Há
alguns dias, encontrei com meu brother, ex-ciclista profissional, Johnny
Evangelista.
Ciclista das antigas e dos bons.
Sei que é redundante porque, para ser ciclista
profissional aqui, tem que ser bom mesmo.
Em
uma rapidíssima troca de palavras, ele me perguntou sobre quantos Irons eu fiz
(mesmo ele já sabendo... rsrsrs), sobre eu voltar aos treinos, sobre querer
passar por tudo de novo etc.
Mas,
ele fez também umas perguntas que ficaram, depois dos meus afazeres, na minha
cabeça cabeçuda:
Ele...
Qual foi o treino mais longo de ciclismo que você fez?
Eu...
Johnny, acho que foram um ou dois de 200 Km.
Ele...
Nos Irons, qual foi a parte mais difícil pra você?
Eu...
Com certeza, a corrida.
Não por ela, mas por ter que fazer a maratona
depois de nadar quase 4 km e pedalar 180 km.
Ele...
E nos treinos? Em qual modalidade você sentia mais dificuldade?
Ele...
Por último, como você conseguiu resultados tão bons,
sendo que, pelo que me disse, não era o top em nada?
Eu...
Johnny, preciso parar por aqui, porque tenho coisas
rápidas e urgentes pra fazer.
Bom,
devido à pressa, a conversa terminou, mas, agora, depois desta baita
introdução, vou ver se consigo responder as perguntas restantes.
Triathlon, Natação e
Corrida
Já escrevi sobre isso algumas vezes, mas, vamos em
frente.
Entrei no Triathlon meio por acaso e já com idade
avançada para começar.
Não vou me estender sobre isso.
Nadar e correr não eram coisas desconhecidas.
Nadava para me salvar no surf e sempre corri devido
minha "aptidão futebolística", embora sejam coisas totalmente
diferentes de competições de Triathlon.
Porém, sempre senti afinidade com essas
modalidades.
Ciclismo
Minha experiência com o ciclismo era saber que
conseguia pedalar levando um amigo "no cano" da bike emprestada (bike
de rua), com duas pranchas embaixo dos braços, para irmos surfar no Guarujá.
Ele, o amigo, levando uma e eu a outra, pedalando
contra o vento (sempre o vento estava contra....rs) e com as pranchas servindo
de freios.
Isso por uns 15 km até a Praia de Pernambuco –
Guarujá, ou uns km a menos até a Praia do Tombo, também Guarujá. Só de ida,
porque na volta os 15 km até a praia de Pernambuco se tornavam 100 km, depois
de horas de surf.
Daí, vieram todas as
coisas...
Lesões futebolísticas, rompimento de tendão de
Aquiles, aprender a nadar em piscina (nadar mesmo e não apenas me salvar),
correr sem ser para jogar futebol, enfim...
Coisas que me levaram para o Biathlon e depois para
o Triathlon, onde fiz minha primeira prova com minha bike de rua.
Depois, fiz o Internacional de Santos com uma bike "estradeira"
emprestada pelo grande amigo Felipe Cidral, da Pizzaria Kokimbos e seu irmão
Fred Cidral.
Agora,
e só agora, respondendo as perguntas do Johnny que ficaram na minha cabeça.
A
modalidade em que mais senti dificuldade para treinar foram os longuíssimos de
bike.
Não
tenho absoluta certeza, mas, acho que nos 7 Irons que fiz, para 5 deles pedalei
no máximo 140 km (sendo que, por motivo de muita chuva, fiz um deles em casa no
rolo, o que não recomendo... kkk) e para os 2 últimos pedalei 200 km.
Os
longos de bike são phoda elevada a 10ª potência.
No
meu caso, 200 km pedalando sozinho, eu tinha duas opções:
1ª) Sair de casa sozinho, pegar a balsa para
Guarujá às 07:00h (acordando às 04:30h), fazer a travessia, atravessar Guarujá,
pegar a Piaçaguera (Faixa de Gaza) com risco de ser assaltado etc., entrar na
Rio-Santos, ir até Juqueí (vejam as serrinhas, no Google Maps) e voltar.
2ª) Sair de casa sozinho também, colocar a bike no
carro, subir até a Estrada Velha de Santos e lá fazer várias voltas, onde ida e
volta são aproximadamente 16 km.
Logo, para fazer 200 km de pedal lá, são 12 voltas
e meia. Com várias subidinhas, nenhuma delas com muito aclive, ao contrário da
Rio/Santos. Quem conhece a subida da Bica e da Petrobrás, na Rio-Santos, saberá
do que estou falando.
Coisas
boas e coisas ruins lá e cá...
Coisas
boas na Rio-Santos
Paisagens lindas, pedal de apenas uma ida e uma
volta.
Encontrar no caminho vários amigos treinando e
segui-los, ou eles me seguirem.
Caraio! Acho que é só. kkk
Coisas
ruins na Rio-Santos
* Passar pela Faixa de Gaza sem ser assaltado.
Estresse total.
* Risco de acidentes na estrada.
* Ir até Juqueí sem saber onde eu iria me
abastecer.
Obs.: Para um treino de 200 km de bike e,
principalmente para depois correr uma maratona no Ironman, a gente tem que se
acostumar a ingerir muitas calorias.
Daí, o próximo posto de abastecimento, no pedal, a
gente (eu pelo menos) não sabe onde será.
E a gente sai com uma garrafinha de água, uma de
isotônico, um monte de gel de carbo...
Mas, chega uma hora que a gente tem que abastecer.
Vai saber se é em Bertioga, se é na Riviera de São
Lourenço, se é em sei lá onde.
Pior é na volta... kkk.
Coisas
boas no Riacho Grande (Estrada Velha de Santos)
* Paisagem também linda.
* Encontrar no caminho uma multidão pedalando,
correndo, etc. Parece que sempre está tendo uma prova de Triathlon lá.
* Risco pequeno de assaltos ou acidentes graves.
* Possibilidade de se abastecer em várias voltas,
com o carro estacionado em um local apropriado.
* Possibilidade de encontrar alguma ajuda em caso
de necessidade. Como são muitas voltas, embora as subidas não sejam íngremes,
serão muitas.
Coisas ruins
no Riacho Grande (Estrada Velha de Santos)
* Multidão correndo pelos acostamentos, mas também
pelo meio da pista, como se não houvesse ciclistas treinando lá.
* Depois de 7 horas de treino a gente já nem sabe
mais em que volta está... rsrsrs.
* Depois das 14:00h, começam a chegar os baladeiros
e a coisa fica meio punk. Ninguém respeita mais ninguém.
Resumo
Falando apenas sobre a minha preferência entre
treinar 200 km na Rio-Santos, direto e reto, ou treinar 200 km no Riacho Grande
– Estrada Velha de Santos:
Rio-Santos
direto e reto
É punk mas, caso eu chegue em Juqueí, só tenho uma
opção: voltar.
Logo tenho que concluir o treino.
Onde eu vou parar para descansar ou me abastecer é
problema meu... kkk
Riacho
Grande (Estrada Velha de Santos)
Também é punk.
Porém, tenho 12 voltas para fazer e cumprir o
compromisso.
Isso é bom e é ruim.
É bom porque a cada 16 km tenho oportunidade de me
abastecer.
É ruim porque a cada 16 km, depois de umas 8 voltas,
tenho uma baita vontade de parar... kkkkkkkk
Só a sofrência mesmo é que me levou a fazer isso.
Com
os Treinos de Corrida foi mais ou
menos a "lesma lerda", mas vai ficar para outra postagem.
3AV
Marco Cyrino
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