sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Isso tudo não é tudo!


Nossa vida é engraçada.

Nossa vida é muito boa.

Nossa vida é punk.

Nossa vida é o que plantamos e colhemos.

Nossa vida é resultado de nossas escolhas.


Porque digo isso num Blog de Triathlon?
Porque, simples assim, tem tudo a ver.

Para quem, como eu, vive Triathlon durante muitas (para não dizer 24) horas do dia, pode parecer antagônico.
Mas a vida nos vai ensinando que tudo tem seu tempo.

Sabe o que é engraçado?

Recebemos "cobranças" de todos os tipos e de todos os lados.

Dos tipos:

- Pourra, você não pensa em outra coisa a não ser treinar e competir.

- Pourra, você não está treinando com o afinco necessário... Assim não vai evoluir.

E dos lados:

- Do lado de lá, que querem porque querem que sejamos seres normais.
E, simplesmente, não somos.

- Do lado de cá, que querem porque querem que sejamos o super-atleta.


Objetivamente falando, o intuito deste post é enfatizar, para todos nós (de todos os tipos e de todos os lados) que há coisas mais importantes no mundo do que ser um Triathleta.

Existem, claro, determinadas épocas em que, por estarmos focados num "objetivo Triathlético", precisamos estar realmente determinados a atingir esse objetivo.

DESDE QUE ESTEJAMOS COMBINADOS COM OS SERES ENVOLVIDOS EM NOSSA VIDA.

Caso nada tenha sido combinado, esqueça!!!

Vou dar um depoimento simples e pessoal (bom, depoimento, por si só, é pessoal... kkk):

Estou empenhado em fazer o meu melhor Triathlon Internacional de Santos, em 10/03/2019. (Relato da prova de 2018)

Não vou conseguir... Não mesmo.

Mas, estou me aplicando a fazer o meu melhor, dentro daquilo que estou conseguindo me dedicar a esse objetivo.

Só que, hoje em dia em dia, isso para mim não é tudo.

"Tudo" significa estar bem comigo, com minha família (a pouca que resta), com meus amigos, com minha esposa (hoje, já posso oficialmente chamá-la assim), com os compromissos que escolhi, enfim.

Como diria Tim Maia: "Tudo é tudo e nada é nada".


A não ser que você seja um atleta profissional, que depende de resultados para sua sobrevivência, aplique-se da melhor forma possível para ser o SEU melhor Triathleta.

Nunca esquecendo que você tem uma família que te ama, que te apóia (tomara que sim), que até te empurra, como aquela que eu tenho, graças a Deus.


O equilíbrio e a negociação entre sua vida atlética e sua vida pessoal são a solução para tudo.

Ser um Campeão em diversas provas...  Já fui.

Ser um Ironman... Já fui sete vezes.

Ser um Ser Humano comprometido com o que tenho de fazer... Estou tentando.


Pode parecer piegas...

Mas realmente, o que levaremos daqui não são troféus, medalhas, títulos, homenagens.

A única coisa que levaremos daqui será aquilo que semeamos e, se possível, colhemos.


Continuo firme e forte em meus objetivos Triathléticos, mas... ISSO TUDO NÃO É TUDO!

Cuida bem de quem está ao teu lado o tempo todo.

Cuida bem de quem te apóia o tempo todo.

Cuida bem dos teus próximos, mesmo que eles contestem o que fazes. 
Eles simplesmente não compreendem, o que não é motivo para não compreendê-los.


Sabe quando, numa prova exaustiva, você já tá no "bico do corvo"?
Tipo "desequilibrado"?
Não deixe sua vida ficar assim.

ISSO TUDO NÃO É TUDO!
Mas tudo isso é fato.

Equilíbrio. Este deveria ser o título, mas, prefiro manter o original.


3AV
Marco Cyrino



Nota do Editor:
Nenhuma falha de editoria...
Mantidas as (eficazes) alternâncias entre 1ª, 2ª e 3ª pessoas do indicativo.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Mais ensinamentos...



Hoje, a conversa é introspectiva...


Há períodos em que nos esforçamos muito para atender ao Triathlon que corre em nossas veias (não é sem motivos o nome deste Blog).

São treinos e mais treinos, ora para nos reabilitarmos após algum problema de saúde e depois para voltar à forma atlética, ora para entrar no modo velocidade, ora para voltar ao modo endurance, ora para não perder o condicionamento durante algum recesso.

E são também ajustes na programação de vida, para coadunar todos os compromissos e suas decorrentes responsabilidades, sem mencionar aqueles que assumi mais como Missão.


E assim segue a nossa vida, minha e daquela que me acompanha.


Da mesma forma, como o "tempo passa ao mesmo tempo" para todos, seguem também as vidas daqueles(as) com quem temos vínculos de todas as naturezas --- familiares, religiosos, profissionais, de amizade, de coleguismo no esporte e em outras atividades, incluindo as pessoas a quem prestamos (no passado e/ou no presente), ou de quem recebemos (no passado e/ou no presente) qualquer tipo de ajuda, suporte, apoio, solidariedade, em quaisquer situações.

Por mais que desejemos e esperemos que tudo sempre esteja correndo bem com essas outras vidas que nos são caras, é evidente que elas também seguem com todos os seus perrengues, dificuldades, tristezas e alegrias.

E, de quando em vez, chegam até nós os efeitos dessas ocorrências nas vidas que nos são caras, às vezes uma após outra, cada uma mal permitindo que nos recuperemos, ao menos emocionalmente, antes da próxima.


Então, nessas fases, gostaríamos de poder nos desdobrar em diversas pessoas, de poder, ao mesmo tempo, encontrar e executar soluções, prestar apoio e solidariedade, manter o foco nas pessoas que nos são caras, manter o foco no esporte, continuar cumprindo nossas Missões.

Mas, descobrimos que somos únicos(as) e que não temos clones... e que teremos de conseguir realizar "tudo junto ao mesmo tempo", numa verdadeira metáfora daqueles Irons (já tenho 7 na bagagem) ou Insanos, em que precisamos gerenciar os imprevistos, lidar com o cansaço e as dores, superar nossas limitações, reavaliar constantemente as reservas de energias, reconsiderar de tempos em tempos a estratégia de prova...  mentalizando e vislumbrando sempre o momento de cruzar o pórtico e sentir que a determinação nos conduziu até o final.


E assim haverá de ser.


Como venho dizendo em outros posts, são ensinamentos do esporte.
Muitos deles, às vezes, estamos aplicando sem nem perceber...


Aloha!

3AV
Marco Cyrino

sábado, 26 de janeiro de 2019

Ensinamentos do esporte


Em primeiro lugar, todos vocês, meus digníssimos e fiéis meia dúzia de seguidores, desculpem-me pela ausência... rsrsrs

Ainda estou devendo a postagem das fotos do Challenge Floripa, de dezembro do ano passado.
Mas, acho que deixou de ser relevante.
Ainda assim as publicarei... queiram ou não... kkk


Como diz o título, um dos ensinamentos do esporte (pronto, já entrei no contexto deste post) é priorizar o prioritário.

Pode parecer óbvio.

Mas a prática é que nos conduz a saber o que é ou não prioritário.
Logo, motivos prioritários me fizeram tirar essas "férias forçadas" do Blog.


Quais são os principais

O esporte, e principalmente o Triathlon, se praticado seriamente, nos dá inúmeros ensinamentos que serão válidos para todos os aspectos de nossa vida.

E temos também de estar preparados para as críticas de quem não pratica e, portanto, não nos entende.

Os ensinamentos são principalmente: organização, persistência, perseverança, resiliência e superação, força de vontade.

Em nossa Língua Portuguesa, alguns têm o mesmo significado, como Persistência e Perseverança, e até mesmo Força de Vontade.

Na prática, cada um tem o seu significado específico:

Persistência no esporte = Não desistir, independentemente de resultados.

Perseverança no esporte = Saber que nada vem do dia para a noite. É necessário ter perseverança para dar continuidade e ver a evolução aos poucos.

Força de Vontade no esporte = Saber que será necessário tê-la de forma suficiente, para se manter focado(a) em seu objetivo.

Como disse, são palavras com significados "iguais" ou muito parecidos.
Mas, coloquei em minha mente que cada um tem seu significado maior.

Já, Resiliência é um dos maiores ensinamentos do esporte.

Tecnicamente, Resiliência é a característica dos materiais que podem ser deformados por agentes externos e que retornam sempre ao estado e à forma originais.

Na prática esportiva, Resiliência funde-se, de certa forma, com o conceito de Superação, pois, à medida que adquirimos Resiliência, aumenta a nossa consciência de que temos (ou podemos adquirir) a força necessária para superar todos e quaisquer obstáculos... a consciência de que conseguimos sofrer e assimilar o sofrimento, fazendo dele uma força maior para atingir o objetivo.

Isto vale (por exemplo) para aqueles treinos de endurance (longuíssimos) e/ou de velocidade (curtíssimos e intensos), nos quais pensamos que não seremos capazes.


O esporte dirá...

Imagine-se, sem nunca ter treinado, digamos, uns 40 km de bike, ter de treinar 200 km para fazer seu primeiro Ironman.

Claro que a evolução será gradativa.

Você, por melhor assessorado que esteja, vai errar muito no progresso dos treinos; irá passar do seu limite de velocidade; irá falhar na hidratação e na alimentação... Até chegar ao ponto de terminar um treino de 90 km, largar a bike, cair deitado no chão e dizer:  - "Que merda! Eu não consigo pedalar 90 km! Como vou completar um Ironman?"

E isso é só o começo, porque a pressa é inimiga da perfeição.
Você vai, sim, conseguir fazer o seu Ironman.
Mas, o próprio esporte vai te ensinar como.


Ao conseguirmos completar esses treinos, nos sentimos extremamente gratificados.
E isso será levado para o resto da vida.

Nossas atividades normais, seja no trabalho, na vida pessoal, enfim... serão todas afetadas positivamente por essas capacidades que desenvolvemos.

Hoje em dia, em todos os perrengues que acontecem em nossas vidas e, inevitáveis que são, sou imensamente grato aos ensinamentos que o esporte me deu e ainda continua dando.

Quanto às críticas... Ah! Essas não valem nada!

Críticas sempre existirão.
Negocie com quem convive com você.

E, aquelas feitas por pessoas que não são próximas, delete-as.
Simples assim.

Já ouvi coisas do tipo "você só pensa nisso", "você vive pra isso", "você isso e aquilo"...

Já "maldaram" muito a minha vida, em função da vida que levamos.
Daí que tenho um pequeno conselho...
Como disse Zeca Pagodinho:

""
Se eu quiser fumar eu fumo
Se eu quiser beber eu bebo
Pago tudo que eu consumo
Com o suor do meu emprego

Confusão eu não arrumo
Mas também não peço arrego
Eu um dia me aprumo
Tenho fé no apego
""


Keep sporting !!!

3AV
Marco Cyrino


segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Mosaico - 2018


Nossa Nave Terra completa mais um ciclo em torno do Sol.

Afora certas exceções,
são onipresentes nos meios de comunicação
os convites ao pensamento materialista e imediatista.

Entretanto,
provavelmente por mais alguns bilhões de vezes ainda,
passaremos pelo mesmo ponto da elipse astronômica,
acrescentaremos 1 às nossas contagens de dias e anos,
continuaremos a ver a chegada de novas gerações,
a dizer adeus aos que partem,
a esperar nosso momento de partir,
a lutar para fazer valer o tempo que aqui nos foi concedido.

Cada segundo, minuto, hora, dia, semana, mês, ano...
pequenos e incomparáveis retalhos
tecidos de fraquezas e virtudes, prazeres e dissabores,
rancores e amores, frustrações e realizações,
dificuldades e auxílios inesperados,
desesperos e milagres,
planos, projetos, fracassos e sucessos,
surpresas, felicidades...

E a vida, afinal,
imenso mosaico feito desses retalhos,
costurados pela linha do nosso tempo terreno,
tingidos pela energia vital e única
de cada ser humano.

Passado imutável, futuro desconhecido,
resta-nos cuidar o melhor possível de cada retalho,
buscando sempre serenidade, sensibilidade, sabedoria
e consciência da face que estamos desenhando
em nosso mosaico.

* * *

Texto original publicado em 23.12.2012.
Atualizado para incluir a pergunta singela:
"Como tem sido a feitura do seu mosaico?"

* * *

Desejamos aos Leitores-Amigos e seus Familiares
mais um Natal e mais um Novo Ano
com saúde, paz, harmonia, prosperidade e alegria.


Equipe 3AV & 3AV Mídia



quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Hoje o assunto é Surf


Que me perdoem os seguidores deste Blog de Triathlon.

Mas, surfista de alma que ainda sou (não mais tão praticante quanto gostaria)... o assunto será breve e será SURF.

Orgulho de ter vivido toda a evolução do surf no Brasil, desde a década de 70, onde éramos literalmente tidos como seres alienados, maconheiros, vagabundos.

Hoje, temos orgulho imenso por ver que as sementes que plantamos lá atrás foram germinando, florescendo, dando outras sementes e, de geração em geração, fomos evoluindo a duras penas.

Neste país que pouco faz pelo esporte em geral, exceto pelo futebol (do qual também sou fã e crítico incondicional), é muito bom vermos essa atual geração (e a próxima também) conseguir fazer em pouco tempo dois campeões mundiais.

Um bicampeão, Gabriel Medina.

Outro campeão, Adriano de Souza, o Mineirinho.


Não mesmo... Não vou me estender nessa história grandiosa do nosso surf, desde os tempos de Pepê, Bocão, Lequinho, Picuruta, Cisco, Daniel Friedman, os irmãos do Tombo, a galera de Ubatuba... Enfim, nunca vou conseguir mencionar todos.

Todos fizeram e fazem parte do sucesso que estamos tendo no surf (agora esporte olímpico, assim como o skate...)

Muito feliz com tudo isso.

Constatamos que, independendo de apoio governamental, somos capazes de construir algo sólido, desde os alicerces até o acabamento.


Ano que vem teremos simplesmente 11 brazucas no principal circuito.


Ontem, mesmo tendo que fazer 14 km de corrida, debaixo de um sol de 36ºC, não me desliguei do Pipe Masters e vi, bateria a bateria, o Gabriel Medina meter o louco e, cabeça a cabeça, disputar com o seu principal concorrente, Julian Wilson, até a final da etapa.

Após participar de 3 finais em Pipeline, sendo uma já como campeão (e perdendo justamente a final para o mesmo Julian Wilson), a outra contra o Mineirinho (que se tornou campeão mundial), Gabriel já entrou nesta final como bicampeão mundial e, de quebra, ainda levou finalmente o título do Pipe Masters.


Vídeo da única onda nota 10 do campeonato, para coroar essa performance 
(aos 4 minutos e 10 segundos)

G. Medina X C. Coffin



Ô muleque porreta esse, viu???

Aloha !

3AV
Marco Cyrino


quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Relato de Prova - Challenge Floripa 2019


Quem me acompanha há um tempo sabe que não sou de reclamar de meus perrengues pré-prova.
Hahahahahaha!!!
Pega na mentira!

Confesso, sou o maior reclamão que vocês já conheceram.
E, quanto mais o tempo passa, mais reclamão fico.

Mas, neste ano, depois do meu aniversário e do meu casamento, nunca vi um "inferno astral" tão longo e variado.

Teve de tudo.
Só não teve ciclo de treinos.

Teve gripe?
Teveeeeeee!!!
Gripe mesmo.
Não aquilo que a gente chama de resfriado, mas aquela que te deixa de cama, dá febre, tosse, tremedeira, suador e parece que não vai passar nunca mais.

Teve conseqüências?
Teveeeeeee!!!
Tipo você ir ao médico (porque a tosse não passava) e ele te enfiar Decadron na veia e mais um monte de corticosteróides, porque o que sobrou era alergia.
Isso faltando 30 dias para a prova.

Teve mais alguma coisa?
Teveeeeeee!!!
Um "desligamento" do meu pé direito, que pensei ter sido causado por um AVC.
O pé não respondia pra cima, mas, pra baixo sim... Descartei o AVC.

Segundo meu fisioterapeuta e meu quiropraxista, o bagulho iria demorar um tantão pra recuperar.
Provavelmente, algum pinçamento simplesmente resolveu deixar meu pé direito fora da prova.

Ah, vai correr com um pé só!
Coitado do Atef, que se virou nos trinta pra me tratar duas vezes numa única semana.
Coitado do Silvão, que se virou nos trinta pra me deixar o mínimo em forma.


Viagem tensa

Viajamos com antecedência, por força de compromissos pessoais, porque normalmente, na volta, costumo visitar meu irmão, em Jaraguá do Sul.
Desta vez, fizemos a visita na ida.

A viagem teve algum problema?
Teveeeeeee!!!
Faltava mais nada.
Neuzita pegou um resfriado e, por afinidade, peguei também.
Ou era apenas alergia... vai saber.
Só sei que fiquei fungando por mais de uma semana.

Teve muita chuva?
Teveeeeeee!!!
Na sexta-feira, dia da nossa viagem de Jaraguá para Floripa, houve um dilúvio.
Levamos quase 4 horas para fazer um percurso de pouco mais de 200 km.
Daquelas chuvas que, mesmo com o limpador de pára-brisas no máximo, não se enxerga mais que 2 metros à frente.

Mas, os "grandões" - caminhões, ônibus, etc. - vêm nos empurrando.
Vários colchões de água na pista.
Do nada, passava um "grandão" na outra pista e te dava um banho de 3 segundos de cegueira.
Tenso, viu?

Penso ter visto a Arca de Noé passando na outra pista, mas pode ter sido miragem, por esgotamento nervoso. rsrsrs.

Depois, soube que esse dilúvio foi para o Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.
Os aeroportos ficaram fechados.
Parece que muitos atletas inscritos não puderam ir.
Parece também que até mesmo algumas empresas não puderam participar da feira.


Chegamos a Floripa na sexta-feira e já fomos direto pegar o kit de prova.

Fiquei impressionado com o esvaziamento da prova.
Na Expo, havia pouquíssimas empresas mostrando seus produtos.

A quantidade de atletas para participarem do Long também estava bem reduzida.


Vamos à prova

Com tudo o que ocorreu, tomei uma excelente decisão...

Tenho o maior orgulho de, independentemente de resultados, nunca ter abandonado uma prova.

E olha que já fiz muita merda, no bom sentido.
Tipo, fazer meu primeiro Long sem estar devidamente preparado, sem saber como me hidratar e alimentar em provas longas, terminar me arrastando, em penúltimo lugar (porque houve alguém como eu) e pagar um belo preço, por semanas, para me recuperar.
Não recomendo a ninguém, mas, não é que terminei e me senti orgulhoso?

A decisão foi bastante discutida com a Neuza e minha família.
Principalmente meu irmão Alfredo, editor deste Blog, meu outro irmão José Roberto, minha cunhada Lia, minha irmã Fátima e, claro que muito, com a Neuzita.

Se houvesse uma prova com motivos para eu não completar, seria esta mesma, até porque, tudo tem uma primeira vez.
Logo, desencanei.

Até meu sobrinho e afilhado Júnior me aconselhou a isso.

Prometi a todos (e cumpri) que encararia essa prova como uma bela oportunidade de fazer um "treinão de luxo", mesmo que não o completasse.

Nadar em Jurerê, com a estrutura de segurança da prova.

Depois, caso me sentisse bem, fazer um enorme "passeio" de bike por 90 km, com algumas boas subidas.

Por fim, se ainda tivesse forças, percorrer os 21 km de corrida, que, provavelmente, seria um misto de anda, trota, se hidrata, anda mais um pouco, tenta trotar, e vai indo que uma hora acaba!


No sábado à noite, eu já deitado, meu irmão Alfredo ligou e avisou a Neuza sobre a previsão do tempo:

Mínima de 14ºC e ventos com rajadas de Sul.

Acordamos às 4:00h da matina.
Mesmo sem ter dormido muito e bem, impressionantemente eu estava com um pouco de disposição.

Neuza comentou muitas vezes comigo, durante o período anterior à prova, que eu parecia sem estímulo.

Cheguei à transição, arrumei minhas coisas e a temperatura estava ótima para o horário: 21ºC.
Até então, sem vento.

Deu 6:00h da manhã e fui fazer minhas preces.
Como sempre, pedindo proteção a mim e a todos.


Natação
Minha largada foi exatamente às 6:30h da manhã.

Entrei no mar como me programei, pouco ligando para os demais atletas.

Deixei todos entrarem, ambientei-me à temperatura da água (não gelada, mas fria) e comecei a nadar em ritmo de cruzeiro.

Aos poucos, fui aumentando o ritmo e passando alguns atletas.
No final saí do mar bem contente com a performance, extremamente calma.


Ciclismo
Então, vamos passear de bike por 90 km!

Começou a ventar... e forte!
Ainda bem que acreditei na previsão.
Se houvesse feito a prova com a roda traseira fechada e a dianteira "four stroke", provavelmente estaria aterrissando hoje aqui em Santos.

Pedalava contra o vento a uns 18, 19, 20 km/h... e a favor a uns 40, 42, 44 km/h.

E não fiz força.
Sabia que se fizesse iria quebrar (a não ser nas subidas, que não tem jeito).

Milagrosamente, entreguei a bike com certa vontade de correr um pouco.

Tomei quase uma caramanhola inteira de água, antes de sair pra correr. Detalhe, me alimentei e hidratei o máximo possível durante o pedal.


Corrida
Daí pra frente, minha memória pode falhar. kkk

Acho que foi no final da primeira, de 3 voltas da corrida, que me dei conta de que estava em 5º de cinco na categoria.

Só que, num retorno, vi um atleta pouco à minha frente, com numeral próximo do meu.

Estava me sentindo bem, a ponto de só andar nos postos de hidratação, para poder tomar sem me engasgar um gel, cápsula de sal, etc., além de jogar água gelada na cabeça e no corpo.

Passei esse atleta, mas nem tinha certeza de que era da minha categoria.
Nas outras voltas, nem procurava ver quem era ou não.

Então, o cara que ganhou minha categoria cruzou comigo e disse:

- O fulano tá só um pouquinho na tua frente!

Continuei minha corrida tentando entender.
Que fulano? Que categoria? kkk

Iniciando a última volta, passei um atleta que, esse sim, tinha um numeral que era o meu sequencial.

Cruzei com a Neuza e disse pra ela:

- Acho que tô delirando.
Pelas minhas contas e se eu estiver certo, posso estar em 3º lugar.

Ainda me sentindo bem, acelerei mais um pouco no final (não sem antes travar amizade com uma palmeira, na qual fiz alongamento, a cada volta).

A cada posto de hidratação, agradecia e zoava os staffs, perguntando se tinha uma breja, uma caipirinha que fosse. kkk

Meu pé bobo ficou esperto.

Cheguei e a Neuzita, mais uma vez, fez um vídeo chegando junto.


Resultado
Fui fazer massagem, comer o que entrava etc. e tal.

Fui retirar minha bike e surge a Neuzita, botando pilha, dizendo pra correr porque já estavam fazendo a premiação e eu havia pegado um lugar no pódio!

Não me lembro de ter saído tão rápido de uma transição, com meus materiais.


Se fosse ainda falar detalhadamente sobre tudo o que passei, vivi, presenciei, etc., o post viraria um livro.

Só termino dizendo: Fé e determinação.

Nunca imaginaria ter feito uma prova como essa (para quem não sabe, ganhei essa prova em 2017), depois de ter passado tudo que passei.


Congratulations for all !


3AV
Marco Cyrino