Se existe uma coisa que me
incomoda, e muito, é a questão do lixo.
Em Santos, em São Paulo
(Estado), no Brasil, na América do Sul, enfim, no mundo todo.
Em especial nas cidades
litorâneas como Santos, São Vicente, Rio de Janeiro (e tantas outras), cujas
características favoráveis as tornaram tradicionais formadoras de Triathletas,
existe uma perversa conexão entre a questão do lixo e a deterioração de qualidade
das condições oferecidas para a prática de esportes em geral.
Esporte é
saúde e... lixo não combina com saúde
Vejamos,
por exemplo, o que ocorre nestas duas cidades litorâneas que conheço tão bem.
Santos,
cidade em que resido, tem um sistema de coleta e tratamento de esgotos
eficientíssimo (falamos sobre o Emissário Submarino, neste post: Santos: Ponta da Praia em extinção).
Com
relação às águas das chuvas (e ao lixo levado com elas), a maior parte é
recolhida pelas galerias pluviais e despejada nos canais que desembocam no mar.
Esses
canais têm inclusive sistemas de comportas, que são abertas ou fechadas de
acordo com a necessidade.
O
fato é que o lixo nas ruas de Santos, além de eventualmente ocasionar enchentes
e doenças, acaba indo para o mar.
É
fácil imaginar o estrago que isto causa na qualidade das águas da Baía de
Santos.
Além
disto, por ser uma baía, a renovação da água nesse ecossistema é bem mais lenta
do que em praias de mar aberto.
Recentemente
tivemos um episódio grave e lamentável, na cidade vizinha - São Vicente, cuja administração foi trocada na virada do
ano.
Os
lixeiros estavam em greve, devido à falta de pagamento pela gestão anterior.
Choveu
muito nos primeiros dias de janeiro, e as ruas de São Vicente estavam
abarrotadas de lixo não coletado.
Adivinhem
onde o lixo foi parar ?
No
mar, que, por ser democrático, logo o distribuiu para as cidades vizinhas,
inclusive e principalmente para Santos.
Condições
sanitárias do mar e das praias?
Melhor
nem comentar...
Analisando
Numa análise tecnicamente despretensiosa para um problema tão
complexo, apenas objetivando sugerir abordagens novas para a questão do lixo (e
aprimoramentos nas abordagens atuais), temos o seguinte...
Situação
-
Lixo jogado nas ruas, praças, avenidas, terrenos baldios, estradas em geral.
-
Lixo empacotado para coleta, porém colocado nas calçadas em horário inadequado
em relação à coleta.
-
Empresas coletoras (muitas vezes contratadas através de falcatruas) obsoletas,
despreparadas, incapacitadas, etc.
-
Prefeituras com políticas falhas (para não dizer outra coisa).
-
Greves de funcionários de empresas coletoras.
-
Cobranças de absurdas Taxas de Limpeza e Coleta de Lixo, até mesmo onde não
existe limpeza e coleta.
-
Cobrança em escala (em determinadas cidades) para quem produz mais lixo (pode
até ser um critério correto).
Conseqüências
-
Proliferação de insetos, ratos, etc.
-
Disseminação de doenças através dos insetos, ratos, etc.
-
Entupimento de “bocas-de-lobo”, bueiros e demais sistemas de vazão de água de
chuva.
-
Enchentes decorrentes desses entupimentos.
Lixões
/ Aterros Sanitários
-
Muitas vezes situados em locais inapropriados e sem metodologias e tecnologias
modernas o suficiente para minimizar o impacto ambiental.
Sabemos
não ser possível abolir por completo os lixões e aterros sanitários, mas isto
envolve temas de extrema complexidade técnica, que fogem aos objetivos deste
site.
Divagando...
Coleta
seletiva - recicláveis
Sim,
já sabemos que vidro, metais, plásticos, e uma infinidade de outros materiais,
são recicláveis e representam receita importante para os envolvidos em toda a
cadeia de reciclagem, desde as pequenas cooperativas de coletores e
separadores, passando pelos grandes reprocessadores e chegando às indústrias
usuárias desses materiais recicláveis.
Exemplos
bem conhecidos por aqui são a reciclagem de alumínio, área em que o Brasil é um
dos lideres mundiais... e a crescente reciclagem de Pet (polietileno usado
principalmente em embalagens de líquidos... água, refrigerante etc. etc.).
Porém,
a coleta seletiva ainda não é uma realidade na maioria das cidades brasileiras,
e pode ser vista como algo ainda incipiente nas metrópoles (ao menos em termos
de volume de lixo produzido, versus volume de lixo coletado seletivamente).
Em
algumas (várias) cidades, existe a coleta do chamado ""lixo limpo
grande" (em Santos é ou era o Cata-Treco), coletando principalmente móveis
e utensílios velhos (colchões, armários, cadeiras, mesas, computadores... É...
computadores, TVs...
Isso,
aliado aos outros recicláveis, tem criado uma categoria, digamos, privada de "lixeiros"
teoricamente do bem, mas que acabam fazendo um estrago no lixo ensacado, nas
calçadas, à procura do lixo valorizado.
Longe
de criticá-los, pois são vítimas da estrutura social e cultural do Brasil.
Lixo
orgânico
Então...
se ainda não temos ""coleta seletiva como deveria ser""
para os materiais recicláveis de reconhecido valor econômico, o que podemos
dizer no caso do lixo orgânico, principalmente nas cidades, (pois temos
exemplos notáveis de reaproveitamento nas zonas rurais)?
Entretanto,
o lixo orgânico, se devidamente selecionado, também tem seu o valor,
principalmente no campo energético, podendo, por exemplo, alimentar
biodigestores que produzirão gás combustível para diversas finalidades.
Sim,
para isto, precisaríamos ter uma infraestrutura eficiente, capaz de dar uma
destinação lucrativa também ao lixo orgânico, reduzindo a utilização de lixões
/ aterros sanitários ao que fosse mínimo e indispensável.
Pela
dimensão da encrenca, essa estrutura teria de ser operada pelo Estado (hummm...
não sei não...), ou normatizada e fiscalizada pelo Estado, e entregue a
concessionárias devidamente qualificadas e equipadas para a finalidade acima.
Resumindo
O
objetivo destas divagações seria usar um dos conceitos básicos do capitalismo,
para resolver "o caso do lixo"...
Se algo tiver valor como "mercadoria", dificilmente será
desprezado, descartado em locais indevidos.
Esse algo será, isto sim, comercializado por quem o produzir.
Criando
soluções que tragam valor econômico à maioria dos tipos de lixo, torna-se possível
inverter a situação, transformando em remuneração ao cidadão as
atuais taxas abusivas de coleta e limpeza.
Os
cidadãos passariam a se empenhar mais no
tratamento do lixo que produzem (separação, acondicionamento e entrega ao
sistema de coleta), porque o Estado, poderia (deveria) passar a comprar desses
cidadãos essa preciosa matéria prima chamada "lixo".
E
o pagamento dessa compra poderia ocorrer em forma de créditos tributários aos
cidadãos, por exemplo...
E então, formou???
3AV
Marco Cyrino
VOCÊ ESTÁ COBERTO DE RAZÃO, MARCO!
ResponderExcluirESTA SUA BRILHANTE ANÁLISE (MAL DE FAMÍLIA?) PODERIA SER APROVEITADA PELA PREFEITURA DE SANTOS E DISSEMINADA BRASIL AFORA...
INFELIZMENTE A NOSSA POPULAÇÃO AMA VIVER NO MEIO DA SUJEIRA, NINGUÉM LIGA!
AQUI EM C. GRANDE, POR CAUSA DO LIXO, ESTAMOS COM A MAIOR EPIDEMIA DE DENGUE DA HISTÓRIA...
NÃO CUSTA PROTESTARMOS, NÃO É?
PARABÉNS, ABRAÇO,
ANITA DRIEMEIER
Anita,
ExcluirObrigado pelos comentários.
A dengue é a "doença da moda" nos últimos anos.
Resultado de políticas públicas ineficazes e de uma população sem educação.