terça-feira, 10 de abril de 2018

Boas almas


Talvez esta postagem não devesse ser necessária.
Vou fazê-la por ainda acreditar no serumanu, ôps... ser humano... ou Ser Humano.

Existem sutis diferenças entre esses 3 espécimes...
De trás pra frente, o Ser Humano é o ser da espécie humana que pode ter, e tem, muitos defeitos e algumas qualidades.
A maioria. Eu devo estar nessa categoria.

O "ser humano" é um estado de espírito. É a gente tentar melhorar, evoluir. Enfim, é tentar ser um Ser Humano melhor.

E o "serumanu" que, na verdade, não é p.... nenhuma, é apenas um erro... kkkk

Pelo menos essa é minha opinião.
Acho que escrevi desnecessariamente, pois o que escrevo aqui é sempre "minha opinião".

Só que vivemos escrevendo sobre os piores defeitos do Ser Humano e acabamos esquecendo que ainda existem as qualidades.

Esse tema num Blog de Triathlon?

Sim!!!

Porque aqui já fiz inúmeras postagens sobre coisas que, aparentemente, nada têm a ver com nosso esporte. Só que, mais à frente, a gente consegue enxergar a conexão.

Hoje, 09/04/2018, aconteceram dois fatos que mostram o quanto ainda existem pessoas de bom coração.


Um deles foi com minha irmã.
Não carece de me aprofundar... Ela teve um tremendo perrengue com caixa eletrônico e, do nada, surgiu um Ser Humano dos bão, pra dar uma força pra ela. Depois, ainda apareceu outro "anjo" da instituição financeira, pra resolver o problema.
Enfim, problema resolvido. Não sem antes causar um stress do cacete.


Agora, o evento que tem a ver com o esporte.

Hoje, depois de um período bem grande de recuperação, mas já fazendo uns treinos mais longos, visando ao mundial do Challenge, que irá ocorrer em 03 de junho na Eslováquia, saí para fazer uma corrida de 20 km.

E me preparei bem preparado. Cinto de hidratação, daqueles em que a gente pode levar uma garrafa térmica de 750 ml de água, 2 sachês de gel, 1 cápsula de sal, 3 cápsulas de BCAA, dinheiro pro refil de água, noite bem dormida, aliás, muito dormida, uma colher de mel antes de sair, etc. e tal.

Para um treino de aproximadamente 2 horas, dentro do prescrito, evidentemente iria utilizar bem mais que os 750 ml de água que levei na caramanhola. Daí a necessidade, ou não, de levar um dinheirinho pra comprar água gelada. Dependendo do percurso nem uso. Se for pela orla da praia de Santos, muitas vezes acabo enchendo a caramanhola com água das duchas. Mas, indo para São Vicente, como fui, não existe esse recurso.

Daí, saí de casa e dei 5 voltas da pista de corrida do Emissário (650 m cada volta), fui até a Ilha Porchat, entrei pelo Gonzaguinha, fui até a Ponte Pênsil, passei por ela e fui até a Rua Japão, retornei no final dela, km 11,  e... cabô a água.

Beleza... dentro do programado... Na volta, na fila da Ponte Pênsil, pego uma bem gelada pra completar o treino.

Cheguei lá no km 12 do treino.

O ambulante, que havia me cumprimentado ao passar na ida, estava lá.

- Tem água bem gelada?
- Ôpa... tá na mão!

Procura daqui, procura dalí... cadê a p.... do dinheiro ???

- Irmão, esquece... acho que esqueci o dinheiro em casa.
- Num esquenta... tu já tá quente... kkk... pega aqui... quando tu me encontrar tu paga.
- Precisa não.
- Ah... precisa sim... pega essa água e faz teu treino... pena que não posso correr, porque tenho problema nos joelhos.

Nem discuti. Se não fosse essa água, faria os 8 km restantes andando.

Tomei o outro gel, bebi uns 200 ml de água e... terminei o treino.

Passei por ele, que já estava vendendo seus produtos mais à frente, na fila da Ponte, e só bati no ombro dele dizendo:

- Irmão, que Deus te abençoe!

Ele deu um sorrisão que está na minha mente até agora.

Gente fina é outra coisa... se é que me entendem!

A continuação desta história, que ainda não aconteceu, mas, se Deus, Nosso Pai Oxalá quiser, ainda vai acontecer, só a mim importa.

Moral da história?

Cada um faça a sua moral.

A minha sei que irei fazer.

Esporte tem tudo a ver com nossa vida... e nossa vida tem tudo a ver com esporte.


Aloha e bons treinos!

3AV
Marco Cyrino


terça-feira, 3 de abril de 2018

Treinos, acidentes, vida e morte no Triathlon


Esta postagem, juro, gostaria de nunca ter motivos para fazê-la.

É praticamente uma compilação de várias postagens que fiz em redes sociais, muitas delas particularmente, outras em grupos restritos, de praticantes do Triathlon e de amigos desse grande cara que se foi recentemente, o Chiquinho.

Claro que o motivo principal deste é o acidente que nos privou da convivência em vida dele.

Poderia me estender por vários parágrafos, escrevendo sobre as qualidades dele.
Vou me abster disso, até porque penso que falaram já tudo de bem a respeito dele.

Só quero que este post sirva para que todos nós, praticantes de esportes, mas principalmente de Triathlon, possamos fazer algumas reflexões.

Eu nem era tão próximo dele. Éramos, digamos, colegas do esporte.
Mas, o pouco que nos encontrávamos, o relacionamento foi intenso, como na última vez em que o vi.
Na transição, antes da prova do Internacional de Santos, como sempre, nos desejamos boa prova e nos demos um abraço como se fosse o último.
E não é que foi?
Phoda elevada a 10ª potência!!!

No dia do seu acidente, voltei pra casa, depois de um treino de corrida, já à tarde, e entrei no Facebook para passar o feedback do treino para o Silvão, meu treinador.
Dei de cara com uma postagem do Denis Potenza, relatando o ocorrido.

Porrada na cara!

Passei isso no "Messenger" do Silvão e nem consegui passar o feedback do treino.
Fiquei arrasado por aqui, o resto do dia.

Pouco depois, o Silvão me procurou para saber a respeito.
Não conseguíamos pronunciar mais do que 2 ou 3 palavras sem conter o choro.

Muito triste.

Fiz um compartilhamento a respeito, no grupo Ironman Brasil, no Facebook.
Entre vários comentários, o Marlus, administrador do grupo, se solidarizou com o ocorrido e postou um link de outro acidente acontecido, desta vez em Uberlândia, com um ciclista profissional.
Até onde acompanhei, ele estava em estado grave e internado.

Não acompanhei mais e desejo que ele já tenha se recuperado ou esteja se recuperando.


O que uma coisa tem a ver com a outra...

Fiquei, evidentemente comovido com o link do Marlus.
Mas, nem um centésimo de como fiquei com o do Chiquinho.
Humano que sou, a gente prioriza nossos sentimentos para os mais próximos.
Parece que o acidente de Uberlândia está longe o suficiente para que não tenhamos nada a ver com isso.
Engano.

Acidentes acontecem e acontecerão. A mais pura e cruel das verdades.

Pelo que eu soube, e não sei se é verdade, o acidente do Chiquinho foi exatamente como o meu primeiro, há uns 10 anos ou mais.
Eu dei a sorte de "avuar" pro acostamento.
Ele deu o azar (ou sorte, vai saber, dependendo da crença de cada um) de "avuar" pra pista... e foi atropelado.

O motorista, desta vez pelo menos, me parece não ter tido culpa.

Posso até falar que nós, que pedalamos pelas estradas, e dirigimos também, podemos ser mais precavidos ao nos aproximar de alguém (ou muitos) pedalando pelo acostamento, já prevendo um eventual acidente. De minha parte, tiro o pé, me afasto, passo o mais precavido possível.

Coitado do motorista, se não teve culpa, vai levar esse peso para o resto da vida.

Já perdi amigo, aí amigo mesmo, nadando, o Edmilson Scrassulo. E pedalando, o Clarindo. E até correndo... por enfarto.

Cada evento desses me deixa muito, mas muito pra baixo.
Só que, a vida segue.

Já pensei, e até falei várias vezes, que penso em abandonar o Triathlon.
A cada acidente de pedal nas estradas, fatal ou não, esse pensamento fica recorrente em minha cabeça.

Normalmente preciso de um certo tempo para ir digerindo, pensando a respeito, e, nesse período, não me verão pedalando nas estradas.
Cagão?
Com extremo orgulho, sou sim.
Replicando Leandro Karnal: A gente envelhece e sai de guarda-chuvas na rua, mesmo debaixo de sol.

Neste final de semana, tinha um treino meio longão de bike e, em acordo com o Silvão, o fiz no rolo.

Mas, nada como o tempo, a gente vai novamente voltando ao normal.
Que normal é esse? Sei lá.

O normal é a gente saber que todos nós vamos passar por aqui e cada um no seu tempo.

Portanto, não adianta eu ficar enclausurado, "sentado no trono de um apartamento, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar".
Toca Raul... kkkkk

É encarar a vida como ela é, tomando todos os cuidados possíveis, sem, contudo, criticar quem não os toma.

Se conselho fosse realmente bom, não se dava... se vendia!
Mas me arrisco a dar.

Chiquinho, Edmilson, Clarindo, atletas que já se foram: PRESENTE !


3AV
Marco Cyrino



sábado, 10 de março de 2018

Triathlon Internacional de Santos - fev.2018 - Fotos

Este é o relato fotográfico da prova.
Algumas partes não foram fotografadas (chegada na prova e confraternização com atletas na transição), porque a fotógrafa oficial, Neuzita, estava a caminho, ou não conseguiu estar no percurso todo de ciclismo e corrida... kkk.

(Clique em qualquer imagem para ver em tamanho original e/ou slide show. Use Esc para retornar ao post)

1-Chegou chegando e já tirando nossa foto na praia. 

2-To rindo de quê... 

3-Cabral e eu, discutindo as condições do mar. 

4-Nesse momento, já havia pegado o jacaré e a calcanhada no peito. 

5-Entrando atrasado para a largada, como quase sempre. 

6-Bando de loucos... nada a ver com a torcida do Timão... tô por ai... 

7-Saindo do mar, já sem a roupa de borracha. 

8-Chegando do pedal. 

9-Na transição, com as bikes de quem já estava na frente. 

10-A correria de sempre. 

11-Bóra, que ainda faltam 10 km. 

12-Completando os primeiros 5 km. 

13-Chegando... finalmente.

14-Aluguei essa massagista, achando que era contratura nas costas... Silvão já havia me ajudado antes. 

15-Mal saí da massagem e ganhei meu primeiro troféu, uma breja geladíssima, para hidratar. 

16-Quem me premiou foi o Marcio Santana, camarada e corredor... ganhou a categoria Revezamento, com o Claudio Miler e Selofite. 

17-Com a Neuza, fotógrafa pro... vejam o naipe da câmera... e vejam o meu sorriso forçado... dores... kkk 

18-Esse e gigante... orgulho de ser treinado por ele. Grande Silvão. 

19-Com Silvão e Cleomar... um digníssimo 6º lugar na categoria anterior (55-59), com um ótimo tempo. 

20-E noix... 

21-E, pra minha surpresa, saiu o pódio, no lugar mais alto... e só com feras... gratidão! 

22-Abraço comunitário com os pingüins (troféu). 

23-Pequeno vídeo da reta de chegada, antes do areião.

24-E como se não bastasse, mais uma surpresa... fui agraciado com a visita, na prova, de meu pai e mãe espirituais, Pedro e Enelisa. 

25-Além de meu padrinho espiritual JP (João Paulo) e sua digníssima Roberta... 

26-Além da amicíssima Sol... ficamos na praia até quase o entardecer... 

27-Enquanto curtíamos a praia, constatamos a loucura que é desmontar a estrutura... 

28-E dá pra imaginar um pouco do que é criar e montar essa estrutura... 

29-Não é para os fracos... 

30-Tampouco para os que só reclamam... 

31-E apenas para aqueles que se propõem a fazer... 

32-Já no final de tarde... mas isso não deve custar nada... de minha parte só aplausos. 

33-Lugar de pingüins é em cima do Frigobar... 

34-Ops... na geladeira é melhor... kkkk 


Aloha!

3AV
Marco Cyrino


quarta-feira, 7 de março de 2018

Insano Tri Series - Circuito 2018


Fiz o Insano em Guaratuba, em setembro de 2017.
Prova super organizada.
Fiquei em um Hotel Top e as diárias foram muito honestas.
Pena não ter tido tempo de aproveitar mais dias no Hotel.

A prova é feita, na minha opinião, por pessoas que amam o esporte, em especial o Triathlon.
Vale muito a pena!

Faço esta divulgação por absoluta vontade de colaborar com a comunidade do esporte.

Leiam atentamente os banners abaixo e acessem o link fornecido.

Abraços e bons treinos e provas.

Aloha !

3AV
Marco Cyrino






Podemos fazer o traslado gratuito Aeroporto/Guaratuba/Aeroporto, conforme o numero de pessoas.


Para verificar o regulamento completo e outras informações: www.insanosports.com.br


terça-feira, 6 de março de 2018

Triathlon Internacional de Santos - fev.2018 - Relato de Prova


Demorô... mas, foi por uma causa justa.
Um merecido descanso no Litoral Norte, com meus mentores espirituais.

Não sei se vou lembrar de tudo, mas vou relatar o que vier à mente.

Quando a gente tem um bom resultado, parece que tudo foi perfeito.
Organização, performance, estrutura, clima, equipamentos, etc.
Então, foi até bom passar este período para fazer o post.
Assim, pude refletir bastante a respeito de tudo que envolveu a prova e constatar que, excetuando alguns comentários que li sobre vácuo, realmente foi tudo excelente.


Organização
A organização, de minha parte, merece uma nota 9,9 de média, sendo 10 na maior parte dos quesitos.
Faltaram "brindes" no kit.
E ???
Alguém aí faz Triathlon pra ganhar brindes?
Penso que não, embora sejam sempre bem-vindos.
Mas... cadê os patrocinadores ?
Megaempresas que faturam muito com seus materiais de natação, ciclismo, corrida, suplementos... bando de chupins que só querem lucro, sem investir em eventos desse porte.

Bom... xápralá. Não é esse o foco deste post.


Vamos à prova...

Cheguei suficientemente cedo para sentir toda a vibe da prova e confraternizar com atletas de todas as gerações, fossem amadores (a maioria) ou profissionais.

Só esse clima já dá ânimo suficiente para fazer uma boa prova.

As últimas provas estão sendo ótimas, no meu caso, por estar estreando na categoria MMV (Muito, muito velho....60-64)....kkkk

Apenas uma consideração a respeito...
Nessa fase de nossa vida, existe uma diferença absurda entre quem está entrando na categoria e quem está saindo.
É mais ou menos como nas faixas etárias de 5 a 9 anos, 10 a 14 anos, ou 15 a 19 anos.
Uma diferença de praticamente 5 anos, nessas faixas etárias, é muito grande. Saibam disso!


Preparativos
Cheguei, baixei, saravei... arrumei tudo dentro do programado.
Minha transição estava bem perto da saída para o pedal.
Deixei minhas sapatilhas de ciclismo fora da bike.
Prefiro correr um pequeno percurso calçado com elas (que dificultam muito a corrida) a perder um tempo pedalando e as calçando e fechando.
Caso minha transição estivesse longe da saída para a bike, faria o contrário. Fica a dica.

Fui para a praia dar uma aquecida, já vestido com a roupa de borracha até a cintura.
07:00h AM... o sol estava um maçarico.
Esperei um pouco até a Neuza chegar.
Ela chegou, baixou e saravou... rsrsrs

Deixei meu carbo pré-prova com ela (mel e água) e fui me alongar e aquecer no mar.

Olhei as bóias já colocadas e vi que a natação seria longa.
Depois da prova, vi gente falando que tinha mais de 1600 m.
Também vi gente falando que não tinha os 1500 m.
Atleta reclama de tudo.
Na minha percepção, tinha 1550 m... kkkk

Trombada
Saí do aquecimento e tomei uma porrada no peito...
Culpa minha...
Ao sair, vinha um pequeno "quebra-côco" e resolvi pegar um "jacaré".
Me dei mal... não olhei pra frente e "atropelei" uma atleta que vinha entrando e só teve a alternativa de mergulhar e passar por baixo de mim.
Resultado: Tomei uma pesada (calcanhada) no meio do peito, que me deixou meio sem ar. Fiquei um tempo ainda parado dentro do mar, esperando a dor passar.


Largada & Natação
Larguei um pouco atrás do que pretendia, pois me atrasei para entrar na área da largada.

Nadei bem relaxado. Acho que foi relaxado até demais da conta.
Mas penso que fiz o correto.
Comecei a nadar entre os últimos e saí da natação depois de ter ultrapassado muitos atletas.
Do meio para o final, fiquei espantado com o ritmo que coloquei.
Nada muito forte... mas, a cada, digamos, 100 m, ultrapassava muitos atletas que largaram forte.
Mas também fui "atropelado" pelos atletas fortes que largaram depois.

Saí do mar já sem a roupa de borracha (fica aí outra dica), que tirei ainda dentro d'água, para poder correr livre até a transição.
Só nessa corrida, sem a roupa de borracha, ultrapassei uns 10 atletas (sei lá de quais categorias).

Fiz a transição bem rápida. Havia deixado um saco plástico amarrado na placa de identificação das bikes, o que facilitou minha transição. Mais uma dica.


Ciclismo
O pedal foi simplesmente ótimo.

Pedalei forte, mas me poupando o necessário para a corrida.

O total do ciclismo, contando as duas transições, deu 1h11m22s.

No meu Cateye (ainda uso, pois declinei do Garmin na bike), a média deu 34 km/h e mais um pouco. Um pedal muito forte para mim. Mas, o percurso ajuda muito.

Ah! Antes que alguém fale, minha largada sendo a primeira, sem chances de pegar vácuo, até mesmo porque os que saíram na frente já se evadiram e os que saíram depois não me pegaram.
Já perto do final do ciclismo, alguns pelotões me alcançaram... e mantive a necessária distância deles.

Cheguei do pedal bastante inteiro, embora as pernas sempre reclamem para correr.

Pelas bikes presentes na transição, acho que estava em 3º ou 4º lugar.
Não tinha certeza.
Queria muito pegar um troféu, mas, como sempre, penso em terminar um Triathlon estando bem de saúde e dentro dos meus limites.

Havia passado o Cabral no pedal, mas não imaginava a diferença que havia colocado nele... sabedor que ele nada e corre muito melhor que eu.

Imaginava que o Saldanha e o Lobo estavam bem na frente, visto que ambos nadam e pedalam muito bem.


Corrida
Saí para correr, sem saber a performance dos demais atletas, visto que não os conhecia muito. Talvez houvesse uns muito próximos, ou não.

Fui para tentar fazer o meu melhor.

No Internacional, só temos duas oportunidades de ver quem está na frente ou atrás. Nos dois retornos, um no Canal 1 e o outro na Ponta da Praia, perto do Museu de Pesca.

Chegando perto do Canal 1, vi o Saldanha passar bem à minha frente. Logo depois passou o Lobo.
Ao fazer o contorno, pouquíssimo tempo depois, o Cabral já vinha correndo forte.

Pensei:
""Vixi... Saldanha e Lobo na frente... talvez haja um ou dois atletas também na frente... e o Cabral vai me engolir fácil...
Beleza... 5º ou 6º lugar nessa prova, tá ótimo!!!
Se é que não vai vir mais um véio corredor, pra me passar... kkkkk""

Não deu outra. Cabral chegou, chegando... passou por mim com aquele jeito peculiar dele de correr... e o cara corre muuuito!

Resolvi não mudar minha estratégia, que era de corre forte, mas precavido... sei o que é quebrar...

Dalí a pouco, cheguei no Lobo:
- E aí Sergião ? Tá bem ?
- Ô se tou... tô treinando pro Iron.
- Ah, tá!

Bom... acho que vou pegar um pódio...

Mais à frente, o Saldanha, se virando com as dores no joelho.
Considero esse cara um verdadeiro herói.
Ele sabe disso.
Não é para os normais correr com os problemas crônicos que ele tem nos joelhos.

Para minha surpresa, um pouco mais à frente, já nos ¾ da corrida, vejo o Cabral caminhando. Voltou a correr... voltou a andar... cheguei nele e perguntei se estava bem.
- Quebrei, Marcão... vai lá!
- Quer uma cápsula de sal, um gel, alguma coisa?
- Tu tens uma cápsula de sal?
- Pega aqui, no bolso do meu macacão.
- Valeu, Marcão.

Não sei quanto aos demais atletas, mas para mim, esse é o espírito do Triathlon.
Orgulho nenhum de ajudar um concorrente, mesmo porque já fui ajudado por muitos.

Bom... passei o Cabral e aí já achava que praticamente tinha garantido um 2º ou 3º lugar no pódio.

A dor...
Do meio da corrida para o final, comecei a sentir uma dor insuportável nas costas. Na chamada "asa". Lembrei da porrada que tomei no aquecimento... lembre da hora em que me virei na bike, clipado, para ultrapassar alguém e ver se não vinha outro atleta pela esquerda, enfim...

Acho que corri o último km com o braço esquerdo pendurado, sacolejando, para aliviar um pouco a dor, que imaginei ser uma contratura.


Chegada
Entrei no funil da chegada, saindo da avenida da praia para areia, com um largo sorriso na cara, sabendo que tinha feito uma ótima prova, melhor do que esperava, principalmente por ser uma prova veloz e não ser meu foco para este ano.

Antes de entrar no funil, comemorei com vários amigos, colegas, conhecidos, que me incentivavam.

Passei pelo pórtico de chegada muito feliz e quase chorando de dor.

Nem consegui pegar frutas, isotônico, água etc., tão forte era a dor nas costas.

Fui direto procurar a Neuza. Encontrei-a. Pedi para ir comigo à Tenda de massagens.
Muitos atletas ali na fila.
Pensei em desistir, mas a Neuza disse que iria guardar o meu lugar.
Logo chegou o Silvão. Me deu uma bela alongada, entre outros procedimentos, que me aliviaram um pouco a dor.
Tomei uma ducha e voltei para a fila da massagem.

Nisso vem a Neuza me dizer que GANHEI A BAGAÇA !!!

Felicidade enorme.

E a dor ?

Essa ainda estou tentando entender o que realmente houve.

Logo mais, farei um post... assim que tiver certeza.


Finalizando
Pra finalizar, tive o privilégio de ficar na praia até o entardecer, com meus pais e irmãos de fé, e ainda constatar o desmonte da estrutura da prova.
É punk viu ?
Quem critica que faça melhor.

Grato a todos que torceram e torcem por mim. Eu, particularmente, torço por todos.
Neuza, Alfredo, Zé Roberto, Fátima, Jussara, Lindete, Junior, Silvão e todas as famílias dos mencionados.
Atef, Lucas, Avelino, Lobão, Lobo, Saldanha, Cabral e todos os amigos e suas famílias.
Meus pais e irmãos de fé e suas famílias.

Meu muitíssimo obrigado.

E principalmente aos meus Orixás e ao Nosso Pai Oxalá, o meu mais profundo agradecimento!
Não pelos resultados, porque --- ao contrário de quem faz um gol e fica erguendo os dedos para o céu, dizendo que é o "escolhido" --- eu agradeço apenas pela saúde, pela segurança e pela proteção.

Todo o resto é mérito do que fazemos.


Aloha !

3AV
Marco Cyrino