sábado, 6 de maio de 2023

Não é sobre chegar em primeiro ou em último.


Se existe uma coisa que o esporte me ensinou, é sobre o título desta postagem.
 
É sobre o que a gente aprende com ele, o esporte, seja qual for, quando a gente ama aquilo que faz.
 
Levaremos lições para todos os aspectos de nossas vidas.
 
Não parar, ser perseverante, resiliente, enfim...
Mesmo com todos os percalços que, com certeza acontecerão durante a caminhada no esporte que escolhermos.
 
Embora tenha sido surfista e “jogador de futebol”, meus melhores resultados foram no Triathlon, tema central deste Blog.
 
Já disse isto mil vezes, mas, como Blog é meu (kkkk), me dou o direito de repetir mais mil vezes.
 
Meu esporte do coração sempre foi e será o Surf, embora não o esteja praticando nos últimos tempos.
 
Meu esporte de “talento” (e de coração também) sempre foi e será o futebol.
 
Não tive sucesso por motivos pessoais, dos quais não me arrependo.
Quem sabe, se houvesse alcançado sucesso neste esporte, teria obtido muito menos aprendizados, tão novo que ainda eu era.
Deus sempre escreve certo.
E nem sempre por linhas tortas.
 
E o Triathlon, por sua vez, me ensinou muito.
 
E um dos aprendizados valiosos foi este:
 
Nem sempre quem chega em primeiro é o melhor.
Nem sempre quem chega em último é o pior.
E quem chega, em quaisquer circunstâncias, é um vencedor.
 
Chegando quase em último, mas chegando.
 

Para minha surpresa, chegando em primeiro.
 

 
Sem desmerecer as provas curtas (Shorts), médias (Olímpicas), longas (distância “Meio-Iron”) e outras, as provas de Ironman Full nos dão este aprendizado.
 
Claro que existem outras ainda mais exigentes, como Ultraman.
Mas, para você chegar ao Ultra, provavelmente deve ter passado pelo IronMan, que lhe deu o alicerce para fazer o Ultra.
Eu disse provavelmente.
 
Conheço alguns atletas que se envolveram com o Triathlon apenas para provar para eles mesmos que seriam capazes de concluir um IronMan, sem nunca antes terem feito qualquer outra distância nesse esporte.
 
Não os recrimino.
 
Só fico triste pelo fato de que, em sua maioria, não tiveram tempo de pegar amor por este esporte.
 
Passaram logo de cara pelo grande desafio da preparação e, provavelmente, o abandonaram em seguida.
 
Mas, ainda assim, com certeza, tiraram lições para as suas vidas.
 
 
Meu modo de pensar é resultado deste histórico resumido
 
Quando iniciei no Triathlon, foi por um grande perrengue físico. Uma lesão no tendão de Aquiles, da qual me “curei” sem operar, mas que me impediu de voltar a jogar futebol e até mesmo de surfar, por mais de um ano e meio.
 
Daí, meio sem ter o que fazer, passei a nadar em uma academia, coisa que não fazia antes porque achava que me virava bem no mar, após os caldos nas sessões de Surf.
 
Depois fui convidado por grandes amigos a fazer apenas um Biathlon.
Coisa de 500 m de natação + 3 km de corrida “linear”, sem precisar dar os piques e giros das corridas do futebol.
Fiquei inseguro, mas fui.
Afinal, o que poderia acontecer a não ser eu me sentir constrangido por não estar competitivo?
Aconteceu que cheguei entre os últimos, claro.
Mas cheguei.
 
Esse foi o start para que eu pudesse entender que não venci a prova, mas sim venci a mim mesmo.
 
E depois vieram tantas experiências, como no meu primeiro Triathlon Short, fazendo o percurso de pedal com uma "bike de rua".
Correndo descalço (isso é outro assunto).
E acumulando aprendizados.
 
Depois, vieram os Triathlons Olímpicos, onde, em minha primeira tentativa, fui campeão por acaso (outro assunto).
 
Depois de muitos Olímpicos, vieram as provas Long Distance, onde aprendi que nada é possível sem uma enorme dedicação.
 
E depois... vieram as provas de IronMan.
 
Trabalhar em expediente normal, treinar, cuidar de suas coisas pessoais, treinar, descansar (?), treinar, se alimentar, treinar, se hidratar, treinar, tomar capote de bike, treinar, se curar do capote, treinar, chorar, treinar, se sentir incapaz de realizar, treinar, não ter equipamentos certos, treinar, perder minha mãezinha (já tinha perdido meu pai há anos), treinar, me machucar novamente, me curar novamente e... desistir.
 
Foi o que eu pensei em fazer: desistir.
 
Afinal, para que e por que eu estaria fazendo aquilo?
 
Só que “aquilo” foi me ensinando tanta determinação e resiliência, que decidi levar tal aprendizado para a minha vida.
 
Depois disso tive muito sucesso.
 
Não vou encher o saquinho de ninguém colocando meus resultados no TB de Triathlon, em Pirassununga, no Internacional de Santos, no Insano de Guaratuba, nos Challenge, no Mundial do Challenge na Eslováquia, enfim...
Mas enfatizo que tudo foi resultado do meu aprendizado.
 
 
Hoje, quando penso em desistir de algo que vá me dar muito trabalho (e garanto que tenho, Graças a Deus, muitas coisas que me ocupam e me dão muito trabalho), lembro disso tudo e me sinto orgulhoso em dizer que, sim, vale a pena.
 
Sem me importar se vou atingir as metas em primeiro ou em último lugar, o esporte me ensinou que, sim, vou concluí-las, mesmo que com dor.
 
Afinal, a dor faz parte deste esporte maravilhoso que é viver a vida.
 
 
3AV
Marco Cyrino
 
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