sábado, 10 de outubro de 2026

Iron Baby


Neste dia 10 de outubro, aniversário dele, me ocorre rememorar...
 
Cenas testemunhadas por este irmão mais velho.
 
Ano de 1958, Rio de Janeiro, Distrito de São Gonçalo, Bairro Mutuá, Rua Vilela No.7.
 
O trajeto mais curto, para quem vinha do Rio de Janeiro, saindo da capital em direção a São Gonçalo, consistia em pegar a balsa / barcaça da Companhia Cantareira (que também transportava veículos) até Niterói e então seguir de trem, bonde ou ônibus até São Gonçalo.
 
Casa térrea ampla.
 
Na parte da frente, pavimentada com umas lajotinhas de pedra, árvores decorativas e um laguinho com uns 2 metros de diâmetro e uns 10 cm de profundidade, contornado por uma muretinha de pedra e tendo um grande vaso com plantas ao centro.
 
Na parte do fundo, um grande quintal de terra, com árvores frutíferas, como "pés" de caqui, de graviola (parecida com a jaca), de jambolão (também conhecido como jamelão) e de carambola.
 
Muros baixos em todo o perímetro, com um portão de entrada ripado, igualmente baixo, fechado por uma singela tramela de madeira.
Sim, nenhum risco à segurança, naquela época.
 
Brincávamos naquele quintal, eu e nosso irmão do meio.
Tínhamos por volta de 5 e 4 anos de idade, respectivamente.
 
O irmão caçula, com quase 1 ano de idade, geralmente ficava no interior da casa, aos cuidados da mãe e da avó, que residia conosco.
 
Uma ordem de pai, mãe e avó, gravada em nossas mentes obedientes, era "jamais abrir o portão para a rua e, claro, jamais sair à rua".
 
Certa tarde, calor de uns 40 graus, estou sozinho na área da frente da casa, sentado na mureta do laguinho, tentando aprender a ler os balões com as falas de um gibi do Pato Donald.
 
Porta da sala da frente aberta.
Vejo o irmão caçula descer o degrau da soleira, descalço, trajando apenas fraldas com aquela cuecona plástica por cima.
 
Fico admirando o caminhar decidido e equilibrado do baixinho.
Era comum, algumas vezes, ele sair sozinho para a frente da casa.
 
Não me preocupo e volto ao meu gibi.
Uns minutos depois, vejo o baixinho saindo pelo portão semi-aberto.
 
Como assim?
Alguém esqueceu de fechar?
Ele abriu a tramela sozinho?
 
Saio correndo rumo ao portão e chamando...
 
Mãããããe! Vóóóó!
Corre!
O Marco tá saindo pra rua!
 
Elas surgem em segundos, me atropelam e chegam ao portão antes de mim.
Ficam mais uns segundos procurando sem enxergar, certamente pelo nervosismo.
 
Como?
Cadê?
Pra que lado ele foi?
 
Pensei...
Se eu houvesse olhado antes, ele não teria saído.
 
Então, a avó Ida aponta:
 
Meu Deus, ele tá quase na esquina!
Corre lá, Odette!
 
A mãe sai correndo pela calçada, para o lado direito.
A avó permanece ao portão, na torcida.
Minutos depois, a mãe retorna ofegante, com o baixinho no colo.
Ele está sorridente.
 
Ela diz para alguém que não está ali... (rsrsrs)
 
Precisa por um fecho melhor nesse portão, viu?
 
Entram na casa com ele, falando do calor...
 
Nossa!
Esse menino tá pegando fogo.
Tem que tomar água.
 
Pensei...
Que bom que ele não virou a esquina.
Tudo terminou bem.
 
Naquele tempo, eu não conhecia as distâncias externas à casa.
Anos depois, fazendo as contas...
 
Quarteirão pequeno.
Do número 7 até quase a esquina, talvez uns 50 ou 60 metros.
Como ele correu tanto?
 
Se, antes daquele sprint, ele houvesse nadado no laguinho da casa, e pedalado no velocípede, aquele teria sido o primeiro Short Triathlon do meu mano Marcão... e já correndo descalço, como fez tempos depois, nos Triathlons pelas ruas de Santos.
 
Parabéns Marcão!
Deixo para falar pessoalmente de todo o bem que desejamos para a sua vida.
 
 
3AV
Alfredo Cyrino - Editor
 
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