estava esperando abrir o horário para pegar o material de prova... e lá fomos nós, cheios de marra, apresentando o Hotel a eles... kkk

Até a prova, tivemos oportunidade de nos perder no hotel e chegarmos ao parque aquático, passando por uma entrada proibida.
Lá, conhecemos a imensa estrutura do local.

8-Parque aquático

9-Parque aquático


Depois, oficialmente, fomos ao parque aquático, para que eu fizesse um treino de natação... e passamos o maior perrengue.
Descobrimos que só eu poderia entrar.
Mas, a Neuza entrou com meu cartão.
Até explicar que focinho de porco não é tomada, foi punk.
Ainda assim, ela pagou EU 2,25 para entrar. Isso porque houve desconto de 50% porque o titular da hospedagem era eu.
Penso, modestamente... Como hospedar um casal, num hotel 10 estrelas, onde apenas um dos hóspedes pode usufruir de todos os locais?

10-Reconhecimento do Centro Olímpico da Eslováquia

11-É bão, viu....



Daqui para frente, acho que já foi relatado nos posts anteriores, o Relato de Pré-Prova e o Relato de Prova.


Idiomas
Depois que travamos contato com os demais brasileiros, a comunicação ficou mais fácil.
Como a maioria falava o mesmo Inglês que nós, às vezes, quando íamos solicitar alguma informação em grupo, era meio assim: cada um falava uma palavra e, ao final, a frase saia perfeita... rsrsrs.

Bom era quando pegávamos algum eslovaco que falava Inglês como a gente.
Aí a comunicação era fácil, só nas "palavras-chave".

Penso que nossa comunicação em Inglês por lá, com quem falava fluentemente Inglês, era algo como a gente aqui, conversando com um índio que recém aprendeu poucas palavras em português, tipo:

- "Mim precisa ir Viena Bratislava... faz u quê chegar lá ?"

Volto a falar. Isso não é tirar sarro de ninguém a não ser de nós mesmos.


Retorno
O retorno foi igualzinho à ida. Só que sentido contrário.
Ah... teve algumas diferenças...

Ao invés de voltarmos via Bratislava e de lá para Viena, via terrestre, conseguimos um transfer de Van, direto do hotel para o aeroporto de Viena, junto com o Mauro e a Cristiane, por um preço menor do que gastaríamos, além da economia de tempo e do conforto na viagem.

Também, viajei no corredor do avião e consegui esticar as pernas.
Mas, acordava de tanto em tanto tempo, por conta do carrinho de serviço de bordo.

A outra diferença foi o quase "porre" que tomamos de "vino"...
O aeromoço perguntou o que iríamos beber. Isso logo após a decolagem.
Pedi novamente o vinho e, quando a Neuza foi pedir, disse que queríamos dois.
São umas garrafinhas de uns 180 ml... uma ou duas boas doses.
O cara deu duas... pra mim... e duas pra ela.
Na volta do carrinho, fui entregar as taças e o cara deus mais duas pra cada um...

Ahhhh... bóra veversapôrra... uhuuuu!!!

Há muito tempo não via a Neuzita rir daquele jeito.

Deeebois, no jantar... maaais duas garravinhas...

Acho que dormi bem na volta.
Desembarcamos em Guarulhos muito bem.

Pegamos nossa bagagem sem nenhum contratempo, passamos pela Free Shop, compramos nada, saímos do aeroporto sem sermos parados por qualquer fiscalização, e nos dirigimos à plataforma de ônibus para achar o "Cometão" que nos traria de volta ao nosso lar.


Surpresa...
Depois de acharmos o guichê da Cometa e comprarmos as passagens, encontramos o Motorzinho, que foi ao aeroporto buscar sua "Hand-Bike" nova, que o fará, com certeza, melhorar muito suas condições e performances. Esse cara é um exemplo em tudo.

Estavam com ele alguns membros da delegação paraolímpica, que foram competir na Europa e estavam chegando também

12-Grande Motorzinho


Vou encerrar este post com um pensamento do Vagner Bessa, em comentário feito num post anterior:

A gente conhece melhor a índole dos brasileiros, quando se encontra no exterior.
Todo mundo faz tudo para ajudar o próximo.

Haja vista o acidente que ocorreu durante a prova, com o Galeno, na volta do ciclismo, que acarretou a ele uma fratura na clavícula e outra no braço ou mão (não lembro).
Um casal de brasileiros, que estava lá, o acompanhou em todos os momentos, levando-o ao hospital e tudo o mais.

Graças a Deus, ele está bem e se recupera da melhor forma, para os novos desafios.

13-Galeno, já tratado




Grande experiência.
Mas, depois de tudo isso...

14-Essa medalha é dela

LAR, DOCE LAR!!!


Observação final
Faltaram fotos, sim... Mas, porque simplesmente não deu.
Ou a gente fotografava, ou se virava nos 30.
Mas a gente curtiu a viagem. Caso contrário, teríamos perdido tempo precioso fazendo fotos.
Simples assim... não deu... rsrsrs.


Acho que outras virão, nem que seja pra São Vicente, Cubatão, Guarujá, ou Itanhaém.

Ou, de repente, o Hawaii é aqui.

ALOHA!

3AV
Marco Cyrino



(Links para os 3 posts sobre o Challenge Championship Samorin 2018):