segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Insano - Relato de Prova



Meio (ou muito) atrasado, mas aí vai mais um relato de prova.
Desta vez uma prova, como o nome já diz, insana.
Guaratuba, litoral do Paraná. Local muito agradável.

Conheci o litoral do Paraná há mais de 35 anos. Só que o objetivo foi outro. Surfar em Matinhos.

Desta vez, foi para fazer um Triathlon com distâncias bem diferentes daquelas a que estamos habituados.
Nem Olímpico nem Long Distance.
Natação de Olímpico, 1.500m.
Ciclismo e corrida meio mussarela meio calabresa: 60 km e 16 km, respectivamente.
O que o ciclismo tem de "fácil", a corrida tem de "difícil". Falo sobre ambos, um pouco mais à frente.
Se bem que a natação também não foi fácil.


Natação
Uma arrebentação bem chatinha, com ondas (não grandes) quebrando até quase a bóia de contorno.
Duas voltas de 750 m cada, com uma bela corrida pela praia.
Para quem é do litoral de São Paulo, eu compararia a arrebentação com a de Praia Grande, Mongaguá, etc.
Tem umas ondinhas bem perto da areia e logo vem uma vala. Depois, vem mais uma arrebentação. Sem condições de botar ritmo de natação até a 1ª bóia.

Da 1ª para a 2ª bóia foi tranqüilo, até mesmo porque a organização inverteu o sentido da etapa, para que fôssemos favorecidos pela maré.

Da 2ª bóia para a praia, embora parecesse fácil, é meio complicado para quem não tem experiência no mar, uma vez que existia uma correnteza razoavelmente forte para o fundo, no refluxo da maré.


Ciclismo
O ciclismo foi simplesmente ótimo.
Como não conhecia o percurso, fiz a 1ª (de 3 voltas de 20 km cada) um tanto cauteloso, aliás, como sempre.
Um circuito muito bom, com asfalto excelente e pouco vento nas duas primeiras voltas.
Na 3ª volta, o vento que nos prejudicou na ida nos favoreceu na volta, o que foi muito bom porque pudemos sair para correr com as pernas mais soltas.


Corrida
A corrida foi excepcional. Em todos os sentidos.
É um percurso que, além da quilometragem diferente, tem o algo a mais que, provavelmente, deu o nome à prova: INSANO.

São 16 km, em 2 voltas.
Imaginei que as 2 voltas fossem iguais, mas não foram. Ainda bem.

Na primeira volta, logo que saímos da transição, penso que uns 2 km à frente, nos defrontamos com uma serrinha de uns 700 m bem íngreme. (Não tenho a menor noção da distância exata. Escreverei sobre a minha percepção de distância, inclinação, etc.). Mas, nada que já não tenha treinado bastante. Até por ser uma subida punk, mas constante.

Depois de um topzinho de no máximo 10 m, vem a descida. Um pouco mais curta e mais íngreme que a subida (comentário meio besta, uma vez que, se a descida for mais curta que a subida, obviamente deve ser mais íngreme... kkk).
Que beleza... damos de cara com o Ferry-Boat e vamos voltar.

Só que não (ou SQN em linguagem Facebookiana).

Ao chegarmos ao pé da serrinha, viramos imediatamente à direita e começamos a subir outra serrinha.
Muito menor e muuuuuito mais íngreme do que a primeira.
A que nos leva à praia de Caieiras.
Bota íngreme nisso.
Uns 300 m apenas de subida, menos íngreme que a descida.
Essa descida é uma pirambeira só.
E, como tudo o que sobe desce, tudo o que desce sobe (ou não... kkk).
A volta é phoda.
Dá vontade de subir de 4. A serra parece uma parede... rsrsrs.

Mas daí, ultrapassando essas 2 serras na volta, é só plano. Por uns bons quilômetros. Porque a gente vai até a transição, passa reto por ela e continua. Aí, vai, vai, vai, e... quando pensa que vai retornar, vai mais um pouco.
Daí a gente volta, volta, volta e... quando pensa que tá voltando, tá voltando mesmo.
Passa reto pela transição novamente e vai para a segunda volta.

A má notícia:
A segunda volta terá novamente as subidas e descidas, na ida e na volta.

A boa notícia:
A segunda volta termina ao chegar à transição. Não precisamos passar por ela e correr mais uns 100 km (de acordo com minha percepção... kkk).


Minha prova

Verifiquei na lista de inscritos que havia 4 inscritos na minha nova categoria. A MV (Muito Velho)... 60A+.
Premiariam com troféus os 3 primeiros.

Embora minha primeira finalidade não seja essa, competitivos que somos, me programei para, no Plano C, completar muito bem de saúde a prova.
No Plano B para, se possível, pegar um lugar ao sol... ôps... ao pódio.
E, finalmente, no Plano A, fazer o meu melhor e que, de acordo com meu merecimento e dos demais atletas, eu conseguisse fazer tudo junto ao mesmo tempo.


Natação
Saí para a natação colocando em prática meu Plano C.
Principalmente em decorrência da situação do mar, o qual respeito como ninguém, procurei fazer uma etapa bem sussa. Aproveitei meus conhecimentos de surf para passar pelas arrebentações nas 2 voltas, vendo melhores nadadores ficarem retidos nas espumas.

Aqui vai um conselho. Inclusive este tópico é o maior objetivo deste Blog. Tentar passar minha experiência para todo e qualquer atleta de Triathlon...
Sei que muitos, senão a maioria dos atletas, treinam natação em ambientes fechados. Piscinas.
Não têm experiência com o mar (que nunca devemos desafiar).
Ao se defrontarem com uma arrebentação, sempre mergulhem para passar por baixo as ondas. Não as fiquem encarando no peito.
Já fiz alguns posts a respeito.

Voltando...

Como falei, a natação não foi molezinha, tampouco muito difícil. Mas foi irada... kkk... e me fez sair em 1º.


Ciclismo
Minha transição foi rápida o suficiente para continuar em 1º.
Saí para o pedal decidido a fazer bastante força, porque achei que, mesmo bem treinado na corrida, acabaria sendo ultrapassado por 1, 2 ou mesmo os 3 outros atletas, naquela etapa (corrida).

Pedalei bem, como poucas vezes.

Fiz média próxima de 35 km/h. Uma coisa meio coisada pra mim. O circuito é, como já falei, muito bom.
Aos poucos, via que aumentava minha diferença para os demais atletas.

Bom, cheguei da bike, além de inteirão, com uma boa vantagem de tempo.


Corrida
Aí vinha a parte mais difícil.
Pensei:
- Terminar o pedal em 1º já é um puta bônus para quem esperava um 4º lugar, mas terminando a prova bem. Agora posso e provavelmente vou ser ultrapassado na corrida, mas que vou dar trabalho... ah, vou mesmo... kkk

Saí para correr me sentindo muito bem, mas, ao mesmo tempo, me segurando, sabedor que sou das dificuldades de uma corrida como essa.

Depois de realizar as subidas e descidas, ida e volta, da primeira volta... pegar o plano... passar pela transição... contornar para a segunda volta... passar novamente pela transição.... ameaçado que imaginei estar, mas ainda me mantendo em 1º na categoria, resolvi tocar o phoda-se.

Achei que estava correndo no meu limite. SQN. Ainda tinha mais gás pra queimar.
E "táca-lhe pau"...
Corri como nunca, ou como sempre... vai saber...
Mais umas subidas e descidas e... novamente suuuubiiiidas e desciiiiiidas... peguei o plano.
Zoiei pra trás e...
AGORA EU VOU PRA GALERA.

CÃOPEÃO (é que sou vira-latas mesmo) NA CATEGORIA.


As fotos virão em breve.


Quero agradecer à organização que, na minha observação, não teve nenhuma falha.
Inclusive agradecer pelos diversos contatos e esclarecimentos que tive diretamente com a organização.
Uma coisa que me incomoda é o fato de juízes, fiscais, etc. ficarem me aporrinhando com relação a fechar o zíper do macacão de prova.
Fui didaticamente elucidado pela "Natanna", esclarecendo que é regra da ITU.
Posso até não concordar, mas tenho que respeitar.


E os obrigatórios agradecimentos (não que seja obrigação fazê-los... é uma obrigação de reconhecimento desses valores).
Não existe aqui nenhuma relação na ordem dos agradecimentos... ou existe, vai saber... nenhum é mais ou menos importante, tá ?

- Meu Pai Oxalá, meus Orixás, meus protetores e mentores espirituais.
- Minha família... meus irmãos e irmã, minhas cunhadas, meus sobrinhos, afilhados, etc.... muitos (Todos vocês sabem da enorme importância que têm em minha vida).
- Minha Alma Gêmea, Neuzita, a sua e a minha família, contando irmãs, primas, primos, tias, tios, sobrinharada, etc.
- Meu Pai e Mãe materiais, que zelam por mim e por nós eternamente.
- Meu pai e mãe espirituais e meus irmãos de fé e de caminhada.
- Meu treinador e irmão Silvão (coach é o piiiiiiiiiiiiiiiiii......)... kkkkk
- Meus amigos, colegas e próximos...


Enfim, agradeço a todos aqueles que me agregam valores, seja com suas boas vibrações, com suas boas índoles, com suas ações para com os outros...

Meu muitíssimo OBRIGADO.

ALOHA !!!

3AV
Marco Cyrino


terça-feira, 5 de setembro de 2017

Troféu Brasil - Setembro/2017 - Relato - Fotos e pensamentos


RELATO

Troféu Brasil – Distância Olímpica.

Bem difícil sair do ritmo de Ironman para esta distância.
Recuperar velocidade. Sair do modo cruzeiro e ir para o modo pau-no-gato.

Toda prova é dura. Independente da distância. Se é longa, é dura por si só. Se é mais curta, é dura pela intensidade.
Isso é muito bom.


Natação
Nesta etapa, o mar estava bem chatinho. Volumoso. Sem ondas no local da prova, mas a gente se sente como um palito ao sabor das correntezas. Fracas, mas correntezas.
Água bem fria para o padrão de Santos.
Distância da natação bem adequada. Certeza de ter pelo menos os 1.500m.

Nadei o mais tranqüilo possível, para não passar nenhum perrengue. Não foi nenhuma maravilha. Mas foi do jeito que eu queria. Sussa.

Saí do mar como queria, ou seja, sem stress e com a FC bem baixa.


Ciclismo
O pedal foi naquele percurso que não deveria ser, de acordo com o publicado pela organização.
O prometido era o percurso de 2 voltas, com a extensão dele pela Av. Perimetral.
No simpósio, o Nubio me disse que não foi possível porque os órgãos públicos não conseguiram implantar a contenção de caminhões para liberar a avenida.
Prometeu que, para as 2 últimas etapas, será nesse formato que não foi.
A ver...

Percurso travadinho, de 4 voltas de 10 km cada. Honestíssimo. Ao final da etapa, ao pegar minha bike na transição, chequei a distância: 40,33 km.
O tempo vai lá pra cima. Não no caso dos ETs que pedalam pra mais de 40 km/h. No caso dos simples mortais, o tempo sobe bastante com as retomadas de velocidade.
Fora as coxas inchadas para correr. Mas, como sempre falo, é pra um, é pra todos.


Corrida
Corrida sem maiores problemas. Corri melhor do que esperava e pior do que podia.
Ao final, uma sensação estranha.

Campeão da categoria MV (Muito Velho) 60/64A

Vamos às Fotos e depois aos Pensamentos...



FOTOS

(Clique em qualquer foto, para ver em tamanho original)

1-Tradicional, antes da largada

2-Tô por aí

3-Largou

4-Primeira volta

5-Final natação

6-Uma duchinha, antes do pedal

7-Em uma das 4 voltas

8-Final do pedal

9-Bóra correr

10-Finalizando a primeira volta

11-Vamos acabar logo com isso

12-Cabô

13-Campeão, com pódio quase vazio

14-Feliz que nem pinto no lixo

15-Saúde

16-Troféu - Medalha



PENSAMENTOS

Triste por ver uma prova tão tradicional muito esvaziada.
Fazendo uma conta rápida, acho que não havia mais do que 250 atletas, contando Short e Olímpico.
Numa breve conversa com meu amigo Rubão, pela rede social, me veio à mente uma porrada de pensamentos a respeito disso.

Muitos criticam os organizadores pelo preço praticado, inclusive este aqui, que está pensando.
Não me julgo capacitado para fazer isso mais profundamente.
Penso que um cara que, há mais de 25 anos, organiza um campeonato como o TB e mais o Internacional de Santos tem know-how suficiente para saber o que está fazendo.

Como empresário bem sucedido que fui por um período um pouco maior, penso que, no lugar dele, eu optaria por reduzir bastante o valor das inscrições.
Fato é que, com menos atletas e preços altos, provavelmente a lucratividade é a mesma.
Porém, com preços baixos e muitos atletas, isso poderia atrair patrocinadores.
Mas, são apenas pensamentos.

Mesmo em minha vida de empresário bem sucedido, errei muito. E paguei um alto preço por isso. Mas tive que me reinventar.

Como reclamar de preços, se um Ironman em Floripa, cobrando US$ 800,00 mais taxas, ou R$ 3.000,00 mais taxas, demora mas preenche todas as 2.500 vagas ?

Triathleta é um bicho estranho.
Presenciei alguns atletas, na feirinha (feirinha mesmo) do TB, pagando uns R$ 800,00 num tênis Hoka.
R$ 1.750,00 num capacete.
R$ 300,00 num top.

Fora os que usam sapatilhas de um barão, roupas de 2 barões e bikes de 60 barões. É... na linguagem antiga, "barão" é mil reais.

Vocês não leram errado, não.
Vou soletrar: B + A + I + Q + U + E = Bike de R$ 60.000,00 (sessenta mil Reais).

Nada contra. Se o cara pode e isso o deixa feliz, táca-le pau.
Mas, às vezes, esse mesmo cara acha caríssimo pagar, digamos, uns R$ 200,00 para um treinador (coach) que vai dedicar todo o seu conhecimento adquirido em anos e anos de estudo e aperfeiçoamento de conhecimento, para tentar fazer do cara da bike de 60 paus um melhor atleta.

Imagino que, caso um dia acabe o TB, muitos dos que o recriminam vão choramingar.

Gostaria eu de ter competência para poder criticar quem organiza provas, sejam elas apenas de corrida, natação ou ciclismo, ou tudo junto e misturado.
Como não tenho, prefiro criticar naquilo que me cabe como atleta.

Antes que me recriminem...
Não, não tenho procuração para defender o Núbio, nem ninguém.
São apenas pensamentos... dos quais também me questiono.
Um pouco triste, mas sempre otimista.


ALOHA!

Próximo desafio... INSANO – GUARATUBA - PR


3AV
Marco Cyrino


quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Seu primeiro Ironman???


Este post é destinado a quem irá fazer seu primeiro Ironman.
Pode, eventualmente, ter algum comentário que ajude quem irá fazer o 2º ou até mesmo o 3º Iron. Tomara!

Portanto, escreverei falando diretamente com você, que fará seu primeiro Iron.

Obs.: Não estranhem a falta de concordância na conjugação dos verbos, pois em Santos falamos erradamente "tu" com a conjugação de "você". Logo, algo poderá passar com esse erro de concordância... rsrsrs


Participação da família
Espero que, antes de fazer a inscrição, você já tenha conversado, negociado e entrado em entendimento com a sua família.
Porque não vai ser fácil.
Mesmo que já tenha feito a inscrição e ainda não tenha conversado, dá tempo sim... rsrsrs.

Leia mais sobre isto, no item "Posts relacionados", mais abaixo.


Aplicação de tempo
Você terá que dedicar muito tempo a essa empreitada.
Sabe aquelas noitadas de sextas-feiras ou sábados? Esqueça!
Sabe aqueles churrascos de final de semana, regados a cervejinha gelada? Esqueça também!


Treinos em volume crescente
Se você fizer um planejamento de, digamos, 5 meses de treinos especificamente para essa prova e, dependendo de sua experiência em provas de Triathlon, os primeiros 3 meses serão de boa.
A partir daí, com o aumento de volume de cada uma das modalidades, principalmente ciclismo e corrida, a coisa vai ficando punk.

Haverá pelo menos um treino longo de transição de ciclismo e corrida. Algo próximo de 100 km x 20 km.
Excelente oportunidade para já ir testando sua alimentação e hidratação para o Iron.
Este item é absolutamente fundamental. Diria que 50% da possibilidade de sucesso dependem disto. Volto ao assunto mais adiante...
Os outros 50% dependem de seu treinamento físico.


Objetivos
Dependendo de seus objetivos e de sua faixa etária, a perspectiva de resultado será bem diferente.
Existem aqueles que, já ao fazerem seu 1º Iron, têm a perspectiva até mesmo de uma vaga para o mundial em Kona.
São atletas quase profissionais. E normalmente são atletas de uma faixa etária média de até 35 anos.
Estes dados não constam em nenhum estudo. São baseados apenas em meu feeling e, portanto, podem estar errados.
Coloquei estes dados apenas para registrar que esse tipo de atleta é a exceção. Não devemos nos basear em seus treinos e estratégias para realizar nosso 1º Iron full.
A maioria dos atletas que irão realizar esse sonho deve se preocupar em concluir a prova da melhor e mais saudável forma possível. Este deve ser o Plano "A".
O tempo de prova, embora todos nós que fazemos Triathlon saibamos que é a principal referência, não deve ser o mais importante.


Saúde - cuidados
Sugiro que, em primeiríssimo lugar, você realize uma bateria de exames clínicos (um checkup) para se certificar de suas condições de saúde.
Exames de sangue, fezes, urina, pulmões, cardiológicos, etc.
Procure encontrar um médico com experiência em esportes, para lhe avaliar e recomendar uma suplementação adequada, como pré e pós-treinos, aminoácidos, repositores e por aí vai.
Evite seguir recomendações de atletas mais experientes, sem o aval de seu médico.
Ah! Importante também... evite cair na tentação de consumir substâncias ilícitas para melhora da performance.

Se possível, recorra a um profissional de nutrição com especialidade desportiva.
Pode parecer uma crítica a esses profissionais, mas não é. Trata-se apenas de uma constatação. Em boa parte, são excelentes para prescrever dietas para perda de peso. Aqueles com experiência desportiva são os capazes de lhe dar informações pertinentes à dieta para o fim desejado, ou seja, para fazer um Iron Full.


Orientação para treinar
Sugiro fortemente que recorra a um profissional da área, para lhe treinar adequadamente.
Tenho minha experiência pessoal quanto a isto.
Escolha alguém que lhe possibilite um acompanhamento, se possível diário, dos seus treinos.
Nunca deixe de dar um feedback a ele, com relação aos seus treinos, seja sobre a performance ou seja sobre o seu estado físico.
Enfim, tenha um canal de comunicação gigante com ele.


Nutrição e hidratação nos treinos
Falei há pouco sobre a importância da nutrição e hidratação nos treinos.
Pratique isto com a mesma importância dos treinos físicos.
É difícil ao extremo acertar os tipos e quantidades de nutrientes e líquidos para provas longas.
E, no dia da prova, não ouse modificar nada que não tenha sido exaustivamente treinado.


Treinos longos - duração - onde - como...
Os treinos chegarão a um ponto em que você vai passar pelo menos 3 horas correndo, ou 6 horas pedalando, ou 1,5 hora nadando direto. Claro que em dias alternados. Fora todos os preparativos para realizar esses treinos.

Ciclismo
No meu caso, o pedal é o item de maior dificuldade, devido à logística.

Cagão que sou, tenho evitado nos últimos anos pedalar na Rio/Santos, devido a vários incidentes e acidentes, desde atropelamentos, assaltos, enfim...

Para quem é de São Paulo ou região, recomendo gastar um pouco mais de tempo e dinheiro e treinar no Riacho Grande, na Estrada Velha do Mar.
Um percurso de 8 km, perfazendo 16 km cada volta, porém com muito mais segurança. Quem conhece sabe do que estou falando. Quem não conhece, procure conhecer.

De qualquer forma, imagine um treino, já no final dos ciclos, de 180 km mantendo uma média de 30 km/h. Serão 6 horas ininterruptas pedalando. Tempo esse que vai aumentar para que você possa fazer uma ou mais paradas para uma mijada amiga, um reabastecimento (de líquidos ou alimentos), uma desempenada na carcaça. Lá se foram umas 6 horas e meia. Acrescente o tempo para ir e voltar ao local de treino.
Pronto. Pronto? Pronto nada!
Acrescente a preparação de tudo o que irá levar, no dia anterior.

Corrida
Embora o tempo e a logística demandada sejam bem menores, o desgaste físico é muito maior.
Comparativamente, o tempo do maior treino deve ficar em torno de 3 a 4 horas, dependendo do ritmo (pace) que for capaz de manter.

Não deixe de levar nutrição e hidratação necessárias ao treino.
Um cinto de hidratação, com encaixe para uma garrafa grande de água, vai muito bem. Esses cintos normalmente têm bolsos (nas bermudas também tem) para colocar outros itens, como cápsulas de sal, BCAA, etc.
Leve também uns trocados para comprar água pelo caminho, pois uma garrafa apenas não é suficiente.

Natação
Embora seja a modalidade de maior risco na prova, é o menor dos problemas para quem tem uma piscina adequada para treinar. Mas o desgaste também é grande. Um treino longo dá em torno de 1 hora e meia nadando direto.


Imagine que provavelmente serão 2 treinos diários, um de cada modalidade, com aumento progressivo de volume, até chegar a um patamar no qual, em 3 dias da semana, haverá um longão de cada modalidade.

Não quero tirar a motivação... Ao contrário, é apenas para que se saiba que não é fácil.

Descanso
Ah... o descanso.
Já li, ouvi e pratiquei muito.
O descanso é fundamental.
Um dia totalmente OFF, do meu ponto de vista, é imprescindível.
Fora o descanso entre os treinos, que deverá ser feito diariamente, antes que seu corpo cobre o preço.

Como diz o velho deitado (é velho deitado mesmo... e não velho ditado... kkk):

– "Descanso é treino".


Checklist
Faça uma checklist de tudo que irá precisar na prova.
Veja estes dois posts relacionados ao assunto:



Posts relacionados
Ainda, publicamos inúmeros outros posts relacionados ao tema geral desta matéria. Dentre eles, selecionamos para sua leitura:

* Texto excelente (Ser Ironman é um estado de espírito)
* Ironman 2009 - Etapa Florianópolis - 31.05.2009 (Decidindo me tornar Ironman)


Aproveitar o melhor
Por último, para aqueles aos quais se destina este post (os que querem terminar o Iron Full com muita saúde e alegria, e poder depois confraternizar com seus familiares, amigos, atletas) indico que retirem de suas cabeças toda e qualquer expectativa de fazer uma super prova, de bater um record que ainda não existe, de se superar a ponto de chegar rastejando ao pórtico de chegada, de prejudicar a sua saúde.

Recomendo que, após haverem percorrido todo o processo de treinamento, de testes disso e daquilo, de exames daquilo e disso, e de terem enfrentado todos os seus demônios, aproveitem a prova, pois ela é a cereja do bolo.
Se não gostar de cereja, que seja o morango. Se também não gostar, que seja aquilo que você mais ama do bolo.

Porque o primeiro Iron nunca mais vai ocorrer. Ele é único. Parece óbvio, mas não é.
Curta tudo e todos que estarão lá torcendo por você e por todos os atletas.
Aproveite cada momento.
Aproveite cada braçada no mar, com ou sem correnteza.
Aproveite cada pedalada, cada subida e descida, com ou sem vento, com sol ou chuva.
Aproveite cada passada, com cansaço ou com muuuuuiiiito cansaço.


Haverá momentos em que, com certeza, você se perguntará ""que porra você está fazendo ali"". Nesses momentos taca o "dane-se" e prossiga.

Estabeleça pequenos objetivos... como já fiz em "N" vezes.
Tipo... agora danou-se... num guento pedalar nem mais 1 km e ainda faltam 50 km. E depois ainda tenho que correr 42 km.
Ah é? Então ta! Perdi. Vou sair dessa porra. Mas, vou pelo menos chegar ao km 150 do pedal.
Uxi! Cheguei!
Então vou até o km 160... mas, vou priorizar me alimentar, me hidratar, diminuir ainda mais o ritmo.
Caraca! Completei os 180 km.
Bom... vou andar um pouco nessa corrida... já estou aqui mesmo!
Véio... completei os primeiros 21 km... acho que vou fazer mais 5 km.
Num é que agora só faltam 10 km???

E então, ninguém e nada mais vão impedir você de terminar...

E, quando chegar naqueles últimos 3 km da Búzios (em Floripa), onde já dá pra escutar o locutor falando para vários atletas:

- "Fulano...VOCÊ É UM IRONMAN !!!"

...do nada, você vai se pegar correndo como se houvesse acordado naquele momento... Danem-se as câimbras, as dores e dane-se o mundo, que eu não me chamo Raimundo. E se meu nome for Raimundo, melhor ainda...

Ou, de repente, sua prova sairá tão redonda, que você vai se surpreender e nunca mais deixará de fazê-la.


Qualquer que seja a sua experiência, tenho absoluta certeza de que ela lhe agregará muitos valores... para além da sua vida desportiva, muito mais para a sua vida pessoal.

Serão ensinamentos de força, persistência, perseverança, amizades e outros tópicos, que você levará pro resto da sua vida.

Tenha certeza disso.

Ótimos treinos e
Aloha !!!

3AV
Marco Cyrino