sexta-feira, 12 de abril de 2024

Santos - Ponta da Praia em extinção – Cronologia - Parte I


Antes de apresentar nossa visão atual sobre este assunto, é necessário republicar a nossa série original de 5 artigos "Ponta da Praia em extinção", para que os leitores tenham uma visão clara do problema e de sua evolução ao longo do tempo.

Para manter a fidelidade a cada momento documentado e analisado por nós, estas matérias republicadas não serão editadas ou atualizadas.

Continuamos observando, analisando e nos preocupando, durante os quase 13 anos e meio decorridos desde o nosso primeiro artigo.

E pretendemos agora finalizar a série com dois novos artigos: um deles contendo as nossas impressões sobre as intervenções implementadas e outro contendo documentação fotográfica sobre o estado atual do problema.

Que fique bem claro e registrado

·    Nossos artigos sobre este assunto não se baseiam em estudos oceanográficos, ecológicos, arquitetônicos, paisagísticos etc., os quais acreditamos ser de competência das administrações públicas responsáveis pela gestão do problema.

·    Nossas explanações, fotos, gráficos etc.  representam meramente a nossa percepção abrangente do funcionamento da Natureza e nossa interpretação da farta documentação fotográfica que já apresentamos.

Este foi o nosso 1º artigo sobre o tema, publicado em 18.11.2012.

Em resumo:

·    Apresentamos uma visão abrangente do problema, correlacionando a erosão da Ponta da Praia com o assoreamento no lado oposto da Praia de Santos (Canais 1, 2 e 3) e o assoreamento na Praia do Goes.

·    Apresentamos um documentário fotográfico das situações na Ponta da Praia e nos Canais 1, 2 e 3.

·    Contestamos a tese que sugeria como causa a dragagem do canal do Estuário do Porto.

·    Apresentamos como "indiciado" o enrocamento / quebra-mar construído na década de 70 para instalação do Emissário Submarino.

·    Sugerimos uma solução efetiva a ser implantada no referido quebra-mar, evidentemente a ser equacionada, projetada e executada por engenheiros, oceanógrafos, paisagistas, financistas, economistas etc.

Por favor, leiam...


Santos: Ponta da Praia em extinção

Como Triathleta, entro no mar de Santos constantemente, para treinos e para provas (sendo as principais: Triathlon Internacional de Santos, Troféu Brasil de Triathlon, várias travessias, Biathlons), além do nosso treinão de fim de ano, iniciando em frente à Igreja do Embaré e indo até o Pirulitão (mais ou menos 3.000 m, ida e volta).

Como surfista, desde a década de 70, quando iniciei com os grandes nomes do surf santista, como Cisco, Almir, Picuruta, Lequinho, Molina, Bolina, Hamilton, Bucão, e muitos outros.

Posso dizer que tenho bagagem para analisar algumas coisas.

Dentre elas, uma me incomoda demais: a erosão na Ponta da Praia.

Simplesmente, esse pedaço da praia de Santos está sumindo e fadado a ser extinto em pouquíssimo tempo, se algo não for feito.

Pode parecer  soberba, mas acho que sei o que deve ser feito.

Já possuía essa opinião formada, e ela me foi praticamente confirmada através de pesquisas que meu irmão Alfredo fez, quando comentei o assunto com ele.


Fatos
A faixa de areia da Ponta da Praia está desaparecendo cada vez mais.

Na década de 70
Na maré baixa, essa faixa ia praticamente até em frente ao Museu de Pesca.
Na maré alta, permanecia em torno da Rua Prof. Afonso Celso de Paula Lima.

Atualmente...
Na maré baixa, dificilmente chega até a Rua Prof. Afonso Celso de Paula Lima.
E na maré alta, já não chega até o Aquário.

E isto depois de várias intervenções da Prefeitura, como colocação de pedras ao longo da faixa de areia que sumiu, construção de muretas onde ainda não existiam, etc.

Santos - 2012 - Vista geral
Praia do José Menino à esquerda - Ponta da Praia à direita


Santos - 2012 - Ponta da Praia - Aquário

  
Santos - 2012 - Ponta da Praia
Trecho entre o Aquário e o Museu de Pesca


Emissário Submarino e Píer

Pois bem, entre 1969 e 1976, foi construído o Emissário Submarino, uma das maiores e melhores obras de saneamento de que já tive conhecimento.

Esquadrinharam a cidade inteira com tubulações de coleta de esgotos, que são conduzidos e despejados em uma estação de tratamento, sendo depois levados por tubulações gigantes submersas, até cerca de 4 km da costa, num ponto de convergência de correntes oceânicas (daí o nome técnico "interceptor oceânico").

O agulhão de rochas (enrocamento protetor das tubulações) do Emissário Submarino passou a ser chamado de “Pier” por nós, surfistas, por haver criado uma bancada de areia que gera ondas perfeitas para o surf.


Plataforma sobre o enrocamento protetor das tubulações do Emissário Submarino


Conclusões oficiais sobre a erosão da Ponta da Praia
Já ouvi muitas vezes que o problema está sendo causado pela dragagem do canal do porto de Santos.

Também já ouvi muitas outras como:
- É uma coisa "natural da natureza"... (sic)
- É Deus que está castigando o ser humano.
- É o “Aquecimento Global”


Fatos aos quais, aparentemente, poucos dão atenção
Paralelamente à erosão da Ponta da Praia, as praias da Joinville (Canal 3), Gonzaga (Av. Ana costa), Posto 2 e Canal 1 vêm sendo, ao longo do tempo, assoreadas, cobertas por camadas de areia, efeito contrário ao que ocorre na Ponta da Praia.

As extremidades dos Canais 3 e 2, há muito tempo, são cobertas totalmente por areia, resultando em intervenções (do meu ponto de vista, grotescas) dos órgãos municipais, usando tratores para retirada desse acúmulo de areia e levando-a sabe Deus pra onde (provavelmente para a Ponta da Praia).
Isto é enxugar gelo.


 Antes de passar à análise, quero mostrar algumas fotos que fiz ontem, para ilustrar os problemas mencionados até aqui, e enfatizar a gravidade da situação.


Imagens da situação atual

Ponta da Praia - desnível entre areia e calçada -
em frente ao Aquário


Ponta da Praia - desnível entre areia e calçada -
em frente à Rua Prof. Afonso Celso de Paula Lima


Ponta da Praia - onde antes havia areia



Percorrendo os canais rumo a S. Vicente
Mureta do canal 6, normal, acima da areia


Percorrendo os canais rumo a S. Vicente
Mureta do canal 5 (ao fundo), normal, acima da areia


Percorrendo os canais rumo a S. Vicente
Mureta do canal 4, normal, acima da areia


Percorrendo os canais rumo a S. Vicente
Mureta do canal 3, assoreada, em nível com a areia



 Percorrendo os canais rumo a S. Vicente
Mureta do canal 2, assoreada, soterrada pela areia
Areia também dentro do canal



 Percorrendo os canais rumo a S. Vicente
Mureta do canal 1, assoreada, desaparecendo



Vista de cima do Píer, olhando para S. Vicente
Ilha Urubuqueçaba à esquerda
Duas pessoas voltando da ilha... a pé...



Vista de cima do Píer, lado de S. Vicente


Vista de cima do Píer, lado de Santos
(mesma linha da foto anterior, no lado de S Vicente)



V o l t a n d o...

Minha vivência
Sou Surfista, Triathleta, Munícipe e observador.

Não sou oceanógrafo, nem formado em qualquer área relacionada a esse fenômeno.

Mas, acompanhei ano a ano a evolução desse problema, seja de fora ou de dentro do mar.

Aprendi a conhecer as marés, correntezas e suas conseqüências.
Passei boa parte da minha adolescência aprendendo a surfar na divisa de Santos e São Vicente, ao lado da Ilha de Urubuqueçaba, quando ainda não existia o “Píer”.

O mar passava “de boa” pelo Canal 1 e pela frente dessa ilha.
Aquele era o melhor local para surfar antes da construção do “Píer”.

Hoje, na plataforma desse Emissário (Píer), existe um parque esportivo / recreativo excelente, com Museu do Surf, pista de skate, pista de jogging, arquibancada e palanque para campeonato de surf, banheiros públicos, etc.

Aproveitamento da plataforma do Emissário Submarino

Enfim, o Píer está incorporado ao mapa da cidade.

Diálogo evidenciando a "incorporação"
Outro dia, observando a galera surfar, lá do alto do Píer, um adolescente travou esse diálogo comigo, depois que um camarada dele caiu, ao descer uma onda:
- Aê, brô...tu viu u drop du Galêgu ?
- Vi... botô pra baixo e sifú...
- Aqui é casca... as onda são buracu. Santus tem esse píer natural que dá até tubu.
- Píer “Natural” ???????
- Éééé... meu pai me falou que aqui sempre deu altas onda.
- Meu... isto aqui é artificial... é um Emissário Submarino para levar a nossa bosta já tratada lá pro alto mar.
- Emissário de quem? Pô! Tu é de que religião ?
- Deixa pra lá...


Tentando ajudar... e desistindo
Há alguns anos, tentei dizer o que penso a alguns representantes do Município, mas fui rechaçado com argumentos evasivos.

Na época (não vou dizer qual), resolvi "deixar quieto".


Tentando novamente...
Há alguns dias, minha mulher, Neuza, me disse ter ouvido que a Prefeitura está trazendo oceanógrafos da USP para tentar descobrir a origem do problema.

Pois bem, vou apresentar minhas conclusões, até mesmo para que possa (talvez) auxiliar nessa questão.

Não é problema de dragagem
Isso é feito desde os primórdios do Porto de Santos e nunca causou esse efeito.

A Praia do Goes, lado oposto do canal do Porto, em frente à Ponta da Praia, está também assoreada, e isto sim pode ter relação com a dragagem.


Santos - 2012 - Praia do Goes
(abaixo, à direita)



Movimento das águas, movimento...

Evidentemente, as linhas traçadas nas imagens a seguir objetivam apenas ilustrar o entendimento "macro" do problema, sem a pretensão de representar as complexidades hidrodinâmicas da Bacia de Santos.

O Porto de Santos possui um canal que recebe e “ejeta” água do mar, em decorrência das marés, e isto ocorre com uma certa "força".

Maré vazando
Quando a maré está vazando (esvaziando), a água sai com bastante força pelo canal do Estuário (perto da Ponta da Praia), em direção ao alto mar.

Essa correnteza, no sentido de São Vicente, arrasta areia desde o canal do porto, passando pela Ponta da Praia, Aparecida, Embaré, e assim por diante, arrastando areia dessas regiões e a depositando nas próximas praias, ou seja, Boqueirão, Gonzaga, Posto 2 (Pompéia), José Menino, etc.

Santos - Maré vazando


Antigamente essa areia não era depositada ali, pois, sem o Emissário, a correnteza continuava paralelamente à praia, até a Ilha de Urubuqueçaba, contornando essa ilha e depositando a areia longo da costa, até as proximidades da Ilha Porchat, em São Vicente.


Maré enchendo
Na maré cheia, o fluxo inverso da correnteza ia recolhendo esse material e o trazendo de volta ao seu local de origem (praias mais á direita, nas fotos), estabelecendo assim o equilíbrio.

Santos - Maré enchendo

O que houve, ao longo do tempo

Após a construção do Emissário, houve simplesmente um bloqueio do fluxo da maré vazante.

Com isso a areia retirada da Ponta da Praia e adjacências (até o Canal 4) passou a ser depositada ao longo das praias do Boqueirão, Canal 3, 2 e 1 (este último mais recentemente).

Quando a maré começa a encher, o bloqueio da correnteza, por ser inverso, faz com que ela passe por trás da Ilha de Urubuqueçaba, e retorne pelo mesmo trecho de praia, mas num volume inferior ao da maré vazante, o restante passando mais ao fundo, mais ao centro da Bacia.

Resulta que a areia depositada ao longo daquele trecho (Canais 1, 2 e 3) não é mais retirada durante a maré enchente (sentido São Vicente - Ponta da praia) para ser devolvida à sua origem.

Simples assim.

Isso acontece pelo mundo inteiro, onde o homem fez intervenções similares a esta.
África do Sul tem vários locais com esse fenômeno.
Aqui pertinho, em São Vicente, houve a mesmíssima coisa.


Maré vazando

Maré enchendo


Solução
Permitir que a natureza volte a atuar como se o Emissário/Píer não houvesse sido construído.

Como?
Remover o Emissário ou Píer?
Impossível.
Já era!

Então... ainda resta uma, custosa, mas, com a tecnologia disponível, creio que seja possível aplicá-la.
Aliás, deve ser mais barata do que outras que venham a ser tentadas.
O Emissário/Píer não vai sair de lá. Fato!

Construir "túneis" no nível do mar, atravessando o enrocamento do Emissário e possibilitando a passagem da correnteza em ambos os sentidos, para que, ao longo do tempo, sem novas obras ou dispêndio de energia (bombeamentos, escavações, transporte de areia etc.), os processos de erosão e assoreamento se invertam naturalmente.

Evidente, a quantidade de passagens, as dimensões dos túneis, seu direcionamento etc. teriam de ser cuidadosamente projetados para preservar a integridade do enrocamento, permitir a passagem do volume adequado de água, prever o comportamento das correntezas ao longo dos anos etc. etc.


Finalizando, espero os técnicos que estão a caminho encontrem a solução definitiva, seja ou não coincidente com esta minha análise,
purquê o bagúio é punk, mano!!!


Leia e veja mais:


Marco Cyrino

sexta-feira, 8 de março de 2024

Vida após o Triathlon

A brisa do mar chega até mim, enquanto observo o quebrar das ondas na praia de Santos.
Manhã ensolarada, perfeita para uma corrida na areia.
Mas, meus pés hoje estão descalços e não com os habituais tênis de corrida.
 
Após completar 7 desafiadoras provas de Ironman e incontáveis outras em variadas distâncias, não foi fácil a decisão de parar de competir no Triathlon.
 
No entanto, a sensação de paz que me invade neste momento confirma que fiz a escolha certa.
 
A rotina de treinos, os planejamentos, as viagens para competições, as expectativas por resultados, que por tantos anos estiveram presentes em minha vida, agora deram lugar a uma percepção de liberdade.
 
É verdade que a adrenalina da largada e os esforços e a superação exigidos pelas provas me traziam enorme satisfação. 
 
Também é certo que a saudade baterá à porta de vez em quando...
 
Cada prova concluída foi uma conquista, uma celebração da vida, das amizades, e do meu potencial.
 
Creio que alcancei o que me propus a fazer no esporte.
 
Porém, como é natural no esporte, o passar do tempo sempre traz os sinais de que é chegada a hora de diminuir o ritmo.
 
Então, como já disse aqui, decidi ouvir meu corpo e minha intuição, abrindo mão das competições, mas não da paixão pelo esporte.
 
Agora, será correr na areia, nadar no mar, percursos agradáveis de bike, sem ansiedade ou preocupação.
 
A vida após o Triathlon é um novo capítulo, cheio de possibilidades e talvez descobertas, aprendizados e momentos especiais.
 
Haverá mais tempo para as demais atividades que já exerço... e entretenimento... e convívio familiar... e a companhia da minha esposa.
 
Finalizando, para aqueles que estão pensando em parar de competir, mas temem o vazio que poderia surgir, quero ressaltar que o processo todo pode ser diferente para cada pessoa.
 
O que funciona para um atleta pode não funcionar para outro.
 
O importante é encontrar um novo ritmo, atividades que tragam prazer e significado para a nossa vida, cuidar da saúde física e mental, e aproveitar cada momento com gratidão e leveza.
 
O Triathlon nos ensinou muito sobre nós mesmos, sobre nossos limites e sobre o que é possível conquistar.
 
Podemos usar todos esses conhecimentos para construir um novo capítulo na vida, porque, afinal, ela continua sendo uma jornada de aprendizado e crescimento.
 
 
3AV
Marco Cyrino
 
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terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Desapegando de competir


 
É meio assim...
 
Não queria, mas vou ter que fazer um preâmbulo, introdução, ou seja lá o que for.
 
Caso procurem em minhas postagens, irão conhecer "minha vida atlética”, seja no futebol, no surf e principalmente no Triathlon, esse esporte que adotei, ou fui por ele adotado.
 
 
Início da peregrinação esportiva
 
Minha peregrinação nos esportes teve inúmeros percalços, mas, insistente que sempre fui, consegui superar um a um.
Concorrência de tempo com o trabalho (futebol), falta de talento competitivo (surf), lesões (principalmente no futebol), entre tantos outros.
 
Isso tudo me levou à natação.
Até hoje, sou exímio nadador (para me salvar..... rsrsrs).
 
Depois ao Biathlon e, por último, ao Triathlon, no qual, sem nenhuma expectativa que não fosse a de fazer atividade, acabei, como disse, sendo adotado e tive meus melhores desempenhos.
 
Pra quem não nasceu em berço de ouro, ter feito Triathlon com bike de pedalar na rua, correndo descalço, sem saber nadar direito, posso dizer que sou um vencedor.
 
 
Colegas, técnicos, amigos, provas e mais provas...
 
Aos poucos, já com certa idade, uns 40 e poucos anos, fui evoluindo.
Fui fazendo amizades com tantos atletas tops que nem vou mencionar.
Todos me dando incentivo.
 
Nunca pensei que teria um técnico.
E tive pouquíssimos.
 
Meu primeiro, Fábio Matos, ainda quando a UNIMONTE tinha um CT absolutamente ótimo na Vila Mathias.
 
Treinei com Polyana, com Galindez, com Carla Moreno e com uma porrada de atletas tops.
 
Mas, principalmente, treinei com amigos: Cláudio Miller, Cleber (vagabundo... piada interna... kkk), Rubão e outros mais que, espero, não fiquem chateados por não mencioná-los aqui.
 
Depois que fiz meu 1º Triathlon Olímpico no TB e ganhei (não por ter talento, mas por sorte mesmo), resolvi levar um pouco mais a sério este esporte.
 
Memórias tatuadas
Quando digo que treinei entre amigos, queria fazer uma menção ao Cleber Celino.
 
Uns dias depois de meu pai ter feito a sua passagem, fui ao CT da UNIMONTE e nem queria cair na água.
 
Fiquei sentado por quase uma hora na borda da piscina.
 
O Cleber nadava e acho que ainda nada melhor que eu.
Ele, mesmo sem saber de nada, não caiu na piscina.
Ficou ao meu lado, me olhando e, do nada, me jogou na água.
 
Falei:
- “Tá doido, vagabundo?”
 
Ele:
- “Bora nadar, Marcão”.
 
Coloquei os óculos e começamos a nadar.
E ele o tempo todo na raia do lado, junto comigo, sem querer me ultrapassar.
 
Nadamos uns 2.000 m e quando paramos ele me olhou e disse.
 
- “Ele está bem. Fica tranquilo”
 
Nunca esqueci isso e nunca lhe perguntei a respeito.
Tem coisas que ficam tatuadas em nossa mente.
 
Voltando...
Depois disso, como o Fabinho era apenas um “técnico” disposto a me dar dicas (porque eu não contratei ninguém... rsrsrs), meus amigos resolveram que eu ia fazer a pourra do Ironman.
 
Já tinha feito uns trocentos TB, alguns meios Long Distance de Pirassununga etc.
 
Entrei na turma do Fernando Rocha e seus amigos, Guto, etc.
Daí, fui para meu 1º técnico contratado, Ivan Yague.
Meu objetivo era conseguir completar um único Ironman.
E assim o fiz.
 
Depois, por obra do destino, encontrei meu irmãozão Silvão.
E ele me levou até onde nunca imaginei que chegaria no Triathlon.
Completei  7 provas de Ironman Full.
Ganhei várias provas como as 2 de Guaratuba – Insano.
Ganhei algumas do TB Olímpico e inclusive 2 campeonatos.
Ganhei 2 provas do Challenge, inclusive uma delas me dando vaga para o mundial na Eslováquia em 2.018.
Também em 2.018 ganhei pela 1ª e única vez minha categoria no Internacional de Santos.
Mas.........
 
 
Decisão e motivos
 
Acho que foi um pequeno preâmbulo, né?
 
Bom, agora a decisão mais difícil.
Estou desapegando de competições.
 
Por inúmeros motivos, sendo estes os principais.
 
- Em 2019, resolvi tirar um ano sabático (kkk... adoro essa expressão).
Mas, na real, depois de mais de 20 anos de Triathlon e indo para 62 anos de idade, já estava exausto de seguir planilhas de treinos, com tudo o que isso envolve.
E assim foi.
Conversei com o Silvão, que entendeu tudo, e passei a fazer somente aquilo que tinha vontade, para preservar minha saúde mental e física.
Nadar o quanto e quando queria.
Pedalar e correr também.
Sem compromisso com competições.
 
- Veio 2020 e a “pourra da pandemia”.
 
- Vieram 2.021 e 2.022.
A “pourra da pandemia" passou, mas a preguiça ficou... kkk
 
- Veio 2.023 e minha vida já estava focada em outras coisas não competitivas.
Em paralelo, para nadar já não tinha mais o local onde eu pudesse fazer da forma que queria.
 
Para pedalar, amigos meus sofreram ataques de vagabundos para roubarem suas bikes.
Fora a mão-de-obra para pedalar em lugar “mais ou menos” seguro.
 
Para correr, sem problemas.
Ôps! Nem tanto.
Ainda ontem, sofri uma tentativa de assalto nas calçadas da orla de Santos.
Na verdade, depois descobri que não era comigo.
Era com uma menina atrás de mim, que estava falando ao celular.
Mas o “coitado”, em sua bike, foi parar de volta na ciclovia após eu o derrubar, pois pensei que fosse comigo.
E assim caminha a desumanidade.
 
 
Resumo bem resumido
 
Sabe quando a gente perde o tesão por algo ?
É assim.
Estou nessa vibe.
 
Mas o Blog vai continuar, como sempre, com as minhas publicações sobre tudo aquilo que eu puder tentar passar para quem quiser.
 
Irei vender muitos itens e doar muitos outros.
 
Claro que vários itens de competição, caros que são, irei vender:
 
Bike de competição
Rodas de competição
Capacete de competição
Roupas de natação de competição
Enfim, tudo de competição.
 
Dentre muitos itens, como roupas de treino e prova, capacete de “não competição”, vou doar.
 
Quanto a me manter ativo.
 
Sim.
E muito.
Mas apenas pela saúde física e mental.
 
Quando estiver muito a fim de dar umas braçadas, graças a Deus, tenho o mar aqui bem perto de casa.
 
Quando estiver muito a fim de dar umas pedaladas, pretendo manter (ainda não tenho certeza) meu rolo e minha bike de treinos para pedalar aqui em casa mesmo.
 
Quando estiver muito a fim de correr, correrei.
 
Acho que, por enquanto, é isso.
 
 
3AV
Marco Cyrino
 
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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Corridas na praia


Não sou a melhor pessoa para indicar algo sobre isso.
Só sei sobre o que eu fiz até hoje.
Um monte de coisas erradas, mas também um pouco de coisas certas.
 
Já fui o corredor das cavernas, correndo descalço em tudo o que é lugar que possam imaginar.
 
Nas areias, nas pedras, no asfalto, em treinos, em provas.
 
Sim, em provas.
De corrida e em várias de Triathlons.
Me chamavam de “Pé-de-Pedra”........kkk
 
Por incrível que pareça, meu melhor tempo nos 10 km da Tribuna, foi correndo descalço, já com meus 40 e muitos anos.
 
Não lembro o tempo, mas foi o melhor, até porque estava chovendo.
Também já fiz meu primeiro Triathlon correndo de tênis e o retirei no 2º km, para continuar correndo descalço.
 
 
Mas o assunto é sobre correr nas areias da praia.
 
Simplesmente adoro andar e correr descalço, nas areias das praias.
 
Mas, para quem não tem costume, a prática pode acarretar problemas.
Desde torções nos pés e tornozelos, bolhas nas solas, enfim...
Recomendo ter acompanhamento profissional.
 
Por outro lado, correr nas areias, calçado ou descalço, agrega muito condicionamento por vários fatores.
 
As areias, sejam de beira-mar ou areias fofas, exigem mais da parte muscular, o que ajuda a fortalecer toda a musculatura exigida em corridas.
 
Cheguei a fazer 10 km nas areias fofas de Santos (quem conhece sabe o que é isso) correndo descalço e com muito esforço.
 
Meus músculos dos pés doeram bastante, mas meu condicionamento físico foi excelente.
 
Ganhei também o aprendizado sobre as necessidades de hidratação e nutrição específicas para este tipo de treino.
 
E aumentando as possibilidades, em corridas na praia o mar também faz parte.
 
Já fiz várias incursões, caminhando, trotando e até mesmo correndo dentro d'água.
 
Com água até as canelas, com água até os joelhos e com água até o abdômen.
 
Apenas um resumo da minha experiência.
Recomendo que só façam isto contando com uma assessoria muito responsável.
O corpo responde, viu?
 
É muito legal a gente poder variar os treinos!

Especialmente quando podemos estar em um ambiente natural que, sim, exige foco, mas nos estimula de maneira única, favorece muito o sensorial e o emocional, trazendo benefícios para além dos treinos convencionais.
 
Abaixo deste post, um texto bastante relacionado, sobre treinos de velocidade (sim, na praia) de um atleta que conheço há muitos, muitos anos.
 
 
3AV
Marco Cyrino
 
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Velocista
 
Correndo na praia. 
Mental focalizado. 
O sol incentiva.
O mar observa...
 
Sob as passadas, 
areia ficando para trás,  
ressurgindo infinita 
à minha frente.
 
Acelerando mais e mais.
transmutando brisa em ventania, 
cândida esperança de flutuar.
 
Sou somente 
força em sincronismo, 
furioso movimento rítmico, 
vencendo inércia e gravidade. 
 
Toda a energia
em sprint interminável, 
libertando alma, 
até que o corpo implore 
por alívio, descanso, sono,
talvez eterno vôo.
...
Memórias de um velocista - 1974
Publicado no Jornal (do Grêmio) da Poli,
em substituição ao meu artigo "cortado" 
por ser discordante do "pensamento guevariano"
então prevalente no meio estudantil. 
...
©Alfredo Cyrino / Indigo Virgo®

sábado, 23 de dezembro de 2023

Mensagem de Natal e Ano Novo

 
Que o Natal de todos seja de muito amor ao próximo,
mesmo que o próximo não seja tão próximo.
 
Porque é ele, amor ao próximo, que nos deixa felizes.
 
Amor, Fé e Caridade.
Quem já praticou sabe o quanto isso nos deixa felizes
e com mais amor ainda no coração.
Amor para dar, não para vender.
 
É mais ou menos como o Triathlon,
quanto mais praticamos mais queremos.
Mas... é necessário treinar.
 
Que o próximo ano seja repleto desse espírito amoroso.
 
Que tenhamos saúde
para podermos continuar treinando
e praticando isso todos os dias.
 
 
3AV
Marco Cyrino

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Competidores, não adversários


 
Conhecimento é uma poderosa ferramenta de transformação e evolução.
 
Para que Deus me deu a faculdade de aprender com os outros e comigo mesmo, se eu não puder transmitir isso adiante?
 
Desde os meus primeiros dias no Triathlon, minha jornada nesse mundo desafiador e recompensador tem sido não apenas uma busca pessoal de convívio e superação, mas também uma oportunidade de adquirir e compartilhar conhecimento ao longo dos anos.
 
Portanto, mais do que um diário pessoal de treinamentos, perrengues e conquistas, este Blog foi criado com a missão de ser um espaço dedicado a transmitir a paixão pelo Triathlon e oferecer insights a todos os Triathletas interessados, de todos os níveis, iniciantes, calejados, enfim...
 
Se não fosse por este motivo, não estaria mais “escrevinhando” sobre isso.
 
A comunidade do Triathlon é única, uma irmandade de indivíduos impulsionados pela busca de desafios pessoais e pelo amor ao esporte.
 
E cada postagem --- independendo de conter relatos, análises, opiniões, conselhos sobre aspectos físicos, mentais e emocionais, altos e baixos da vida e do esporte, problemas ambientais, comportamento cívico e desportivo etc. --- é uma oportunidade de conexão com essa comunidade.
 
O título deste texto não se aplica apenas a competições.
 
É praticamente um mantra presente nas competições das quais participo e na abordagem que trago às minhas publicações.
 
Em relação a todas as nossas atividades cotidianas, ele reflete a mentalidade que busco instigar em cada leitor, encorajando a camaradagem, o fair play, o apoio mútuo e o respeito.
 
E em relação ao nosso esporte, significa que participamos das provas, aprendemos uns com os outros e celebramos as conquistas individuais e coletivas, porque somos competidores sempre, adversários nunca.
 
 
3AV
Marco Cyrino
 
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domingo, 12 de novembro de 2023

Metáforas da vida no esporte


 
Imagine-se na linha de partida de um Ironman.
 
Com um desafio de 3.8 km de natação, 180 km de ciclismo e uma maratona de 42.2 km pela frente.
 
Multiplique essa experiência por sete.
 
Como já detalhei em algumas postagens deste Blog, provas de Ironman foram apenas uma parte da minha jornada como Triathleta.
 
A outra parte inclui incontáveis participações (as conquistas não vêm ao caso) em provas de diversas distâncias, comoTriathlon Olímpico, Long Distance, Challenge, Short Distance etc. etc.
 
Aos 66 anos, continuo trabalhando calmamente para retornar à prática esportiva, da qual me afastei (como já disse) para atender a inúmeras responsabilidades familiares e religiosas.
 
De qualquer modo, meu retorno ao Triathlon não é apenas uma busca de superação pessoal.
 
Hoje, retomo este tema procurando estabelecer paralelos entre o Triathlon e a vida, para, quem sabe, levar alguma inspiração, não somente àqueles que enfrentam situações similares, mas também àqueles que ainda estão assimilando o verdadeiro sentido deste esporte.
 
Independendo da distância, cada prova de Triathlon (incluindo preparação, execução e até recuperação) é uma epopéia.
 
Cada etapa traz consigo desafios únicos.
Mas, todas têm algo em comum: elas testam os limites do corpo e da mente.
 
A natação
 
Atravessar o percurso na água é como enfrentar as turbulências da vida.
 
Pode ser em águas espelhadas, ou em uma sucessão de ondas, marolas, desafios...
 
Mesmo em momentos caóticos, é possível encontrar tranqüilidade para não perder de vista a sinalização (objetivos), traçar os melhores rumos, mobilizar a força para seguir em frente.
 
Olha a série entrando!

O ciclismo
 
Pode nos levar a trilhas e estradas com subidas íngremes e descidas emocionantes.
 
Cada curva e cada aclive são metáforas para situações inesperadas (ou mesmo esperadas) da vida.
 
Equilíbrio, habilidade e adaptação são essenciais...
 
Depois da hipotermia, pedalando bem agasalhado.

A corrida

Vem para testar a verdadeira determinação.
 
Com músculos doloridos e a exaustão à espreita, é o espírito que nos empurra adiante, numa jornada de autodescoberta e resiliência.
 
Nos percursos mais difíceis, cada passo nos lembra de que precisamos de autoconhecimento, inteligência para definir estratégias para usar nossos recursos o melhor possível, e força interior para prosseguir.
 
Agora só faltam mais 10 km...

 

Assim, se considerarmos ainda as variações de localidades, topografias, fatores ambientais e climáticos, diferentes estruturas de suporte, temos que cada prova é um desafio físico e mental.

 
Sim, cada prova completada é uma conquista que nos faz sentir mais vivos.
 
Mas, a verdadeira vitória está na transformação e no crescimento pessoal que ocorrem ao longo do caminho.
 
 
O Triathlon (e eu poderia estar falando também de outros esportes completos e desafiadores) nos presenteia com lições sobre os valores da preparação cuidadosa, da aceitação das incertezas e imprevistos, da perseverança para encarar as adversidades e nunca desistir, da gratidão a profissionais e familiares que nos estimulam e apóiam.
 
 
3AV
Marco Cyrino
 

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