quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Resumão - Dicas sobre a T1



Pretendemos que este post seja o primeiro de uma série de Resumões, em que procuraremos compilar, recapitular, atualizar (e eventualmente corrigir) informações importantes que já tenhamos publicado sobre cada tópico, de cada modalidade do Triathlon.

Lembrando que, para ler os posts já publicados sobre cada tópico, basta você usar o nosso Menu (esse mesmo, à esquerda dos posts!), selecionar diretamente a Modalidade e o Tópico de seu interesse (por exemplo, Natação - Treinamento indoor, Ciclismo - Equipamento etc.).

Além disto, o Menu passa a ter também o marcador "Resumões".


Então, vamos lá!

Sabe o que é T1 ?
Não ?
Sem problemas.
Até porque este post é realmente mais voltado para iniciantes.
Os experientes já têm uma boa noção o sobre que fazer, ou não, na T1.

Recapitulando

No Triathlon, T1 é a transição da natação para o ciclismo.

O atleta sai do mar, lago, rio, enfim...
E sai da natação já meio afogado, dependendo do seu ritmo e objetivo.

Chega à T1 e ainda tem que...

- Tirar roupa de borracha (se a organização permitiu usá-la);

- Tirar touca de natação. Sim, tem que tirar, pois já me esqueci uma vez e não foi nada agradável tentar colocar o capacete com a touca de natação enfiada na cabeça;

- Colocar roupa de ciclismo (com o corpo molhado, ou não... já falarei sobre isso);

- Calçar sapatilhas (ou não);

- Pegar alimentação (ou não)....

Bom, aqui já dá pra ter uma noção das varáveis.


Vamos por tipos de provas...

1 – Distância Short (natação 750m + ciclismo 20km + corrida 5km)

É o tipo de prova feita o tempo todo com o coração na boca.

Logo, a T1, para quem quiser ser competitivo, tem que ser tipo "pá - pou" !

Se você nadou com roupa de borracha, espero que já tenha treinado muito a retirada dela.

É um perrengue, viu?
Principalmente se não houver passado um "creme rinse" (condicionador de cabelos) nas pernas e braços, para que ela saia mais facilmente.
(Cuide de testar e escolher um creme que não cause alergia na sua pele...)


Tirando a roupa de borracha

Eu sempre procuro tirar a roupa de borracha, ainda dentro do mar.

Em lago, rio ou outras "águas abertas", quando não existe um aclive suave na saída, nem adianta tentar.

Mas no mar normalmente há um aclive suave para sairmos.

Assim que começa a "dar pé", abro o zíper, arranco a parte superior da roupa e dou uns 2 belos mergulhos em direção à praia.
A roupa sai muito fácil (claro que tendo treinado isso).

Correr até a T1 com a roupa tirada (mesmo tendo que levá-la nos braços) é bem melhor do que correr com ela total ou parcialmente vestida.

Esta dica vale para todas as distâncias.

Em provas na distância Short, o melhor é começar a prova com a mesma roupa que irá terminá-la.
Ou seja, não há tempo a perder trocando de roupa para o ciclismo.


Colocando os aparatos de Ciclismo

Tirou a roupa de natação?
A touca?
Os óculos?
Não sobrou nada...

Agora, é colocar os aparatos de ciclismo, de forma que não haja perda de tempo na T1.

Capacete

Deixe o capacete "no jeito", não importa se ao lado da bike, se em cima do clip (caso sua bike seja TT), se em cima do selim.

O importante é deixá-lo da melhor forma para colocá-lo e afivelá-lo na cabeça o mais rápido possível.

Óculos de ciclismo E corrida

Sim! Você não vai querer usar um para o ciclismo e outro pra correr, né?):

Isto vale também para o capacete.

Roupa de ciclismo

Esqueça, em provas nessa distância.

Alimentação

No máximo, um gel de carboidrato, que também deve estar de forma fácil de se pegar e guardar para ingerir durante o ciclismo.

Além disto, a caramanhola com água e/ou suplementação, a qual já deve estar na sua bike.

Sapatilhas

Aí o bagulho é mais embaixo!

Primeiramente, porque já vi atletas fazerem provas nessa distância, pedalando com tênis.

Pra falar a verdade, só vi um. Eu mesmo. kkk
Por quê?
Porque não estava habituado a pedalar com sapatilhas de ciclismo (ou Triathlon).
Porque não perderia tempo na T2 (transição do ciclismo para a corrida), para descalçar as sapatilhas e calçar os tênis de corrida.

Se bem que fiz muitas provas correndo descalço.
Mas, este é outro assunto.

"Segundamente", porque, na minha experiência, a sua decisão sobre o momento de calçá-las, deverá ser baseada em 2 fatores:

·  Experiência (depois de muito treino) em calçar as sapatilhas já pedalando.

É necessário haver treinado muito, para se sentir confiante em sair pedalando "por cima das sapatilhas", ou seja, descalço, pedalando com os pés sobre elas, para calçá-las durante o ciclismo (mas apenas nos 2 primeiros km).

Já vi atletas até experientes caírem fazendo isso.

·         Distância entre a sua baia e a saída da transição.

Se sua baia na T1 for muito próxima do "monte na bike", por que não calçá-las na sua baia e correr poucos metros com elas já calçadas?
É ruim correr com sapatilhas de ciclismo, mas, caso a distância seja pequena, talvez valha a pena.

Se sua baia na T1 for muito distante do "monte na bike", recomendo correr descalço até a largada e calcá-las durantes os 2 primeiros km de pedal, desde que, como eu já disse, esteja confiante em fazer isso.


Acho que em provas Short era isso.

Vamos para as provas mais longas.


2 - Distância Olímpica (natação 1500m + ciclismo 40km + corrida 10km)

Não muda muito em relação à distância Short.

Apenas recomendo um melhor cuidado com nutrição e hidratação durante o ciclismo.

Aí, você já vai ter de pensar sobre onde e como levar isso.

Mas a diferença é pouca.


3 – Distância Long (natação 1900m + ciclismo 90km + corrida 21km):

Aqui, entramos na categoria "o bagulho é punk".

Já precisaremos levar uma razoável quantidade de nutrição (alimentação mesmo) e hidratação.

Já passa a valer a pena pensar em uma camiseta de ciclismo (mesmo que por cima da roupa – macaquinho – de corrida), uma vez que ela possui bolsos grandes na parte de trás, o que nos permite levar bastante coisas para nos alimentar e suplementar.

Também já vale a pena pensar na hipótese de usar luvas de ciclismo. Neste item, quero dizer que é muito ruim colocar e depois tirar as luvas. Mas talvez valha a pena pelo conforto.

Também temos de avaliar a necessidade de usar meias para o ciclismo (tema que não abordei, mas não costumo usá-las em Shorts ou Olímpicos).
Daí, essas mesmas meias poderão ser usadas na corrida.


4 – Ironman (3800m de natação + 180km de ciclismo + 42,1km de corrida):

Agora, passamos da categoria "o bagulho é punk" para a categoria "esqueça o tempo de transição e focalize no que precisará para terminar a prova".

Como diria Tim Maia: "Vale tudo....."

Se seu foco for terminar a prova da melhor forma possível, sem querer bater seu Record Pessoal, sem pegar vaga para o Mundial, vale você fazer o melhor pelo seu conforto.

Isto porque a prova é muuuuuiiiiito longa.

Daí, esqueça se irá perder tempo vestindo uma roupa seca para o ciclismo, se irá tirar a roupa de borracha no mar, se a sua baia está perto ou longe da saída para o ciclismo.

Focalize no que irá usar de nutrição e hidratação durante o ciclismo.

Só como informação, nos Irons existe um posto de parada chamado Special Needs, durante a etapa de ciclismo.
Ali, podemos deixar mais suplementos e até mesmo roupas.
Abordarei isto oportunamente...


Finalizando...

A partir do Long Distance, já é necessário pensar em levar (não apenas pensar, mas levar) reposição para um eventual furo de pneus.

Claro que este post não vai servir para os Ironmans super tarimbados.

Mas, penso que poderá ser útil a vocês, que iniciam no Triathlon.

O Blog andou meio parado, não por falta de vontade, mas por falta de tempo... o que é bom, ocupado que ando.

Ontem, conversando com meu irmão (e editor deste Blog), me veio a inspiração para iniciarmos esta série de Resumões.


Vamos em frente.

3AV
Marco Cyrino



quinta-feira, 27 de junho de 2019

Elas


Vou procurar ser o mais breve possível neste assunto.

Por quê?
Porque se fosse me estender sobre o esporte feminino e, mesmo apenas sobre o futebol feminino em todas suas nuances, um livro seria necessário.

O que vi sobre esta Copa do Mundo de Futebol Feminino, no que diz respeito ao Brasil...

Sim, porque a Copa ainda não acabou e aposto minhas fichas na seleção dos EUA.

Vi uma seleção brasileira sem ter tido tempo, apoio, até mesmo respeito, para fazer uma boa preparação.

Uma seleção que, por falta de estrutura no Brasil, é obrigada a convocar jogadoras que jogam aqui, lá, acolá e pra lá de acolá.
Nunca jogaram juntas.

Cada jogadora com um nível de preparação física.
Seleção "envelhecida" e ao mesmo tempo renovada.

"Envelhecida" pelas idades das suas melhores jogadoras:

- Marta (sem maiores comentários sobre quem é a Rainha) – 33 anos.
- Formiga – 41 anos.
- Cristiane – 33 anos.
- Érika – 31 anos.
- Mônica – 32 anos.
- Bárbara – 31 anos.

Renovada pela convocação de novos valores, como:

- Letícia – 24 anos.
- Kathellen – 3 anos.
- Andressinha – 24 anos.
- Adriana – 23 anos.
- Bia Zaneratto – 25 anos.
- Debinha – 27 anos.
- Geyse – 21 anos.
- Andressa – 26 anos.
- Ludmila – 24 anos.


Enquanto isso, os países mais fortes nesse esporte estão décadas à nossa frente, em todos os aspectos, embora seja brasileira a melhor jogadora de futebol feminino no mundo.

Nossa seleção entrou nesta Copa do Mundo totalmente desacreditada.

Além disso, com nossas principais jogadoras lesionadas ou descondicionadas fisicamente.


Substituição da técnica

Após 9 derrotas consecutivas, em seu breve período de preparação...

Após termos, finalmente, colocado uma técnica com muita competência para dirigi-la e depois, sem um motivo, demiti-la e recolocar o antigo técnico Vadão (também, diga-se de passagem, muito competente) para voltar a dirigi-la...

Vai entender!

Nada contra técnicos dirigirem times femininos, ou técnicas dirigirem times masculinos, haja vista a técnica da França, que já dirigiu times masculinos.

O problema é a absoluta falta de critério.


Brasil x Jamaica

Bom, iniciamos a Copa com uma "goleada" sobre a fraquíssima Jamaica, por 3 x 0, num jogo cujo placar poderia ter sido facilmente 5 x 0 ou mais.

Pagaríamos esse preço mais adiante.

Já nesse 1º jogo, ficou evidente a falta de entrosamento e de condicionamento físico, inclusive com as substituições de Formiga e Cristiane, além da ausência forçada da Marta, ainda em recuperação de lesão.


Brasil x Austrália

No 2º jogo, contra a forte Austrália, favorita absoluta, inesperadamente e mesmo sem jogar muito bem, saímos na frente por 2 x 0.

No final do 1º tempo tomamos um gol... e no 2º tempo ficou evidente a diferença, não de técnica, mas de preparo físico.

Tomamos a virada e perdemos por 3 x 2.


Brasil x Itália

No 3º jogo, contra as também favoritas Italianas (afinal, elas haviam ganho da Austrália), entramos para o tudo ou nada.

Nossas melhores jogadoras, ligeiramente mais bem condicionadas, fizeram a diferença (além do melhor jogo coletivo, decorrente dos jogos anteriores).

Marta, pela 6ª vez, tornou-se a melhor jogadora do mundo, superando os jogadores que tinham mais títulos – Cristiano Ronaldo e Lionel Messi.
No feminino ninguém se aproxima desse feito.

E também se tornou a maior artilheira em Copas do Mundo, superando o jogador alemão Miroslav Klose.
No feminino também nenhuma jogadora se aproxima disto.

Vencemos por 1 x 0, com um jogo consistente.


Brasil x França

A falta de uma goleada maior na Jamaica nos fez deparar com a anfitriã, França que (além de ter um futebol feminino super organizado e contar com apoio total e irrestrito de seus torcedores, para encher o estádio e cantar seu lindo hino) era (e foi) a grande favorita para esse jogo.


O importante é o uniforme...

Nesse entremeio, li discussões sobre o uniforme das brasileiras ter no distintivo as 5 estrelas relacionadas aos 5 títulos mundiais que conquistamos no masculino.

Bom, gente idiota comentava que elas não mereciam usar esse uniforme, por nunca terem ganho nada.

Como se nada fossem as medalhas de prata em Olimpíadas, sem nunca terem tido nada próximo da estrutura dos marmanjos, que só ganharam sua 1ª medalha de ouro recentemente.

Essa gente idiota sequer sabia, ou sabe, que decidir jogar com essas camisas não era e nunca foi prerrogativa delas.

Era e foi simplesmente imposto.

Talvez, para não gastarem dinheiro com 2 uniformes diferentes, até porque não deve haver dinheiro de patrocínio suficiente para que se fizesse isso... rsrsrs

Finalmente, soube que, depois de tanta celeuma, haverá um uniforme diferenciado para cada seleção.
Ufa!!!

Contra a França, nossas atletas jogaram com a alma e o coração.

Não ganhamos o jogo por um pelésimo, embora a diferença estrutural estivesse evidente durante toda a partida.

Também estivemos por um pelésimo para perder ainda no tempo regulamentar.

Marta, claramente debilitada fisicamente a partir da 2ª metade do 2º tempo, jogou como deve jogar quem tem consciência de seu talento e de suas limitações.
Jogou para o time e não para si.

Penso que teria sido fácil ela fazer algumas jogadas individuais para "aparecer". Não as fez.

Será que o menino Neymar viu esse jogo?
Pergunto, porque todos, do meu relacionamento, vimos.
E tiramos muitas lições.


Mulheres são realmente guerreiras, em todos os sentidos.

Sinceramente, deu mais gosto ver a derrota delas para as francesas do que a vitória do masculino sobre os peruanos.

Parabéns a elas.


Que o nosso governo e os responsáveis pelo esporte no Brasil possam ter consciência da necessidade de investimento nos esportes, coletivamente falando.

Que nossa seleção masculina possa vencer a Copa América, com justiça e competência.

Finalizando, parabéns ao Filipinho Toledo, bi-campeão da etapa brasileira do mundial de surf.

Adicionando também parabéns às brazucas do mundial de surf.

Aloha !!!

3AV
Marco Cyrino




sábado, 22 de junho de 2019

Respeito


Nem é necessário dizer que respeito vale para tudo.

Para o esporte, para a vida profissional, para a convivência com amigos, família e até mesmo inimigos.

Vou me ater apenas ao respeito relacionado ao esporte, claro.

Conheço uma porrada de atletas, principalmente Triathletas, que desdenham de outros esportes, futebol entre eles.
Não consideram o automobilismo como esporte.
Tampouco tênis de mesa, equitação, pra não falar de golfe.
Como se atletas fôssemos apenas nós, Triathletas.

Podemos até questionar a equidade de premiações entre esses esportes.
Mas, dizer que não é esporte, ou mesmo desdenhar deles é um erro imperdoável.

Sempre penso (às vezes falo) que, para criticar algo ou alguém, é necessário provar que fazemos melhor.

O resto é puro egocentrismo.

Pior quando o desrespeito é direcionado a um determinado atleta.


Eu mesmo já cometi esse "pecado" no Surf

Um dia, em Maresias, com o mar bem grande (uns 2,5 m bem servidos de ondas... e quem conhece Maresias sabe do que estou falando), estava eu ali, na areia, passando parafina na prancha e criando coragem para entrar.

Vi um "gordinho" chegar, passar parafina na sua prancha toda colorida, calçar umas luvinhas (na época, era moda usá-las para facilitar a remada) e entrar no mar.

Olhei para a Neuza, sempre ao meu lado, e comentei:

- Putz... O "gordinho" deve ter comprado prancha e luvinhas novas e nem sabe o que vai encarar aqui.

Entrei logo atrás dele, corajoso que já estava, e de olho no cara.

Meu instinto de proteção me dizia que, caso o cara tomasse uma série na cabeça, para atravessar a arrebentação, eu estaria por perto para ajudá-lo.

Bom... O cara atravessou de boa a série que veio realmente quebrando na cabeça de todos que estavam na água. E fui eu quem tomou umas 10 sacolejadas daquelas.

Quando finalmente estou conseguindo atravessar a arrebentação, vem entrando uma série maior ainda, ao fundo.

Na "Rainha" da série, vejo o "Gordinho" remando já atrasado, pois a onda estava já quase dobrando o lip.

Pensei:

- Ai meu Deus, o cara vai se dar mal... E não posso fazer nada, porque tenho que remar como louco, pra não tomar a onda na cabeça.

Resultado:

O "Gordinho" deu um drop estilo águia (com os braços abertos), fez um botton turn (virada muito radical) na base da onda, botou pra dentro de um tubaço, como se fosse normal para ele, saiu do tubo e deu um cutback... bem na minha cara.

Salvei-me dessa onda e fiquei umas 2 horas no mar, para pegar apenas 3 ondas e surfá-las bastante apreensivo.

Enquanto isso, o "Gordinho" simplesmente arrepiava todas as ondas que pegava.

Quando saí do mar, fiquei um tempão na areia, esperando ele sair.

Quando saiu, fui lá, me apresentei e o cumprimentei pelo seu Surf.
Claro que não disse nada sobre o que pensei quando o vi pela primeira vez.


Outra história

Ontem, voltando aos poucos aos treinos e, seguindo fielmente a programação do Silvão, fiz um treino de 10 km de corrida, sendo 800 m numa FC muito baixa (aquele trotinho que é quase andando) e 200 m fortes, até 90% da FC máxima.

Escolhi determinado trecho da areia para fazer.

Feriado aqui em Santos.
Tempo feio e praia cheia apenas de turistas e/ou bebedores e/ou pseudo-atletas.

Esse trecho, entre os canais 1 e 2, tem aproximadamente 650 m de areia batida.

Num determinado ponto, 4 "atletas" disputavam uma partida de Futevôlei, usando como rede a bike de um deles.

A partir do meu 2º km de treino, um dos "atletas" vinha insistentemente me acompanhando, trotando ao meu lado por uns 200 m.

Daí, voltava para seu campeonato mundial de Futevôlei.

A partir do 6º km, quando ele fazia isso, os demais 3 "atletas" se cagavam de dar risadas.

Até que, no 7º km, coincidiu de os 200 m fortes começarem logo que ele voltou a me seguir.

Bom... Mesmo mal condicionado, estava fazendo esses 200 m para algo em torno de 4:20 min/km. Distância bem pequena.

Eu realmente não estava dando a mínima para ele.

Porém, quando ele tentou me acompanhar nesse tiro, simplesmente "marreu" nos primeiros 100 m.

Acabei meu treino adivinhem onde?
Em frente ao palco do mundial de Futevôlei.

Ele vestia uma camisa de, provavelmente, time de futebol de bairro.
Nas costas, estava escrito Kelvin.

Parei, me alonguei um pouquinho e fiquei olhando a final do mundial.

Depois de umas 20 jogadas realmente toscas, interferi no jogo.

Fui até a quadra, me apresentei, perguntei ao Kelvin por que ele estava tirando onda com minha cara (ele perguntou como eu sabia seu nome e respondi que ele era famoso).

Os demais se aproximaram e me apresentei a eles também.

Apenas disse a eles para respeitarem todo e qualquer cidadão, quer seja ou não atleta.

Um pouco de ficção...

Por último, perguntei ao Kelvin a sua idade.
Ele respondeu: 25 anos.
Dei a ele parabéns e desejei que chegasse à minha (quase 62).

Daí, disse que, no período em que fiquei ali observando, poderia ter tirado uma onda da cara dele muito maior do que ele achou que estava tirando da minha.

Demos muita risada.

Agora, é me recuperar das porradas e hematomas e vida que segue... kkk

Repetindo: esta última parte é pura ficção, o resto é verdade.


Resumindo, respeitem tudo e todos sempre.
Ninguém é melhor do que ninguém.
Cada um no seu cada um.

Aloha!


3AV
Marco Cyrino


quinta-feira, 16 de maio de 2019

Lembranças e Lambanças - II


Escrevi sobre isto há uns 4 anos (minha memória está boa... rsrsrs),  terminando o post  com "qualquer hora conto mais lambanças" (Lembranças e Lambanças).

Escrevo esta continuação sobre a minha caminhada no esporte, ou seja, de como saí do futebol e surf para o Triathlon, agora que me vieram várias lembranças de lambanças que ocorreram na fase de, digamos, adaptação ao novo esporte.

Novo esporte, nem tanto, pois nadar eu nadava, não para competir, mas para me salvar quando eventualmente quebrava a cordinha da prancha, num mar grande, e tinha que me virar nos 30.

Pedalar também, não para competir, mas para me locomover de casa até uma praia com ondas, pagando o aluguel da bike (que não tinha), levando no cano o Hamilton e duas pranchas.

Correr era meu forte.
Mas não corrida contínua, futebolista que era.


Lembrança de Lambança de natação

Ainda no Biathlon (apenas natação e corrida), entrei no mar junto com todo mundo. 
Uma de minhas primeiras provas.

Juro que nunca tinha passado por nada parecido.
Nego puxando meus pés.
Branco me dando tapa na cabeça.
Índio passando por cima de mim.
Mameluco me dando caldo.
Japonês (ou amarelo) me ajudando a sobreviver (sempre eles).

Passada a boiada, ou cardume, ou (que nome se dá ao coletivo de humanos fora de seu ambiente, na água?), sobrevivi dignamente, saindo do mar sem óculos, sem touca e quase sem sunga.

Pra ajudar, como não tinha experiência em natação mais longa (sim, porque no surf, pra sair do mar quando se perde a prancha, você nada um pouco em direção à praia e olhando pra trás... e tem de ficar mergulhando pra não tomar a série na cabeça), saí do mar como um bêbado... totalmente tonto.


Lembrança de Lambança de ciclismo

Já no Triathlon, em minha primeira prova, um short do Troféu Brasil, em 1.900 e sei lá o que, já habituado à natação, não tive muitos problemas com essa modalidade.

Ah... Mas, na saída da natação para o ciclismo, cheguei à transição e fiquei uma hora lá, parado, pensando no que tinha de fazer.

Ainda não usava roupa de borracha para nadar. Um problema a menos.
Fui colocar o capacete e o fiodamãe não entrava na cabeça, nem com vaselina. kkk.
E olha que era daqueles capacetes Tabajaras.
Várias tentativas depois, lembrei de tirar a touca de natação.
E não é que ele entrou facinho?

Depois o tênis. Sim, o tênis.
Quem disse que eu iria pedalar de sapatilhas?
Sapatilhas, eu só sabia que existiam as de balé.

E a camiseta, com o número pregado no peito?
Nunca tirei e coloquei tantas vezes uma camiseta, como naquela vez.
E os alfinetes que prendiam o número?
Um deles se abriu. A cada vez que tentava colocar a camiseta com o corpo molhado, era uma espetada.

Fiz a prova com a bike que tinha comprado, acho eu, nas Casas Bahia. Bicicleta de rua, sem marchas, pneus balão...

Ah... Mas eu já acompanhava uma galera que saía à noite para um "treino" aqui em Santos.
Já me achava. Percurso de 20 km. Até que era um bom passeio.


Lembrança de Lambança de corrida

Nessa mesma prova, desci da bike, coloquei-a na baia da transição e a danada não parava em pé.
Nem lembro como, mas consegui fazê-la ficar parada, em pé, naquela baia para bikes de pneus finos.

Daí, saí desembestado a correr para sair da transição.

Um monte de gente gritando um monte de coisas pra mim:

- Marcão... Tu tá com o.....jfjkhdkhfsrroñah!!!
- Marcão... Tu não pegou o......fhjkdcmnbsrfbb!!!

Legal!
Todo mundo torcendo por mim... e meu objetivo era apenas não ser o último.

Até que entendi, já quase saindo da transição:

- Marcão... Tu tá com o capacete!!!

Que vexame. Voltei correndo para a transição, tirei o capacete, peguei o boné (sim, era o que usávamos, em vez de viseiras de 200 contos).

Saí de novo à toda.
Uma voz estridente (mas, à qual agradeço muito) me avisou de novo:

- Marcão... Tu tá sem o número de corrida!!!

Nem voltei. Eu estava com o número, sim, só que nas costas, por ter colocado a camiseta ao contrário.
Continuei correndo e revirando a camiseta, até o número ficar na frente.

Uma corrida de 5 km.

E eu, que só corria descalço (provas, aqui: Triathleta da Idade da Pedra), estava correndo de tênis.

Acho que não deu nem 1 km, para eu descalçar os tênis e acabar a prova com eles nas mãos.

Pelo menos não fui o último.


Quanta evolução!
Ou não... kkk

Hoje chamam isso de ser Triathleta-Raiz.


3AV
Marco Cyrino