sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Challenge Floripa 2017 - Relato de Prova


Desta vez não houve o vento fortíssimo de 2014, quando a natação teve de ser abreviada, tamanha a dificuldade de nadar naquele mar.

Também não teve o clima super agradável que me contaram que fez em 2015.

Muito menos o ciclone de 2016, que acarretou o cancelamento da prova (veja em Challenge Floripa e as forças da Natureza).

Mas ele apareceu... o vento.

Tô até ficando cabreiro.

Parece que nos últimos anos eu atraio vento ou chuva para as provas.
Inclusive nos 2 últimos Irons em Floripa (2016/17), com chuva do começo ao fim.
Brincadeira.
Começa que, se é ruim pra mim é ruim pra todos. E termina que, se a gente quisesse moleza, ficava comendo pipoca no sofá de casa, assistindo novela.
Não que eu não faça isso... eventualmente... rsrsrs


Vamos ao Relato de Prova...


Pré-largada

No dia anterior, sábado, o clima estava ideal para a prova. Ameno, sem vento, o mar parecendo uma piscina.
Na manhã... Ôps... madrugada do domingo... ao sairmos para a prova... ventava. Aquele vento maral.

Chegamos à transição e fui arrumar a alimentação e a hidratação na bike.
Escuro ainda... 5:00h da matina. Isso é hora de gente de bem estar acordada? Claro que é...
Encontra uns conhecidos daqui, uns amigos dali, conversa vai, conversa vem.
Ôpa... dia clareando e o vento soprando...

Hora de vestir parcialmente a roupa de borracha, porque esse friozinho "madrugal" faz perder bastante calorias... calorias essas que devem ser usadas na prova.

Todo mundo já indo para a areia, para a largada do Sprint que seria e foi às 06:10h.

Eu e a Neuza ficamos sentadinhos numa mureta, meio protegidos do vento, entre a transição e a praia.

06:00h em ponto... fiz meu pequeno retiro e minhas orações pedindo saúde e proteção a mim e a todos os que participariam das provas, como atletas ou acompanhantes.

Minha largada seria e foi às 06:40h.

Vimos, já na areia, a largada e a chegada da natação dos primeiros atletas do Sprint.

O tempo realmente voa.
Olhei no relógio e... 06:30h.

Nem tive tempo, por conta de perrengues que acontecem, de dar uma treinadinha no mar. Seriam surpresas a temperatura, as condições, etc.

Ainda perguntei sobre isso ao meu mais recente amigo, o Leandro, já que ele havia se aquecido na água. Ele me tranqüilizou dizendo que, apesar do vento, estava com uma boa temperatura.


Natação

O vento diminuiu um pouco. Ainda bem... estava muito chato.
Larguei na frente, mas, saindo de banda.
Na frente para, eventualmente, não perder tempo. De banda, para não atrapalhar e não tomar porrada.

Apliquei minha estratégia de nadar calma e progressivamente.
A 1ª bóia estava a uns 300 m da praia.
A 2ª bóia, à direita e paralela à praia, parecia estar a uns 850 m da 1ª.
Depois, nadávamos em direção à praia por uns 150 m e voltávamos, novamente paralelamente à praia, até perto da largada.
Daí, virávamos à esquerda e era só chegar à areia.

Minha impressão foi de que teve "muuuuita" água.
Muitos atletas tiveram a mesma impressão.
Outros muitos tiveram a impressão contrária.
Depois da prova, conversando com atletas de todas as categorias, cheguei à conclusão de que a distância estava correta: 1.900m bem medidos.

Na 1ª bóia, estava entre os últimos da minha largada.
Na 2ª bóia, já bem mais longe, dei uma checada para trás e já havia uma meia dúzia de gatos pingados atrás de mim.
Virei na 3ª bóia e fiz o retorno.
Quase chegando à última bóia, dei mais uma checada e a meia dúzia se transformou em algumas dúzias.

Em nenhum momento estou depreciando a performance de qualquer atleta. Se um dia fizer isso, podem me cobrar.
O intuito é tentar passar um pouco da minha experiência.
Já fiz muito isso.
Sair nadando muito forte e não conseguir manter o ritmo.
Pior... sair da natação "afogado", com a FC lá em cima.

Retirei a roupa de borracha ainda dentro do mar... recomendo muito isso, dependendo da distância a percorrer até à transição... e senti minha FC bem regulada quando cheguei à minha baia da bike.


T1

Desta vez, acho que exagerei.
Levei "abastecimento" praticamente para um Ultraman.
573 sanduichinhos, 3 pacotes de amendoim japonês, 28 gels, 15 barras de proteína, 450 cápsulas de BCAA, 18 cápsulas de sal, 17 paçoquinhas..

Fora 13 caramanholas de Carbo da marca "*&%@##%¨ e um galão de 5 litros de água mineral.
Kkkk

Quantidades à parte, levei essas porcarias mesmo...

Difícil é colocar tudo isso na roupa e na bike, nas quantidades corretas (não, evidentemente nas mencionadas acima).
Além de colocar capacete, óculos, luvas (acho que perco tempo com elas, mas não as desprezo em provas longas), etc.


Ciclismo

Tudo arrumado, finalmente.
Bóra pedalar.
Início da 1ª volta e... pedalando a 19, 20, 21... no máximo 22 km/h... e fazendo força... que p.... é essa ?
Depois de uns 15 ou 20 minutos pedalando, ultrapassei um atleta a 24 km/h (marcados no meu Cateye) e perguntei:

- "Quanto tá marcando tua velocidade?"
- "36 km/h."


Meu Cateye tá pirado?

Lembrei!

Deixei minha bike pra fazer revisão na oficina e loja em que sempre confiei, embora já tenha passado alguns pequenos perrenguinhos com eles.
Mas, como sempre, dou o devido desconto.
São conhecidos, etc.

Desta última vez, pedi para trocarem a bateria do equipamento.
Sim, já tive GPS da marca *&&&$#(_) e não me adaptei.
Sou Ogro.
Voltei ao bom e velho Cateye, cuja bateria acabou e pedi para trocar.

O "xxxxxxx" me disse que não tinha a bateria, mas pegaria de algum equipamento lá.
Disse-lhe que então eu levaria a bateria.
Ele me disse pra não esquentar a cabeça que ele faria a troca.
Acreditei.

Ao pegar a bike, na véspera da viagem, a bateria não estava trocada.

Dei uma reclamadinha e o "yyyyyyy" pegou um equipamento, tirou a bateria e fez a troca.
Perguntei se tinha feito os ajustes no Cateye e ele disse que sim... até mesmo o ajuste do relógio.

Dei uma girada na roda pra ver se estava registrando o movimento e estava mesmo.

Nada como confiar nas pessoas.

Por conta dos perrengues que tive que correr atrás, lá em Floripa, nem tive como testar a bike.
Mas confiança é confiança.

Bom... depois de uma, duas, três... deixei de ser freguês.
Só pra rimar.
Simples assim.

Não tenho rabo preso com ninguém.
Consumidor que sou, continuarei consumindo até quando Nosso Pai Oxalá me permitir.
Sou fiel enquanto forem fiéis comigo.


Voltando ao pedal...

Monitorar pelo Cateye nem pensar.
Vamos monitorar pelo cronômetro.

Ah... mas só dando risada mesmo.
Olhei nele e estava com um tempo ótimo... 45 min de prova cravados.
Pedalei mais uns 10 minutos e...
45 min de prova.
Taquepariu... devo ter parado o cronômetro ao colocar as luvas... kkkk
Que burro!!!
Aí, vou colocar a culpa em quem?

Bóra fazer a prova na base do achômetro.

Pedalava, comia. Pedalava, bebia. Pedalava, comia e bebia. Pedalava, bebia e comia.
Passava em cada posto de hidratação e pegava isotônico e água... dava uns goles em cada e... segue o jogo.

Final da 1ª volta, o vento aumentou.
2ª volta inteira com vento bem mais forte.

Eu reclamando pra mim mesmo.

Sem noção de velocidade, tampouco de tempo de prova.
Tinha resolvido fazer a prova na percepção de esforço.

Ao fazer a subida do Cacupé, na ida da 2ª volta e, ao perceber o quanto estava quente, uma vez que meu capacete virou uma torneira de suor, resolvi aliviar muito o esforço do ciclismo.
E ainda levei em consideração os conselhos do Silvão... pra subidas...

Pensei:
-"Essa é daquelas provas em que muitos vão quebrar na corrida... prova enganosa".

E assim foi.

Cheguei do pedal.


T2

Transição em local diverso da T1.

Cheguei junto com um camarada da categoria.
Saímos juntos também.
E me sentindo bem pro último desafio de 21 km de corrida, depois dos 90 km de pedal e dos 1.900m de natação.
O 1º km é sempre um medidor de como estamos.
Pensei que até então tinha feito tudo certo.

Não estava pensando em resultado.
Minha perspectiva era, juro, estar entre os 5 primeiros, mesmo sabendo que iriam ser premiados apenas os 3 primeiros.


Corrida

Ao final da 1ª de 3 voltas de 7 km cada, não tinha a menor noção de quem, da minha categoria, estava à frente ou atrás.
A gente se cruzava a toda hora, indo e vindo, mas o percurso não me permitia saber a respeito de colocação.
Tinha absoluta certeza de que estava dentro da minha previsão. Entre o 4º e o 5º colocado na categoria.

Ao final da 1ª volta a Neuza gritou:

-"Anjo... tu tá em 3º".

Respondi:

-"Não... estou em 4º ou 5º... tu tá vendo numeração errada... kkk".

Durante toda a corrida também procurei manter o foco na hidratação e na prova, sem me preocupar com resultado. Tentei fazer apenas o meu melhor.

Fazendo bastante força no pedal e na corrida, a musculatura anterior da coxa começa a reclamar.

A partir da 2ª volta, travei uma amizade inesquecível com uma árvore.
Sempre que passava por ela... fosse na ida ou na volta... dava uma paradinha de uns 15 segundos para alongar essa musculatura, que travada já estava... me agarrava nela como se da família fosse... kkk

Na 3ª e última volta, a única em que temos um pouco de noção de nossa posição na prova, via muitos atletas atrás. De todas as categorias.
Da minha ninguém.
Pensei... 4º, 5º, 6º, que importa?
Importa que estou concluindo mais uma empreitada saudavelmente e me sentindo muito bem.

Uêba...
Já estou chegando...

O Ironman não permite mais a chegada com a família... o Challenge não só permite, como incentiva.
Tenho opinião contra e a favor isso.
O contra é devido aos excessos, apenas isso.

Então... venha comigo, Neuzita... é nóis.... tamujunto... misturado já é redundância.

Feliz da vida.


Pós-prova

Quase caí depois da chegada, por conta das dores na musculatura anterior das coxas.
Mas, tava valendo.
Recebi medalha, recebi a camiseta de Finisher, fui comer, beber (cerveja sem álcool), dar uma descansada e....

Eram umas 13h e pouco... premiação prevista para as 16h.

Ah... mas não vou esperar mesmo. Até porque, na minha concepção, não teria direito sequer ao troféu de 3º colocado.

Cansado... esgotado... dolorido...
Ainda não tenho noção do meu tempo na prova... creio que foi por volta de 6:15 a 6:30h...
Os resultados oficiais ainda não saíram (depois escreverei sobre isso e outras coisas).

Bóra pra Pousada descansar...

Neuzita me convenceu a aguardar os resultados...

Vou te falar... maior embaço.

Tomei 2 brejas (pequenas) alcoólicas... comemos 1 pizza brotinho... tomei água bagarayo... etecétera e tal.

Daí, por volta das 15:30h, começaram a premiação dos ganhadores da prova.
Os tops.
Aí, demorou mais um pouco ou muito e anunciaram que iriam começar a premiação dos "age groups".

Fui lá e exigi meu direito de saber o resultado de acordo com o Estatuto do Idoso... ou seja, primeiramente...kkk

Mesmo brincando, parece que fui atendido.

Premiaram primeiro os Revezamentos e depois começaram a premiação por grupos de idade.

O locutor disse:

- "Vamos começar pelos mais experientes:"

Gostei!!!

Veio logo a minha categoria...

- "Na categoria Masculino 60/64 o campeão foi: Marco Antonio Pinheiro Cyrino"

Se estivesse sentado, tinha caído da cadeira.
Como estava de pé... sentei no chão.
Sequer imaginava pegar o pódio com o 3º lugar. Que dirá o 1º?


Apenas agradecer a tudo e a todos. Sempre.

Silvão, como sempre, mandou muitíssimo bem no planejamento dos meus treinos, mesmo tendo que lidar com os perrengues que citei lá em cima, mas não vou falar porque faz parte.

Minha família e a Neuzita e sua família, que na verdade é minha também.

Ainda, recebi o "Convite Oficial" para participar do Mundial do Challenge Half em Samorin, Eslováquia, em Junho de 2018.
Pensando a respeito.

Depois vou publicar mais a respeito da minha opinião com relação à organização da prova, às amizades, às imagens, etc.

Se fosse fazer tudo junto, como falo ou escrevo muito, não daria liga.


Aloha !!!

3AV
Marco Cyrino


segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Dicas para treinos de subidas que podem ser utilizadas tanto no treinamento "outdoor" quanto no "indoor" (Spinning®).

Por Silvio LuizMarques (meu treinador).
Texto excelente... republicando sob permissão...


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Fazer treinamentos em subidas é uma prática muito importante para a manutenção da força e da "performance" no ciclismo.
Ao contrário do que muitos imaginam, as técnicas abordadas para se incrementar  "performance" nas subidas são SIMPLES.
Vou deixar um link do Youtube aqui inicialmente para aqueles que desejarem acompanhar as dicas abaixo:


Perceba que normalmente quando ciclistas realizam subidas sentados no banco seus ombros estão sempre alinhados com o queixo, favorecendo o relaxamento e mobilidade das articulações dos MEMBROS SUPERIORES desde os ombros, cotovelos até as mãos.

Quando um ciclista trabalha afastando seus ombros do guidão através da extensão dos cotovelos e conseqüentemente aproximando seus ombros das orelhas o que percebemos é uma diminuição da mobilidade do tronco em função de um trabalho isométrico desnecessário das estruturas envolvidas no apoio do tronco sobre o guidão.



Convém LEMBRAR que exercícios ou trabalhos de isometria DEVEM SER EXECUTADOS apenas em posições SEM MOVIMENTOS.
E porque manter toda a estrutura dos MMSS "relaxadas" no ciclismo?
Quando o ciclista está escalando, quem carrega toda a estrutura para cima é o atleta. Ele carrega o seu peso e sua bicicleta.
Porém, a bicicleta não pode ser tirada do solo. Quando ela perde o contato com o solo ela perde a capacidade de deslocamento.
O ciclista sim.
Através de técnicas de movimentação em cima da bicicleta, o ciclista pode promover através do equilíbrio entre a fase ascendente e descendente dos pedais (ciclo completo da pedalada) melhor deslocamento em cima da sua bicicleta.
No ciclismo de estrada, perceba que quando o ciclista está pedalando EM PÉ o corpo se movimenta em cima da bicicleta para otimizar a aplicação da força nos pedais diminuindo a necessidade de hiper-extensão dos joelhos nos ciclos do pedal.
Quando o ciclista está pedalando em pé, perceba que seus ombros estarão sempre alinhados com o guidão.
Não vemos no ciclismo de estrada ciclistas fazendo subidas em pé com os glúteos lançados para a parte traseira da bicicleta.
No "indoor" muita gente realiza esse movimento erroneamente. Principalmente as mulheres.
ACREDITEM.
Ninguém ganha massa muscular nos "bumbuns" pedalando lá para trás da bicicleta.
Juro.
ACREDITEM.



No ciclismo "indoor", a bicicleta está estática, e para que ocorra o equilíbrio de forças entre a fase ascendente e descendente do pedal é necessário SIM que o aluno ou praticante desloque lateralmente seu corpo na pedalada como forma de otimizar o uso das sobrecargas aplicadas nos treinamentos.
Essa é a resposta para muitos que me perguntam porque eu me movimento tanto em cima da bicicleta de Spinning® enquanto muitos realizam um pedal "duro", com os cotovelos hiper-estendidos, articulações rígidas e aplicação desnecessária de força em cima do guidão da bicicleta, quando na verdade o relaxamento precisa se fazer iminente e eminente.
E por último, percebam no vídeo anexo que quando os ciclistas no vídeo estão pedalando lado a lado e juntos, os dois estão pedalando com cadências diferentes.
Cada ciclista tem uma característica própria e cada um se adapta melhor com uma cadência.
Alguns preferem pedalar em cadências mais elevadas, outros não.
MAS NÃO SE ENGANEM.
Ciclistas treinam e muito em TODAS AS CADÊNCIAS. Eles sabem como ninguém como deslocar com eficiência uma bicicleta em todos os tipos de terrenos e inclinações.
Faça você o mesmo em seus treinamentos.
Experimente novas cadências e novas abordagens no seu pedal.

Convém lembrar que no treinamento “indoor” em bicicletas estacionárias aulas em grupo possuem alguma abordagem lúdica para facilitar com que os praticantes, na grande maioria não praticantes do ciclismo convencional, treinem com divertimento.
Se você mora em algum lugar onde as suas sessões de treinamento de ciclismo sejam prejudicadas em função de pouco acesso aos locais apropriados ( estradas e trilhas ) ou as temperaturas e o clima desfavoreçam um treinamento constante, utilizar bicicletas estacionarias podem contribuir significativamente com a manutenção de seu condicionamento, PORÉM, convém lembrar que as regulagens do equipamento devem se aproximar das utilizadas em suas bicicletas de estrada.

Observem o vídeo atentamente e nas suas próximas sessões de treinamentos, lembrem-se das dicas.
Quanto mais você estiver relaxado sobre os apoios do guidão mais sobrecargas você poderá utilizar nas propostas mais intensas.

Dúvidas sobre o texto? 
Manda um "privado" que eu esclareço.
E se eu não conseguir responder, corro atrás da dúvida.
Grande abraço e até a próxima.

(13) 97416-2483 (Whatsapp para mensagens).
""




Bons treinos!

3AV
Marco Cyrino

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Dicas para Provas Longas


Com duas provas longas em semanas consecutivas, sendo uma agora, neste final de semana (26/11 – Ironman 70.3 – Fortaleza) e a outra no outro final de semana (03/12 – Challenge – Floripa), gostaria de deixar alguns conselhos aos atletas que não têm muita experiência nesse tipo de prova.

Imagino que alguns estejam viajando, ou mesmo já se encontrem em Fortaleza.
E outros tantos estejam nos últimos treinos e preparativos para Floripa.


Objetivamente falando para esses atletas...
Após a sua viagem, chegada, acomodação etc., o que já é suficientemente cansativo:


- Não gaste suas energias desnecessariamente, com idas e vindas infinitas à feira. Se necessário, faça uma relação das coisas que precisa ou pretende comprar e realize o quanto antes e, de preferência, numa tacada só.

- Não gaste suas energias desnecessariamente com treinos grandes que não lhe proporcionarão melhor rendimento. Faça apenas aquilo que seu treinador o orientou. Se não tiver treinador, não faça nada que não seja apenas o reconhecimento do circuito nas 3 modalidades.

- Não consuma nada, seja alimento ou bebida, que não esteja habituado a consumir em suas refeições. Siga a orientação do seu(sua) nutricionista, se tiver.

- Não use nenhuma roupa ou calçado recém adquirido e com o qual não tenha treinado bastante.

- Não invente nenhuma estratégia nova durante sua prova. Nem de performance, nem de alimentação ou hidratação. Faça a prova como treinou e com o que treinou.

- Faça uma checklist de tudo o que precisa no pré e durante a prova.
(veja... Checklist Geral de Provas & Dicas relacionadas)

- Cheque muito bem seus equipamentos.

- Descanse mesmo nos dias anteriores, porque é normal não dormir bem na véspera da prova. Deite cedo nesses dias e principalmente na véspera. Mesmo que não consiga dormir bem, você estará descansando o seu corpo.

- Participe do simpósio técnico.

- Divirta-se na prova e, após a chegada, sinta-se feliz por tudo o que conseguiu, independentemente de seu resultado.

Boas provas a todos!

3AV
Marco Cyrino



domingo, 19 de novembro de 2017

Treinos solitários


Brasileiros e brasileiras...
Minha gente...
Amigos e amigas...
Esportistas e esportistos...
Triathletas e Triathletos...
Abestados e abestadas...

Bom... começando o pronunciamento com palavras já demasiadamente conhecidas, vamos aos fatos.

TREINAR SOZINHO.

Sozinho mesmo... sozinho da Silva Albuquerque Leônidas De Oliveira Francis Palmito Do C... a Quatro Homem de Melei Brechnikóviski Andrade e Porrada Afora...

Já treinei muita natação, pedal e corrida, junto com outros atletas.

Sifudí... exceto no ciclismo na estrada.
Esse exceto no ciclismo é muito por questão de segurança. Mas não pelo treino em si.
Pedalar acompanhado, infelizmente, acaba sendo uma necessidade.

Cada um tem seu ritmo. Cada um tem seu pace.

Tenho treinado muito sozinho.
Aquele sozinho da Silva Albuquerque... lá de cima.

Muito prazer e muito perrengue nisso.


Natação

Natação de "x" mil, com "n" variações, na piscina de 25 m (graças a Deus, ainda tenho essa condição... de treinar em piscina).

Já treinei muito com "turmas" de Triathletas na mesma piscina...
Só que não evoluía, porque não fazia meu treino... Fazia o treino deles.

Hoje, treino meu treino. Solo.
Contando "meus" ladrilhos. "Minhas" braçadas. "Meus" educativos.

Privilegiado que sou, consigo nadar em horários que antes (quando estava na ativa do emprego) não conseguia.
Hoje, aposentado, nado no horário que quiser. E isso é muito bom, mas, em termos...
Vai do estado de espírito em que estamos.


Vamos à corrida.

Corrida de 24 km pelas areias ou calçadas das praias de Santos ou São Vicente...

Correr 10 km... beleza.
12 km... b e l e z a.
15 km... b...........e.............l..........e..............z............a.
Qualquer coisa acima de 15 km já é dolorida e exige "cabeça".

Não gosto de fazer o mesmo percurso mais de uma vez. Logo, fico imaginando meu percurso, antes de fazê-lo. 
Entre imaginar e fazer, vai uma grande diferença.

Já tive oportunidade de fazer um treino de 26 km (para Ironman) e encontrar com meu grande amigo Edmilson Scrassulo... e "ele" me mostrou que poderia correr bem mais forte do que estava correndo.
Até hoje agradeço por essa oportunidade que tive com ele, que já fez sua passagem... e que o tinha como um ídolo.

Treinar 24 km de corrida para um Long Distance é bem punk... e ao mesmo tempo muito bom.

Hoje, em treinos solos, de distâncias mais longas, não consigo deixar de pensar nele.


Agora vamos ao ciclismo.

Pedal de 100 km, sem ter coragem de fazer na Rio-Santos...

Ciclismo indoor é fácil.
Fácil porra nenhuma.

Fácil até a página 2. Ou seja, até 1 hora, no máximo.

Qualquer treino indoor de ciclismo maior do que isso É PUNK.

Então, um treino de 100 km de ciclismo, com transição para corrida de 10 km... tendo que fazê-lo... porque você tem uma responsabilidade  com a sua prova...

Vamos lá...

Deixar tudo preparado na quinta-feira para o treino de sexta-feira (já que sábado não poderia ir, por compromissos pessoais).

Acordar na sexta-feira de madruga e ver que está chovendo...
Deitar e esperar mais um pouco...
Levantar novamente e ver que o tempo está melhorando...
Tomar um bom café da manhã...
Fazer seus afazeres... (todos sabem quais)... rsrsrs
Descer as coisas pro carro...

"Viajar" para o Riacho Grande...

Começar o pedal às 10:45h... (absolutamente solo).
Terminá-lo às 14:25h... 100 km no sobe e desce do Riacho... com ventos fortes... calor... chuva forte, fraca... e sol....
Com uma parada para reabastecer de água e suplementos...

SÓ EU E OS VIRA-LATAS, MEUS IRMÃOS.... KKK

Chegando e, com muita vontade de ir embora, trocar as sapatilhas pelos tênis e... correr 10 km...

SOZINHO... NEM OS MEUS IRMÃOS VIRA-LATAS ESTAVAM LÁ...

Aí é que compreendemos o que é força de vontade, persistência, perseverança...

Juro, JURO MESMO, que não estou querendo me perfazer, tampouco dar exemplo para os outros...

É apenas para diagnosticar que, na minha vivência, essas são as maiores e melhores experiências.


Nessas situações temos todas as chances de desenvolver as qualidades necessárias para um esporte tão difícil como o Triathlon.
Podemos tirar lições que nos serão úteis para toda nossa vida.

Lições que nos fazem agradecer pela força que tiramos sabe-se lá de onde. Agradecer pelos exemplos dados pelos nossos amigos, mesmo que tenham partido.
Ao nosso treinador (detesto o termo coach).
Valeu aí, Silvão... e tá valendo.
À nossa família...

Enfim...
Enfrentar... desafiar (no bom termo)... viver... encarar nossos fantasmas.

É difícil?
Claro que é!
Vamos encarar?
Claro que vamos!
Bóra lá!

ALOHA !!!

3AV
Marco Cyrino



segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Respeite seu corpo



Confesso que, vendo as inscrições para Floripa ainda abertas (para o Iron e para o Challenge, embora para este eu já tenha herdado a inscrição desde o ano passado), me dá uma vontade desgramada de fazer o Iron.

Já havia decidido... ôps... havia não... decidi... não fazer o Iron em 2018.

Tenho outros planos... talvez o 70.3 de Kona, talvez a Ultra Bertioga-Maresias, talvez, talvez e talvez...

Mas, por que a decisão de não fazer o Iron ano que vem?
Dar uma folga, para o tempo necessário para cumprir o programa de treinos para esse desafio.
Fiz 4 anos consecutivos (2009 a 2012), folguei 1 ano, fiz 2014, folguei outro ano e fiz mais 2 consecutivos (2016 e 2017).

Já com mais de 50 anos de idade, 52 para ser exato, iniciei minha trajetória em Ironmans, mas, tendo que conciliar tudo com tudo. Família, trabalho, etc. Todos sabem o que é isso.

Hoje, já aposentado do trabalho, muitos dizem que agora posso fazer tudo e mais um pouco.
E posso sim, mas não quero.
Muito por força de compromissos que assumi por querer mesmo. Logo, não vou abandoná-los... até mesmo porque eles e suas conseqüências não me abandonam.

Mas, vamos ao que interessa, porque o preâmbulo já se alongou mais do que o devido... rsrsrs.


Vai estrear em uma distância longa?

Se sim, tenho boas e más notícias.
Mais boas do que más.


Começando pelas más (sempre faço essa opção).

Você vai ter que desenvolver ainda mais (porque todos temos) estas qualidades:

DETERMINAÇÃO: Firmeza para conseguir o que deseja.

PERSISTÊNCIA: É não desistir facilmente daquilo que se deseja.

MOTIVAÇÃO: O que o levou a realizar o desafio.

RESILIÊNCIA: Capacidade de lidar com problemas, vencê-los e não ceder a pressões em qualquer situação.


Lidar com, e desenvolver essas características não é mole.

Aprendi, em muitíssimas situações, a estabelecer objetivos pequenos dentro do objetivo maior.
Tipo, num treino de 30 e poucos kms de corrida, com dores (normal), sem hidratação e alimentação adequadas (não é normal, mas acontece muito), estabelecer que iria apenas até o próximo km. 
Então caminhei, pensei (correndo não dava pra pensar), me alimentei e hidratei, sentei, alonguei, levantei, hidratei novamente, me alimentei novamente, alonguei novamente, caminhei, trotei e... terminei o treino.

Não foi no ritmo que imaginava? Claro que não.
Mas, se não fizesse isso não completaria o treino. E assim é em tudo. Dar um passo atrás, quando erramos, para depois dar 2 para frente.


Conselho: Nunca, mas nunca mesmo, chegue perto de extremos... ao limite...


Se você achou que estas más notícias não foram tão más assim, parabéns, porque as boas serão então melhores.

Primeiramente, vou falar que quem diz que você tem de treinar até morrer (modo de falar) está completamente equivocado e colocando você em risco desnecessário.

Se você vai fazer seu primeiro Long Distance ou Ironman e, se não é o Top de Linha e, ainda, se quiser completar essas provas saudavelmente, dentro do seu melhor tempo (levando em consideração o que pode ser feito, pois você tem uma vida), esqueça aqueles treinos com os Tops que "irão te levar a outro patamar". Nadar para 1m10s/100m, pedalar para 40 km/h, correr para 4:00 min/km.


Respeite seus limites e seu corpo.

Vou dizer uma frase que parece tosca:

- "Saúde não tem preço".

Phodam-se as redes sociais.

Temos que desenvolver, sim,  Determinação, Resiliência, Persistência e Motivação.
Mas sempre dentro dos limites.
Sempre digo que menos é mais.
Mas, pra bom entendedor, menos é mais quando o mais é menos. Se é que me entendem.

Em provas, dou o meu melhor, mesmo sabendo que não sou o melhor.

Já, nos treinos, e o Silvão sabe disso... erro muito. E não tenho vergonha de dizer isso a quem interessa: a êle (Silvão) e minha família, que me acompanham sempre.
Se preciso descansar, não me envergonho e falo.
Se aconteceu algo inesperado que me afetou psicologicamente ou de outra forma, idem.
Agora, se nada aconteceu, e ainda assim não me sinto bem... idem de novo.


É punk treinar.
E concordo que treinos difíceis tornam a prova fácil.
Mas nem tanto ao céu nem tanto à terra.

Hoje, opto por fazer treinos longos solitários.
Porque vou no meu ritmo e não no ritmo dos outros.

E isso exige cabeça.
Ah... 4.000m em piscina de 25 m, sozinho.
200 km de pedal no Riacho Grande, sozinho.
35 km de corrida... sozinho.

Vamos errar bagarayo nesses treinos. Mas é pra isso que eles servem. Inclusive erros primários.
Só a prática nos traz o mais perto possível da perfeição.

A gente desenvolve métodos para isso.

Este é mais um daqueles posts que provavelmente será útil para uma pequena parcela de Triathletas, quem sabe os iniciantes em maiores distâncias.
Mas, talvez, e apenas talvez, seja útil para muitas pessoas e em qualquer área da vida delas.


ALOHA !!!

3AV
Marco Cyrino