sábado, 10 de dezembro de 2016

Challenge-Floripa e as forças da Natureza

Semana estranha.
Já minha inscrição para o evento foi estranha.
Nada a ver com a organização. Apenas comigo mesmo.

Climas estranhos
O clima em Jurerê, quando chegamos quinta-feira à tarde, estava estranho.
E não estou falando do clima relacionado a chuva, frio, calor, etc.
Estou me referindo ao clima das pessoas.

Foram 6 Ironmans, o evento embrião do Challenge (Tri Dash), o primeiro Challenge e...
As pessoas, locais, atletas, acompanhantes, staffs, organizadores, enfim... o local estava como sempre... mas, o clima.... ah... o clima não era o mesmo.
Sequer na ótima Pousada dos Chás, onde nos encontramos com o brother Fernando Rocha, Izabel e família.

Saí para dar uma corridinha apenas para movimentar o corpo e colocar a carcaça em estado de alerta.
Passei por muitos atletas correndo, pedalando, confraternizando, mas... o clima...

Abreviando um pouco, tomamos o chá/jantar na Pousada, arrumamos as coisas, saímos para comprar algumas coisas básicas, comemos alguma coisa e voltamos para descansar.

Dia seguinte, pegar kit, ver a feira, checar tudo. Bom... rotina pré-prova.

Com o passar do tempo, continuava me sentindo incomodado com o clima. Agora com OS CLIMAS. Tanto o clima das pessoas quanto o do tempo em si.

Desde a nossa saída de Santos, eu acompanhava as previsões do tempo e não eram das melhores. Tampouco das piores. Na sexta-feira nem verifiquei.

Já, no sábado, fucei em todos os sites de previsão de tempo e uns não se entendiam com os outros.
A pior previsão foi da Climatempo, que colocou alerta laranja com ventos de aproximadamente 80 km/h.
Uns diziam que seria suça.


Evidente que um dos motivos do "baixo astral" foi o absurdo acidente (nem vou me manifestar a respeito) com o vôo da Chapecoense.

Na sexta e no sábado, até quando houve energia elétrica, todas as mídias eram totalmente focadas nisso. E, pelamordeDeus... nada contra... estavam cumprindo sua obrigação. Mas, que é massacrante... é.

Para completar o clima, ainda houve, na madrugada da cobertura jornalística da tragédia, a tramitação no congresso nacional (com letras minúsculas mesmo) de verdadeiras formações de quadrilhas, em total desrespeito à sociedade, em todos os sentidos.


Forças da Natureza, estragos, cancelamento
Como costumo fazer em vésperas de provas, não foquei muito nesses assuntos.
Caso contrário, acabo fazendo merda na prova.
Mas, como diz o ditado, o que já não está bom pode piorar.
O tempo não melhorava, ao contrário, piorava.
Chegamos com tempo encoberto e, aos poucos, chovia por períodos maiores.
E também ventava mais.

No sábado, o Fernando fez o "Sprint" e pegou um excelente 2º lugar.
Bom... foi o único que competiu... kkkk. Sendo que ele iria fazer o Half também.
Congratulations, man!

Sei que houve uma falha da organização ao fazer largada em ondas no Sprint, sendo que, uma categoria, a dele, largou em horários diferentes, afetando provavelmente o resultado. Mas, deixo para ele se manifestar, se quiser, já que não participei.

No sábado, também houve o Challenge Woman – corrida de 5 km prevista para as 17:30h.
Ainda bem que a Neuza não se inscreveu. Porque seria uma prova de natação, tanta era a chuva que caia. Parece que, inclusive, houve um adiamento na largada, de tanta água que caía.

Daí para frente, o tempo só piorou.
Uma chuva torrencial, com ventos aumentando de intensidade absurdamente.

Lá pelas 21:00h, houve a primeira queda de energia.
Já tentando dormir, nem liguei muito.
Pela madrugada afora acordei (se é que dormi) várias vezes com o vendaval e o aguaceiro.

Na hora de levantar, 03:45h da madruga, acabou a energia de vez.
Aí começou a odisséia.
Vamos.
Não vamos.

Descemos.
Comemos algo, arrumamos tudo e... nada de voltar a energia.
Celular, Internet, tudo fora do ar.

Bom... o resto acho que todo mundo já sabe. Caos total na cidade.
Primeiro, prova adiada. Depois, transformada em Duathlon e, por fim, cancelada.

Ficamos, Fernando, Vilela e Zezé, alguns atletas e eu, debaixo de uma tenda que milagrosamente não havia caído, aguardando o posicionamento da organização e olhando ao redor os estragos.

Absurdo. Nunca havia passado por situação semelhante. E olha que já passei por enchentes, vendavais, etc.
Banheiros químicos virados. Grades de aço vazadas derrubadas. Tendas rasgadas. Cadeiras e mesas viradas. Cones em locais improváveis. As capas de chuva das bikes... ah, essas estavam em copas de árvores, na praia e na Av. dos Búzios.

A organização informou que todas as bikes ficaram íntegras e de pé.
Sei que fizeram o melhor, mas.... impossível.
A minha está com um ralão de queda, no guidão.
Reclamação? Nenhuma.
SEI QUE FIZERAM O MELHOR. E imagino o que passaram.

Quando, finalmente, anunciaram o cancelamento, juro que fiquei eufórico.

Cagão, eu?
Sim. Já passei minha fase de herói. Podem e, provavelmente, vão aparecer alguns "corajosos", recriminando a decisão.
Talvez alguns que sequer tenham cumprido um treinamento adequado venham a postar algo como:

- Porra... treinei exaustivamente durante 3 meses e nunca estive tão bem preparado. Tinha que ter feito. Bando de cuzões.

Tomara que não. Pelo que vi, praticamente 100% dos Triathletas conscientes concordaram com a decisão.

Prejuízos para todos.


Rescaldos e compensação para os atletas
Agora, com relação à organização e às conseqüências da decisão...
Falei logo de cara para o Fernando, Vilela, alguns atletas e meu coach, Silvão:

- Sei dos imensos prejuízos que a organização teve. No lugar deles, eu decidiria algo como transferir gratuitamente a inscrição para qualquer evento do Challenge no Brasil, por 2 anos.

Isso porque a maioria dos Triathletas já tem um calendário para 2017 planejado.
No meu caso, já estou inscrito para o Iron de Floripa 2017. Logo, algumas outras opções ficam prejudicadas. Além disso, existem os compromissos pessoais já assumidos.

Aí... na terça-feira, recebi pelo zap mensagens sobre a decisão da organização:

""Mas somos uma família, a família do Triathlon, e queremos oferecer aos atletas que realizaram o bike check-in um desconto de 40% no valor do ingresso de APENAS UM dos eventos (incluindo taxa de conveniência) do CHALLENGE FAMILY no Brasil, à escolha do atleta, mediante demanda e número disponibilizados por evento. Este desconto será somente para o Half-Distance do CHALLENGE CERRADO, CHALLENGE MACEIÓ e CHALLENGE FLORIANÓPOLIS do ano de 2017. Fazemos isto em prol do atleta, em prol da nossa família, em prol do Triathlon.""

Juro que, embora entendendo todos os perrengues, fiquei irritadíssimo.

Logo depois recebi outro zap com o comunicado:

""Em data de ontem, 05/12, apoiados na regulamentação e teoria jurídica alemã do Challenge Family, orientador das regras internacionais para franquias, divulgamos comunicado em nosso mailing e na mídia especializa oficial do evento All Trinews, sobre a posição da organização do evento, oferecendo aos atletas inscritos na referida competição, desconto de 40% nas inscrições para as provas da franquia no Brasil em 2017.
Porém, após estudo e análise da situação, sob a luz da realidade brasileira, o Challenge Florianópolis, em uma atitude de respeito aos triatletas e visando o crescimento do Triathlon internacional, decide, EM SUBSTITUIÇÃO À PROVA DE 04/12/2016, CANCELADA, oferecer realocação dos atletas que realizaram o bike check-in, no dia 03/12, no Challenge Florianópolis 2016, das 13:00h até o encerramento do mesmo, nas provas de Triathlon a serem realizadas conforme calendário de 2017, de forma não cumulativa, da seguinte forma:

1. Isenção da taxa de inscrição em uma das etapas; ou
2. 40% de desconto em cada uma das três etapas do ano de 2017.""

Decisão muito sensata.
Parabéns à organização.


Talvez ainda faltem mais palavras para este post, mas já está longo o suficiente.


Algumas fotos do estado em que ficou o local.
















Algumas notícias sobre o que aconteceu na Ilha... e os piores estragos ocorreram no sul dela.





Informações sobre como proceder com relação às inscrições, condições e prazos, no FB do Challenge.




E por último, um vídeo com uma música que, a mim, me basta.




3AV
Marco Cyrino


sábado, 12 de novembro de 2016

Ponta da Praia - Parte III


Em 2012 publiquei minha teoria sobre o principal responsável pelo que vem acontecendo na Ponta da Praia e fiz um post complementar em 2013.

Recomendo fortemente a quem estiver realmente interessado e com disposição para entender, que visite e leia atentamente os posts:




Em resumo, apesar de não ser oceanógrafo, tampouco catedrático em matérias específicas relacionadas a esse fenômeno, me julgo com inteligência e experiência suficientes para pelo menos exercer o direito de opinar a respeito.

Inteligência...
Uma pequena definição obtida da Wikipédia: Inteligência tem sido definida popularmente e ao longo da história de muitas formas diferentes, tal como em termos da capacidade de alguém/algo para lógica, abstração, memorização, compreensão, autoconhecimento, comunicação, aprendizado, controle emocional, planejamento e resolução de problemas.
(Modéstia à parte, me considero um ser inteligente.)

Experiência...
Bom.... aí são mais de 50 anos em contato com estas praias, mar, areia e suas constantes modificações.
Atravessando o canal do porto a nado, mesmo sem saber nadar (pelo menos não tecnicamente) junto com meu irmão Alfredo (Editor deste Blog), depois aprendendo a surfar junto com a galera da época de Lequinho, Almir, Cisco e muitos outros.

Muitos anos depois, sempre continuando a surfar, voltei a praticar a natação mais voltada para o Biathlon e depois Triathlon, sendo que o local mais propício é justamente a Ponta da Praia.

Além disso, existe a parte futebolística.
Joguei bola em tudo que é lugar possível aqui na Baixada. Na rua (onde a cada jogo era um tampão de dedão que ia embora), nos campos de várzea que hoje são o BNH da Aparecida. Os campos de São Vicente, Morro da Nova Cintra, Jabaquara, Humaitá (era uma viagem), etc.
E joguei muito mais pelas praias de Santos. Todas.

E corridas ? Nunca parei para fazer contas, mas creio já ter corrido somente pelas areias das praias de Santos e São Vicente (entre a Ponta da Praia e a Ilha Porchat) alguns milhares de quilômetros.

Bom... se isso não for um pouco de experiência, não sei o que mais pode ser considerado, até porque, sempre fui observador.


O emissário submarino e o quebra-mar
Na década de 70, nossas praias ficaram lindas. Pareciam as praias do Nordeste com suas dunas de areia. Eram os trabalhos sendo feitos para a implantação da rede de esgoto que tornou nossa cidade uma das melhores, senão a melhor, do Brasil nesse quesito.

Esquadrinharam a cidade toda (pelo menos na parte nobre) colocando as tubulações de esgoto, retirando as ligações clandestinas que jogavam esses esgotos nos canais.

Na orla da praia, pela areia, na parte mais próxima aos jardins, foram colocadas tubulações que recolhem até hoje esses esgotos e os levam à estação de tratamento, de onde são jogados, já devidamente tratados, a alguns kms de distância da costa, através do Emissário Submarino, um conjunto de outras tubulações feitas com essa finalidade.
Se falhei ou se fui simplista nesta explicação, peço que me perdoem e me corrijam.

Para a construção e implementação desse Emissário, foi construída uma plataforma, quebra-mar, ao lado da Ilha de Urubuqueçaba.

Penso que o ideal para esse tipo de intervenção é que se construam piers. A diferença é que um quebra-mar é uma obra que afeta os fluxos de marés.
Por outro lado, um píer, por ser suspenso, não acarreta essa influência.
Porém, não sou engenheiro (embora meu irmão seja) e não vou discutir a necessidade de ter sido feito um quebra-mar em vez de um píer.


Efeitos...
Para nós, surfistas, na época, foi uma dádiva.
Criaram-se canais, bancos de areia e tudo o mais que faz com que até hoje ali quebrem ondas muitas vezes perfeitas. Embora eu, particularmente, continue preferindo surfar nas ondas da Divisa (entre Santos e São Vicente), mas por outros motivos.

Só que esse quebra-mar deveria ser retirado assim que as obras fossem concluídas e, não sei porque raios não o foi.
O fato é que hoje é impensável retirá-lo.
Já falei algumas vezes que ele se tornou parte da geografia de Santos, como se ali houvesse nascido concomitantemente com a Ilha de São Vicente.
Por falar em ilha, a Ilha de Urubuqueçaba está deixando de ser ilha, tá?

O fato concreto é que o quebra-mar impede os fluxos normais de marés enchentes e vazantes. E ninguém conseguirá me desmentir sem um debate.

Maré vazante
Sai do canal do porto e vem retirando areia e sedimentos em direção a São Vicente. Como sai com mais força de um canal (do porto) retira mais areia e sedimentos de lá. Ao longo do seu trajeto vai depositando isso do Gonzaga em diante. Até porque a areia de Santos é muito leve, fazendo inclusive com que as águas do mar sejam constantemente confundidas com poluídas, devido essa areia toda em suspensão.

Maré enchente (sem quebra-mar)
Começa a retirar areia e sedimentos desde São Vicente e ao chegar perto do funil (canal do porto) vai recolocando tudo em seu devido lugar.

Maré enchente (com quebra-mar)
Começa a retirar areia e sedimentos desde São Vicente e, ao chegar na Ilha de Urubuqueçaba e ao quebra-mar, encontra uma barreira. Logo, boa parte da areia e sedimentos ficarão por ali mesmo, sendo que o restante dará a volta por trás da Ilha.
A falta de correnteza no sentido quebra-mar - Ponta da Praia, do Canal 1 até o Gonzaga, pelo menos, impede a retirada de areia e sedimentos (que foram depositados ali na vazante), correnteza essa que - se existisse - os levaria de volta e os depositaria em seu lugar de origem.

Eu pratico surf ali.
Por exemplo, em frente ao Posto 2, na maré vazante, a correnteza nos joga para o Canal 1 e o quebra-mar. Na maré enchente, ficamos praticamente no mesmo lugar.
Porra!!!

Óbvio que o quebra-mar interrompe esses fluxos naturais.

A maré enchente passa por fora e não tem força, junto à beira-mar, para realizar seu trabalho natural.


Tentativas inócuas
Quando digo que estamos enxugando gelo, não estou brincando.
Ainda há poucos dias, vi uma entrevista com algum responsável pelas tentativas de desassoreamento dos canais 3, 2 e 1... e ele falou a mesma coisa.
E olha.... trabalham pra car...!!!

Mas é um trabalho inócuo.

Tratores, escavadeiras, caminhões basculantes, operários e muito mais, empenhados em retirar areia dos locais assoreados e recolocar na Ponta da Praia. E até mesmo em locais mais próximos do Canal 4.
Vejam o custo disso.
E o resultado? Zero vezes zero.
Ah... mas é como prestar uma satisfação ao povo.

Mais observações
Não sou cego.
Vejo e sei o quanto as outras intervenções humanas estão afetando o planeta.
Sei do aumento do nível dos oceanos.
Ressacas como essas que ocorreram recentemente são fenômenos.
Mas, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Nesta semana, fui treinar e nadei.
Entrei no Canal 6, bem ao lado da mureta, e contornei o "Pirulitinho" à direita e mirei no Canal 5, onde saí do mar.
Nunca vi o mar tão profundo e limpo.
Não havia quase areia em suspensão.
Não digo que a água estivesse como no Caribe, mas estava transparente (bem...amarela) como nunca.
Isso significa que não existe praticamente areia leve, em suspensão, naquela região.
No início me empolguei.... mas depois, nadando, estamos acostumados (eu estou) a inventar estratégias para completar o treino. Na piscina ficamos contando ladrilhos. No mar ficamos prestando atenção em outras coisas.
E percebi que aquela imagem de água muito menos turva era enganosa.
O fundo do mar não tem mais sequer a areia natural. O que restou é uma areia pesada, densa que sequer flutua.


Voltando aos trabalhos do poder público...
Onde acham que vão chegar, retirando areia e sedimentos da faixa seca e levando de volta para o local desassoreado???

Aprendi que, para achar a solução de um problema, temos que identificar a causa-raiz.
E, neste caso, a causa-raiz são a areia e os sedimentos retirados de dentro do mar.

Vão recolocar isso dentro do mar? Como ?

Simples... deixando a natureza voltar a fazer o seu papel.
Não me pergunte como.
Bom... se quiser, pergunte.


Possível solução simples
Não. Minha opção não seria retirar o quebra-mar que, como eu disse, já é parte da geografia de Santos.
Mas, talvez, abrir passagens entre um lado e outro do dito cujo, de forma que o mar iniciasse o seu trabalho.

Penso que teria um custo ínfimo em relação aos trabalhos atuais.


Já ouvi que a responsabilidade é da Dragagem do Porto.
Contestei. Se alguém quiser saber o porque, me pergunte.

Também já ouvi, em uma entrevista no Jornal da Tribuna, uma repórter entrevistando uma oceanógrafa que endossou o que falei com relação à maré vazante. E parou por aí.
Ela, a repórter, perdeu uma grande oportunidade de perguntar por que o mar não faz o seu trabalho durante a maré enchente.

Também já ouvi muitos falarem que o mar está retomando o seu lugar, que Santos era um alagado, etc.
Por esse raciocínio, o Marapé, cujo nome não precisa de interpretação, não estaria a uma distância do mar maior do que já esteve.

Poderia e pretendo postar várias imagens a respeito do que falo, mas sugiro que pesquisem nos sites de busca e comparem como era e como está a nossa Ponta da Praia.
Pior é imaginar como ficará, se ações concretas não forem realizadas.


3AV
Marco Cyrino



domingo, 30 de outubro de 2016

10 Coisas que um Triathleta nunca deveria dizer ou fazer


Nove destas dez coisas são calcadas em minhas experiências.
Por este motivo, recomendo que sejam absorvidas com o devido desconto, uma vez que a minha verdade não é necessariamente a sua.
Algumas, creio, são inquestionáveis.
Outras nem tanto.

Vamos a elas:

1 – Parar totalmente de treinar, por um longo período
Após uma prova de Ironman, ou após um ano de campeonato com distâncias olímpicas, com um ou outro longo no meio, muitos atletas se dão ao direito de férias.
Isso é ótimo. Eu diria imprescindível.

Porém, alguns tornam essas férias intermináveis.
Pior, as tornam uma festança. Comem de tudo, bebem de tudo, fazem tudo o que evitaram fazer durante o período de treinos e competições.

Deve-se considerar que, independente de merecer essas férias, e do esforço despendido durante todo o tempo, etc., existe uma coisinha mais importante chamada SAÚDE.
Além disso, o retorno é punk.

2 – Voltar a treinar, achando que nada mudou e que vai ter a mesma performance
Seja por opção (férias prolongadas), seja por necessidade (lesões ou compromissos importantes), é um erro fatal querer retornar aos treinos depois de um longo (ou nem tanto) tempo ocioso, tentando manter a performance de quando estava com um excelente condicionamento.
Probabilidade altíssima de frustrações e lesões.

Sabe aqueles quilos extras adquiridos durante o período parado? Aqueles centímetros a mais, quase todos na linha da cintura? Aquela resistência perdida?  Aquela musculatura meio mole?

Pois é...
Certeza de que, ao tentar fazer os mesmos tempos, em qualquer modalidade, irá se frustrar e/ou se lesionar.
Simples assim.
Volte como se nunca houvesse começado. Passo a passo.
O corpo tem memória, é certo. Mas ela é relativamente curta.

3 – Eu nunca vou fazer um Ironman
Essa é uma daquelas que não valem para todos.
Conheço alguns Triathletas que são bão pra caramba, fazem isso há muito tempo, e continuam dizendo que nunca farão um Ironman (diz aí, Edmilson).

Quando comecei no Biathlon (não vou me prolongar nesta história... prometo.... kkkk) e via meus amigos fazendo um Short, dizia que eles eram doidos e que eu nunca iria fazer aquilo.
Depois... nunca vou fazer um Olímpico.... Tudo doido....
Nunca vou fazer um Long Distance.... Tudo doido.... 
Foram... perdi as contas, mas foram mais de 20.
NUNCA VOU FAZER UM IRONMAN... estou indo para o sétimo.

4 – Eu sou fo.. (nem pensar)
Posso dar uns mil exemplos aqui, mas o que eu acho que espelha bem o tema é o seguinte: MENOS! TU NÃO ÉS PIOR NEM MELHOR QUE NINGUÉM. HUMILDADE, PLEASE.

5 – Investir apenas em equipamentos caríssimos
Eles funcionam, são bons, ajudam e tudo o mais.
Só que eles não vão nadar, pedalar ou correr por você.
Portanto, antes de investir neles, pense no que pode investir em si mesmo.

6 – Não preciso de coach
Mesmo que você já tenha conhecimento suficiente para fazer seus próprios treinos.

No meu caso, já tenho experiência suficiente para "treinar por conta própria". Também sou formado em Educação Física e, com um pouco de boa vontade, montaria meus próprios treinos.
ERRADO.
Não tenho essa capacidade. Não no momento. Não estudei especificamente para isso.
Não me preparei para o planejamento e sim para a execução.
Além disso, meu corpo muda a cada dia, a cada semana, mês e ano.
Não! Não é para leigos.

7 – Relegar uma determinada modalidade... inclusive a transição
Às vezes achamos que, porque somos melhores em determinada modalidade, podemos relegá-la e privilegiar as demais.
Engano.

Como exemplo: O cara nada muito bem e deixa de treinar natação, apostando na melhora do ciclismo e da corrida.
Na prova, o cara nada como se nunca houvesse deixado a natação de lado.
Resultado: Vai sair da água afogado e prejudicar o resto da prova.
Isso vale para qualquer modalidade.

8 – Nunca "gastar" um tempinho com musculação
E também com outras atividades saudáveis, como alongamento, Pilates e outros.

Em provas longas e em seu respectivo período de treinos, há uma evidente perda de massa muscular, principalmente devida ao grande desgaste físico.
Em temporadas de provas mais curtas e, portanto, rápidas, a força muscular exigida é grande.

Quando apenas pensamos nos treinos, sem pensar nas suas conseqüências para o nosso corpo, corremos o risco de pagar o preço mais adiante.
O corpo precisa estar em condições de ser bem treinado.
Falta de fortalecimento pode acarretar lesões. Falta de alongamento também, por encurtamento da musculatura.

A falta disso e daquilo com certeza acarretará uma performance pior do que poderia ser.
(Ah... experiência própria mesmo.)

9 – Treinar ciclismo em pelotão
Esse é um dos erros mais crassos que conheço.

É o exemplo explícito do "leão de treino".
O cara faz um treino de 100 km no pelotão e divulga em todas as mídias sociais a sua performance de 40 km/h de média.
Só que a prova real será "solo", sem vácuo.

Aí, depois da prova, vem o mimimi:
- "Aconteceu isso, aquilo, os pneus furaram, etc. e tal... daí fiz 27 km/h de média... e ainda saí pra correr travado".

A não ser que você faça prova com vácuo, esqueça pelotão. No máximo para passar a "Faixa de Gaza" (quem é da Baixada Santista sabe).

Treino é com a cara no vento.
Sou um mau ciclista. Péssimo eu não diria, mas não sou dos bão.
Mas treino meu pedal para provas solo.

10 – Abandonar família, amigos, etc.
Importantíssimo estar com a família ao seu lado. Amigos idem.
Não importa se eles estarão com você, ou você com eles. Não rompam esse vínculo.

Neste aspecto, sou privilegiado.
Minha companheira de vida, minha família (que já não é tão grande) e meus amigos sempre estão próximos e me incentivam.
Aliás, a Neuza é a maior e melhor incentivadora.

Sempre dá pra reservar um tempo para nos dedicarmos a eles e demonstrarmos nosso amor.


Este, que poderia ser o 11º item, vai de graça.
O que levaremos daqui, senão o que fizermos de bem, por nós e pelos nossos irmãos?
Então, se não puder fazer o bem, se esforce ao máximo para não fazer o mal. A ninguém.


Bons treinos a todos.

3AV
Marco Cyrino


terça-feira, 27 de setembro de 2016

O preço da ignorância


Quem me conhece há muito tempo sabe que nunca fui afeito a aparatos demasiadamente tecnológicos, embora reconheça o valor deles.

No futebol não há muito que dizer, pois qualquer tênis, calção, camiseta serviam. Isso quando necessário, porque na praia era apenas com calção mesmo.

No surf, até hoje, minha 6’0” não é da linhagem internacional, embora seja de uma marca de renome.
Isso hoje, porque na maior parte da minha vida foram pranchas de 2ª, 3ª, 4ª mãos.

No Triathlon, comecei correndo descalço (vejam as fotos aqui), bike emprestada (fotos abaixo), capacete de doce (de plástico, um mero enfeite), sunga e camiseta.

Bike emprestada, com seu legítimo dono, Felipe Cidral – Kokimbos

Bike emprestada, com rodas atuais, de competição. 
Na época eram rodas normais.



Para ficar apenas no Triathlon...

Aos poucos fui evoluindo.
Comprei minhas primeiras bikes para o esporte, de 2ª mão também (fotos abaixo).






Comprei meus primeiros tênis para correr (valeu aí, Edney Batista... deixei de ser chamado de "pé-de-pedra").
Usei pela primeira vez um Top com sunga para Triathlon.

Um capacete bom, no quesito segurança.
Penei para me convencer e me adaptar a utilizar sapatilhas na bike.

Penei também a me adaptar aos selins, relógios, posição aero, etc.

Até que me adeqüei às roupas e demais equipamentos e acessórios que auxiliam no esporte.

Confesso que usei muita coisa sem nenhuma comprovação científica, muito mais por influência do que por convicção.

Ah... tenho a bike que queria (Cervélo P3) comprada zerada (foto abaixo).


Apanhei muito com os tênis, até chegar ao(s) modelo(s) mais apropriados ao meu perfil e necessidades. Por incrível que pareça, são aqueles com nem tanta tecnologia, como amortecimentos enormes.

Apanhei com selins competitivos, que não me permitiam pedalar com o mínimo de conforto por 40 km, quanto mais por 180 km. E me achei no Specialized Sitero (fotos abaixo)




Usei capacete aero que quase me fritou o cérebro por falta de ventilação e devo ter ganho 1 (um) segundo numa prova olímpica, saindo pra correr com os miolos fervendo.

Investi em aparelhos GPS para bike, que me faziam perder o foco do treino, querendo monitorar altimetria entre outras coisas, além de me deixar puto toda vez que tinha de baixar atualizações, toda vez que perdia o sinal e toda vez que eu fazia merda querendo mexer no danado.

Usei polainas e meias de compressão, até perceber que, no meu caso, só perdia tempo e dinheiro.

Fiquei tentado a investir num Power Meter (Medidor de Potência), mas desisti.


Hoje em dia, apenas para falar o básico, faço o seguinte...

- Uso uma excelente bike, depois de penar com bikes bonitas que não eram ou estavam adequadas a mim.

- Uso ótimos tênis, de preços acessíveis, após ter tido muitos problemas com tênis errados para a minha pisada e para a minha fisiologia de corrida. Agradeço pela assessoria do Rodrigo Roehniss, que me mostrou o caminho correto.

- Uso um ótimo selim, novamente para o meu caso. Grande dica do Fernando Rocha.

- Voltei ao bom e velho velocímetro de bike, no meu caso Cateye.

- Uso GPS sim. Mas só para treinar corrida. O velho Garmin Forerunner 310xt, do qual já troquei duas vezes a pulseira... por pulseiras de camelô.

- Uso sim roupas apropriadas, tipo macacão, ou bermuda com compressão adequada, viseiras, óculos, etc.

- Ainda penso no Power Meter porque sei exatamente sua eficácia. O problema aí é comigo.

- Sapatilhas boas... confortáveis e de fácil calçamento.

- Invisto em local adequado de treinamento, sem que os fatores primordiais sejam a distância e/ou o preço, mas sim a qualidade.

- Invisto em fisioterapeuta confiável, para dizer o mínimo.

- Invisto em fits (bike fit, principalmente).

- Invisto em check-ups e consultas clínicas e médicas necessárias.

- E, por último, invisto em coachs (Silvão e André – Triathlon e musculação, respectivamente) nos quais eu possa depositar toda a confiança.


Evito divulgar mais marcas. (Bom... a não ser que role um patrô... kkkkkkk)

Recomendo que não sigam pelo caminho da moda ou do poder aquisitivo.
Como em tudo na vida, recomendo que pensem, avaliem, aceitem sim sugestões, questionem e testem essas sugestões e sejam felizes e saudáveis.

Errei e vou errar muito. Hoje menos que ontem. Muito por ignorância, algumas vezes por soberba. Não caiam nesse erro.


3AV
Marco Cyrino