domingo, 8 de setembro de 2019

Você é um submarino, um caiaque, ou um catamarã?




Neste post, não pretendo "fazer clínica", ou ensinar técnicas específicas, para o que existem os especialistas muitíssimo capacitados.

Apenas, baseado em minha longa experiência de acertos e desacertos em natação, e também na enorme quantidade de matérias que já li sobre o tema, durante esta minha jornada atlética, quero apresentar algumas sugestões sobre um aspecto que considero ainda pouco abordado:


Como a respiração afeta a flutuabilidade e como ambas afetam o desempenho?


A meu ver, cuidando mais da respiração, é possível melhorar o conforto, a confiança e o desempenho na água.

A gente acaba subestimando e negligenciando algumas das coisas mais básicas da vida.
A respiração é uma delas.

Como o nosso sistema respiratório funciona no "automático", só nos importamos com a respiração quando ficamos ofegantes devido a algum esforço físico.

Quando o assunto é natação, mais do que em qualquer outra atividade, passamos a enxergar a necessidade de estarmos atentos à respiração.
Caso contrário, o esforço aumenta, a velocidade e a eficiência caem, e começam os problemas de sincronização com os movimentos do corpo.

Vou tentar dar algumas sugestões para que você pratique a respiração de forma mais adequada, ao nadar em competições, principalmente em águas abertas.

Com relação à respiração em treinos, comentarei mais à frente (***).


Respiração confortável

A primeira coisa a fazer é tomar consciência de sua respiração.

Antes de cair na água, mentalize e exerça a inspiração e a expiração de forma a tomar consciência delas e torná-las confortáveis, naturais e relaxadas.

Normalmente, acabamos respirando pesadamente.
Inalamos muito ar quando tiramos parte do rosto da água para inspirar.
E expelimos muito ar quando o nosso rosto aponta para o fundo.

Na inspiração, tente usar algo próximo da metade de sua capacidade pulmonar. Afinal é mais ou menos assim que respiramos confortavelmente.

Dessa forma, você não irá criar um excesso de flutuação (ao encher excessivamente os pulmões), o que acarretaria um tórax mais na superfície, em relação ao resto do corpo.

E, na expiração,  não esvazie completamente os pulmões, para não causar o problema contrário, ou seja, uma baixa flutuação para todo o seu corpo.


Freqüência da respiração

Por que prender a respiração enquanto nadamos, se não a prendemos quando corremos ou pedalamos?

Se formos nadar 3x1, 4x1 e daí por diante, estaremos prendendo a respiração por algumas braçadas, o que nos levará a encher muito os pulmões quando formos inspirar.

E daí virá o efeito mencionado no tópico anterior.

Além disso, criaremos uma urgência para próxima inspiração, acarretando problemas posturais.

Respirando 2x1, você terá aproximadamente 1 segundo para cada fase da respiração, tornando-a mais confortável e com um nível de fornecimento de oxigênio adequado para o corpo.


Sincronismo

Quando inspiramos atrasados, todos os movimentos seguintes à inspiração se atrasarão também.

Tente sincronizar a sua inspiração com o final da extensão do braço oposto ao lado em que está respirando.

Supondo que você inspire pelo lado esquerdo, quando esticar o braço direito para o início da "puxada" será o momento ideal para iniciar a inspirada.

Quando o braço esquerdo for esticado para a outra "puxada", você estará com o rosto submerso e pronto para expirar.

E assim sucessivamente.


Treinos (***)

Quando o seu treinador mandar fazer treinos com respiração 3x1, 4x1, 5x1 ou mais, não discuta.
Ele sabe o que está fazendo.

O objetivo provavelmente é o de aumentar a sua capacidade pulmonar.

Vale também para que o atleta não fique "bitolado" em respirar apenas por um lado, uma vez que, nas provas em águas abertas, é importante sabermos respirar bem por ambos os lados.


Respiração bilateral

Embora meus conselhos sejam na direção da respiração unilateral 2x1, eu pratico respiração bilateral nas provas.

Mas não 3x1 ou 5x1, claro!

É tipo 3 por 10.

De acordo com o ritmo da prova, pratico um certo número de braçadas inspirando por um dos lados e, após inverter, através uma única respiração 3x1, dou o mesmo número de braçadas para o outro lado, antes de novamente inverter o lado da inspiração.

Isso me ajuda na navegação, uma vez que, fora das piscinas, não temos uma raia desenhada no fundo, para nos guiar.

Ao nadarmos inspirando apenas por um lado, há uma tendência de irmos fazendo uma curva para esse lado, tirando-nos do trajeto adequado.
Já vi atletas quase voltando para a praia. kkk.

Assim, quando vou inverter a respiração, naquele breve 3x1, aproveito para dar aquela olhada na direção da bóia, para confirmar o rumo da minha navegação.


Acho que era isso.


Professores, coaches, técnicos e demais especialistas...

Sintam-se à vontade para criticar, sugerir, aperfeiçoar esta postagem.

Como disse na introdução, o texto é baseado apenas em observações feitas durante a minha experiência como atleta.


Keep swimming!

3AV
Marco Cyrino