sábado, 11 de abril de 2026

Sobre treinos longos de ciclismo

 
Há alguns dias, encontrei com meu brother, ex-ciclista profissional, Johnny Evangelista.
 
Ciclista das antigas e dos bons.
Sei que é redundante porque, para ser ciclista profissional aqui, tem que ser bom mesmo.
 
Em uma rapidíssima troca de palavras, ele me perguntou sobre quantos Irons eu fiz (mesmo ele já sabendo... rsrsrs), sobre eu voltar aos treinos, sobre querer passar por tudo de novo etc.
 
Mas, ele fez também umas perguntas que ficaram, depois dos meus afazeres, na minha cabeça cabeçuda:
 
Ele...
Qual foi o treino mais longo de ciclismo que você fez?
 
Eu...
Johnny, acho que foram um ou dois de 200 Km.
 
Ele...
Nos Irons, qual foi a parte mais difícil pra você?
 
Eu...
Com certeza, a corrida.
Não por ela, mas por ter que fazer a maratona depois de nadar quase 4 km e pedalar 180 km.
 
Ele...
E nos treinos? Em qual modalidade você sentia mais dificuldade?
 
Ele...
Por último, como você conseguiu resultados tão bons, sendo que, pelo que me disse, não era o top em nada?
 
Eu...
Johnny, preciso parar por aqui, porque tenho coisas rápidas e urgentes pra fazer.
 
Bom, devido à pressa, a conversa terminou, mas, agora, depois desta baita introdução, vou ver se consigo responder as perguntas restantes.
 
Triathlon, Natação e Corrida
Já escrevi sobre isso algumas vezes, mas, vamos em frente.
 
Entrei no Triathlon meio por acaso e já com idade avançada para começar.
Não vou me estender sobre isso.
 
Nadar e correr não eram coisas desconhecidas.
Nadava para me salvar no surf e sempre corri devido minha "aptidão futebolística", embora sejam coisas totalmente diferentes de competições de Triathlon.
 
Porém, sempre senti afinidade com essas modalidades.
 
Ciclismo
Minha experiência com o ciclismo era saber que conseguia pedalar levando um amigo "no cano" da bike emprestada (bike de rua), com duas pranchas embaixo dos braços, para irmos surfar no Guarujá.
 
Ele, o amigo, levando uma e eu a outra, pedalando contra o vento (sempre o vento estava contra....rs) e com as pranchas servindo de freios.
 
Isso por uns 15 km até a Praia de Pernambuco – Guarujá, ou uns km a menos até a Praia do Tombo, também Guarujá. Só de ida, porque na volta os 15 km até a praia de Pernambuco se tornavam 100 km, depois de horas de surf.
 
 
Daí, vieram todas as coisas...
Lesões futebolísticas, rompimento de tendão de Aquiles, aprender a nadar em piscina (nadar mesmo e não apenas me salvar), correr sem ser para jogar futebol, enfim...
 
Coisas que me levaram para o Biathlon e depois para o Triathlon, onde fiz minha primeira prova com minha bike de rua.
 
Depois, fiz o Internacional de Santos com uma bike "estradeira" emprestada pelo grande amigo Felipe Cidral, da Pizzaria Kokimbos e seu irmão Fred Cidral.
 
 
Agora, e só agora, respondendo as perguntas do Johnny que ficaram na minha cabeça.
 
A modalidade em que mais senti dificuldade para treinar foram os longuíssimos de bike.
 
Não tenho absoluta certeza, mas, acho que nos 7 Irons que fiz, para 5 deles pedalei no máximo 140 km (sendo que, por motivo de muita chuva, fiz um deles em casa no rolo, o que não recomendo... kkk) e para os 2 últimos pedalei 200 km.
 
Os longos de bike são phoda elevada a 10ª potência.
 
No meu caso, 200 km pedalando sozinho, eu tinha duas opções:
 
1ª) Sair de casa sozinho, pegar a balsa para Guarujá às 07:00h (acordando às 04:30h), fazer a travessia, atravessar Guarujá, pegar a Piaçaguera (Faixa de Gaza) com risco de ser assaltado etc., entrar na Rio-Santos, ir até Juqueí (vejam as serrinhas, no Google Maps) e voltar.
 
2ª) Sair de casa sozinho também, colocar a bike no carro, subir até a Estrada Velha de Santos e lá fazer várias voltas, onde ida e volta são aproximadamente 16 km.
Logo, para fazer 200 km de pedal lá, são 12 voltas e meia. Com várias subidinhas, nenhuma delas com muito aclive, ao contrário da Rio/Santos. Quem conhece a subida da Bica e da Petrobrás, na Rio-Santos, saberá do que estou falando.
 
Coisas boas e coisas ruins lá e cá...
 
Coisas boas na Rio-Santos
Paisagens lindas, pedal de apenas uma ida e uma volta.
 
Encontrar no caminho vários amigos treinando e segui-los, ou eles me seguirem.
 
Caraio! Acho que é só. kkk
 
Coisas ruins na Rio-Santos
* Passar pela Faixa de Gaza sem ser assaltado. Estresse total.
 
* Risco de acidentes na estrada.
 
* Ir até Juqueí sem saber onde eu iria me abastecer.
 
Obs.: Para um treino de 200 km de bike e, principalmente para depois correr uma maratona no Ironman, a gente tem que se acostumar a ingerir muitas calorias.
 
Daí, o próximo posto de abastecimento, no pedal, a gente (eu pelo menos) não sabe onde será.
E a gente sai com uma garrafinha de água, uma de isotônico, um monte de gel de carbo...
Mas, chega uma hora que a gente tem que abastecer.
Vai saber se é em Bertioga, se é na Riviera de São Lourenço, se é em sei lá onde.
Pior é na volta... kkk.
 
Coisas boas no Riacho Grande (Estrada Velha de Santos)
* Paisagem também linda.
 
* Encontrar no caminho uma multidão pedalando, correndo, etc. Parece que sempre está tendo uma prova de Triathlon lá.
 
* Risco pequeno de assaltos ou acidentes graves.
 
* Possibilidade de se abastecer em várias voltas, com o carro estacionado em um local apropriado.
 
* Possibilidade de encontrar alguma ajuda em caso de necessidade. Como são muitas voltas, embora as subidas não sejam íngremes, serão muitas.
 
 
Coisas ruins no Riacho Grande (Estrada Velha de Santos)
* Multidão correndo pelos acostamentos, mas também pelo meio da pista, como se não houvesse ciclistas treinando lá.
 
* Depois de 7 horas de treino a gente já nem sabe mais em que volta está... rsrsrs.
 
* Depois das 14:00h, começam a chegar os baladeiros e a coisa fica meio punk. Ninguém respeita mais ninguém.
 
Resumo
Falando apenas sobre a minha preferência entre treinar 200 km na Rio-Santos, direto e reto, ou treinar 200 km no Riacho Grande – Estrada Velha de Santos:
 
Rio-Santos direto e reto
É punk mas, caso eu chegue em Juqueí, só tenho uma opção: voltar.
 
Logo tenho que concluir o treino.
Onde eu vou parar para descansar ou me abastecer é problema meu... kkk
 
Riacho Grande (Estrada Velha de Santos)
Também é punk.
Porém, tenho 12 voltas para fazer e cumprir o compromisso.
Isso é bom e é ruim.
É bom porque a cada 16 km tenho oportunidade de me abastecer.
É ruim porque a cada 16 km, depois de umas 8 voltas, tenho uma baita vontade de parar... kkkkkkkk
Só a sofrência mesmo é que me levou a fazer isso.
 
Com os Treinos de Corrida foi mais ou menos a "lesma lerda", mas vai ficar para outra postagem.
 
3AV
Marco Cyrino
 
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