quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Ironman é vendido para grupo chinês


Veja detalhes neste link.

3AV
Marco Cyrino


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Protocolos e Condicionamentos


Lembrei deste assunto por ocasião de uma Auditoria de Sistema de Gestão da Qualidade, na empresa em que trabalho.

A criação de um Sistema de Gestão talvez seja o que melhor representa a necessidade de haver protocolos.

Enquanto o Auditor, acompanhado por mim, percorria as várias atividades da empresa, comecei a pensar na relação “protocolos” x “dia-a-dia”.

A correlação com os protocolos voltados às atividades desportivas foi direta.


Protocolos

De forma abrangente o termo "protocolo" se aplica aos procedimentos padronizados, em incontáveis áreas do conhecimento humano, utilizados para analisar, diagnosticar, prognosticar e prescrever (potenciais) soluções para quaisquer tipos de situações.

Tais situações podem envolver - isolada ou conjuntamente - desde um desejo ou necessidade individual (ou coletiva) de melhoria / evolução em alguma atividade, até problemas médicos, biológicos, esportivos, ambientais, geológicos, econômicos, políticos, informáticos, de engenharia e técnicos em geral... A lista é infinda.

Sem chances para o acaso

Freqüentemente, como resultado do consenso entre especialistas da área, o protocolo objetiva enfrentar da maneira mais segura, rápida, eficaz e com as melhores armas, um inimigo poderoso, que pode ser uma doença, um evento emergencial, um acidente, uma calamidade qualquer.

São rigorosamente definidos em seus critérios de diagnósticos, prognósticos, prescrições, tratamentos etc.

É o caso, por exemplo, dos abençoados oncologistas que, dia a dia, vêm debelando diversos tipos de cânceres e melhorando a expectativa e a qualidade de vida dos pacientes.

Outro exemplo, os procedimentos de emergência para gestão do sistema elétrico de um país, ou de alguma de suas unidades (uma hidrelétrica ou usina nuclear, por exemplo).

Outro exemplo ainda, bem simples, o "protocolo" de "tratamento e cura" do motor de um carro que "ingeriu" água (num alagamento, por exemplo): desmontagem total, lavagem química, substituição de componentes avariados etc. etc.


Condicionamentos em atitudes e procedimentos

Por outro lado, determinadas atitudes e procedimentos condicionados parecem estar programados nas mentes de muitos profissionais (especialistas também em incontáveis áreas) e acabam sendo apresentados ou mencionados como "protocolos", às vezes até como forma aumentar a credibilidade daquilo que se está comentando, recomendando, ou prescrevendo.

Infelizmente, de maneira geral, tais condicionamentos parecem ser predominantes, embora existam exceções.

Para aclarar, podemos exemplificar com situações típicas:

1 - Um paciente reclama de um efeito colateral de um medicamento.
O remédio foi prescrito recentemente.
O sintoma é daqueles que, no mínimo, afetam fortemente a qualidade de vida do paciente.

O médico, sabedor de que tal efeito colateral só se manifesta em 0,0001% dos casos (1 em cada 1000.000 pacientes) , afirma categoricamente que o paciente está enganado. (Postura comum, já presenciada dezenas de vezes...)

Suponhamos que não se trate de um medicamento insubstituível, nem de um caso do tipo "se ficar o bicho come, se correr o bicho pega" (quando deixar de tomar a medicação seria pior ainda do que o atual efeito colateral).

Nesta situação, em sua postura "condicionada", o médico desconsiderou a possibilidade de seu paciente ser um dos tais "1 em 1 milhão" que apresentariam aquele efeito colateral.

Provavelmente, manteve a medicação... e o prejuízo à qualidade de vida do paciente.

2 - O computador de uma pessoa sofre um crash e não inicia mais.
Como a maioria dos usuários, a pessoa não tem o hábito de fazer backups regularmente.
Seu computador guardava informações e arquivos importantes, trabalhos em andamento etc., boa parte dos quais não se encontram em nenhuma outra mídia (CDs, DVDs, pendrives, etc.).

A pessoa chama um técnico de informática.

Existe a opção de acessar o diretamente o disco do computador, ou utilizar um aplicativo de recuperação de dados, para salvar os arquivos importantes em um meio externo (pendrive, por exemplo), o que pode consumir algumas horas de trabalho, que poderiam ser utilizadas em muitas visitas a outros clientes.

Diante disto, o técnico declara que a única solução consiste em formatar o disco e reinstalar o sistema operacional --- o que consumirá bem menos tempo e provavelmente devolverá ao cliente um computador funcionando, mas sem os seus arquivos e informações.

Desnecessário comentar os prejuízos para o cliente...

3 - Uma pessoa leva o carro ao mecânico, para trocar uma peça sabidamente defeituosa.
O procedimento técnico correto exigiria remover antes determinados conjuntos mecânicos, para ter acesso pleno à peça, poder usar as ferramentas certas, etc.

Mas, o mecânico adota um "jeitinho" mais rápido, focado apenas no problema imediato.

Ele substitui a peça "na marra", forçando outros grupos mecânicos, usando as ferramentas (não necessariamente corretas) que couberem no espaço.

Evidentemente, o cliente sairá da oficina com a peça nova instalada e funcionando, mas também com diversos outros problemas "semeados" para futuros retornos...

Por quê?
Supondo que todos sejam profissionais motivados a obter o melhor para os seus clientes, conclui-se que houve, por mínimo, certa falta de amplitude de pensamento e de percepção.

O que leva a isto?
Excesso de confiança?
Relaxamento?
Descaso?


Esses são exemplos característicos de profissionais que simplesmente não seguiram o chamado de protocolo.

Por outro lado, o “protocolo”, quando levado como única verdade, também pode ser uma faca de dois gumes.

Canso de ver exemplos, alguns relacionados ao esporte, de profissionais que seguem o protocolo até a morte, sem fazer uma análise profunda das especificidades de cada pessoa.

O atleta vai se preparar para um Ironman, e seu técnico aplica determinado protocolo de treinos que pode não se ajustar à disponibilidade de tempo do atleta.
O que fazer?
Ignorar protocolo?

Esse mesmo atleta recebe de sua nutricionista uma recomendação de ingerir uma certa quantidade de carboidratos, uma outra quantidade de sódio e uma outra quantidade de líquido, por hora/treino.

Ele não se sente bem com as quantidades recomendadas.
O que fazer?
Ignorar o protocolo?

Em seus exames de sangue, é constatado que o nível de colesterol ruim (LDL) está um pouco acima dos níveis estabelecidos.

O médico recomenda que ele reduza drasticamente o consumo de gorduras e, caso não os níveis não caiam, será obrigado a tomar remédios para isso.
O que fazer?
Ignorar o protocolo?

O técnico deve ser profundo conhecedor das necessidades do atleta, para ter meios de, seguindo um protocolo, como um indicador, criar alternativas de treinos que permitam ao atleta chegar ao Ironman estando em sua melhor forma.

A(o) nutricionista deve receber o feedback do atleta, para também adequar as quantidades de nutrientes necessários durante os treinos. Deve, inclusive, tentar fazer isso antes mesmo da primeira prescrição.

O médico, mesmo constatando um nível de colesterol ruim um pouco acima do estabelecido, deve analisar outros dados, como o colesterol “bom” (HDL) e muitos outros itens para estabelecer um quadro concreto da saúde do paciente.

Enfim, o protocolo é um ótimo ponto de partida, nem sempre de chegada.

3AV
Marco Cyrino


terça-feira, 11 de agosto de 2015

Pirassununga Short e Long Distance - Inscrições Abertas


Inscrições



3AV
Marco Cyrino


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Trineanderthletas









Sei lá de onde me surgiram as lembranças, mas, já que surgiram, vamos que vamos.

Depois de já ter abandonado o futebol devido a lesões sérias e ter ficado somente no surf (apenas porque, para quem surfa sabe a dificuldade que é contar apenas com esse esporte, tendo que trabalhar em horário comercial e rezar para haver ondas no final de semana) falei de eu pra mim:

- Vou ter que fazer algo mais.

Mim respondeu pra eu:

- Máiquipôrraturáifazê?

Eu pra mim:

- Rônadá. Aprendê essa bagaça.

Nadar, nadar
Esclarecimentos...
Até então, eu nadava. Mas nadava muito. Com a cabeça pra fora e respirando para os dois lados. Um primor. Um verdadeiro campeão olímpico de nonsense.

Minha natação era baseada nas travessias que fazíamos (meu irmão Alfredo – ele mesmo, o Editor) até a casa do chapéu (que na época era o Pirulito). Ele já com muita técnica (coisa que comprovei há não tanto tempo atrás) e eu na raça.

E era baseada também em anos e anos de surf sem cordinha, perdendo a prancha atrás da arrebentação e saindo do mar na base do salve-se quem puder.

Bom... entrei na natação.

Acho que qualquer um que comece a nadar com a minha idade, sem nunca ter caído na água, em um ou dois anos vai nadar melhor que eu.
Isto porque "desaprender" vícios é uma dureza, viu ?

E bate perna daqui, bate perna de lá, faz educativo daqui e faz de lá, faz tiros daqui e de lá e... conclusão... Era um Neanderthal.

Melhorei, confesso... mas, daí a ser nadador vai uma diferença absurda. Eu me viro bem. E olhe lá...


Iniciando em Biathlon e Triathlon
Mineiro, Baltazar e outros amigos me incentivaram a fazer um Biathlon.

Vou avisando que a narrativa será abreviada por alguns motivos.
Primeiro, não tenho autorização (como se necessário fosse) para mencionar os personagens.
Segundo, se mencionar tudo que vi e vivi com esses personagens, aí sim vou precisar de autorização... kkk


Fiz. Gato de Rua. Em São Vicente. Gonzaguinha.
A absurda distância de 500 m de água + 3 km de corrida.
Sobrevivi.
Exausto e feliz.
Com sunga, algo no tórax (não sei se era camiseta) e descalço.

O Neanderthal evoluiu e, de repente, fui para o primeiro Triathlon.
Um short do TB, que fiz de sunga, MTB e... descalço.
No final da prova, todo mundo comendo frutas, tomando isotônico, e eu procurando a Neuza, doido pra sair dalí.

Nessa época, treinava 1000 m de natação, corria que nem louco, sem saber pra onde nem porque, e pedalava numa bike absolutamente comum (sem marchas, tipo Barra Forte), dando tiros da faculdade (FEFIS) para casa e vice-versa.

Treinos em estrada - cara e coragem
Ouvia falar que havia um pessoal que treinava em estradas.
Nem me imaginava fazendo isso, até que comecei a fazer... 5:30h da matina, no posto da Ana Costa x Glicério... pegar a Anchieta e ir até sei lá onde.

Primeiros treinos, saíamos com um pelote considerável.
Nem tínhamos ainda saído da cidade, e já estavam sobrando... Cléber Celino, Rubão, mais alguém e eu.

E estávamos nos achando...kkk

Um dia, maior vento noroeste (acho que só quem é daqui sabe)... Rubão, Cléber e eu na Anchieta... furou o pneu do Cléber.
Alguém levava câmaras? Ferramentas? Algo?
Isto no eczistia!

Aí, pára o Barba (ciclista das antigas) e, do nada, nos dá um help.
Pô... a roda do Cléber era presa por parafusos...sem engate rápido... hahaha!!!
Precisava de chave de rodas de carro, para desengatar.

O Barba é um MacGyver. Fez um remendo sem tirar a roda e fomos embora.

O Cléber é um Meganeanderthal.
Mas ele é Mega não só por isso.
Com o tempo, continuamos a treinar e, até por ser forte pra caramba, o cara só usa uma relação.

Pode ser subida, descida, plano... a bike tem 20 relações... ele coloca sempre na mais pesada e vai... mas vai mesmo.

E a cunhamanhola??? (é assim que ele chama... claro que é sacanagem)... Ele chegava com a bike em casa e, do jeito que ela estava, ficava... até o próximo treino.
A caramanhola ficava verde de musgo. E se vacilar nem a água ele trocava...kkkkkkk

Trisubmarino
Numa prova, acho que do Santa Cecília, no inverno... estava cansado de ver Triathletas nadarem com roupa de borracha.
Falei... tô nessa...eles vão ver.
Cheguei com meu neoprene de surf, vesti e fui...
O “trisubmarino” quase não sai do mar...hahaha... mas não passei frio.

Pra quem não sabe, a funcionalidade da roupa de surf é oposta à da roupa de natação, embora sejam feitas de materiais parecidos.

Jogar sinuca
Quando me lesionei seriamente no futebol, tive um rompimento quase total do tendão de Aquiles.
Meu grande amigo, ex-sócio e guru profissional, Waldir, me levou ao então top da medicina.

Era o responsável pelo SFC, que me disse na bucha:

- Amanhã vou te operar e depois você vai ser um ótimo esportista. Vai poder jogar sinuca, porrinha, tomar cerveja, jogar dominó e baralho.

Saí da sala dele numa perna só e nunca mais voltei.
E me curei (curei ???) em “apenas” um ano e meio, caminhando (depois que consegui colocar o pé no chão), andando por dentro do mar e fazendo outras coisas da minha cabeça (neanderpaciente).

Mais recentemente, encontrei-o na praia e fiz questão de falar-lhe:

- Obrigado...tô bem, jogando baralho, dominó e sinuca. E também indo para meu sexto Ironman.
Acho que ele não entendeu pôrra nenhuma...rsrsrs.
Provavelmente, nem se lembra de mim.

Pé de pedra
Voltei a correr descalço.
Um dia, depois de um Triathlon, cheguei em casa e andava pela sala ouvindo um “risc...risc...risc...”.

- Neuza, tá ouvindo?
- Tô. Que é isso?
- Sei lá. Vou tomar banho.

Entrei no box e, esfrega daqui e dalí, passei a mão no calcanhar.
Caraca! Tinha um caco de vidro de carro, espetado.
E eu não sentia nada. O bicho estava ali e eu nem aí.

Me chamavam de “Pé-de-pedra”... de “Sirizeiro”.

Sirizeiro é um cara folclórico.
Vendia ou vende caranguejos na estrada.
E fez várias provas de Triathlon correndo descalço.


Talvez, um dia, quem sabe, esmiúce mais essas histórias.
Por enquanto só quero dizer que é bom ter histórias.
Principalmente quando elas não são pesadas e nos fazem dar umas boas risadas ao relembrá-las.

PQP... Já sei de onde me vieram as lembranças...
Estava simplesmente fazendo um retrospecto e me peguei rindo muito....

3AV
Marco Cyrino



terça-feira, 28 de julho de 2015

Aspectos da prática de Triathlon para Atletas Masters (Parte II - Ajustes de estilo de vida)


Esta é a nossa versão livre / adaptação para a matéria publicada, no website Ironman.com:

Triathlon for Masters Athletes: Lifestyle Adjustments
Triathlon para Atletas Masters: Ajustes de estilo de vida

Trata-se de um artigo contendo trechos do e-book do treinador Ian Stokell:

Triathlon for Masters and Beyond
Chapter II, "A Lifestyle Commitment"

Triathlon para Masters e Além
Capítulo II, "Um compromisso de estilo de vida".




Esta matéria poderá ser útil para atletas iniciantes em Triathlon, assim como (esperamos) para a maioria dos nossos seguidores que já são Triathletas de fato.


Vamos ao artigo...

Triathlon para Atletas Masters: Ajustes de Estilo de vida

Pensando em levar o Triathlon mais a sério?
Leia sobre algumas adaptações você poderá ter de fazer.

Este livro do treinador de Triathlon Ian Stokell abrange as preocupações únicas que os atletas com mais de 50 anos enfrentam, ao treinar para competir em Triathlon.
Esta série de 3 trechos selecionados oferece um vislumbre da sabedoria do livro quanto à manutenção da aptidão física à medida que os anos passam.


Triathlon não é um hobby
Triathlon não é um hobby, é um estilo de vida.
O treinamento sério para Triathlon não pode ser dissociado do resto de sua vida.

Tanto tempo e energia são necessários para treinar para um esporte com tantos elementos interrelacionados (da hidratação até a ingestão de calorias, da gestão de tempo até a garantia de sono e repouso suficientes, do comprometimento de tempo necessário a um treinamento real até as despesas com equipamentos e viagens) que, quem pensa em se comprometer com o esporte precisa parar e considerar seriamente se é algo que realmente está disposto a assumir.


Os ganhos são incrementais
Os ganhos em Triathlon são incrementais, assim como são também de longo prazo.
Não há nenhuma solução rápida.
Para os atletas mais velhos, este mantra é ainda mais importante.
O progresso lento e constante reduz o risco de lesões.
Assim como se espera que os ganhos sejam incrementais, espera-se que também sejam incrementais as tensões e os esforços extras aplicados ao corpo que está envelhecendo.
As tensões e os esforços crescentes, resultantes de treinos mais longos e intensos, precisam ser mantidos sob controle.

O corpo é exigido durante o treinamento, para ser novamente fortalecido durante a recuperação.
No entanto, essa exigência sobre o corpo tem de ser controlada, para que seja segura.

Acima de tudo, o seu compromisso com o estilo de vida do Triathlon tem de ser sustentável e, em última análise, agradável.

Se você não estiver apreciando, então por que estaria fazendo isso?
Há maneiras mais fáceis para entrar em forma e permanecer saudável.

Além disso, essa mesma abordagem incremental e paciente (em relação ao progresso do desempenho) tem de ser apoiada por uma atitude mental que esteja em sincronia com os mesmos objetivos de longo prazo.

Os seus programas de treinamento não devem esperar um retorno rápido.
Da mesma forma, o seu comprometimento de estilo de vida com o Triathlon deve refletir perspectivas duradouras e de longo prazo.


Equilíbrio
O comprometimento com o Triathlon tem de ser temperado com o equilíbrio, uma vez que se trata de uma escolha de estilo de vida com ganhos incrementais, e não uma solução rápida que pode ser obtida com um programa de treinamento rápido de dois meses.

O equilíbrio é necessário na vida e no Triathlon.
O Triathlon não deve (e não pode) consumir sua vida.
O treinamento para Triathlon deve complementar a sua vida, e não controlá-la.
E deve, finalmente, reforçar todos os outros aspectos da sua vida, família, amigos, vida social, trabalho e carreira.

Além disso, quando praticado corretamente, o Triathlon pode ser uma forma muito eficaz de alivio do stress (da mesma forma que outros esportes de resistência, como a maratona).
O estilo de vida do Triathlon, então, deve aliviar o stress, e não aumentá-lo.

É importante ressaltar que deve ser feita uma avaliação realista dos seus objetivos no Triathlon, para que esses objetivos se ajustem adequadamente a todos os outros aspectos da sua vida.

Por isso, um conjunto realista e factível de metas é de fundamental importância para o estilo de vida do Triathlon, juntamente com uma estratégia para alcançar tais metas e uma programação de treinamento complementar baseada nas mesmas.

Metas realistas e um programa de treinamento contínuo devem ser encarados como ferramentas para melhorar não só o desempenho pessoal no Triathlon e a saúde em geral, mas também como contribuições para o equilíbrio em sua vida, à medida que você faça a transição para um estilo de vida orientado ao Triathlon.


Calorias
Em primeiro lugar, uma palavra sobre calorias e a necessidade de consumir uma certa quantidade a cada dia.

Seu corpo é um motor afinado.
No entanto, para funcionar corretamente, o motor requer combustível.
Não apenas qualquer tipo de combustível, mas o tipo certo de combustível.
Se o corpo não receber combustível suficiente (ou seja, calorias), não terá energia suficiente para prosseguir treinando em um nível elevado.

Praticando um pouco de matemática...
Como uma regra geral, em termos de ingestão de calorias, uma pessoa precisa de quatorze vezes o seu peso corporal (em libras) para manter o seu peso [aproximadamente 30,83 vezes o seu peso corporal em kg].

Tomando o meu caso como exemplo:
Com 200 libras de peso [aproximadamente 91 kg], eu preciso consumir cerca de 2.800 calorias por dia (14 x 200) [aproximadamente 30,83 x 91] para manter o meu peso.

No treinamento para Triathlon, eu provavelmente queimo 500 a 600 calorias por hora.

Se eu fizer uma média de 2 horas de treinamento por dia (2 × 500 a 600 = 1.000 a 1.200 calorias queimadas), precisarei consumir mais 1.000 a 1.200 calorias por dia, além das minhas 2.800 calorias básicas, apenas para manter meu peso.

Isto resulta 3.800 a 4.000 calorias por dia, apenas para manter meu peso atual.

O problema é que, para qualquer pessoa envolvida em treinamento contínuo para Triathlon, se não consumir calorias suficientes, o corpo vai se cansar e (no dia seguinte ou logo depois) você se sentirá esgotado, cansado, sem energia.

E quando o corpo treina estando cansado, a probabilidade de lesões aumenta.

Pessoalmente, já no dia seguinte eu sinto o impacto das calorias insuficientes.
Em dois ou três dias consecutivos com calorias insuficientes, eu me sinto exausto.
E isto não é incomum.

Você precisa consumir calorias suficientes a cada dia, ou o seu treinamento para Triathlon será prejudicado e, conseqüentemente, você se sentirá cansado e com falta de energia em todas as demais áreas de sua vida.
E o cansaço levará a uma perda de motivação e concentração, e a uma redução na qualidade da técnica atlética correta, o que aumentará o risco de lesões.

E se perder peso for um dos seus objetivos, então, assim como treinamento para Triathlon, a mudança precisa ser incremental.
Uma regra de ouro para perda de peso é chegar a 500 calorias abaixo de sua meta diária de ingestão de calorias.
Qualquer redução maior do que 500 calorias resultará em deficiência e fadiga extrema.
A perda de peso, assim como o treinamento para Triathlon, tem de ser realista e sustentável.
Não há soluções rápidas para perda de peso, especialmente se você quiser manter a qualidade do treinamento para Triathlon, enquanto tenta reduzir o seu peso.


Nutrição
Você sabe que deve objetivar uma abordagem equilibrada para o treinamento.
Da mesma forma, deve objetivar uma abordagem equilibrada para a sua dieta.
Como mencionado acima, não é apenas uma questão de calorias, mas do tipo certo de calorias.
É aqui entra o gerenciamento da nutrição.
A primeira regra é obter calorias suficientes.
A segunda regra é obter o tipo certo de calorias.
Você não iria colocar diesel em um motor a gasolina, não é?
Da mesma maneira que precisa de um equilíbrio entre o compromisso com o treinamento para Triathlon e todas as outras áreas de sua vida, você precisa equilibrar a sua dieta.

Aqueles que estiverem em uma dieta vegetariana enfrentarão os seus próprios desafios particulares para obter calorias suficientes, e o tipo certo de calorias, para sustentar o treinamento de Triathlon durante o ano todo.

Os triatletas de grupos etários, em sua maioria, estão pressionados pela disponibilidade de tempo, sem ter de se tornar um chefs em tempo integral, para obter calorias e nutrientes suficientes em sua dieta.

Entretanto, mesmo se você não tiver tempo para preparar suas próprias refeições a partir do zero, usando ingredientes vegetarianos como feijões e lentilhas (para manter uma ingestão de proteína suficiente), existe agora uma vasta gama de substitutos da carne (de alta-proteína e baixa-gordura, convenientes e apetitosos), disponíveis na maioria dos supermercados e lojas de alimentos saudáveis.

Na verdade, não há nada que impeça alguém de personalizar suas próprias exigências dietéticas às necessidades de treinamento de Triathlon. (O capítulo 9 do livro ajudará a avaliar cuidadosamente seus hábitos alimentares atuais, antes de decidir sobre uma dieta equilibrada, que complementará o seu novo estilo de vida saudável.)


Gerenciamento de tempo
Triathletas, em sua maioria, são pessoas do "tipo A", o que significa que têm sempre alguma coisa em andamento, e nunca há horas suficientes no seu dia.

Quanto mais velhos ficam, mais coisas eles têm em andamento.

Normalmente, isto ocorre porque são bem sucedidos no que fazem, especialmente nos negócios ou na carreira.
Muitas vezes, um fator que contribui para o seu sucesso é a capacidade de gerir o seu tempo de forma eficaz, para que tudo possa se ajustar.
Muitas vezes, porém, a disciplina do Triathlon, e as conseqüências incidindo nas demais áreas da vida, trarão algum tipo de "choque" para o sistema.

Se você espera ser bem sucedido no Triathlon e evitar que os compromissos do longo tempo de treinamento afetem negativamente sua vida, então precisará se tornar competente em gestão do tempo.
Se você já for competente, deverá ser fácil encaixar as horas extras de treinamento.
Se você não for competente nisso, e estiver acostumado a uma atitude mais relaxada em relação à programação diária, prepare-se para um ajuste de atitude!

Teste de realidade:
Uma abordagem desorganizada ou do tipo "seguir o fluxo" não equivale a menos stress.
Mas, estar sempre com pressa porque você não consegue gerenciar o seu tempo e os seus compromissos de forma eficaz, isto é estressante.
Reduza o stress através de uma estratégia de gestão de tempo.
De qualquer forma, se você precisará ter uma programação de treinamento e uma estratégia de treinamento pré-planejadas, por que não ter uma programação para as demais atividades de sua vida agitada?

Gestão eficaz do tempo não é simplesmente um luxo reservado ao Triathleta comprometido.
É um componente vital no seu arsenal de Triathlon.
Um pouco de planejamento irá reduzir o stress e maximizar o tempo disponível, para permitir que você encaixe (ajuste) todas as coisas que quer fazer.


Comprometimento de tempo para treinamento
Enquanto estamos discutindo mudanças de estilo de vida e gestão de tempo, vale a pena mencionar as muitas horas por semana que serão necessárias para a sua programação de treinamento.
Se você estiver migrando para o Triathlon a partir de um esporte único, como a corrida, então já deve saber do comprometimento de tempo necessário para superar a fase de iniciante em um esporte de resistência (quer você seja um veterano ou um guerreiro de finais de semana).

Multiplique isso por três, e então você estará no ponto de partida para o treinamento de Triathlon!

Se estiver mergulhando em Triathlon como o seu primeiro esporte verdadeiramente organizado, certifique-se de que todo o treinamento necessário poderá caber em sua programação semanal de trabalho e demais atividades.

O comprometimento de tempo de sua programação de treinamento é realmente o primeiro verdadeiro teste de quão seriamente você encara o Triathlon.

Quando você estiver no caminho do Triathlon, com as expectativas sempre renovadas de melhorias de desempenho e corridas subseqüentes, esse comprometimento de tempo não será nem um pouco menor. Na realidade, ele irá aumentar juntamente com o seu comprometimento pessoal com a melhoria e com as metas mais elaboradas e mais difíceis de alcançar.

Claro que "mais" não é necessariamente "melhor".
Qualidade de treinamento é muitas vezes tão importante ou mais importante do que quantidade de treinamento.
No entanto, mesmo o sucesso pessoal moderado em uma prova de Short Triathlon irá exigir muitas horas árduas de treinamento físico e também de treinamento mental.

Artigo original: Ironman.com

Versão e adaptação: Equipe 3AV



Bons e longevos treinos e provas a todos!

3AV
Marco Cyrino