segunda-feira, 6 de maio de 2024

Santos - Ponta da Praia em extinção - Cronologia - Parte IV

 

Pelos motivos e com os objetivos apresentados no primeiro artigo desta nova série ( Santos - Ponta da Praia em extinção - Cronologia - Parte I ),  continuamos a republicar a nossa série original "Ponta da Praia em extinção".
 
Este foi o nosso 4º artigo sobre o tema, publicado em 01.08.2020.
 
Em resumo:

·    Comentamos o agravamento da situação na Ponta da Praia.

·    Apresentamos e fundamentamos uma solução alternativa, consistindo de um pequeno quebra-mar a ser construído na Ponta da Praia.

·    Apresentamos uma detalhada análise fotográfica comparativa das situações de erosão e de assoreamento, entre os anos de 2012 e 2020.

·    Documentamos as operações enxuga-gelo tentadas pela prefeitura.

·    Reforçando as nossas teses, apresentamos análise fotográfica comparativa do quebra-mar do Emissário Submarino, entre os anos de 2010 e 2020.

·    Comentamos a possibilidade de comprometimento da função de drenagem para a qual foram projetados os Canais de Santos.

·    Analisamos a possibilidade de o aprofundamento do canal do Estuário do Porto haver contribuído para o problema de erosão/assoreamento da Praia de Santos.

 
Por favor, leiam...
 

 

 

Pequeno histórico

Em 2012, publiquei "minha teoria" sobre o principal responsável pelo que vem acontecendo na Ponta da Praia.

Fiz um post complementar em 2013 e outro no final de 2016.

Para o bom entendimento deste novo texto, recomendo fortemente, aos que estiverem realmente interessados, uma leitura bem atenta dos posts anteriores, nos quais tudo já foi detalhado:





No momento, não vou me estender sobre a "minha a teoria" a respeito dessa causa principal, mas, ao final deste post, quero abordar uma causa contribuinte para o problema, já mencionada inclusive em comentários aos posts anteriores: a Dragagem do Porto de Santos.



Objetivo deste post

Acabo de concluir mais uma empreitada fotográfica ao longo de toda a orla, com o objetivo principal fazer, através de imagens, uma análise comparativa da evolução do problema em relação ao ano de 2012.


Eventuais soluções

Com relação às eventuais soluções (também já sugeridas e descritas anteriormente), me ocorreram duas outras idéias:

1ª) Considerando o estado avançado do problema e considerando também que parece haver uma modificação radical no tipo de areia presente na Ponta da Praia (chegando a um ponto em que já se notam pedriscos e areia mais grossa), talvez esteja próximo o momento em que não haverá mais areia a ser retirada pelas marés vazantes.

Como não conheço o subsolo da região, vou parar por aqui.


2ª) Talvez, construindo um outro quebra-mar na Ponta da Praia, o efeito de retirada contínua de areia naquela região pudesse ser interrompido.

Conforme sugerido e indicado nas próximas duas imagens de 2012 (tomadas do meu primeiro post sobre este assunto), essa intervenção teria de ser algo com dimensionamento e posicionamento minuciosamente estudados para não interferir com a navegação de acesso ao porto e, ao mesmo tempo, produzir um efeito similar (e oposto) àquele causado pelo Emissário Submarino, numa tentativa de contrabalancear este último.
(V. marcações em azul turquesa, nas 2 fotos...)

Maré vazando

Maré enchendo


Análise comparativa

Considerações sobre as imagens recentes:

- As fotos foram feitas em 28/07/2020, num horário de maré bem baixa, para que não houvesse distorção entre o que observo e a realidade.

- Tivemos recentemente duas ressacas, as quais normalmente assoreiam os canais. Porém isso ocorreu há mais de 15 dias, portanto, com tempo suficiente para que já houvesse sido retirada uma quantidade considerável de areia dos locais mais afetados.

- A seqüência de apresentação das imagens começa pelo Canal 1, indo em direção à Ponta da Praia.


(Clique em qualquer imagem para ver em tamanho maior e use "Esc" para retornar ao texto do post.)


Canal 1

Situação em novembro.2012

Mureta do canal 1, assoreada, desaparecendo


Situação em julho.2020

Canal 1 

Canal 1


Canal 2

Situação em novembro.2012

Mureta do canal 2, assoreada, soterrada pela areia.
Areia também dentro do canal.


Situação em julho.2020

Canal 2 

Canal 2 

Canal 2 

Canal 2 

Canal 2

Canal 3

Situação em novembro.2012

Mureta do canal 3, assoreada, em nível com a areia.


Situação em julho.2020

Canal 3

Canal 3 

Canal 3

Canal 3 

Canal 3


Canal 4

Situação em novembro.2012

Mureta do canal 4, normal, acima da areia.

Situação em julho.2020

Canal 4

Canal 4 

Canal 4 

Canal 4


Canal 5

Situação em novembro.2012

Mureta do canal 5 (ao fundo), normal, acima da areia.

Situação em julho.2020

Canal 5

Canal 5

Canal 5

Canal 5


Operação enxugar gelo

As dunas de Santos.

As dunas.

Operação Enxugar gelo.

Operação Enxugar gelo.

Entre os Canais 5 e 6.

Entre os Canais 5 e 6, com o caminhão descarregando areia.

Operação enxugar gelo, em seu ápice.

O farol na ponta da praia.

As muretas da Ponta da Praia, já quase no Canal 6.


Canal 6

Situação em novembro.2012

Mureta do canal 6, normal, acima da areia.

Situação em julho.2020

Ponte sobre o Canal 6.

Ponte sobre o Canal 6.

Ponte sobre o Canal 6...
O degrau está na altura do meu joelho.

Foto do outro lado do Canal 6.
De um lado, o mar na ponte.
Do outro lado, o mar recolhido.
Efeito quebra-mar...


Caminhando...

Chegando próximo ao Aquário.


A Ponta da Praia

Situação em novembro.2012

Ponta da Praia - desnível entre areia e calçada - em frente ao Aquário.

Situação em julho.2020

Agora muito próximo... vejam a altura das muretas.

Rampa de acesso à praia

Um mini-quebra-mar...
A natureza insiste. Basta olhar a garça.

A rampa, já depois de muitos anos, também deteriorada. 
Notem que aqui havia uma escada, que virou uma rampa, que agora está virando coisa nenhuma.



Mais (menos) Ponta da Praia

Situação em novembro.2012

Ponta da Praia - desnível entre areia e calçada - em frente à Rua Prof. Afonso Celso de Paula Lima.

Situação em julho.2020

Essa era uma praia. Praia mesmo, com muita areia.

Foto do mesmo ângulo da postagem anterior.
Já com água nos pés, mesmo com a maré super baixa.


Voltando à origem do problema...

Ele, o trambolho...


Dois momentos na vida do Emissário

Não foi possível obter fotos atuais de ambos os lados do Emissário Submarino, para comparar com aquelas que publiquei no post de 2012, pois o acesso ao mesmo está interditado.

Assim, para fundamentar mais um pouco aquilo que tenho comentado nestes 4 posts, apresento duas imagens bastante distanciadas no tempo, obtidas através do software Google Earth, evidenciando a acreção (acúmulo) de areia à esquerda do Emissário e a erosão à direita (sendo esta um tanto minimizada pela areia que a maré vazante traz da Ponta da Praia).

As datas das imagens foram escolhidas por apresentarem marés baixas relativamente similares.
  
Situação em 29.06.2010


Situação em 04.06.2020



Uma possível consequência...
Comprometimento da função dos Canais de Santos

Estivesse vivo, o Engenheiro Saturnino de Brito (Francisco Saturnino Rodrigues de Brito, Patrono da Engenharia Sanitária Brasileira) ficaria triste ao ver que o seu projeto de saneamento e drenagem, elaborado e implementado em Santos (lá pelos idos de 1900 - 1910), tem agora a sua parte de drenagem comprometida.

Vejamos...

Projeto de saneamento - OK

Inclui canais subterrâneos para captação de esgotos de toda a cidade (são os canais do Orquidário, da R. Moura Ribeiro, da R. Jovino de Melo, da R. Francisco Manoel e da R. Brás Cubas, no Centro).
Anteriormente, os rejeitos convergiam para a tubulação (atualmente inativa) existente na Ponte Pênsil e eram lançados ao mar in natura.

Atualmente, os rejeitos são conduzidos para a estação de tratamento de esgotos subterrânea, próxima ao Orquidário, sendo (depois de tratados) lançados em alto mar através do Emissário Submarino, equipamento este inaugurado em 1978, tendo o seu duto implantado a 12 metros de profundidade. 

Projeto de drenagem - Problema

Inclui os 7 canais a céu aberto, que todos conhecemos, construídos basicamente para captar águas pluviais e conduzi-las para as praias, além de funções de drenagem do solo, as quais não pretendemos aqui detalhar tecnicamente.

Será que os canais 1, 2 e 3, assoreados como estão, ainda cumprem corretamente as suas funções?

Referências:

Dragagem do Porto de Santos

Conforme mencionei no início deste post, quero apresentar alguns comentários sobre este tema.

Sem entrar em maiores detalhes técnicos, devemos considerar que a dragagem do canal, do estuário e dos berços de atracação do Porto de Santos, embora indispensável para manter o funcionamento do Porto e a sua competitividade internacional, contribui, sim, para o agravamento dos efeitos descritos nos meus posts anteriores.

A dragagem foi e é necessária, não apenas para aprofundar os leitos do canal do estuário e berços de atracação, para permitir o trânsito de embarcações de maior calado (profundidade atingida pelo casco, abaixo da linha d'água), mas também para manter essa profundidade, uma vez que todos os rios da região deságuam no estuário, trazendo mensalmente cerca de 6,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos (basicamente, lama) que precisam ser retirados e levados para a área de descarte (fora da Baía de Santos) denominada PDO - Polígono de Disposição Oceânica.

Os projetos para aprofundamento de todos esses leitos foram concebidos e implementados entre o final dos anos 70 e início dos anos 80, período praticamente coincidente com a implantação do Emissário Submarino em 1978.

Pois bem, mapas cartográficos do século XIX mostram que a profundidade do canal da barra de Santos era de 6 a 8 metros.

Atualmente, a profundidade do canal, das áreas de manobras e dos berços de atracação é da ordem de 15 metros.

Então, quero apenas chamar a atenção para o fato de que, com o aprofundamento desses leitos e o alargamento (abaixo da linha d'água) do canal do estuário, temos um maior volume de água enchendo o estuário quando a maré sobe, e um maior volume saindo do estuário durante a maré vazante, o que acentua os efeitos das correntes marítimas locais que ilustrei em meus posts anteriores.

Para quem quiser estudar e pesquisar mais o assunto:







Por enquanto, é isto!

3AV
Marco Cyrino
 
*** Por favor, faça login antes de escrever seu comentário.

sexta-feira, 3 de maio de 2024

Troféu Brasil de Triathlon 2024 - Resultados Etapa 1

 
Embora há tempos não tenha feito publicações a respeito, volto a fazê-las.
 
Caso eu participasse, tanto no Short quanto no Olímpico, não tenho a menor idéia de qual seria a minha classificação, na categoria 65+.
 
Enormes parabéns a todos os que participaram dessa Etapa Inicial do TB, quer tenham conquistado pódio, seus melhores tempos, ou apenas concluído com sucesso.
 
Vejam aqui os resultados:
 
 
 
3AV
Marco Cyrino
 
*** Por favor, faça login antes de escrever seu comentário.


domingo, 28 de abril de 2024

Santos - Ponta da Praia em extinção - Cronologia - Parte III

 
Pelos motivos e com os objetivos apresentados no primeiro artigo desta nova série ( Santos - Ponta da Praia em extinção - Cronologia - Parte I ),  continuamos a republicar a nossa série original "Ponta da Praia em extinção".
 
Este foi o nosso 3º artigo sobre o tema, publicado em 12.11.2016.
 
Em resumo:

·    Analisamos as intervenções enxuga-gelo postas em prática pela prefeitura.

·    Discorremos sobre a construção do enrocamento / quebra-mar para o Emissário Submarino, na década de 70.

·    Discorremos detalhadamente sobre os efeitos desse quebra-mar quanto à erosão da Ponta da Praia e o assoreamento do lado oposto da Praia de Santos.

·    Sugerimos novamente a solução simples apresentada em nosso primeiro artigo (Santos: Ponta da Praia em extinção).

 
Por favor, leiam...
 

 
 
 

Em 2012 publiquei minha teoria sobre o principal responsável pelo que vem acontecendo na Ponta da Praia e fiz um post complementar em 2013.

Recomendo fortemente a quem estiver realmente interessado e com disposição para entender, que visite e leia atentamente os posts:




Em resumo, apesar de não ser oceanógrafo, tampouco catedrático em matérias específicas relacionadas a esse fenômeno, me julgo com inteligência e experiência suficientes para pelo menos exercer o direito de opinar a respeito.

Inteligência...
Uma pequena definição obtida da Wikipédia: Inteligência tem sido definida popularmente e ao longo da história de muitas formas diferentes, tal como em termos da capacidade de alguém/algo para lógica, abstração, memorização, compreensão, autoconhecimento, comunicação, aprendizado, controle emocional, planejamento e resolução de problemas.
(Modéstia à parte, me considero um ser inteligente.)

Experiência...
Bom.... aí são mais de 50 anos em contato com estas praias, mar, areia e suas constantes modificações.
Atravessando o canal do porto a nado, mesmo sem saber nadar (pelo menos não tecnicamente) junto com meu irmão Alfredo (Editor deste Blog), depois aprendendo a surfar junto com a galera da época de Lequinho, Almir, Cisco e muitos outros.

Muitos anos depois, sempre continuando a surfar, voltei a praticar a natação mais voltada para o Biathlon e depois Triathlon, sendo que o local mais propício é justamente a Ponta da Praia.

Além disso, existe a parte futebolística.
Joguei bola em tudo que é lugar possível aqui na Baixada. Na rua (onde a cada jogo era um tampão de dedão que ia embora), nos campos de várzea que hoje são o BNH da Aparecida. Os campos de São Vicente, Morro da Nova Cintra, Jabaquara, Humaitá (era uma viagem), etc.
E joguei muito mais pelas praias de Santos. Todas.

E corridas ? Nunca parei para fazer contas, mas creio já ter corrido somente pelas areias das praias de Santos e São Vicente (entre a Ponta da Praia e a Ilha Porchat) alguns milhares de quilômetros.

Bom... se isso não for um pouco de experiência, não sei o que mais pode ser considerado, até porque, sempre fui observador.


O emissário submarino e o quebra-mar
Na década de 70, nossas praias ficaram lindas. Pareciam as praias do Nordeste com suas dunas de areia. Eram os trabalhos sendo feitos para a implantação da rede de esgoto que tornou nossa cidade uma das melhores, senão a melhor, do Brasil nesse quesito.

Esquadrinharam a cidade toda (pelo menos na parte nobre) colocando as tubulações de esgoto, retirando as ligações clandestinas que jogavam esses esgotos nos canais.

Na orla da praia, pela areia, na parte mais próxima aos jardins, foram colocadas tubulações que recolhem até hoje esses esgotos e os levam à estação de tratamento, de onde são jogados, já devidamente tratados, a alguns kms de distância da costa, através do Emissário Submarino, um conjunto de outras tubulações feitas com essa finalidade.
Se falhei ou se fui simplista nesta explicação, peço que me perdoem e me corrijam.

Para a construção e implementação desse Emissário, foi construída uma plataforma, quebra-mar, ao lado da Ilha de Urubuqueçaba.

Penso que o ideal para esse tipo de intervenção é que se construam piers. A diferença é que um quebra-mar é uma obra que afeta os fluxos de marés.
Por outro lado, um píer, por ser suspenso, não acarreta essa influência.
Porém, não sou engenheiro (embora meu irmão seja) e não vou discutir a necessidade de ter sido feito um quebra-mar em vez de um píer.


Efeitos...
Para nós, surfistas, na época, foi uma dádiva.
Criaram-se canais, bancos de areia e tudo o mais que faz com que até hoje ali quebrem ondas muitas vezes perfeitas. Embora eu, particularmente, continue preferindo surfar nas ondas da Divisa (entre Santos e São Vicente), mas por outros motivos.

Só que esse quebra-mar deveria ser retirado assim que as obras fossem concluídas e, não sei porque raios não o foi.
O fato é que hoje é impensável retirá-lo.
Já falei algumas vezes que ele se tornou parte da geografia de Santos, como se ali houvesse nascido concomitantemente com a Ilha de São Vicente.
Por falar em ilha, a Ilha de Urubuqueçaba está deixando de ser ilha, tá?

O fato concreto é que o quebra-mar impede os fluxos normais de marés enchentes e vazantes. E ninguém conseguirá me desmentir sem um debate.

Maré vazante
Sai do canal do porto e vem retirando areia e sedimentos em direção a São Vicente. Como sai com mais força de um canal (do porto) retira mais areia e sedimentos de lá. Ao longo do seu trajeto vai depositando isso do Gonzaga em diante. Até porque a areia de Santos é muito leve, fazendo inclusive com que as águas do mar sejam constantemente confundidas com poluídas, devido essa areia toda em suspensão.

Maré enchente (sem quebra-mar)
Começa a retirar areia e sedimentos desde São Vicente e ao chegar perto do funil (canal do porto) vai recolocando tudo em seu devido lugar.

Maré enchente (com quebra-mar)
Começa a retirar areia e sedimentos desde São Vicente e, ao chegar na Ilha de Urubuqueçaba e ao quebra-mar, encontra uma barreira. Logo, boa parte da areia e sedimentos ficarão por ali mesmo, sendo que o restante dará a volta por trás da Ilha.
A falta de correnteza no sentido quebra-mar - Ponta da Praia, do Canal 1 até o Gonzaga, pelo menos, impede a retirada de areia e sedimentos (que foram depositados ali na vazante), correnteza essa que - se existisse - os levaria de volta e os depositaria em seu lugar de origem.

Eu pratico surf ali.
Por exemplo, em frente ao Posto 2, na maré vazante, a correnteza nos joga para o Canal 1 e o quebra-mar. Na maré enchente, ficamos praticamente no mesmo lugar.
Porra!!!

Óbvio que o quebra-mar interrompe esses fluxos naturais.

A maré enchente passa por fora e não tem força, junto à beira-mar, para realizar seu trabalho natural.


Tentativas inócuas
Quando digo que estamos enxugando gelo, não estou brincando.
Ainda há poucos dias, vi uma entrevista com algum responsável pelas tentativas de desassoreamento dos canais 3, 2 e 1... e ele falou a mesma coisa.
E olha.... trabalham pra car...!!!

Mas é um trabalho inócuo.

Tratores, escavadeiras, caminhões basculantes, operários e muito mais, empenhados em retirar areia dos locais assoreados e recolocar na Ponta da Praia. E até mesmo em locais mais próximos do Canal 4.
Vejam o custo disso.
E o resultado? Zero vezes zero.
Ah... mas é como prestar uma satisfação ao povo.

Mais observações
Não sou cego.
Vejo e sei o quanto as outras intervenções humanas estão afetando o planeta.
Sei do aumento do nível dos oceanos.
Ressacas como essas que ocorreram recentemente são fenômenos.
Mas, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Nesta semana, fui treinar e nadei.
Entrei no Canal 6, bem ao lado da mureta, e contornei o "Pirulitinho" à direita e mirei no Canal 5, onde saí do mar.
Nunca vi o mar tão profundo e limpo.
Não havia quase areia em suspensão.
Não digo que a água estivesse como no Caribe, mas estava transparente (bem...amarela) como nunca.
Isso significa que não existe praticamente areia leve, em suspensão, naquela região.
No início me empolguei.... mas depois, nadando, estamos acostumados (eu estou) a inventar estratégias para completar o treino. Na piscina ficamos contando ladrilhos. No mar ficamos prestando atenção em outras coisas.
E percebi que aquela imagem de água muito menos turva era enganosa.
O fundo do mar não tem mais sequer a areia natural. O que restou é uma areia pesada, densa que sequer flutua.


Voltando aos trabalhos do poder público...
Onde acham que vão chegar, retirando areia e sedimentos da faixa seca e levando de volta para o local desassoreado???

Aprendi que, para achar a solução de um problema, temos que identificar a causa-raiz.
E, neste caso, a causa-raiz são a areia e os sedimentos retirados de dentro do mar.

Vão recolocar isso dentro do mar? Como ?

Simples... deixando a natureza voltar a fazer o seu papel.
Não me pergunte como.
Bom... se quiser, pergunte.


Possível solução simples
Não. Minha opção não seria retirar o quebra-mar que, como eu disse, já é parte da geografia de Santos.
Mas, talvez, abrir passagens entre um lado e outro do dito cujo, de forma que o mar iniciasse o seu trabalho.

Penso que teria um custo ínfimo em relação aos trabalhos atuais.


Já ouvi que a responsabilidade é da Dragagem do Porto.
Contestei. Se alguém quiser saber o porque, me pergunte.

Também já ouvi, em uma entrevista no Jornal da Tribuna, uma repórter entrevistando uma oceanógrafa que endossou o que falei com relação à maré vazante. E parou por aí.
Ela, a repórter, perdeu uma grande oportunidade de perguntar por que o mar não faz o seu trabalho durante a maré enchente.

Também já ouvi muitos falarem que o mar está retomando o seu lugar, que Santos era um alagado, etc.
Por esse raciocínio, o Marapé, cujo nome não precisa de interpretação, não estaria a uma distância do mar maior do que já esteve.

Poderia e pretendo postar várias imagens a respeito do que falo, mas sugiro que pesquisem nos sites de busca e comparem como era e como está a nossa Ponta da Praia.
Pior é imaginar como ficará, se ações concretas não forem realizadas.


3AV
Marco Cyrino