Neste post, não pretendo "fazer clínica",
ou ensinar técnicas específicas, para o que existem os especialistas muitíssimo
capacitados.
Apenas, baseado em minha longa experiência de
acertos e desacertos em natação, e também na enorme quantidade de matérias que
já li sobre o tema, durante esta minha jornada atlética, quero apresentar
algumas sugestões sobre um aspecto que considero ainda pouco abordado:
Como a respiração afeta a
flutuabilidade e como ambas afetam o desempenho?
A meu ver, cuidando mais da respiração, é possível
melhorar o conforto, a confiança e o desempenho na água.
A gente acaba subestimando e negligenciando algumas
das coisas mais básicas da vida.
A respiração é uma delas.
Como o nosso sistema respiratório funciona no "automático",
só nos importamos com a respiração quando ficamos ofegantes devido a algum
esforço físico.
Quando o assunto é natação, mais do que em qualquer
outra atividade, passamos a enxergar a necessidade de estarmos atentos à
respiração.
Caso contrário, o esforço aumenta, a velocidade e a
eficiência caem, e começam os problemas de sincronização com os movimentos do
corpo.
Vou tentar dar algumas sugestões para que você
pratique a respiração de forma mais adequada, ao nadar em competições,
principalmente em águas abertas.
Com relação à respiração em treinos, comentarei
mais à frente (***).
Respiração confortável
A primeira coisa a fazer é
tomar consciência de sua respiração.
Antes de cair na água,
mentalize e exerça a inspiração e a expiração de forma a tomar consciência delas
e torná-las confortáveis, naturais e relaxadas.
Normalmente, acabamos
respirando pesadamente.
Inalamos muito ar quando
tiramos parte do rosto da água para inspirar.
E expelimos muito ar quando o
nosso rosto aponta para o fundo.
Na inspiração, tente usar
algo próximo da metade de sua capacidade pulmonar. Afinal é mais ou menos assim
que respiramos confortavelmente.
Dessa forma, você não irá criar
um excesso de flutuação (ao encher excessivamente os pulmões), o que
acarretaria um tórax mais na superfície, em relação ao resto do corpo.
E, na expiração, não esvazie completamente os pulmões, para não
causar o problema contrário, ou seja, uma baixa flutuação para todo o seu
corpo.
Freqüência da respiração
Por que prender a respiração
enquanto nadamos, se não a prendemos quando corremos ou pedalamos?
Se formos nadar 3x1, 4x1 e
daí por diante, estaremos prendendo a respiração por algumas braçadas, o que
nos levará a encher muito os pulmões quando formos inspirar.
E daí virá o efeito
mencionado no tópico anterior.
Além disso, criaremos uma
urgência para próxima inspiração, acarretando problemas posturais.
Respirando 2x1, você terá
aproximadamente 1 segundo para cada fase da respiração, tornando-a mais
confortável e com um nível de fornecimento de oxigênio adequado para o corpo.
Sincronismo
Quando inspiramos atrasados,
todos os movimentos seguintes à inspiração se atrasarão também.
Tente sincronizar a sua
inspiração com o final da extensão do braço oposto ao lado em que está
respirando.
Supondo que você inspire pelo
lado esquerdo, quando esticar o braço direito para o início da "puxada"
será o momento ideal para iniciar a inspirada.
Quando o braço esquerdo for
esticado para a outra "puxada", você estará com o rosto submerso e
pronto para expirar.
E assim sucessivamente.
Treinos (***)
Quando o seu treinador
mandar fazer treinos com respiração 3x1, 4x1, 5x1 ou mais, não discuta.
Ele sabe o que está fazendo.
O objetivo provavelmente é o
de aumentar a sua capacidade pulmonar.
Vale também para que o
atleta não fique "bitolado" em respirar apenas por um lado, uma vez
que, nas provas em águas abertas, é importante sabermos respirar bem por ambos
os lados.
Respiração bilateral
Embora meus conselhos sejam na
direção da respiração unilateral 2x1, eu pratico respiração bilateral nas
provas.
Mas não 3x1 ou 5x1, claro!
É tipo 3 por 10.
De acordo com o ritmo da
prova, pratico um certo número de braçadas inspirando por um dos lados e, após
inverter, através uma única respiração 3x1, dou o mesmo número de braçadas para
o outro lado, antes de novamente inverter o lado da inspiração.
Isso me ajuda na navegação, uma vez que, fora das piscinas, não
temos uma raia desenhada no fundo, para nos guiar.
Ao nadarmos inspirando
apenas por um lado, há uma tendência de irmos fazendo uma curva para esse lado,
tirando-nos do trajeto adequado.
Já vi atletas quase voltando
para a praia. kkk.
Assim, quando vou inverter a
respiração, naquele breve 3x1, aproveito para dar aquela olhada na direção da bóia,
para confirmar o rumo da minha navegação.
Acho que era isso.
Professores, coaches,
técnicos e demais especialistas...
Sintam-se à vontade para
criticar, sugerir, aperfeiçoar esta postagem.
Como disse na introdução, o
texto é baseado apenas em observações feitas durante a minha experiência como
atleta.
Keep swimming!
3AV
Marco Cyrino


