quarta-feira, 7 de outubro de 2015

10 modos pelos quais você está tornando o Triathlon mais difícil do que precisa ser


Esta é uma versão livre / adaptação para a matéria publicada, no website Ironman.com:

"10 Ways You're Making Triathlon Harder Than it Needs to Be"
por Lisa Dolbear


Vamos ao artigo...


Não complique o esporte que você ama.
Tudo em Triathlon se refere a avançar... nadar, nadar, pedalar, pedalar, esquerda-direita, esquerda-direita, por todo o caminho, até a linha de chegada.

Simples, não?
Nem sempre.

A mente é uma coisa complicada e, embora seja uma das forças mais poderosas da jornada multiesportiva, às vezes ela pode paralisar nossos melhores esforços.

Aqui estão dez maneiras pelas quais você pode estar tornando o Triathlon mais difícil do que precisa ser.


1. Você se compara aos outros
Claro, todos nós tivemos aquele momento em que estamos percorrendo uma rede social e notamos a foto do relógio de um amigo, depois de uma corrida.
Uma olhada no pace por quilômetro e, de repente, sentimos que não estamos no mesmo nível.

Embora um pouco de comparação seja natural e saudável, fazer isso obsessivamente pode realmente ser prejudicial para o seu desempenho.

Enquanto outros esportes quantificam o sucesso com sistemas de marcas e com "o vencedor leva tudo", nós, Triatletas, comemoramos recordes pessoais, medalhas de finisher e rankings de grupos etários.

Procure pelas menores vitórias para validar o seu progresso.


2. Você está muito ocupado #treinando, para treinar
Falando de redes sociais, quanto tempo você gasta até obter o selfie perfeito, antes de realmente sair da zona 1?

Um dos principais obstáculos para Triathletas é encontrar tempo para treinar corretamente. Entretanto, algumas fotos de treinos, nas mídias sociais, me levam a acreditar que tenham sido gastos pelo menos 10 a 20 minutos para o corte, a escolha de filtro e a seleção de hashtag, tempo este que poderia ter sido usado para aquecimento, ou para treino.

(Veja mais sobre este tema, em nosso post Semi-desconectado)


3. Você planeja demais as coisas
Um bom treino não exige muito - basicamente o esforço e a atitude certa.
Tentar acomodar outras coisas dentro de seu treinamento pode criar confusão.

Simplifique a sua programação, removendo as partes da equação que não têm nada a ver com o treino real.
Em vez de imaginar qual a melhor maneira de correr dez quilômetros ao longo de uma rota específica, ou durante o seu período favorito do dia, apenas aproveite a melhor oportunidade de correr dez quilômetros. Ponto!


4. Você está treinando com as pessoas erradas
Quando se trata de parceiros de treino, procure estar com as pessoas mais adequadas a você.

Basicamente, é melhor encontrar pessoas que são "apenas certas" para a sua capacidade e objetivos atléticos.

Você corre o risco de sofrer lesões, se estiver constantemente se esforçando com pessoas que são mais rápidas do que você.

E você não irá desafiar a si mesmo, se passar o seu tempo com pessoas que são mais lentas do que você.

Em ambos os casos, você terá mais dificuldade em alcançar seus objetivos.


5. Você procura problemas
Você está sempre imaginando os piores cenários?
Se não tiver certeza, faça uma avaliação rápida sobre si mesmo, antes do seu próximo treino.

Você quer reunir acessórios para cada tipo possível de tempo?

Você já pesquisou no Google cada "coisinha" que sentiu, da cabeça aos pés, depois do treino de ontem?

Você sente constantemente a necessidade de provar as suas "teorias" sobre porque as coisas não estão indo como planejado?

Você precisa RELAXAR.

Para a maioria de nós, não-profissionais, a abordagem do treinamento é melhor com uma atitude descontraída --- foco no objetivo da sessão de treinamento e preparar o básico para que seja seguro (pneu sobressalente, protetor solar, capacete...) e, então, seguir o fluxo.

A capacidade de enfrentar o desconhecido faz parte de ser um Triathleta bem sucedido.


6. Você dá importância às aparências
Triathlon pode ser um esporte caro, mas não precisa ser.

Quando se trata de equipamentos e gadgets, é fácil ser pego pelo mais recente e melhor. Mas, quando se trata daquilo que torna este esporte verdadeiramente agradável, o "fator aparência" nunca irá substituir o "fator motivação".   

Você não pode comprar paixão e energia motivadora.


7. Você escolhe as provas erradas
O Triathlon tem crescido para incluir uma variedade de distâncias de prova e locais, desde provas "sprint" até provas de Ironman, e desde o seu local atual até locais exóticos.

Quando se trata de sentir-se bem numa pratica multiesportiva, é importante escolher um evento que se adapte à sua capacidade atlética.

Encontre as provas que apresentem terrenos e climas adequados aos seus pontos fortes, e os eventos que você possa gerenciar facilmente quando se trata de preparar os equipamentos e viajar.


8. Você estabelece metas irrealistas
Quando se trata de provas de Ironman, muitos atletas sonham em obter uma vaga para competir em Kona.

Embora abordemos a prova com a mentalidade de que podemos fazer qualquer coisa acontecer, desde que desejemos o suficiente, é preciso ter em mente que obter essas vagas se resume a vários fatores que estão fora de nosso controle

Ritch Viola (Califórnia) venceu a faixa etária M40-44 no Ironman World Championship 2014, e oferece o seguinte conselho aos atletas:

"Quando o canhão disparar, não pense em Kona - pense apenas em fazer a sua prova. Durante o ciclismo e a parte inicial da corrida, não é bom ficar obcecado sobre a sua posição em sua categoria. Concentre-se apenas em você."


9. Você está carregando muita bagagem
Todo mundo tem pelo menos uma história sobre como as coisas foram mal em sua última prova, incluindo problemas de nutrição, prova não terminada, e avarias de gadgets.

Existem mil maneiras de a sua prova ir mal e, para prejudicar a sua disposição, é preciso que apenas uma delas seja plantada em seu cérebro.

Deixe sua energia negativa e experiências de fora, e utilize técnicas de visualização para ajudar a acalmar a ansiedade causada pelos seus erros passados.

Pense em sua mente como um espaço apenas destinado a atender às suas necessidades essenciais. Então, deixe a bagagem e embale pensamentos positivos.


10. Você está tornando o esporte muito solitário
Há muito mais no mundo multiesportivo do que a jornada independente de um único atleta.

Para muitos, é a camaradagem que os mantém voltando em busca de mais e mais.

A Triathleta Ironman Cheryl Cook, de Nova York, diz que a conexão que ela sente com outras pessoas neste esporte é impagável.

"Eles são como uma família. Inspira-me quando vejo alguém fazer o seu primeiro trajeto de 100 milhas de ciclismo, ou a sua primeira corrida longa e, em seguida, atravessar a linha de chegada pela primeira vez", diz ela.

A atleta de 35 anos de idade também encontra conforto em seus parceiros de treino.

"Compartilhar a jornada com os amigos torna as lutas mais fáceis de enfrentar."


Lisa Dolbear é 3 vezes Ironman e uma treinadora USAT Nível 1.
Visite o seu blog sobre treinamento de habilidades mentais, em trimojo.com.


Artigo original: Ironman.com

Versão e adaptação: Equipe 3AV


Bons e longevos treinos e provas a todos!

3AV
Marco Cyrino

sábado, 26 de setembro de 2015

Pirassununga - Meia Maratona - Short Distance - Long Distance - 21 e 22.11.2015


21.11.2015 - Short Distance + Meia Maratona da Aeronáutica
22.11.2015 - Long Distance


Todas as informações e inscrições, neste link.


3AV
Marco Cyrino


quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Troféu Brasil 2015 - 4ª Etapa Santos - Relato de Prova


Depois de, finalmente, me recuperar da lesão no posterior da coxa esquerda, sobraram poucas semanas para treinar para a 4ª etapa do TB.

Separação era unilateral
Essa lesão foi uma companheira, mas, o culpado fui eu.
Ela apareceu semanas antes da terceira etapa (USP – 28/06).
Apressei o retorno às provas, mas ela ainda estava lá.
Tive que parar de novo.
Na prova da USP, ela reapareceu com tudo (na verdade só estava escondida).
Como o intervalo entre a 3ª e 4ª etapas seria relativamente grande, quase 3 meses, era o momento certo de fazer a coisa certa, ou seja, mandá-la embora definitivamente...pedir o divórcio... pois a separação era unilateral - só eu queria.

Tudo junto
Apenas dois treinos leves, feitos sem sentir a lesão... e peguei a gripe (virose, resfriado, sabe-se-lá-o-quê) que havia pego todos ao meu redor, durante a recuperação da lesão. Foi daquelas sabe-se-lá-o-quê que não derrubam, mas não te largam. “Só” 15 dias para ir embora.

Daí, foi tudo numa única semana: base / específicos / polimento.

Cheguei à prova ansioso pelo novo percurso do ciclismo.
Finalmente saiu da parte ruim da Av. Portuária e incluiu a Perimetral.
Cheguei a postar no FB meus comentários a respeito, inclusive compartilhando o vídeo da NA.
Ficou muito bom. Muito bom mesmo.
Já retorno ao tema.


Chegando à transição, a festa de sempre com o amigos, colegas, chegados, ou apenas conhecidos.

De volta à rotina de prepara tudo/coloca roupa de borracha/se hidrata/vai pra areia/dá uma alongada/vai aquecer no mar/aguarda largada.

Natação
Em nossa largada (Olímpico) - às 08:45h - o mar já estava meio marolado.
Nada que interferisse muito.
Na segunda volta, estava ainda mais.
Prenúncio de ventos moderados, no mínimo, no ciclismo.

Nadei confortável, apertando um pouco mais o ritmo a partir da primeira bóia da segunda volta.
Achei que teve “bastante água”, inclusive pelo meu tempo de natação.
Saí do mar achando que todos estavam a minha frente.
Olhei para trás e vi muitos atletas ainda nadando. Fiquei contente.

Ciclismo
Transição rápida, vamos ao ciclismo.

Muito bom (novamente), exceto por alguns detalhes.

Na verdade, apenas dois.
O percurso pelo lado bom da Av. Portuária foi estendido até perto do Mercado de Peixes (Ferry-Boat).
Nesse trecho, por onde não passávamos antes, há um pedaço de no máximo uns 200 m muito ruim... mas é rapidinho e só na ida.

O outro detalhe é a travessia do trilho do trem na Perimetral.
Esse local é perigoso.

Os atletas de Santos já o conhecem bem, mas imagino que os de fora, que nunca treinaram por ali, podem ter sofrido.

Não soube de nenhuma queda, mas ouvi a respeito. Talvez no short. Vi um atleta machucado sendo atendido prontamente pela ambulância, mas em outro local.

O trilho ali é bem pronunciado e nos dois lados dele há uma faixa de paralelepípedos.
Só que o trilho não atravessa a Perimetral totalmente perpendicular e sim de “esguelha”.
A organização tomou várias precauções: colocou tapete, bastante staffs sinalizando, etc.

Mas, acho que dá para melhorar.
Talvez ampliando a área coberta pelo tapete ou até mesmo colocando duas camadas.
Bom, tenho certeza que o Nubio está ligado.
Quem conhecia bem alterou o trajeto de forma a ultrapassar o trilho de forma mais segura.

De resto excelente: qualidade do asfalto, curvas e tudo o mais.

Agora, só existem dois retornos (cotovelos): um no final da Av. Portuária e outro no final da Perimetral.
Todo o resto é composto de retas longas e poucas curvas de 90 graus, em ruas largas.

Edge quicando
Meu Edge voltou a oscilar em suas marcações.
Acho que preciso baixar novas atualizações.
Fica marcando (apenas por exemplo) 39 km/h... daí passa uns 15 segundos marcando 13 km/h... depois mais uns 15 segundos marcando 26 km/h... depois volta a marcar corretamente até dar piripaque de novo.

Coincidência ou não, os valores são sempre 1/3 ou 2/3 da velocidade real.
Imagino que isso durante todo o percurso ocorreu pelo menos uma 15 vezes. Logo, os dados ficaram inconsistentes.

Alguém já teve esse problema?

Mas, ao final do ciclismo, ele marcava a distância total de quase 41km.
Penso que o novo percurso tenha mais, mas não debati com ninguém ainda, para me certificar.

Corrida
Larguei o ciclismo em terceiro e tentei manter um ritmo que me permitisse, se possível, fechar a prova de forma progressiva.
E não é que consegui ?
Fiz os últimos 5 kms mais rápido que os primeiros: 27m30s contra 26m28s.
O clima também ajudou bastante.
Depois de dias em que as temperaturas atingiram mais de 40 graus, no percurso de corrida vi termômetros de rua marcando 24, 25º C.
Bem agradável.

A corrida também foi mais longa do que nas etapas anteriores em Santos.
Isso é certo. O retorno, que era em frente à Rua Carlos Afonseca, agora ficou praticamente grudado na Av. Ana Costa.

Como as três modalidades tiveram distâncias aparentemente maiores que as etapas anteriores é explicável o aumento do tempo total de vários atletas.
Isso não é crítica. Ao contrário. Acho que antes nem a corrida nem o ciclismo tinham as distâncias corretas.

Fechei a prova em 3º lugar e me mantive em 1º no campeonato.

Contente... principalmente por não ter sentido a lesão.

Próximas... 25 de outubro e 13 de dezembro.
Se Deus quiser estarei nelas.

Até lá !

3AV
Marco Cyrino


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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Semi-desconectado


Não... não sou um Neanderthal quando o assunto é tecnologia.
Sou Neannormal.

Não sou aficionado, tampouco um ermitão.
Tento ficar na medida certa.
Difícil, viu?

Atualmente, a cada dia, proliferam redes sociais, aplicativos disso e daquilo.
Evidentemente, todos têm seus lados A e B.
As duas faces da moeda.

WhatsApp, Instagram, Twitter, Facebook... tudo de bom...
Má, peraí!!!

Um caso...
Um dia, bateram na traseira do meu carro.
Parei na faixa de pedestre para esperar o pessoal atravessar e fiquei olhando no retrovisor... pensei:
- “Vai dar ruim”
Deu!
A muié vinha teclando na porra do celular, provavelmente no uatizap, e só tive tempo de tirar o pé do freio para o estrago não ser maior.
Já contei isso em outro post...

Desci do carro e a mulher jogou o celú no banco do carona...
Abriu a porta se desculpando, e fez o possível e o impossível para eu não ver o telefone dela, ainda aceso, conectado a uma rede social.
Passou... podia ter sido pior.


Relutei muito (e sempre reluto antes de tomar algumas decisões) para entrar em Orkut (lembram disso???) e depois no Facebook.

Confesso que é difícil ficar longe dessas “pragas”.

Também confesso que entrei nessas redes sociais muito mais por curiosidade do que outra coisa qualquer.


Aparte...
Quando, incentivado por meu irmão Alfredo, finalmente resolvi lançar um Blog sobre Triathlon, achamos que as redes sociais seriam uma boa ferramenta para divulgar meus posts.

Paralelamente a isso e, por precaução, registramos nossa marca “3atlhonnaveia” e “triathlonnaveia”.

Apenas um aparte no contexto...

Como surfei a maior parte da minha vida, sempre me referi ao esporte e ao lifestyle como “surf na veia”.

Daí, a analogia.

As redes sociais são um perigo.

Se dermos asas, deixamos muitas coisas de lado e passamos a viver apenas num mundo virtual.

Presenciei a implantação dos primeiros “tijolos”, quer dizer, celulares com antenas (que não funcionavam).

Presenciei a implantação de computadores nas empresas, inclusive, evidentemente, naquela em que trabalho.

Um exemplo
Constantemente, fico indignado quando, na empresa, presencio situações de pessoas trocando e-mails infinitos sobre um determinado assunto, ao passo que uma simples ligação telefônica poderia resolver o problema.

Sei que os e-mails, por copiarem várias pessoas, as colocam a par do que está sendo tratado. Mas, o assunto poderia e deveria ser resolvido em uma ligação, oficializando-se depois, por e-mail, a solução encontrada.

Mas não...
Quando você percebe, passou o dia inteiro lendo e-mails.
Produtividade zero.

E depois, encontro vários dos envolvidos naqueles e-mails comentando:

- Puts...hoje o dia foi osso. Cheio de problemas.
 Mas consegui resolver todos.

TODOS???


Mas, o principal motivo deste post  é que pensei que a coisa havia atingido já o pior dos níveis.
SQN (viram como estou atualizado no linguajar internético facebookwahtsAppiano?)

A Manuela virou para o lado dos esportes.

Surf, agora, só vale a pena se for de GoPro em punho. E preferencialmente postando após cada onda surfada o vídeo da própria (Claudio Miler vai ficar puto...kkk).

Os treinos de bike, corrida, natação idem.

Na academia, tenho visto boa parte dos atletas (???) interrompendo seus treinos para lerem/postarem coisas nas redes sociais.

Volto a falar, nada contra nenhuma ferramenta tecnológica.

Investi em um EDGE 510 para minha bike e, sinceramente, estou voltando para um Cateye convencional.

Cansei de ficar me preocupando com o satélite, com a altimetria (porra, vou ter que subir mesmo) com a potência... ( ah... isso ele não mede).

Uso apenas nos treinos de corrida o meu Garmin Forerunner 310XT (aquele laranjão) para monitorar o pace, tempo e distância total, assim como a FC.
Nunca descarreguei um treino no computador.


Estou certo?
Provavelmente não.
Mas não quero usar (ia escrever “perder”) todo o meu tempo com isso.
Não quero um dia me encontrar em uma mesa de restaurante, com minha mulher, amigos, sei lá, sem proferir nenhuma palavra... todos conversando ali pelas redes sociais.
O problema não é o uso. É o uso excessivo.


Um excelente vídeo sobre o que penso...




3AV
Marco Cyrino


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Protocolos e Condicionamentos


Lembrei deste assunto por ocasião de uma Auditoria de Sistema de Gestão da Qualidade, na empresa em que trabalho.

A criação de um Sistema de Gestão talvez seja o que melhor representa a necessidade de haver protocolos.

Enquanto o Auditor, acompanhado por mim, percorria as várias atividades da empresa, comecei a pensar na relação “protocolos” x “dia-a-dia”.

A correlação com os protocolos voltados às atividades desportivas foi direta.


Protocolos

De forma abrangente o termo "protocolo" se aplica aos procedimentos padronizados, em incontáveis áreas do conhecimento humano, utilizados para analisar, diagnosticar, prognosticar e prescrever (potenciais) soluções para quaisquer tipos de situações.

Tais situações podem envolver - isolada ou conjuntamente - desde um desejo ou necessidade individual (ou coletiva) de melhoria / evolução em alguma atividade, até problemas médicos, biológicos, esportivos, ambientais, geológicos, econômicos, políticos, informáticos, de engenharia e técnicos em geral... A lista é infinda.

Sem chances para o acaso

Freqüentemente, como resultado do consenso entre especialistas da área, o protocolo objetiva enfrentar da maneira mais segura, rápida, eficaz e com as melhores armas, um inimigo poderoso, que pode ser uma doença, um evento emergencial, um acidente, uma calamidade qualquer.

São rigorosamente definidos em seus critérios de diagnósticos, prognósticos, prescrições, tratamentos etc.

É o caso, por exemplo, dos abençoados oncologistas que, dia a dia, vêm debelando diversos tipos de cânceres e melhorando a expectativa e a qualidade de vida dos pacientes.

Outro exemplo, os procedimentos de emergência para gestão do sistema elétrico de um país, ou de alguma de suas unidades (uma hidrelétrica ou usina nuclear, por exemplo).

Outro exemplo ainda, bem simples, o "protocolo" de "tratamento e cura" do motor de um carro que "ingeriu" água (num alagamento, por exemplo): desmontagem total, lavagem química, substituição de componentes avariados etc. etc.


Condicionamentos em atitudes e procedimentos

Por outro lado, determinadas atitudes e procedimentos condicionados parecem estar programados nas mentes de muitos profissionais (especialistas também em incontáveis áreas) e acabam sendo apresentados ou mencionados como "protocolos", às vezes até como forma aumentar a credibilidade daquilo que se está comentando, recomendando, ou prescrevendo.

Infelizmente, de maneira geral, tais condicionamentos parecem ser predominantes, embora existam exceções.

Para aclarar, podemos exemplificar com situações típicas:

1 - Um paciente reclama de um efeito colateral de um medicamento.
O remédio foi prescrito recentemente.
O sintoma é daqueles que, no mínimo, afetam fortemente a qualidade de vida do paciente.

O médico, sabedor de que tal efeito colateral só se manifesta em 0,0001% dos casos (1 em cada 1000.000 pacientes) , afirma categoricamente que o paciente está enganado. (Postura comum, já presenciada dezenas de vezes...)

Suponhamos que não se trate de um medicamento insubstituível, nem de um caso do tipo "se ficar o bicho come, se correr o bicho pega" (quando deixar de tomar a medicação seria pior ainda do que o atual efeito colateral).

Nesta situação, em sua postura "condicionada", o médico desconsiderou a possibilidade de seu paciente ser um dos tais "1 em 1 milhão" que apresentariam aquele efeito colateral.

Provavelmente, manteve a medicação... e o prejuízo à qualidade de vida do paciente.

2 - O computador de uma pessoa sofre um crash e não inicia mais.
Como a maioria dos usuários, a pessoa não tem o hábito de fazer backups regularmente.
Seu computador guardava informações e arquivos importantes, trabalhos em andamento etc., boa parte dos quais não se encontram em nenhuma outra mídia (CDs, DVDs, pendrives, etc.).

A pessoa chama um técnico de informática.

Existe a opção de acessar o diretamente o disco do computador, ou utilizar um aplicativo de recuperação de dados, para salvar os arquivos importantes em um meio externo (pendrive, por exemplo), o que pode consumir algumas horas de trabalho, que poderiam ser utilizadas em muitas visitas a outros clientes.

Diante disto, o técnico declara que a única solução consiste em formatar o disco e reinstalar o sistema operacional --- o que consumirá bem menos tempo e provavelmente devolverá ao cliente um computador funcionando, mas sem os seus arquivos e informações.

Desnecessário comentar os prejuízos para o cliente...

3 - Uma pessoa leva o carro ao mecânico, para trocar uma peça sabidamente defeituosa.
O procedimento técnico correto exigiria remover antes determinados conjuntos mecânicos, para ter acesso pleno à peça, poder usar as ferramentas certas, etc.

Mas, o mecânico adota um "jeitinho" mais rápido, focado apenas no problema imediato.

Ele substitui a peça "na marra", forçando outros grupos mecânicos, usando as ferramentas (não necessariamente corretas) que couberem no espaço.

Evidentemente, o cliente sairá da oficina com a peça nova instalada e funcionando, mas também com diversos outros problemas "semeados" para futuros retornos...

Por quê?
Supondo que todos sejam profissionais motivados a obter o melhor para os seus clientes, conclui-se que houve, por mínimo, certa falta de amplitude de pensamento e de percepção.

O que leva a isto?
Excesso de confiança?
Relaxamento?
Descaso?


Esses são exemplos característicos de profissionais que simplesmente não seguiram o chamado de protocolo.

Por outro lado, o “protocolo”, quando levado como única verdade, também pode ser uma faca de dois gumes.

Canso de ver exemplos, alguns relacionados ao esporte, de profissionais que seguem o protocolo até a morte, sem fazer uma análise profunda das especificidades de cada pessoa.

O atleta vai se preparar para um Ironman, e seu técnico aplica determinado protocolo de treinos que pode não se ajustar à disponibilidade de tempo do atleta.
O que fazer?
Ignorar protocolo?

Esse mesmo atleta recebe de sua nutricionista uma recomendação de ingerir uma certa quantidade de carboidratos, uma outra quantidade de sódio e uma outra quantidade de líquido, por hora/treino.

Ele não se sente bem com as quantidades recomendadas.
O que fazer?
Ignorar o protocolo?

Em seus exames de sangue, é constatado que o nível de colesterol ruim (LDL) está um pouco acima dos níveis estabelecidos.

O médico recomenda que ele reduza drasticamente o consumo de gorduras e, caso não os níveis não caiam, será obrigado a tomar remédios para isso.
O que fazer?
Ignorar o protocolo?

O técnico deve ser profundo conhecedor das necessidades do atleta, para ter meios de, seguindo um protocolo, como um indicador, criar alternativas de treinos que permitam ao atleta chegar ao Ironman estando em sua melhor forma.

A(o) nutricionista deve receber o feedback do atleta, para também adequar as quantidades de nutrientes necessários durante os treinos. Deve, inclusive, tentar fazer isso antes mesmo da primeira prescrição.

O médico, mesmo constatando um nível de colesterol ruim um pouco acima do estabelecido, deve analisar outros dados, como o colesterol “bom” (HDL) e muitos outros itens para estabelecer um quadro concreto da saúde do paciente.

Enfim, o protocolo é um ótimo ponto de partida, nem sempre de chegada.

3AV
Marco Cyrino


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Trineanderthletas









Sei lá de onde me surgiram as lembranças, mas, já que surgiram, vamos que vamos.

Depois de já ter abandonado o futebol devido a lesões sérias e ter ficado somente no surf (apenas porque, para quem surfa sabe a dificuldade que é contar apenas com esse esporte, tendo que trabalhar em horário comercial e rezar para haver ondas no final de semana) falei de eu pra mim:

- Vou ter que fazer algo mais.

Mim respondeu pra eu:

- Máiquipôrraturáifazê?

Eu pra mim:

- Rônadá. Aprendê essa bagaça.

Nadar, nadar
Esclarecimentos...
Até então, eu nadava. Mas nadava muito. Com a cabeça pra fora e respirando para os dois lados. Um primor. Um verdadeiro campeão olímpico de nonsense.

Minha natação era baseada nas travessias que fazíamos (meu irmão Alfredo – ele mesmo, o Editor) até a casa do chapéu (que na época era o Pirulito). Ele já com muita técnica (coisa que comprovei há não tanto tempo atrás) e eu na raça.

E era baseada também em anos e anos de surf sem cordinha, perdendo a prancha atrás da arrebentação e saindo do mar na base do salve-se quem puder.

Bom... entrei na natação.

Acho que qualquer um que comece a nadar com a minha idade, sem nunca ter caído na água, em um ou dois anos vai nadar melhor que eu.
Isto porque "desaprender" vícios é uma dureza, viu ?

E bate perna daqui, bate perna de lá, faz educativo daqui e faz de lá, faz tiros daqui e de lá e... conclusão... Era um Neanderthal.

Melhorei, confesso... mas, daí a ser nadador vai uma diferença absurda. Eu me viro bem. E olhe lá...


Iniciando em Biathlon e Triathlon
Mineiro, Baltazar e outros amigos me incentivaram a fazer um Biathlon.

Vou avisando que a narrativa será abreviada por alguns motivos.
Primeiro, não tenho autorização (como se necessário fosse) para mencionar os personagens.
Segundo, se mencionar tudo que vi e vivi com esses personagens, aí sim vou precisar de autorização... kkk


Fiz. Gato de Rua. Em São Vicente. Gonzaguinha.
A absurda distância de 500 m de água + 3 km de corrida.
Sobrevivi.
Exausto e feliz.
Com sunga, algo no tórax (não sei se era camiseta) e descalço.

O Neanderthal evoluiu e, de repente, fui para o primeiro Triathlon.
Um short do TB, que fiz de sunga, MTB e... descalço.
No final da prova, todo mundo comendo frutas, tomando isotônico, e eu procurando a Neuza, doido pra sair dalí.

Nessa época, treinava 1000 m de natação, corria que nem louco, sem saber pra onde nem porque, e pedalava numa bike absolutamente comum (sem marchas, tipo Barra Forte), dando tiros da faculdade (FEFIS) para casa e vice-versa.

Treinos em estrada - cara e coragem
Ouvia falar que havia um pessoal que treinava em estradas.
Nem me imaginava fazendo isso, até que comecei a fazer... 5:30h da matina, no posto da Ana Costa x Glicério... pegar a Anchieta e ir até sei lá onde.

Primeiros treinos, saíamos com um pelote considerável.
Nem tínhamos ainda saído da cidade, e já estavam sobrando... Cléber Celino, Rubão, mais alguém e eu.

E estávamos nos achando...kkk

Um dia, maior vento noroeste (acho que só quem é daqui sabe)... Rubão, Cléber e eu na Anchieta... furou o pneu do Cléber.
Alguém levava câmaras? Ferramentas? Algo?
Isto no eczistia!

Aí, pára o Barba (ciclista das antigas) e, do nada, nos dá um help.
Pô... a roda do Cléber era presa por parafusos...sem engate rápido... hahaha!!!
Precisava de chave de rodas de carro, para desengatar.

O Barba é um MacGyver. Fez um remendo sem tirar a roda e fomos embora.

O Cléber é um Meganeanderthal.
Mas ele é Mega não só por isso.
Com o tempo, continuamos a treinar e, até por ser forte pra caramba, o cara só usa uma relação.

Pode ser subida, descida, plano... a bike tem 20 relações... ele coloca sempre na mais pesada e vai... mas vai mesmo.

E a cunhamanhola??? (é assim que ele chama... claro que é sacanagem)... Ele chegava com a bike em casa e, do jeito que ela estava, ficava... até o próximo treino.
A caramanhola ficava verde de musgo. E se vacilar nem a água ele trocava...kkkkkkk

Trisubmarino
Numa prova, acho que do Santa Cecília, no inverno... estava cansado de ver Triathletas nadarem com roupa de borracha.
Falei... tô nessa...eles vão ver.
Cheguei com meu neoprene de surf, vesti e fui...
O “trisubmarino” quase não sai do mar...hahaha... mas não passei frio.

Pra quem não sabe, a funcionalidade da roupa de surf é oposta à da roupa de natação, embora sejam feitas de materiais parecidos.

Jogar sinuca
Quando me lesionei seriamente no futebol, tive um rompimento quase total do tendão de Aquiles.
Meu grande amigo, ex-sócio e guru profissional, Waldir, me levou ao então top da medicina.

Era o responsável pelo SFC, que me disse na bucha:

- Amanhã vou te operar e depois você vai ser um ótimo esportista. Vai poder jogar sinuca, porrinha, tomar cerveja, jogar dominó e baralho.

Saí da sala dele numa perna só e nunca mais voltei.
E me curei (curei ???) em “apenas” um ano e meio, caminhando (depois que consegui colocar o pé no chão), andando por dentro do mar e fazendo outras coisas da minha cabeça (neanderpaciente).

Mais recentemente, encontrei-o na praia e fiz questão de falar-lhe:

- Obrigado...tô bem, jogando baralho, dominó e sinuca. E também indo para meu sexto Ironman.
Acho que ele não entendeu pôrra nenhuma...rsrsrs.
Provavelmente, nem se lembra de mim.

Pé de pedra
Voltei a correr descalço.
Um dia, depois de um Triathlon, cheguei em casa e andava pela sala ouvindo um “risc...risc...risc...”.

- Neuza, tá ouvindo?
- Tô. Que é isso?
- Sei lá. Vou tomar banho.

Entrei no box e, esfrega daqui e dalí, passei a mão no calcanhar.
Caraca! Tinha um caco de vidro de carro, espetado.
E eu não sentia nada. O bicho estava ali e eu nem aí.

Me chamavam de “Pé-de-pedra”... de “Sirizeiro”.

Sirizeiro é um cara folclórico.
Vendia ou vende caranguejos na estrada.
E fez várias provas de Triathlon correndo descalço.


Talvez, um dia, quem sabe, esmiúce mais essas histórias.
Por enquanto só quero dizer que é bom ter histórias.
Principalmente quando elas não são pesadas e nos fazem dar umas boas risadas ao relembrá-las.

PQP... Já sei de onde me vieram as lembranças...
Estava simplesmente fazendo um retrospecto e me peguei rindo muito....

3AV
Marco Cyrino